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Coluna Além das Quatro Linhas •


Acabou 2012

redebomdia

Marco Pólo Del Nero é presidente da Federação Paulista de Futebol, e vice todo-poderoso da CBF comandada pelo arenista José Maria Marin e tem uma trajetória como advogado criminalista. Parece ironia, mas não é.

Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes e Bruno Lima Rocha

2012 foi um ano de conquistas para o futebol brasileiro, dentro das quatro linhas. Apesar de ser péssimo para a seleção principal, principalmente para o técnico Mano Menezes e aos torcedores que tiveram de aturar Zé das Medalhas no comando da CBF, os clubes conseguiram atingir os maiores títulos em disputa. Destaque para os quatro grandes paulistas, que após 14 anos terminaram uma temporada com, ao menos, um título cada.

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Internacionais

Após muitas piadas, o Corinthians finalmente carimbou o passaporte em 2012. No primeiro semestre, depois de passar por um difícil confronto com o Vasco pelas quartas de final e pelo então campeão Santos nas semifinais, o time fez a alegria do “bando de loucos” ao vencer o Boca Juniors no Pacaembu e se sagrar, finalmente, campeão da Copa Santander Libertadores – que no ano que vem será Copa Bridgestone Libertadores (ô praga de nome de empresa, brand mark com a paixão mundial!).
Conhecido por alguns como “torneio de verão”, o primeiro Mundial de Clubes da FIFA (ou Torneio Eurico Miranda, com a primeira “reforma” meia-boca do Maracanã) realizado em 2000 também recebeu companhia no final do ano. Após atuações precisas, o Corinthians venceu o (nem tão poderoso) Chelsea - insistimos, vale ler na íntegra o dossiê de Roman Abramovich, dono do “clube” inglês e publicado no portal rumafia - na final do Mundial realizado em Yokohama, com direito a “invasão” corintiana. 2012 representou o ápice do trabalho iniciado pelo (sempre sincero) Andrés Sánchez (o cartola corintiano é a versão de Nelson Rodrigues, a bola como ela é, com direito a afirmar que sentia falta de freqüentar as termas e tomar os gorós de Ballantine’s como antes fazia...) no final de 2007, quando o time foi rebaixado para a Série B do Brasileiro.

Ainda na capital paulista, o rival São Paulo começou o ano sob suspeita de todos, com momentos conturbados vividos pelo tricolor paulista sob um comando demorado de Juvenal Juvêncio. A queda do ex-técnico Emerson Leão (o goleiraço é um tecnicozinho, muito regular, sempre estragando times e sendo demitido mediante polêmicas com setoristas) e a chegada de Nei Franco acabou sendo o chamado divisor de águas. No ano em que tudo parecia dar errado, com direito a uma parada de Rogério Ceni por alguns meses por conta de uma lesão em treino, o clube cresceu no segundo semestre.

No Brasileiro, se não veio a vaga direta à Libertadores, o clube mais europeu do Brasil terminou no quarto lugar, retornando ao torneio continental através de sua fase preliminar, onde enfrentará o Bolívar. Para fechar a fase de Lucas no clube – a maior venda da história do futebol brasileiro está a caminho do mais recente “novo rico”, o Paris Saint-Germain. Este “clube” pertence hoje ao Qatari Nassar Al-Khelaïfi, cujo diretor-esportivo é o ex-lateral e meia da seleção brasileira, Leonardo de Araújo, que também já trabalhou para Silvio Berlusconi no Milan. Na despedida do atacante, o tricolor do Morumbi o acabou conquistando a sempre menosprezada pelos brasileiros, Copa BRIGESTONE (agora a marca é de pneu) Sul-Americana em apenas três tempos, pois houve uma confusão entre os jogadores do argentino Tigre e a segurança do tricolor paulista no intervalo da partida final. Infelizmente, los hermanos apelaram para uma catimba exagerada e se recusaram a voltar ao campo. Também temos de reconhecer que em seu estádio o SPFC não gosta de perder nem par ou ímpar.

Ainda que num ano muito ruim, muito graças às consecutivas convocações de Neymar para a seleção brasileira, o Santos conquistou o tricampeonato paulista e a Recopa Sul-Americana. O craque santista seguiu sendo destaque, com mais gols, alguns pênaltis perdidos e duas obras-primas no gramado da Vila Belmiro. Uma foi contra o Internacional, pela Libertadores, e contra o Atlético-MG, pelo Brasileirão.

Carioca campeão e mineiro a surpresa

O título mundial corintiano acabou tirando o foco no campeão brasileiro. Além disso, tivemos um dos torneios menos disputados da história dos pontos corridos, com Fluminense e Atlético-MG disparando já no final do primeiro turno e recebendo apenas a companhia do Grêmio no segundo, com o Flu ganhando o campeonato com três rodadas de antecedência.

Os comandados de Abel Braga fizeram um campeonato praticamente perfeito e o Fluminense, quase rebaixado em 2009, ganhou dois títulos nacionais nos três anos seguintes – além do Carioca no primeiro semestre.

