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Para jornais, revistas e outras mídias •

Depois de Bush


O peão e o herdeiro político se encontram na locomotiva do país, visitam o orgulho nacional e preparam a 10ª economia para ser uma plataforma de exportação de etanol para o Império.

3ª, 13 de março de 2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de São Sepé

A visita do presidente dos EUA George W. Bush marcou uma virada na política externa do país mais poderoso do mundo. Lula fez o clássico papel do subimperialismo nacional, abrindo uma cunha para a substituição do petróleo por energia renovável, definindo nosso país como um Estado acima da realidade do continente. Como quase sempre, provavelmente vamos nos contentar em vender matéria-prima e não tecnologia. E, o “grande mérito” pode ser a qualificação, por parte de Washington, de sermos um “parceiro diferenciado”.

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É certo que em um encontro desse nível, quase tudo já está acordado antes da chegada do dignatário. Mas, também é correto afirmar que é possível meter, de costado, um ou mais temas não previstos. Luiz Inácio não arrancou nada de concreto em relação ao subsídio do governo de lá para seus produtores primários. Além de um constrangimento tolerável, nada pode ser afirmado quanto da diminuição às barreiras de entrada dos produtos brasileiros.

Uma manobra midiática tentou salva-guardar a “autonomia” brasileira e a função de embaixador de parte dos interesses dos EUA. Muitos analistas disseram que a visita era de interesse econômico e não político. Outros, afirmaram que a missão de Bush Jr. era fazer política com a promessa de compra da produção em massa do etanol. E, no meio desse giro tático para o sul do mundo, o Brasil poderia aproveitar para tornar-se um ator internacional. Entre as duas versões, a segunda é mais factível, embora trabalhe com premissas equivocadas.

Como já dissemos, foram laudas sem fim debatendo se a viagem do mandatário texano tinha mais ênfase política ou econômica. Propomos aqui uma análise inversa. Primeiro, porque entendemos existir uma interdependência estrutural entre economia, política e ideologia. Segundo, porque vemos como dever de oficio inverter a análise a partir do ponto de vista dos latino-americanos. Nesse sentido, o Brasil não jogou um papel, mas sim um papelão.

Não seria historicamente equivocado chamar aos Estados Unidos de Império. Ao contrário, é um acerto conceitual. Portanto, o que nos espanta é o suposto “espanto” de boa parte dos formadores de opinião brasileiros. Octavio Ianni em texto ainda dos anos ’60, definiu ao intelectual médio brasileiro como esquizofrênico. Fala em português, embora siga pensando com conceitos coloniais. Se fosse um carpinteiro, simplesmente morreria de fome, por não usar a ferramenta correta para o trabalho adequado.

Vejamos os porquês. Se a função é analisar as melhores condições de criarmos um projeto de Estado que atenda a maioria e insira o país a partir de seu lugar de origem, então todos estão deixando muito a desejar. Agora, se a função é ser uma fábrica de discursos, criando e recopiando bens simbólicos para fundamentar a famosa inserção subordinada, tão defendida e praticada por FHC desde a Teoria da Dependência, então a maioria dos pensadores “brasileiros” está trabalhando bem.

Todo país quer e precisa comercializar e vender seus produtos, a distinção é onde está a ênfase? Escutando um dos primeiros cortados do governo Lula, o ex-presidente do BNDES e professor de economia da UFRJ Carlos Lessa, alerta para um fator. Somos líderes mundiais em tecnologia do açúcar e do álcool. Desde os tempos do IAA, passando pela Coopersucar, o Pró-Álcool e agora as pesquisas de ponta da Embrapa, temos muito suor brasileiro aplicado em geração de bioenergia. Usando a linguagem corrente, teríamos outras commodities, com maior valor agregado, do que a exportação direta de biomassa processada.

Sendo assim, porque vamos seguir fazendo a equação indigesta? O país envia navios graneleiros, e em breve também super-petroleiros adequados para levarem etanol, ancorando parte essencial do PIB em produtos quase-primários. Com estas riquezas, mantendo a figura de linguagem, importamos uma traineira de microchips.

No mundo real, vamos comprando tecnologia japonesa de TV Digital, negaceamos os R$ 640 milhões necessários para abrirmos mais quatro CEITECs e atingir a maturidade e autonomia em micro-eletrônica. Com isso, botamos em risco toda a cadeia industrial do “Vale do Silício Tupiniquim”, localizado no Sul de Minas Gerais. Na cabeça dos gestores da macro-economia, portanto, operadores políticos e difusores ideológicos por excelência, o tema da autosustentabilidade é apenas um recurso discursivo. Para eles, não é nem pode ser posta em prática.

Atingimos a auto-suficiência em petróleo, ao menos na extração e não no refino, mas o combustível nacional não financia nosso crescimento. A poupança interna, bê-a-bá do desenvolvimento segundo tucanos como Bresser Pereira, é deixada de lado. A jogatina financeira atrai mais do que a economia real. O superávit escoa pelo ralo da taxa de juros e nos serviços da dívida. E agora, ao invés do Brasil disputar a liderança do Continente, aponta para uma posição individual. Ou seja, iremos atuar como sempre, de forma subordinada e coadjuvante.

Tamanha cegueira me faz recordar uma das cenas de Sur (1988), magistral filme do argentino Fernando Pino Solanas. Em meio a um diálogo entre surdos, um militar do governo Videla pergunta para o preso político:

- “Mas afinal o que é o Sul que vocês tanto defendem?”

- “General, se o senhor não sabe o que é o Sul, é porque é do Norte!”

Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat






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