Estratégia & Análise
ISSN 0033-1983
Principal

Artigos

Clássicos da Política Latino-Americana

Coluna Além das Quatro Linhas

Coluna de Rádio

Contenido en Castellano

Contos de ringues e punhos

Democracy Now! em Português

Democratização da Comunicação

Fale Conosco

LARI de Análise de Conjuntura Internacional

NIEG

Original Content in English

Pensamento Libertário

Publicações

Publicações em outros idiomas

Quem Somos

Sobre História

Sugestão de Sites

Teoria



Apoiar este Portal

Apoyar este Portal

Support this Website



Site Anterior




Creative Commons License



Busca



RSS

RSS in English

RSS en Castellano

FeedBurner

Receber as atualizações do Estratégia & Análise na sua caixa de correio

Adicionar aos Favoritos

Página Inicial




































































































































































































































































































































































































































































































































































































" target="_blank">



















































































































































































































































]> &acunetixent; " target="_blank">

























































































prompt(941983)" target="_blank">





































































































































































































































































































































Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

O Irã e o xadrez curdo

e-kurd

O suicídio de Farinaz Xorowanî marcou a elevação do conflito no Curdistão Leste e expõe a severa repressão que os agentes de Teerã exercem sobre a esquerda curda

20 de maio de 2015, Bruno Lima Rocha

 

A cidade de Mahabad é conhecida como a capital do Curdistão iraniano, e hoje opera como o epicentro da rebelião popular dos curdos contra a autoridade xiita de Teerã. O Curdistão Leste (Rojhelat) viveu um momento de rebelião após o dia 7 de maio quando uma jovem curda se atirou do 4º andar de um hotel cinco estrelas onde trabalhava como camareira. O motivo do suicídio de Farinaz Xorowanî foi um ato de rebeldia contra agentes da inteligência iraniana (Itlaat) que, ao alegar querer interroga-la tentaram forçar um estupro. O sacrifício da trabalhadora resultou em rebelião franca e aberta, com as tropas anti-distúrbios da província e forças regulares da Guarda Revolucionária do Irã (Pasdaran) usando munição letal no meio da rua. Tal episódio, ao contrário de ser uma raridade, é a norma de convivência entre o regime dos Aiatolás e a esquerda curda. Nos dias posteriores, a polícia política dos aiatolás prendeu mais de 800 militantes sociais curdos, o que certamente irá aumentar a estatística regular de assassinados pelo Estado; cerca de cem ativistas por ano são enforcados pelas leis do fundamentalismo xiita.   

enviar •
imprimir •

É difícil fazer uma critica contundente do Irã diante da esquerda ocidental. O regime fundado por Khomeini opera como um catalisador anti-imperialista, sendo criado para desafiar o alinhamento do ex-governante (o tirano pró-Ocidente, Xá Reza Pahlevi) derrubado em 1979 através de uma rebelião popular comandada pelos clérigos xiitas. A esquerda que restava no Irã passou a ser perseguida em 1981, quando foi expulsa das instâncias do novo governo e depois, equivocadamente, viu alguns de seus líderes posicionando-se ao lado de Saddam Hussein na guerra Irã-Iraque. Como o Irã vem desafiando tanto EUA como Israel e suas pretensões na região, sua imagem é bem recebida pelo progressismo ocidental, talvez por um amplo desconhecimento de sua política de controle interno. Assim, no ambiente doméstico, o governo de Teerã é tão autoritário quanto os demais da região, embora o xiismo seja- de fato – mais institucionalista e previsível do que o integrismo sunita e suas redes de terror indiscriminado. 

 

Desde 1979, o governo integrista xiita de Teerã foi responsável pela vitória militar do Hezbollah sobre Israel e seus aliados da direita cristã no sul do Líbano e recentemente, opera como aliado estratégico do governo de Bashir Al-Assad e o que resta da Síria já sem integridade territorial. Uma linha de poder xiita pode ser construída caso a Síria como governo formal e não de fato, somado com o controle de Bagdá pelas forças xiitas e todos retro-alimentados por Teerã. Para evitar esta malha de influência direta, o sunismo conta com as monarquias recheadas de petro-dólares e seus canais de apoio para as duas maiores redes integristas a Al-Qaeda e o Daesh (Estado Islâmico). Já as forças à esquerda no Oriente Médio dependem totalmente do guarda-chuva de organizações políticas-sociais-feministas e militares do PKK. No Irã, a representação do Confederalismo Democrático se dá através do PJAK (Partido da Vida Livre no Curdistão), fundado em 2004, cuja frente militar é operada pelo HPG (Forças de Defesa Popular).

 

Os acampamentos do HPG nas montanhas do Curdistão com soberania do governo da direita curda (KRG) formam a reserva estratégica da revolução social curda e, uma vez destruídos, toda a estrutura sócio-política do PKK por de vir abaixo. No Irã, isto implicaria a subordinação definitiva de mais de 14 milhões de curdos, dentro de uma população de 77 milhões de habitantes, com 50% de xiitas, sendo também relevantes os contingentes étnicos de árabes, azeris e turcomenos. Para os aiatolás, derrotar a rebelião curda é vital.

 

A vitória da esquerda curda em Kobanî (cantão central do Curdistão sírio) alertou para a possível necessidade de uma aliança tática no plano militar entre Irã e Turquia. Caso o HPG seja derrotado, Ankara e Teerã se livrariam do seu mais poderoso adversário doméstico e com influência direta na demarcação de suas fronteiras físicas.

 

O artigo foi originalmente publicado no Jornalismo B

 






« voltar