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ISSN 0033-1983
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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

A guerra civil na Síria e as novas conformações no mundo árabe e islâmico

Rádio França Internacional

Se as defesas do governo sírio forem seriamente atingidas, a tendência é de que o regime de Assad caia, transformando o território sírio em um novo Iraque, com a escalada de guerra sectária atingindo a patamares absurdos.

Bruno Lima Rocha, para o Jornalismo B

 

Comentário inicial: Às vésperas de um ataque da Marinha dos EUA contra as posições do governo de Hafez El-Assad, trago de volta este texto escrito para a primeira quinzena de julho e ainda inédito no portal. Como explico abaixo, infelizmente a Causa Árabe e as intenções anti-imperialistas na região se viram subordinadas às lógicas da geopolítica de Estados pivôs como Turquia, Irã e Arábia Saudita. O fim de um regime ditatorial termina como o início de uma guerra civil entre sunitas e xiitas em larga escala. A próxima década é de pura incerteza nos teatros mais duros do tabuleiro da Eurásia.

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O Estado sírio vinha sendo governado há décadas por uma tríade. A alta oficialidade de carreira vinculada ao Baath (Partido Nacional Árabe), uma herança não programática dos tempos do pan-arabismo sob inspiração Nasserista; pelo clã dos al-Assad – o atual, Bachar, como seu pai Hafez , agindo como ditadores seculares quase déspotas; e, não menos importante, pelos alauítas, um ramo do islamismo de origem xiita radicado na região.

 

É a partir destas relações de alianças que se conformam tanto os blocos de apoio ao contestado regime do Baath e dos Assad, como os grupos que contra este poder estabelecido e institucionalizado - mesclando-se com o Estado - se formam. Sem cairmos em ilusões típicas de uma mirada mais ocidental sobre a região, a primeira exclusão é de que o setor liberal, democrático e secular praticamente inexiste na rebelião síria. Portanto, a revolta que também é pelos direitos fundamentais, não implica em construir uma democracia estável e sim a ascensão ao poder dos grupos excluídos do mesmo pelos Assad. Se não há liberais radicais ou democratas convictos, menos ainda ideias socialistas de qualquer tipo lá estão presentes.

 

O regime dos Assad é sustentado internamente pelo clã ampliado por alauítas e a parte ainda leal da alta oficialidade e das classes médias urbanas vinculadas ao Estado. Externamente, tem sustentação por uma potência regional, o Irã e um partido libanês armado e teocrático que deste país é satélite, o Hizbalah. Este último é tributário do Irã de Khomeini, cuja rede de inteligência fazia da Síria seu corredor e santuário na luta contra a presença sionista no sul do Líbano. Além do Irã e do conjunto de xiitas na região – em especial os iraquianos, que lá são governo – o ainda governo sírio tem na Rússia de Putin sua aliada estratégica e recebe desta potência global o fornecimento de armas e divisas, além da pressão diplomática e de mídia.

 

Já a oposição, com exceção dos curdos estabelecidos na Síria, organizados no Partido Democrático Unido (PYD), que têm vínculos com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), é composta por sunitas e apoiada, de forma direta ou indireta, por duas potências regionais. Os opositores são dissidentes das forças armadas, estabelecendo o Exército Livre da Síria, força irregular que a mídia do ocidente equivocadamente relaciona como orgânica do Conselho Nacional Sírio. Isto é irreal e é mais um espelho distorcido do que um dado de conjuntura. Na primeira linha dos confrontos estão milícias de todo tipo, destacadamente jihadistas de linha wahabista, a mesma da Arábia Saudita – que os apóia -, incluindo grupos da Al-Qaeda. Ao lado destes, integristas salafistas, igualmente irreconciliáveis com qualquer proposta secular. A outra potência regional que apóia a oposição é a Turquia, e nisto estão incluídos campos de refugiados e certa mobilidade para os dissidentes na extensa fronteira comum. De forma indireta, a insurreição acaba recebendo suporte do Estado de Israel, através do exercício da supremacia aérea e dos seguidos bombardeios contra a Síria.

 

Embora o regime dos Assad seja uma ditadura incruenta e desumana, os mesmos métodos podem e devem ser atribuídos aos seus opositores. A suspeita de uso de gás Sarin recaiu primeiro sobre as forças do Baath e, por volta de abril de 2013, investigadores da ONU revelaram evidências do uso pelas milícias integristas sunitas. Recentemente as imagens tenebrosas de um combatente integrista suni retirando o coração de um inimigo caído em campo de combate materializam o tipo de motivação e envolvimento dos milicianos irregulares anti-Assad.

 

As expectativas de ampliação da democracia e do pensamento secular estão hoje muito distantes da Primavera Árabe e da Insurreição e Guerra Civil síria. Tal espaço é ocupado basicamente por jihadistas de credo sunita, tanto wahabistas como salafistas. Ressalto que estas duas linhas de pensamento político-religioso organizam as sociedades islamizadas reforçando os comportamentos mais conservadores.

 

Texto originalmente publicado no Jornalismo B, impresso quinzenal independente quinzenal de Porto Alegre e Região.






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