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Coluna Além das Quatro Linhas •


O mundial do Brasil na era da mercadoria imagética. Ou, como fazer de uma bola rolando o modelo de negócios e arbitrariedades desportivas


Grandes marcas exploram a imagem de atletas, estes faturam boas comissões, mas não mais que a empresa contratante.

29 de junho de 2014 - Dijair Brilhantes e Bruno Lima Rocha

Abaixo, explicitamos exemplos gritantes do avanço da lógica de mercado dentro da Copa do Mundo do Brasil 2014; e como este modus operandi influencia dentro do jogo e, como sempre, mais do mesmo da arbitrariedade da FIFA.

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Fim da primeira fase, a justiça pouco justa

Quem perder volta pra casa, assim são os grandes torneios de futebol. Com a Copa do Mundo não é diferente. Após 48 jogos em 15 dias, 16 seleções voltam para casa. Surpresas técnicas ocorrem, às vezes o extra-campo influencia. Brigas por premiações como ocorreu com a seleção ganesa. Patrocinadores pagando prêmios individuais. É o pior do espetáculo capitalista atravessando o esporte mais popular e enraizado do planeta.

O raciocínio mercantil tem fim trágico dentro de campo. Grandes marcas exploram a imagem de atletas, estes faturam boas comissões, mas não mais que a empresa contratante. Chuteiras coloridas há alguns anos passaram a ser o grande lance midiático. Adidas e Nike fazem um duelo de que de que aproveitará melhor estes 30 dias. A sorte é necessária, algumas seleções se despendem precocemente, juntas levam seus craques, os “garotos” propaganda saem do foco. Quando o futebol passa a ser segundo plano, dificilmente está seleção sairá campeã.

 

Concorrência não

A FIFA criou normas restringindo as publicidades excessivas dos atletas em campo. O jogador não pode exibir marcas diferentes do material esportivo que patrocina a seleção, com exceção das chuteiras. Enganam-se quem acha que é para preservar o espetáculo futebol, a entidade máxima do futebol apenas não admite concorrentes. Considera um absurdo terceiros lucrarem sozinhos.

No jogo entre Brasil x Camarões, o talentosíssimo Neymar parece ter aprendido bem com Ronaldo Nazário, agenciador de sua imagem. O camisa dez da seleção brasileira está sendo investigado pela FIFA por deixar amostra a sunga de uma grande grife carioca. A mania de colocar a cueca aparecendo (febre masculina em vários lugares do continente americano), pode não ser apenas uma moda pós-adolescente ou exibicionismo masculino. Embora ambos neguem, era evidente que Neymar queria mostrar a peça. O jogador ficou em campo por alguns minutos após o término do jogo, e a imagem das redes de TV na volta do vestiário, também dão razão para a investigação. Neymar aparece com o calção bem abaixo da cintura, deixando a peça bem à mostra. Nada no meio do futebol que envolva marcas acontecem por casualidade. E Neymar desde cedo segue os passos do fenômeno.

 

Suárez a justiça injusta  

O polêmico atacante uruguaio Luis Suárez em pouco mais de um mês foi do inferno ao céu e caiu de um precipício. O aguerrido e hábil atacante uruguaio foi o principal responsável pela vitória do Uruguai sobre a Inglaterra. Suárez marcou os dois gols da virada charrua sobre a seleção inglesa. Tudo isso após o atacante ter passado por uma artroscopia no joelho esquerdo em 23 de maio. 28 dias depois Suárez era o herói uruguaio. A celeste estava mais viva do que nunca, para continuar sonhando bastava vencer a tetra-campeã Itália no último jogo da fase de grupos. A tensão do jogo mais uma vez fez Luisito perder o controle emocional. Aos 33 minutos após confusão na área, o camisa 9 uruguaio tascou uma mordida no obro do zagueiro italiano Chiellini.

Para sorte do Uruguai, o árbitro não viu o lance. Com muita luta na base da vontade a vitória veio aos 35 minutos do segundo tempo, com um gol do zagueiro Godín. E deixou o fantasma de 50 mais vivo do que nunca. O paisito se despediu nas oitavas de final ao perder para a excelente seleção colombiana e seu ataque infernal. Mas Suárez perdeu antes. A FIFA puniu para além da média, exagerando para dar exemplo contra o atacante de um país não tão poderoso. Se a dentada fosse de um jogador brasileiro ou argentino, haveria a mesma punição?

 

A punição arbitrária

Suárez merecia mesmo uma punição. Não há o que explique um atleta agredir um companheiro de profissão; embora o fator emocional influencie nas atitudes dentro de campo. Mas a punição imposta pela FIFA foi arbitrária. Pegar imagens da televisão e simplesmente banir o atleta do mundial, não nos parece a forma mais democrática de agir. Por que não foi dado ao jogador o direito de defesa? O alto escalão da FIFA está acima do bem e do mal. Por que outros atletas não receberam nenhum tipo de punição por lances considerados maldosos. Carrinhos violentos que podem causar graves lesões nos companheiros são menos agressivos? 9 jogos pela seleção, proibição de quatro meses de participar de qualquer evento ligado ao futebol, além de multa de 100 mil francos suíços, para os cofres da Dona FIFA, essa foi a pena do camisa 9 celeste. Talvez Suárez não se enquadre no padrão de jogador preferido pela entidade máxima do futebol, eles preferem o bom menino. Ou melhor, preferem apenas um garoto propaganda, bom de bola e cara de idiota, perfeito para vender porcaria com logomarca cara e fabricada com mão de obra semi-escrava em algum lugar da Ásia.

Blatter e sua turma poderiam aproveitar para banir dirigentes corruptos do futebol, mas teriam problemas de ordem interna. Suicídio coletivo não seria má ideia, certo.... 

Observação final

Este texto em  forma de tópicos foi escrito a quatro  mãos logo após o empate de Brasil e Chile (1 x 1),  partida realizada no estádio do Mineirão, 28 de junho de 2014. No momento em que estávamos revisando-o recebemos a informação de que militantes sociais deste mesmo estado, Minas Gerais, estão sendo intimados e depor em delegacias de polícia por suspeita de “terrorismo”. É muito perigosa a tarefa de elevar a crítica por esquerda durante a realização de um grande evento esportivo.

Dijair Brilhantes é estudante de jornalismo e Bruno Lima Rocha é professor de ciência política e de relações internacionais.






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