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Coluna Além das Quatro Linhas •


Veio 2013, com ele o futebol, a FIFA e seus escândalos de corrupção

France Football - capa

O "Qatargate" e lá vamos nós em 2013...

05 de fevereiro, Anderson Santos (editor) e Dijair Brilhantes

Milhares de torcedores costumam visitar os países-sede de grandes eventos esportivos. Imagina gastar muito dinheiro para ter que andar sob uma temperatura que não baixa dos 30º. Imagina agora ser jogador de futebol e, mesmo com estádios climatizados, sobreviver durante um mês assim?

No último dia 29, a revista France Football, tradicional periódico esportivo da Europa, trouxe a público mais um dos bombásticos assuntos envolvendo uma das entidades mais poderosas do mundo. Em um especial contendo 20 páginas, afirma que o governo do Catar comprou o direito de sediar a Copa do Mundo FIFA 2022.

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QATARGATE

Quando o Catar foi escolhido como sede da Copa do Mundo FIFA 2022, de cara algumas dúvidas apareceram. Pulgas saltaram para as orelhas das pessoas próximas ao futebol. Afinal, o país de bilionários concorria, nada mais nada menos, com locais que já realizaram, e de forma primorosa, Copas, casos de Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão, e com a Austrália, que com Sidney sediou as Olimpíadas de verão de 2000.

Notícias sobre como a FIFA, através de seu Comitê Executivo, teria vendido a sede deste evento para o Catar apareceram aqui e acolá desde o primeiro momento. Não só em relação a este país, mas também a escolha da Rússia como sede do mundial de 2018, quando concorreu, dentre outros países, com as candidaturas da Inglaterra e da Espanha e Portugal (reunidas).

Mesmo que consideremos as realizações das Copas de 1994 (Estados Unidos), 2002 (Coreia do Sul e Japão) e 2010 (África do Sul) em países sem tradição no futebol, é bem diferente dos casos destes países, repletos de bilionários sendo presidentes de “novos ricos” europeus.

O governo do Catar teria montado um “plano para convencer” os 24 membros do Comitê Executivo da FIFA a optar pelo milionário Catar.

A denúncia da France Football dá nomes aos supostos envolvidos, entre eles figuras que extrapolam os limites do futebol, casos do ex-presidente da França Nicolaz Sarkozy e do príncipe-herdeiro do Catar, Tamim Bin Hamad Al Thani.

Em 23 de novembro de 2010, Sarkozy teria ofertado um jantar com a presença do príncipe herdeiro do Catar, o atual dono do francês Paris Saint Germain e com Michel Platini, craque nos campos e atualmente presidente da UEFA. Sarkozy pedira o voto de Platini ao Catar em troca de benefícios, tais como: a compra e a reconstrução do PSG, um dos principais times do país (que se deu em junho de 2011) e a criação de um canal de esportes para concorrer com o Canal + (o BeInSport foi criado).

A suposta “quadrilha” montada para obter votos, também atacou no melhor time do mundo. Ao presidente da Federação Espanhola de Futebol, Ángel Maria Villar, foi ofertada uma troca de votos: os eleitores do Catar votariam na candidatura conjunta de Portugal e Espanha para 2018, que acabou sendo ganha pela Rússia.

Além disso, pairam dúvidas também sobre nomes importantes do futebol mundial, casos de Joseph Guardiola, que será técnico do Bayern de Munique a partir de junho; Zinedine Zidane, que dispensa apresentações; e Sandro Rosell, presidente do Barcelona e amigo de Ricardo Teixeira.

PARCERIAS

Além deles, claro que deveria ter nomes bastante conhecidos por essas bandas: Ricardo Terra Teixeira, ex-presidente da CBF, e Júlio Grondona, “dono” da AFA, a associação argentina. Parece impossível ver qualquer notícia ligada à corrupção no esporte sem ver os nomes de Teixeira e Grondona.

A Associação Argentina de Futebol e Teixeira teriam sido “agraciados” com uma “super cota” paga pelo amistoso disputado em novembro de 2010 entre Brasil e Argentina. O valor passou dos tradicionais 1,2 milhão de dólares para 7 milhões da mesma moeda.

Algo semelhante teria acontecido com o camaronês Issa Hayatou, presidente da Confederação Africana de Futebol, e o marfinense Jacques Anouma, que teriam recebido 1,5 milhão de dólares.

Neste bojo, recorda-se que o acordo de renovação do contrato para gerir os amistosos do Brasil foi feito ainda com Ricardo Teixeira sob o comando da CBF, no Catar, com a empresa ISE.

Seguindo a falar do ex-presidente da CBF, lembramos ainda que a filha de Teixeira denunciara para Daniela Pinheiro, na revista piauí, que o pai apoiaria Mohammed Bin Hamman, presidente da Federação Catariana, e não Joseph Blatter nas eleições para a presidência da CBF. Um dos motivos que explica a saída dele do mundo de futebol – apesar de até janeiro ter recebido mais de R$ 100 mil para prestar consultoria à Marin, Del Nero e cia.

A grande bomba de 2013 até agora, mas por que?

A denúncia é importante, ainda mais por se tratar de uma grande revista esportiva mundial, mas gerou uma grande questão: por que uma parceira da FIFA faria uma denúncia deste nível?

Explicamos. A France Football entrega o Ballon D’Or ao principal jogador em ação na Europa há muito tempo. O prêmio de melhor jogador do mundo da FIFA surgiu depois, sendo incorporado ao francês nos últimos anos. Não faz sentido uma parceira denunciar outra.

Pois bem, não há uma linha denunciando Joseph Blatter, mas sim alguns membros do Comitê Executivo da FIFA, seguindo a onda do suíço de fazer o possível para “limpar” a entidade – papo desde que ele assumiu como presidente, em 1998.

Expor o Qatargate, como chamou a revisa francesa, estaria nos planos de Blatter por envolver nomes que, por algum motivo, traíram-no recentemente e, além disso, possibilita a correção de um possível erro de mercado: mudar a Copa do Mundo FIFA 2022 de local.

Enquanto isso no Brasil...

Na semana desta denúncia, o Estadão anunciou que o Brasil teria pago US$ 100 mil para que Jêróme Valcke, atual secretário-geral da FIFA, para prestar consultoria na montagem da proposta brasileira para a sede da Copa do Mundo FIFA 2014.

Valcke assumiu que recebera a quantia para isso, mas que estava afastado da entidade no período (2006-2007) – após a justiça condenar a FIFA por seu departamento de marketing, dirigido por Valcke, assinar com a Visa, desrespeitando contrato anterior com a Mastercard.

Curiosamente, o secretário-geral é o principal crítico dentro da entidade à realização do evento no Brasil, pressionando desde o Comitê Organizador Local à presidenta da República.

E Ronaldo ainda pede para a imprensa pegar mais leve...






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