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ISSN 0033-1983
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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

No Congresso, outra desgraça anunciada

bahianoticias

Renan Calheiros e Henrique Alves representam o padrão da cultura política profissional operante no Brasil praticando o jogo duro do toma lá dá cá sem fazerem muita questão de explicitar seus métodos.

06 de fevereiro de 2013, Bruno Lima Rocha

 

Faz parte dos enunciados de esquerda buscar coerência entre discurso e prática. Em tese, ser contraditório é um termo pejorativo, apontando para o rebaixamento do nível político. Para defenderem-se, os pragmáticos de sempre afirmam que a “contradição é do aliado”, do outro, do menos coerente e não de quem com este aliou-se. Qualquer semelhança na relação orgânica entre PT e PMDB, incluindo a desgraça anunciada de termos os peemedebistas Renan Calheiros (AL) como presidente do Congresso e Henrique Alves (RN) à frente da Câmara, não é nenhuma coincidência.

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Se ainda há algo de relevante na análise das eleições para as mesas das casas legislativas, é fazer a crítica por esquerda. Tal processo veio sendo esmiuçado por todo janeiro, levantando trajetórias políticas em forma de prontuário. A vida pregressa e atual dos dois mui nobres e leais parlamentares eleitos por seus pares e apoiadores do governo de uma ex-guerrilheira é controversa, embora coerente. Se na recém eleita Mesa diretora do Senado, de seus 11 integrantes, seis respondem a inquérito ou ação penal no Supremo, eis a prova da coerência interna. Esta se reflete no voto dos 271 deputados federais para Henrique Alves e nos 56 senadores a apoiar Renan. É a síntese da conseqüência, “dize-me com quem andas e te direi quem tu és”. É impossível governar com o PMDB e uma boa parte da ARENA e sair impoluto. Não o foi com FHC e tampouco com Dilma e Lula.

 

Esta gente se move pelas regras da parábola inglesa, comparando a atividade do Parlamento e a fabricação de salsichas. Se soubermos como o alimento é produzido, pode haver repulsa ao seu consumo. O mesmo vale para as leis e acordos entre bancadas. Qualquer cidadão comum pegaria nojo desta atividade, com exceção dos próprios. Porque se a norma de conduta do baixo clero e da base aliada for a máxima do finado Robertão, “é dando que se recebe”, como esperar outro tipo de comportamento? Quanto custa a tal governabilidade?

 

Boa parte dos atuais quadros dirigentes do PT forjou-se na política nos anos ’80. Naquela década, abriram espaço para além do colégio eleitoral e logo depois fizeram ferrenha oposição nas ruas contra o ex-presidente da ARENA, que se tornara vice de Tancredo. Constava no glossário da esquerda outra máxima, afirmando que quando se governa com a direita, é a direita quem governa. Renan e Henrique Alves materializam este conceito, transformando os antigos inimigos não apenas em aliados, mas num grotesco mimetismo da oligarquia por eles representada.

 

Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat

 






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