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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

Breve análise da semana do 13 de maio e da votação da MP 664: camaleões e oportunistas fazendo a festa

sindmarceneiros

As MPs 664 e 665 têm uma perigosa coerência com o Projeto Lei 4330, o que aprova a terceirização da atividade-fim das empresas. Qualquer cálculo de isenção, fraude e sonegação fiscal ultrapassa as medidas de ajuste promovidas pelo ministro banqueiro e o governo de coalizão de centro-direita.

17 de maio de 2015, Bruno Lima Rocha

 

A base do modelo de empresa – e empresa em rede para a sociedade. Isto é o que está em jogo com o processo de austeridade fiscal que vem do governo e o golpe da reação com o Projeto Lei 4330, desengavetado por Eduardo Cunha. Nesta semana, a Câmara votou a Medida Provisória 664 e, através de outra manobra surpresa do cardeal neo-pentecostal e dono de mídia do PMDB fluminense, apareceu o projeto que revisa a base de cálculo previdenciário. Na prática, o Brasil assistiu outro triste espetáculo com políticos camaleões, onde neoliberais travestiram-se de defensores dos aposentados e ex-reformistas incorporaram o discurso da tal da governabilidade. Assim, a Previdência que é superavitária em mais de R$ 83 bilhões ao ano, caso este projeto venha a ser aprovado após passar por todo o rito parlamentar e a sanção da ex-guerrilheira arrependida (algo que duvido), pode gerar uma sobrevida um pouco menos injusta para os que contribuíram com o país por mais de 35 anos e da União levam a escassez porque tudo tem de entrar no maldito regime de caixa para gerar dividendos para os que vivem de capital fictício.

 

Vejamos na sequência alguns episódios mais marcantes desta semana última no cenário político e ideológico brasileiro. 

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Mais um arbítrio dos proprietários de meios de comunicação e uso indevido de concessão pública

 

No Rio Grande do Sul, o Grupo Bandeirantes tirou do ar a rádio Ipanema FM de Porto Alegre, uma emissora que mesmo em franca decadência em função de reajustes de seus controladores, representava o segmento de rádio rock e produção cultural regional contemporânea. Esta ausência se notará em todos os sentidos para as gerações que não acompanharam tais emissoras, como também o foi a Fluminense FM no Rio de Janeiro e a 89 FM em sua versão oitentista inicial. Para além da padronização do pop-rock e o aumento da hegemonia da versão comestível da música, temos outra perda de ordem maior.

 

O problema é que o grupo de comunicação é concessionário público e não o dono da frequência. Como o governo de coalizão de centro direita depende dos votos de proprietários de veículos que utilizam concessões públicas, logo o pragmatismo abre mão de quase tudo para fazer muito pouco ou quase nada. Dentre as pautas abandonadas pelo lulismo está a democracia da mídia e um conjunto de políticas públicas que regulamentem esse mau uso das concessões. O abandono de uma idéia de democracia de massas com a condição de veto do povo organizado resulta na situação absurda de estarmos a cada dia, mais refém dos controladores dos meios de comunicação concentrados. Das 11 famílias controladoras de veículos, não se espera nada além do que já fazem há 50 anos. Já do governo dos arrependidos já tampouco se espera mais nada a não ser um conjunto de traições sistemáticas.

 

O 13 de maio que passou em “branco”

 

Se há um setor estratégico no país e que se encontra ou fragmentado, ou desorganizado e bastante despolitizado, é a causa afro-brasileira e o sistema cultural que organiza a maioria dos brasileiros. O absurdo do Impérioo derradeiro e ratificado com o golpe militar de 15 de novembro de 1889 foi acabar com o regime de escravidão legal sem nenhum tipo de reparação do Estado. Combater esta hipocrisia oficial seria uma bandeira das maiorias do país. Seria, porque a corrente ou o setor que conseguir hegemonizar este discurso vai levar o Brasil todo ou quase todo. Logo, diante de nosso modelo de integração subordinada e racismo estrutural, diante de uma péssima correlação de forças e não incorporação da simbologia política da esquerda aqui atuante e estamos muito distantes dessa condição de luta.

 

 

Mais uma vez vivemos o dia 13 de maio com a data passando basicamente em "branco". Na ausência de um vigoroso movimento de massas anti-racista e afro-descendente, a maioria do povo brasileiro não consegue enxergar a si mesmo. Reconheço o mérito das poucas correntes radicalizadas da causa afro-brasileira, mas entendo que estamos muito distantes de ter um poder de veto real contra o racismo estrutural brasileiro. O índice de jovens negros assassinados e a conta sinistra desta fraqueza política diante do domínio pós-colonial.

 

 

Camaleões disfarçados de políticos conseqüentes na fábrica de salsichas

 

É parte da incoerência política brasileira a votação que pode, na base de cálculo, alterar o absurdo que é o fator previdenciário. A bancada tucana, que quando governo criou esta maldição, agora vota a favor. A entrada desta matéria na pauta faz parte do jogo de Cunha. Primeiro foi a PEC da bengala e agora essa mudança. Daqui a pouco pode ser a mudança no regime de exploração de petróleo e aí a coisa fica bem feia. Já a base do partido de governo votou com defecções e o aliado estratégico PC do B votou a favor da mudança. Uma ex-esquerda que não chega sequer a ser reformista está ficando especializada em vencer por direita e entregar as pautas históricas para os antigos adversários. A fábrica de salsichas anda a cada dia mais insalubre.

 

 

Ao acompanhar o padrão de votação dos parlamentares na MP 664 e identificar a ausência da esquerda sindical em plenário, podemos observar o recuo político que vivemos hoje no país. O governo de coalizão cobra seu preço no pacto de classe (dominante) e na traição de classe subsequente. Diante dos ataques que vêm do Planalto, CUT e CTB fazem tímidas demonstrações de repúdio e a peleguice histórica da Força Sindical consegue liderar o protesto pela segunda semana consecutiva, sendo novamente expulsa das galerias da Câmara. Hoje a esquerda restante do Brasil está pagando por sua (nossa) falta de organização coletiva e grandeza política; assim, em dez anos não se gerou um instrumento sindical-social para superar a ausência da CUT dos anos `80 e estamos sem esta representação coletiva. Os pelegos históricos e táticos aproveitam – e muito – esta condição.

 

Apontando a conclusão óbvia

 

O pano de fundo é o desmonte da regulação restante entre a força de trabalho e os empregadores, alterando, para além do sistema produtivo, o ritmo de vida na sociedade brasileira, que já está para lá de acelerado. Eu canso de repetir isso. Se o PL 4330 passar no Senado e Dilma não vetar, a ex guerrilheira estará jogando na lama toda sua trajetória, realizando a profecia maldita de FHC. Este, como político, é um bom sociólogo, mas que não resistiu a acertada crítica de Octavio Ianni. Nestas horas, realmente eu preferia sentir estar equivocado. Infelizmente, percebo que acerto na análise, para desgraça do Brasil.

 

Esta análise foi originalmente publicada no blog do Instituto Humanitas Unisinos (IHU)

 






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