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ISSN 0033-1983
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As águas secaram


O gesto político e simbólico do frei rebelde implica um grau de sacrifico e rompimento superior ao que seus aliados estão dispostos a pagar. A ruptura seria entre a base social da Igreja e o governo, levando de arrasto a CNBB. Este preço não foi pago.



Perspectiva política brasileira, boletim eletrônico 04, 23 de dezembro de 2007

No dia 20 de dezembro de 2007, ao findar sua greve de fome, o bispo de Barra (BA), Dom Frei Luiz Cappio, anunciou ao país o limite da luta entre a Igreja e o governo central. Noutros tempos, o ponto de virada na correlação de forças interna, deu-se justo no rompimento entre a CNBB e os ocupantes do Planalto. Não foi o caso.

A transposição das águas do Rio São Francisco, além do tema em si, carrega um de valor simbólico altíssimo. As águas do Velho Chico representam a integração do país, os ciclos do gado, a formação da idiossincrasia do sertanejo nordestino e a ausência de identidade entre o Brasil do eixo Rio-São Paulo-Brasília e o país profundo. Por maiores que sejam os vínculos orgânicos entre a ala minoritária francamente identificada com a Teologia da Libertação, a ausência de centralidade levou à desistência.

Não se rompe com um modelo de convivência política medianamente pacífica de uma hora para outra. Tampouco se realizam rupturas políticas de maneira polida e paulatina. O conselheiro econômico de Lula, Antônio Delfin Netto, viveu de adentro e do outro lado da mesa o afastamento entre a Igreja do Brasil e a Ditadura. Comeu caca em diversos organismos internacionais e viu a panela de pressão aumentar o fervo da panela de pressão “ampla, gradual e restrita”. Uma das criaturas daquela época, nascida na Igreja Matriz de São Bernardo do Campo, foi a legenda política parida entre greves e medidas de reforma assinadas pelo amigo do sábio economista paulista, o natural do porto do Rio Grande, Golbery do Couto e Silva.

O rompimento com o governo teria de levar o sacrifício não apenas de Dom Cappio, mas de centenas de milhares de famílias sertanejas. São as leis da política, cruas e cruéis. Assim o foi com o ex-cura dominicano Camilo Torres Restrepo; exemplo e martírio para romper com a aliança de sua Igreja com a oligarquia colombiana. A CNBB não permitiria este mártir jamais. E, com a base social mobilizada não podendo bater com força, as críticas e “reflexões” não apontam a um objetivo político. Tudo deu em quase nada.

Ora, sendo o MST o movimento de proa da Via Campesina e tendo condições de mobilização únicas no país, a medida tática inicial seria, no mínimo, a exposição de parte de sua direção nacional ao sacrifício. Isto porque o discurso de que a pressão se resolveria no STF é de uma inocência política impensável para quem lida na interna do PT ou de qualquer outro ex-partido de esquerda governando por direita. A transposição do São Francisco é algo tão grave, que a democracia exigiria um plebiscito entre toda a população por onde o Rio passa. Ou isto ou um plebiscito nacional.

Para não ficar em cima do muro, preciso dizer o óbvio. Este analista, esta página e a gama de entidades com as quais este portal se relaciona são terminantemente contra este absurdo. Concentração de renda, refinanciamento de empreiteiras, mau uso dos recursos hídricos e tudo com metas para a exportação. A irrigação sem desconcentrar é na prática mais subsidio para o agro-negócio, esteio da balança comercial brasileira. Ou seja, o Rio desviado vai ajudar a bancar o superávit. Claro como água outrora transparente.

Dom Cappio ficou isolado em seu labirinto de fé. A comoção que ele e seus pares gostariam teria como preço a sua vida. Ou isto ou um estado de mobilização contra o governo Central com o mesmo grau de agressividade do dia 27 de maio. Ou seja, algo que não passara de luta pontual, embora importante para levar à gravitação de um novo pólo de esquerda, mesmo que ainda somente de esquerda social.

Nada disso ocorreu, para o sorriso dos desenvolvimentistas, segundo time do governo de Meirelles. Primeiro vêm os bancos, a banca, os juros e as avaliações de risco dos próprios credores como o Credit Suisse, o City Bank e o Bird tão querido dos neo-neo ocupando o Piratini aqui no pago. Em segundo plano, os agentes econômicos ancorados no PAC, tais como as empresas de telecomunicações, empreiteiras dos mais diversos tipos de intervenção (obras sanitárias, estradas, mega-empreendimentos, etc); seguidos da aviação comercial, do transporte terrestre e do agro-negócio. Nesta feira, a xepa são os pequenos e seus biomas.

A pauta era perfeita, o plano bem feito, a medida justa, o escândalo internacional seria gigantesco, só faltou o mais importante: a força social necessária. Outra vez mais, uma medida estruturante deu lugar a um desespero por mais acúmulo de fundo monetarista. Somos o país das chances perdidas. Até as águas secarem.

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