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Soja, a rainha do Sul – 2


Avançando sobre áreas verdes, sugando recursos hídricos, plantando e utilizando insumos transgênicos, o Brasil e o Cone Sul retornam para a condição pré 1930 de plataforma de exportação de produtos primários. A China, os caloteiros do agrobusiness, a jogatina da dívida interna e as transnacionais aplaudem este decreto de morte de nossa economia política.

Com atraso: artigo de 23 de janeiro de 2008 – Vila Setembrina dos Lanceiros Negros traídos – Continente dos Guascas de Andresito Guacuray e Nicolau Languiru

O debate de fundo a respeito da soja trata tanto da soberania dos países da América Latina, em especial os do Cone Sul, como da função dos alimentos no século XXI. No primeiro quesito, temos a repetição de um problema já visto antes, quando toda a economia do Brasil dependia da cultura do café. O craque da Bolsa de Nova York em 1929 foi o apogeu de uma crise já antes anunciada. Não foi por falta de aviso, mas com certeza por ausência de planejamento. O Brasil de 2008 é outro. Somos a 11ª economia do mundo e temos expertise em distintas áreas. Só seremos “surpreendidos” como povo e nação se os governantes deste país assim o quiserem. O assunto é delicado porque estamos falando de um setor gigantesco. Todo o agronegócio tem o superávit projetado entre US$ 55 e US$ 60 bi.

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Do outro lado do mundo, destino da maior parte da sojicultura brasileira, um anúncio importante foi feito na última semana do ano de 2007. O ministro das finanças chinês, Xie Xuren, afirmou que seu governo manterá a tarifa de importação de soja no simbólico patamar de 1%. A tarifa assim permanecerá até 31 de março, com a finalidade de assegurar um bom abastecimento de óleo comestível no voraz mercado da China. No momento não há limite para saciar este apetite. No médio prazo, ficaremos todos à mercê dos “humores e sinalizações” da China caso a próxima maior potência do mundo altere sua política de importação.

Uma alternativa para a diminuição das exportações de sojas e grãos em geral aponta para outra polêmica. Isto porque o outro debate é o destino dos alimentos e produtos primários. O perigo de utilizarmos largas áreas com monocultura. Se os combustíveis fósseis são poluentes e não renováveis, podemos afirmar o mesmo em relação aos recursos hídricos (para irrigação em larga escala), o uso de pesticidas e o controle de toda a cadeia de insumos por poucas transnacionais também produtoras de transgênicos. A pesquisa agropecuária brasileira é de ponta e dá resultados. Isto não está em discussão, mas sim o tipo de pesquisa aplicada e seu destino. No momento em que a balança comercial permanece ancorada sobre a produção primária em dimensões absurdas, o país já fez uma opção e vai pagar um preço por isso. Não há superávit que suplante o uso e avanço desregulado do plantio de soja na Amazônia legal.

Com nossos vizinhos ocorre algo parecido. O governo da Frente Ampla não apenas manteve o modelo do agronegócio como incentivou. No Uruguai, país de terras férteis, população envelhecida e com o interior despovoado, a área plantada alcançou 425 mil hectares. Isto equivale a um aumento de 5000%, ou mais de cinqüenta vezes o tamanho da área cultivada com esta oleaginosa na safra 1999/2000. Como sempre o foco de exportação é na China.

Este analista concorda com a avaliação da consultoria uruguaia, especializada no agro como negócio, Blasina & Tardáguila. Afirmam que no Cone Sul, a soja vai redesenhando tanto o setor primário, como a economia e a política regional. É o tipo de afirmação que pode e deve ser levada em conta. Esta empresa lidera o setor na Banda Oriental e jamais faria alarmismo contra uma cultura que lhes rende muitos dividendos.

Os custos sociais e os problemas no longo prazo já se fazem notar. A soja lidera a balança comercial de Brasil e Uruguai além de tampar o rombo no déficit público na Argentina. Outros dois países sofrem diretamente o efeito da sojicultura: Paraguai e Bolívia.

A leva de “brasilguayos” agora é seguida por “uruparaguayos”. Com a valorização das terras na Campanha uruguaia, os vizinhos mais ao sul seguem os passos de gaúchos brasileiros que se mudaram para o Paraguai no final da década de ’60. Novas áreas de selva e chaco vão sendo derrubadas para o plantio de soja e o resultado social é um novo êxodo rural, desta vez com guaranis expulsos de suas terras ancestrais. Os novos colonizadores compram terras ainda baratas e fumigam as áreas. O resultado tem duas versões. A da vitória comercial, com o Paraguai em 2007, atingindo pela primeira vez na história, a marca de US$ 1 bilhão em exportação de soja. E o da derrota étnico-cultural. O povo original cujo idioma é aprendido nas escolas vê seus descendentes, os guaranis de hoje, acampados e vagando em Assunção. É outra bomba relógio social acionada na América Latina.

Já na Bolívia, cuja área agricultável também conta com a presença de produtores brasileiros, uma das culturas de maior rendimento na província de Santa Cruz é a da soja. O interessante no caso boliviano é que a maioria dos que cultivam a soja em Santa Cruz são micro e pequenos produtores. Ainda assim, a intermediação é feita pela Câmara Agropecuária do Oriente (CAO) e pela Associação de Produtores de Oleaginosas e Trigo (Anapo). Uma das medidas do governo Morales é quebrar o monopólio de representação e conceder os créditos agrícolas diretamente aos pequenos produtores cruceños.

Voltando ao caso brasileiro, não restam dúvidas que o agronegócio é a locomotiva da economia brasileira, puxando a balança comercial e garantindo o superávit primário. A receita bruta das exportações do setor primário aumentou 18,2% em 2007, com superávit de 16,4% superior ao ano de 2006. Em valores absolutos o agro brasileiro exportou US$ 58,41 bi, tendo superávit na balança de US$ 49,7 bi. As vendas do complexo soja (grão/farinha/óleo) cresceram 22,3% em relação a 2006 atingindo a US$ 11,38 bi. Entre os vinte produtos mais rentáveis na agricultura brasileira, a soja é a líder, com renda projetada para 2008 de R$ 32,4 bi, sendo cultivada do Rio Grande à Amazônia. Não está em discussão a lucratividade da soja e de outras monoculturas. O debate no Brasil e no Continente, é saber qual a conseqüência estratégica disso.

Este artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat em 24 de janeiro de 2008 – nos equivocamos e demoramos a postar em nosso próprio portal.






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