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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

A crise no cassino financeiro globalizado


O absurdo especulativo chegou ao ápice quando sem nenhuma garantia de lastro material, uma casa com dívidas serviu de base de empréstimo para outras 36 casas inexistentes.

Bruno Lima Rocha

A 2ª feira 29 de setembro foi um dia histórico para o capitalismo contemporâneo. Quando a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos rejeitou o pacote de salvação financeira para os aventureiros banqueiros de lá, ficou explícita uma noção de que a crise é crime. O tema é complexo e vou abordá-lo ao longo desta semana. Mas, é preciso compreender que a gestão temerária e as fraudes seguidas dos balanços de gigantes corporativos de tipo sociedade anônima foram a essência do governo de Bush Jr.

Se há crise no capitalismo, não é por super produção, mas na transformação em commodities de tudo o que puder ser comercializado em um mercado futuro. Explico. Tudo que ganha forma de mercadoria pode ser alvo de especulação. E, para piorar, o dinheiro circulante no mundo é composto de mais de 80% de ativos financeiros. Os índices mais corretos apontam que somente 1% do dinheiro é em espécie, sendo papel moeda ou metal. Outros 11% são depósitos bancários perfeitamente quantificáveis e com identificação de valor. E o montante que sobra, 88% do bolo, é pura jogatina. Não há economia real e sem lastro que resista a tamanho descontrole.

A bolha imobiliária é sempre o primeiro sinal de crise. Primeiro explodem as negociações de tipo imóvel para residência ou negócio. A luta sem dó pelo solo urbano e metropolitano é seguida pela expansão do crédito de risco e a compra, no sentido especulativo, de milhões de metros quadrados urbanizados. Assim ocorreu em 1929, o mesmo de sucedeu nas operações de tipo land sharking da bolha japonesa do final dos ’80 e que atirou o Japão na recessão desde então e o mesmo se deu agora na última década com o absurdo da tal sub prime dos EUA.

Quando a economia perde a sua materialidade aparente e ganha outras formas de materialidade, o quesito confiança aumenta de importância. Vivemos a era da informação e em especial das tecnologias de informação. Ainda assim é a coxia que funciona no submundo dos negócios financeiros. Os bastidores jogam papel fundamental e entram com peso as agências de risco. A Standard & Poor’s se definiu como o supra-sumo da picaretagem globalizada, ao avalizar de forma positiva o poço sem fundo do Lehman Brothers. Muitas destas agências deram créditos de confiabilidade para gigantes fraudulentas como a Merrill Lynch.O mesmo se deu no quesito peritagem e auditagem, sendo que as empresas de “auditoria” não sobrevivem a uma auditagem bem feita, como é o caso da Pricewaterhouse Coopers ou a Arthur Andersen.

A quebradeira devia instituir, em termos societários, a severa punição dos executivos de 1º, 2º e 3º escalão das empresas estadunidenses que foram à bancarrota, como Bear Stearns; Fannie Mac; Freddie Mac; Lehman Brothers; a própria Merrill Lynch (imbatível nas falcatruas); os bancos de investimentos Goldman Sachs e Morgan Stanley e que agora vão capitalizar os recursos dos pobres correntistas; o Washington Mutual e o sexto maior banco dos EUA, o Wachovia. Na hora da rapina, instituições com alguma solidez e presença na Administração Bush Jr., como o Bank of America e o Citigroup (do chefe do governo do Copom Henrique Meirelles) vão comprar por preço de banana podre e com ajuda de dinheiro público a massa falida.

A roleta quebrada chega à Europa também com a quebra do banco inglês Bradford & Bingley - cuja falência foi dividida entre os súditos da herança de Thatcher e Major e cujo cadáver foi entregue para a sanha do Banco Santander; do alemão Hypo Real Estate - mega especuladora imobiliária e incorporadora; na longínqua Islândia onde o Glitnir, terceiro maior banco, foi “comprado” pelo governo local em 75% de seu controle; e no “banco de investimento” Fortis, onde os governos de Holanda, Bélgica e Luxemburgo - paraíso financeiro e ilha de lavagem de dinheiro no velho continente - entraram comprando 49% desta instituição cuja existência real é uma joint venture do cassino nos países baixos.

O bumerangue em termos de economia política dessa salvação de tipo “keynesianismo financeiro” é o aumento da dívida pública dos países de capitalismo avançado. Os EUA têm mais de 70% de seu PIB comprometido com o rombo do Estado. Leiam com atenção, a maior potência bélica do mundo tem comprometida a 2/3 de sua receita na ciranda sem fim do alongamento e transferência de sua dívida. Na Europa comunitária, os bancos centrais torraram boa parte de suas reservas. A aplicação de resgate e socorro não foi para a salvaguarda dos correntistas, mas sim dos CEOs das instituições especuladoras.

É provável que o parlamento estadunidense envie uma tábua de salvação. Dificilmente o Congresso dos EUA não irá socorrer a jogatina das finanças. Pode até ser que alguém pague o pato e vá em cana, mas guilhotinar coletivamente os bucaneiros do cassino digital, isso não irá acontecer, até porque significaria entregar o governo para Barack Obama. A variável explicativa da punição e da suspeita macro aponta o nexo político-criminal e financeiro como possível. Ou seja, o que gerador da crise foi uma conspiração de tipo clássica. Já existem linhas de investigações abertas pelo FBI. No Velho Mundo, a tese mais pertinente é a de um comissário da DST francesa (contra inteligência). Aponta o especialista em crime financeiro que a crise do sub prime teve o mesmo modus operandi de1987. Para quem não se lembra, este foi o ano crucial para Alan Greenspan à frente do Federal Reserve. E, detalhe chato, não apenas o mesmo procedimento de crise e suspeita de crime como uma boa parte dos suspeitos são os mesmos!

O único raciocínio razoável é o seguinte. O mundo em que vivemos é o da forma mercadoria quando tudo vira commodities e pode ser alvo de ação especulativa. De flutuação em flutuação a desconfiança impera. Na hora da bomba H entra em campo um híbrido de Keynesianismo de tipo financeiro para salvar os tubarões e especuladores de plantão.

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