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ISSN 0033-1983
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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

Deu a louca no vice


A sede do Banrisul, palco do início da privatização do que resta de patrimônio público no Rio Grande do Sul.

1º de maio de 2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de São Sepé

O vice-governador Paulo Afonso Feijó (Dem) declarou guerra permanente contra o seu governo. Abundam problemas desde a metade da campanha, entrecruzados com interesses e rivalidades empresariais de longa data. Seu desafeto era presidente do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) no governo Germano Rigotto e continuou na função na troca de comando no Piratini. Fernando Lemos, homem do PMDB de Záchia, é alvo de um dossiê extenso e cheio de insinuações.

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Para complicar, a pugna se soma à venda de 20% de ações preferenciais do banco estadual mais forte do país. Fechando no azul desde o Proer, o Banrisul tem uma carteira de clientes superior a 3 milhões de correntistas. Segundo os homens fortes da Fazenda, com a venda de ações sem direito a voto, o Banco terá um ingresso de capital da ordem de R$ 1bilhão e meio de reais. Caso consigam prosseguir na operação, a próxima soma seria de 49% de ações ordinárias, não prioritárias no lucro, mas votante. Passaria o Banrisul a ter capital misto, e provavelmente um Conselho de Administração ortodoxamente neoliberal.

No momento que escrevo o artigo, ocorre assembléia de acionistas e protestos do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre. Mesmo que o Banrisul siga sob controle do Estado, a mentalidade hegemônica somada a correlação de forças em sua direção deixará a lógica privatizante com margens de manobras quase ilimitadas. Temos de observar o papel que joga a Petrobrás para trancar o desenvolvimento nacional. Mesmo sendo líder em exploração em águas profundas e dotar o país de auto-suficiência de prospecção (não de refino), a gigante brasileira opera como transnacional. Mundo afora e país adentro.

A mesma situação se antevê em um dos últimos orgulhos do Estado Desenvolvimentista no Rio Grande. Empresas locais se fundem e transnacionalizam, a oligarquia rural perde espaço para empresas de reflorestamento e seus líderes ainda defendem mais medidas neoliberais. O argumento da venda do Banrisul é a geração de um fundo previdenciário para o governo, cobrindo parte do rombo da folha de pagamento e do IPE. Em parte é certo, apenas em parte. Conforme é sabido, a União deve mais de R$ 5 bilhões para o estado e outros R$ 14 bilhões esperam julgamento da dívida ativa. Tem R$ 19 bilhões de reais para serem resgatados e a solução final para o problema da dívida é vender parte do que resta de patrimônio?! É certo que não.

Voltando a ira de Feijó, a situação é tão inusitada, que agora o líder corporativo, ex-dono da Rede de Supermercados Econômico trabalha contra uma de suas metas. O dossiê pode redundar em breque para a venda da estatal. Sendo que, para um dos fundadores do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), bastião dos neoliberais gaúchos, a venda de toda a Banca estatal é questão estratégica. Este tema é reiterado e vale um estudo aprofundado. É quando a esfera ideológica supera o interesse econômico. Agora, com a investigação e o tom acusatório, as esquerdas e os sindicatos ganham munição para tentar impedir a liquidação de uma parte significativa do banco estadual.

O fenômeno é estranho, porque aqueles que se dizem agentes econômicos, preferem pelear empréstimos e créditos na Banca privada e transnacional, do que seguir se alimentando dos cofres públicos. Sim, porque programas como o Fundopem e Integrar RS, somados aos fundos de investimentos do Banrisul, Caixa RS e BRDE, destinam a maior parte de sua receita líquida para a oligarquia rural e urbana do pago. Considerando que o empresariado visa o lucro antes que nada, é inexplicável querer vender aquilo que os favorece há quase dois séculos.

Embora não seja de meu feitio, fui consultar a um dos gurus da ciência política gringa para ver se me ajuda. O polaco-estadunidende Adam Przeworsky, em seu clássico de 1985, “Capitalismo e Social-Democracia” (edição de 1995, Cia. das Letras, p.243), nos trás uma interessante interpretação da pretensa cientificidade do pensamento neoliberal:

“As teorias econômicas são racionalizações de interesses políticos de classes e grupos conflitantes, e como tal devem ser tratadas. Por trás de alternativas econômicas espreitam visões da sociedade, modelos de cultura e investidas em direção ao poder. Projetos econômicos implicam projetos políticos e sociais.”

Sendo assim, o mais provável é que tenha dado a louca no vice. Ou então, a ideologia é mais forte do que o vil materialismo jamais imaginou.

Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat






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