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ISSN 0033-1983
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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

Uma campanha radicalizada pela metade

Revistanordeste

Os dois economistas concorrem acirrando seus discursos, opondo uma plataforma de direita (base de Serra), com uma linha “melhorista” (Dilma) já considerada clássica da política contemporânea latino-americana, marcando uma centro-esquerda não-classista. A radicalidade discursiva fica anos luz de distância das plataformas históricas da esquerda brasileira que dera a base para o governo de conciliação do atual mandatário. Já o filho de calabrês criado na Mooca, repetiria em escala nacional o reinado tucano no planalto de Piratininga (não precisa falar mais nada!). Nesse pleito, as esquerdas já perderam antes mesmo de começar a corrida eleitoral.

28 de outubro de 2010 , da Vila Setembrina dos Farrapos traídos por latifundiários entreguistas e lanceiros negros desaparecidos pela mentira sistemática do falso folclorismo, Bruno Lima Rocha

Venho assistindo por obrigação profissional aos debates entre candidatos a presidente, ocorridos em 2010. Confesso que as edições do segundo turno vêm me agradando mais, embora também reconheça ser nestas ocasiões quando o senso comum condena a campanha como agressiva e pouco programática. É difícil rebater esta tese, e os analistas não podem negar o óbvio. Reconheço a impressão transmitida na corrida eleitoral como esvaziada de sentido e, ao “apelar para baixaria”, iguala os candidatos em vários aspectos. Ainda assim, fica a questão. Como é possível marcar a diferença se os campos de alianças se assemelham?

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Mesmo reconhecendo que José Serra e Índio da Costa (PSDB-DEM) e Dilma Rousseff e Michel Temer (PT-PMDB) não se equivalem, observo serem muitos os pontos de concordância. Bastava discorrer sobre os temas como agro-negócio e modelo de plataforma de exportação de produtos primários que veríamos a semelhança. É esta variável, a da permanência de estruturas de poder comuns a ambas coligações, que levanto para identificar o porquê da campanha ter descambado para denúncias, acirramento de ânimos e agressividades sobre os atores políticos e não objetivando os projetos que os mesmos representam ou dizem representar. Nos debates a pauta é marcada pela tentativa de criminalizar ou ao menos pôr sob suspeita o acionar político do adversário e, ao mesmo tempo, desqualificá-lo como gestor público e tribuno. Chega a ser enfadonho ouvir a mesma ladainha, mas a linha discursiva tem uma razão de ser. Ora, se o outro é incapaz e suspeito de condutas não-republicanas, simplesmente não há como discutir e debater. Isto porque, em afirmando o argumento, há uma barreira de convivência e confiabilidade, onde a “moral republicana” implicaria em ser uma “pessoa de bem” e, simultaneamente, “preocupada com o bem comum”.

Identifico em José Serra a primeira base de afirmação (“Serra é do bem”) e em Dilma, a segunda (“A presidente que não vai deixar privatizar”). O curioso é que, se formos analisar pelo campo das alianças e as reduzidas margens de manobras marcadas pela política econômica comum, poderia haver mais semelhanças do que disparidades. Talvez este seja o motivo do porque a radicalização dos discursos de campanha no segundo turno não ter vindo acompanhada de mobilização de voluntários e sim de cabos eleitorais remunerados para as funções de menor complexidade, tais como: gritar o nome dos políticos e aplaudi-los, distribuir santinhos, balançar bandeiras e até trocar empurrões.

A campanha está radicalizada, mas conforme é dito aqui no sul, “à meia boca”. Como se sabe, ambos escondem o jogo ou ao menos não o declaram. Se a aliança de centro-direita for expor os seus pressupostos, inclinados ao neoliberalismo, irá perder votos pelo fator rejeição ao governo FHC. Já se a coligação de Dilma for afirmar o que declarara no 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (3º PNDH), sofrerá intervenções de agentes com poder de veto político e midiático, tal como ocorrera no tema dos direitos reprodutivos e descriminalização do aborto.

Enfim, fica a dúvida. Como se pode fazer política com profundidade se os candidatos ao Poder Executivo da 5ª economia do mundo não falam publicamente o que pensam?

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat






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