Alegria dos torcedores pó de arroz e da parceira Unimed, cujos títulos fizeram esquecer que os jogadores da base recebem bem menos que as estrelas do clube porque não são bancados pela empresa de saúde (este conceito é uma contradição em si!). Mais recursos para o time significa a manutenção do excelente elenco, uma vantagem essencial no Brasileirão. Quem não tem parceiro-quase dono, arranja-se com o que consegue...quando consegue.

A grande surpresa positiva ficou com o Atlético Mineiro. Ninguém esperava a bela campanha do Galo no Campeonato Brasileiro. O vice-campeonato acabou selando o bom desempenho apresentado por Ronaldinho Gaúcho – o que saiu do Flamengo por falta de salário e retomou um futebol razoável para o seu nível –, Jô e cia.

A gangorra palmeirense

“Crise”, eis a palavra que resumiria muito bem o maior campeão do século XX no século XXI. 2012 não foi diferente. Apesar da saída de Kleber, diretoria, comissão técnica e jogadores seguiram falando “línguas diferentes” durante a temporada. Sem o pára-raios do goleiro Marcos, agora aposentado, o ambiente ficou ainda mais confuso, pois nem o presidente do clube tinha coragem de falar.

A eliminação precoce no Paulista serviu para que os torcedores, e até mesmo a diretoria, descobrissem que o time contratara um craque para o ataque o clube. Barcos fez gols de tudo que é jeito e conseguiu, inclusive, ser lembrado para a seleção principal da Argentina, numa posição cuja disputa é fortíssima.
Tudo dava errado no clube, com direito a seqüestro-relâmpago da família de Jorge Valdivia e cirurgia de apendicite no dia do primeiro jogo da final. Mas Luiz Felipe Scolari parecia ter redescoberto o caminho das pedras. Com um time modesto e geralmente muito desfalcado, o Palmeiras conquistou de maneira invicta a Copa “Kia” do Brasil (agora a CBF de Ricardo Teixeira e Marin das Medalhas vendeu a marca para uma firma de automóveis!).

O que deveria ser motivo de alegria e tranquilidade para o resto do ano, algo pouco visto neste século, transformou-se em desespero a cada rodada que passava do Brasileiro. Dois meses após o título, Felipão foi demitido do clube e Gilson Kleina já não tinha mais o que fazer ao assumir o clube. O segundo rebaixamento veio dez anos depois do primeiro. O Palestra não aprendeu a lição anterior. Colecionou bobagens, com direito a eleição depois que começar a temporada, o que está prejudicando a contratação de jogadores num ano fundamental, em que voltará a ter uma casa para jogar.

Além das Quatro linhas

Mas em 2012 houve também uma pequena vitória do futebol brasileiro fora de campo. Após 23 anos, Ricardo Terra Teixeira ameaçou no Carnaval, para renunciar em seguida ao cargo de presidente da CBF. Depois de muita pressão popular e a antipatia da presidenta Dilma Rousseff, o “ex-ditador” resolveu buscar refúgio em sua mansão em Miami – com mais de R$ 100 mil mensais garantidos pelos seus asseclas. Já imaginaram uma Operação Condor às avessas para caçar cartolas acusados de corrupção?! O ex-chanceler chileno pagou o pato pelas patas da direita nos anos ’70. Mas o vento nunca batera ao revés....
Pouco mudou. O sucessor José Maria Marin, que meses antes “ganhou” uma medalha na Copa São Paulo Júnior, parece ter sido um “presente” de despedida de Teixeira. Com o braço direito Marco Polo Del Nero a tira colo (olha a PF aí!...malandro espiado demais se complica), Marin opta por fazer o que lhe convém, e não o melhor para o futebol.

Quando todo mundo esperava que Mano Menezes caísse após a medalha de prata nos Jogos Olímpicos, ele seguiu. Quando todo mundo esperava sua continuidade, ele caiu – junto a Andrés Sánchez (o campeão da sinceridade). Aos trancos e barrancos é verdade, Mano parecia estar conseguindo montar um time, com Oscar usando a 10, em companhia de Kaká e Neymar na parte ofensiva.

O “novo” modelo que o time precisava virá (?) da contratação de dois nomes “velhos”. Carlos Alberto Parreira assumiu a direção do futebol, enquanto que Luiz Felipe Scolari voltará como técnico da Seleção. Andrés cantou a pedra ao se demitir e a CBF – afirmando que a FIFA teria pressionado – liberou o nome antes de 2013, ano que tem a Copa das Confederações e muitas incertezas.

Que venha 2013

Desejamos a todas e a todos que nos acompanham neste espaço um ótimo 2013, e que o novo ano seja de muitas conquistas além das quatro linhas, já que dentro de campo não é possível agradar todo mundo.
Que a Copa das Confederações no Brasil, seja a melhor da história, não só tecnicamente, mas em infra-estrutura, já que os investimentos foram com dinheiro público, que este seja bem usado – por mais que nós duvidemos disso.

Que em campo Felipão consiga resgatar o torcedor brasileiro da mesma forma que na sua última passagem pela seleção, com um 2014 ainda melhor.

Até esperamos que em 2013 chegue ao fim esta coluna, que não tenhamos mais nada a falar além das quatro linhas. Mas para isso ocorrer seria necessário mais que uma mudança num ano. Os problemas no e em torno do futebol são muitos. Até 2013!






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