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ISSN 0033-1983
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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

Uma campanha municipal de interesse público (Coluna da Revista Voto, set. 2008)


A Outra Campanha retoma uma tradição da política brasileira, quando a idéia de protagonismo caminhava junto da organização popular.

08 de agosto de 2008, Vila Setembrina dos Farrapos – Continente dos Traídos em Ponche Verde – Liga Federal de los Guascas de Artigas y Güemes

Sempre imaginei uma forma dos sindicatos de municipários atuarem na ofensiva política durante a campanha eleitoral local. Eis que a teoria vem a ser testada. Alguns movimentos populares gaúchos estão promovendo uma agenda positiva chamada de Outra Campanha, sem vinculação a nenhuma candidatura. É a chance de executar algo proativo, cabendo a entidade sindical informar e pautar o eleitorado a respeito das urgências dos munícipes.

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A equipe da Outra Campanha levantou dados gerais em fontes abertas tratando de mazelas básicas dos brasileiros. O problema estaria em traduzir os números macro para um mapa de realidades cidade por cidade. A situação é urgente.

Após a Constituição de 1988, coube ao município ocupar a ponta de alguns serviços públicos, como saúde, educação, parte das políticas de habitação e saneamento. O problema já arranca no embasamento na hora do voto já é ruim. Segundo pesquisa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 40% do eleitorado não alcançou primeiro grau completo de estudo. Sobre esta massa de analfabetos funcionais atua o déficit habitacional brasileiro de 7,9 milhões de moradias, gerando 40 milhões de sem-teto no país. Os fatores cruzados de baixa renda e pouca escolaridade implicam em moradores de áreas precárias. 86% dos que são sem-teto ou que vivem em habitações insalubres são pessoas com renda de até 3 salários mínimos. Portanto, ganham mal, tem pouco estudo e reduzidas chances de mobilidade social.

Na outra ponta do não-planejamento urbano está a especulação imobiliária. Complementar ao déficit de moradia, 5 milhões de residências estão fechadas sem qualquer uso ou ocupação, sendo que muitas se encontram nos grandes centros urbanos. Enquanto a construção civil explode na vertical, no subsolo a situação é inversa. Saneamento corresponde a tudo que envolve os serviços de água, esgoto e coleta de lixo. Ao todo no Brasil são 47 milhões de pessoas que não tem água de qualidade para o consumo e 36 milhões de moradores nas zonas urbanas sofrendo com a falta da rede de esgoto ou fossa séptica. Com relação à coleta de lixo, somente cerca de 2% dos municípios possuem coleta seletiva e 5% do lixo é reciclado. Isso significa que a maior parte do lixo não é aproveitada e sem destinação adequada. Por outro lado, milhões de catadores realizam o serviço de coleta de forma gratuita e com remuneração miserável.

Para concluir o coquetel de exclusão brasileiro, está a ausência da pré-escola. Com relação à educação infantil dados de 2006 do IBGE mostraram que o Brasil tem apenas 15,5% da população de 0 a 3 anos freqüentando as creches. São 1,7 milhão de alunos de um universo de cerca de 11 milhões de crianças. A solução desse problema no curto prazo demandaria a construção de 36 mil novas creches até 2011. Até lá, as crianças vão se socializando nas ruas e não em aparelhos adequados, o que implica em reforço da marginalidade e baixa integração social.

Se pusermos os déficits estruturais dos municípios brasileiros sobre os mapas e cruzarmos com os índices de desenvolvimento humano e social, teremos localizado os focos da exclusão, violência e pobreza. É a chance de inverter as prioridades, primeiro debatendo os projetos e depois os nomes de executores. O sindicato que assim proceder vai pôr nas cordas qualquer discurso demagógico e vazio de conteúdo realizável. E, como fiel da balança, terá uma parcela da população ao seu lado.

Este artigo foi originalmente publicado na Revista Voto, edição de setembro de 2008, Ano 4, No. 47, página 66, ISSN 1982-730-X






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