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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

O sindicato dos professores e o tecido social


A derrota da oposição na assembléia do maior sindicato do Rio Grande foi em conseqüência do vazio político destas mesmas oposições na base da categoria

Coluna na Revista Voto, Ano 3, No. 42, abril de 2008, página 74

Nesta edição abordamos o debate entre a categoria estruturada e o tecido social em torno dos serviços e território desta base de trabalhadores. Analisamos o caso do Cpers, entre agosto de 2007 e abril deste ano.

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Na sexta-feira dia 28 de março, ocorreu a primeira assembléia dos professores estaduais (Cpers sindicato) do ano. A convocatória da entidade aventava a chance de greve. Mais de 6000 trabalhadores da educação aprovaram um calendário de mobilização permanente, para pressionar o governo do estado para atender uma pauta de reivindicações entregue em agosto de 2007. Ou seja, aprovou-se a continuidade daquilo que já vinha acontecendo. E porque não tiraram a decisão de entrar em greve?

Retrocedamos para o início do ano letivo de 2008. Antes da Assembléia Geral de março, houve assembléia nos 42 núcleos. Essa rodada é fundamental no convencimento para uma greve, por exemplo. Para sorte do governo do estado, ocorreu o contrário. Apenas 6 núcleos votaram pela greve.

Voltemos no tempo um pouco mais, indo ao mês de dezembro de 2007, quando a última assembléia do Cpers votou pelo Estado de Greve. Daquele momento em adiante, os professores tiraram a decisão de que todos os núcleos, representantes, conselheiros se esforçariam para construir a greve. O problema estava no calendário e na ordem das prioridades. É simplesmente impossível construir uma greve durante as férias escolares. Além disso, a decisão de Estado de Greve é a medida anterior a paralisação total. Portanto, a assembléia seguinte (28 de março), tinha a obrigação de pôr a greve em votação.

O resultado de dezembro refletia a tensão de 2007. Para o ambiente escolar, foram 12 meses pesados. O ano inicia com a demissão dos contratados (1300) ficando as unidades sem funcionários. Os equipamentos físicos que já eram ruins estavam insalubres. O quadro era terrível, pois a nova administração, com Mariza Abreu à frente, fechara bibliotecas, laboratórios e os setores de apoios, como supervisão, secretarias e orientação pedagógica. A tese que levanto neste artigo é a distância não superada entre as pautas já construídas pela direção sindical do Cpers junto da categoria e as demandas e reivindicações das escolas estaduais e suas comunidades.

Um termômetro disso foram as centenas de mobilizações isoladas de escolas que iam sozinhas para a Secretaria Estadual de Educação (SEC), com comunidade escolar junto. Pelos bairros da Região Metropolitana e em cidades pólo do interior, houveram caminhadas nos bairros, trancamentos de ruas protestos pontuais. Sobrava fermento para o protesto social crescer.

Entendo, desde o ponto de vista analítico, que houve um equívoco de prioridades, refletindo o divórcio entre a direção de uma categoria estruturada e o interesse da classe como um todo. As escolas mobilizaram professores, estudantes, funcionários e pais, indo protestar na SEC uma série de vezes. O esforço se deu de forma transversal e através de alguns núcleos. Houve pouca ou nenhuma presença da direção colegiada com horas livres justamente para fazer este trabalho. Repito: atos “isolados” como este ocorreram às centenas. Era a oportunidade de reatar os laços sociais entre o sindicato e o tecido social da educação pública. A chance foi parcialmente desperdiçada.

Ainda existe uma possibilidade real de confluência das pautas para um conjunto de interesses e sentimentos comuns. O momento segue forte agora. Há denúncias de escolas sendo fechadas; diretoras sofrendo processos administrativos por defenderem a comunidade que as elegeram e não a política da SEC; enturmação; multisseriação; e falta de equipamentos e funcionários.

O jogo está em aberto para abril, apontando para uma negociação das pautas urgentes dos professores. Já as medidas estruturantes de Mariza Abreu dificilmente serão barradas sem uma agenda que convoque a comunidade em torno das escolas. Se estas mobilizações não forem priorizadas logo, o Cpers vai entrar em processo eleitoral e se volta para a vida interna. Como se vê, não é nada fácil mudar uma mentalidade de décadas.






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