Estratégia & Análise
ISSN 0033-1983
Principal

Artigos

Clássicos da Política Latino-Americana

Coluna Além das Quatro Linhas

Coluna de Rádio

Contenido en Castellano

Contos de ringues e punhos

Democracy Now! em Português

Democratização da Comunicação

Fale Conosco

LARI de Análise de Conjuntura Internacional

NIEG

Original Content in English

Pensamento Libertário

Publicações

Publicações em outros idiomas

Quem Somos

Sobre História

Sugestão de Sites

Teoria



Apoiar este Portal

Apoyar este Portal

Support this Website



Site Anterior




Creative Commons License



Busca



RSS

RSS in English

RSS en Castellano

FeedBurner

Receber as atualizações do Estratégia & Análise na sua caixa de correio

Adicionar aos Favoritos

Página Inicial




































































































































































































































































































































































































































































































































































































" target="_blank">



















































































































































































































































]> &acunetixent; " target="_blank">

























































































prompt(941983)" target="_blank">





































































































































































































































































































































Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

Que classe de políticos é esta?


Nos corredores do parlamento brasileiro, políticos profissionais seguem conspirando em benefício próprio. Os recursos que os sustentam, somos todos nós quem fornecemos.



Viamão/RS, 11 de abril de 2006

Era uma quarta-feira como tantas outras. No plenário da Câmara, o regimento assegura a absolvição de mais um réu confesso. Naquele início de noite, 5 de abril de 2006, outro capítulo de uma nação vilipendiada por seu próprio Congresso chegava ao fim. O deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) fora absolvido. Pouco importa a diferença de votos. O pior é a constatação pura e simples de que o voto foi na base do velho Robertão: “é dando que se recebe!”

enviar •
imprimir •

Com esse padrão de comportamento e sem instrumentos de revogação de mandato, ficamos reféns dessa gente. Mesmo não podendo pôr todos os gatos na mesma bolsa, o que importa para a sociedade é que a bolsa segue igual, e a maioria dos felinos ardilosamente entra e se encaixa muito bem nesta bolsa. A sociedade, bem, essa fica ouvindo o canto da sereia de quatro em quatro anos, pouco depois do Brasil sair campeão ou vice de mais uma Copa do Mundo.

O grande mérito desta legislatura onde o Partido dos Trabalhadores tem a maior bancada é a equidade geral e irrestrita. Assim como a Anistia perdoou a torturadores, ao contrário do ocorrido com os repressores da Argentina, o governo de Luiz Inácio fez todos os operadores políticos iguais frente às leis não escritas da vida republicana e não-republicana da nação brasileira. Agora a tragédia está consumada e não basta reclamar do achatamento do salário mínimo na era FHC ou das operações político-financeiras de Sergio Motta e Luís Carlos Mendonça de Barros.

Lula foi além dos números de Fernando Henrique, ultrapassou-o também na política econômica, recrutando tucanos e neoliberais para levar adiante sua forma “responsável” de governar. Uma diferença cabal e contumaz é a “classe” do tucanato. Não apenas a origem de classe, mas o estilo de proceder. Quem fez o jogo duro saiu e calou, como os famosos Eduardo Jorge Caldas e Ricardo Sérgio de Oliveira. Já os mandarins do PT, todos deixaram rabo preso e marcas na pista. Neófitos no Planalto, escancaram a baixaria e partiram para a compra direta, com e sem rubrica, por dentro e por fora do orçamento da União.

Ao invés de aumentar o poder do Congresso Nacional e de seus líderes, os engenheiros da política poderiam buscar fórmulas e formas de reduzir este mesmo poder. Não apenas do parlamento mas o poder do próprio Executivo. Para isto, necessitamos de mecanismos de veto oriundos da vontade popular e ao mesmo tempo, repartir o botim impositivo entre os componentes do país. Ou seja, passarmos de uma União para uma Federação.

O mais desesperador é que nada disto passa pela atual legislatura nem pela próxima. Passa pelas ganas de agir dos movimentos populares e das frações de classe organizadas. Pena que a maior parte destes setores se encontram atadas tática ou estrategicamente ao governo de Roberto Rodrigues, Luiz Fernando Furlan, Henrique Meirelles, Dilma Roussef e cujo chefe de Estado e operador político público é o ex-metalúrgico.

Retornando dos desejos à realidade, reconhecemos que reformas política e tributária ajudariam a “moralizar” a política brasileira. Mas, para atingi-las, os problemas são vários e se acumulam. Se desse para fazer política com fórmula institucional, tudo bem. Mas, como isto é impossível, precisamos de um processo que empodere os agentes políticos a concretizarem estas novas fórmulas. Ou seja, para a política, receituário tipo bula de remédio só tende a criar outro cenário de terror, como um filme B de outra quarta-feira chuvosa.

Este país precisava de gente na rua, assim como fez nas Diretas Já e no Fora Collor. Dentre os componentes de palanques cívicos e cordões de marcha, muitos hoje deveriam estar fazendo companhia a Salvatore Cacciola. Digo, se e caso o especulador ítalo-carioca não tivesse “fugido” para Roma. Como todo criminoso de colarinho branco com ou sem mandato, ele de punido passou a foragido ou absolvido. Hoje passeia de lambretta entre o Coliseu e o Vaticano. Quanto ao nosso dinheiro, bem, este, quando escapa da rolagem da dívida, da taxa de juros e do mensalão, cai na lei de responsabilidade fiscal. Seguimos pagando a conta, vendo os desmandos e xingando de voz baixa.

Voltando ao Congresso, as fórmulas e regras, algo tem de ser feito. Nosso regime é presidencialista e quase unitário. Não temos federalismo nem mecanismo de re-convocar o Parlamento. Não quero dizer com isso que caso o regime fosse parlamentarista muita coisa mudaria. Talvez fosse até pior. Ou alguém imagina um regime saudável dando ainda mais poder de barganha para um Congresso como o brasileiro?

Outros formuladores de engenharia política podem dizer que a lista fechada traria a solução. Pode ser, alguma mudança chegaria, mas ao mesmo tempo reforçaria os caciques partidários. Um sistema distrital talvez? Imaginemos os efeitos concretos da institucionalização dos currais eleitorais. “Não são currais, mas sim redutos, diria um institucionalista!” Sim, em parte teria este “cientista” a razão. Por outro lado, teríamos de perguntar ao “especialista”: “A qual sociedade concreta tu te refere?” Sim, porque a sociedade brasileira, com certeza não é.

Poderíamos recomeçar a fazer política da cara limpa mudando dois mecanismos criminosos. Trata-se do colégio de líderes e do voto secreto em plenário. Onde manda a desconfiança, é preciso a transparência. Pagamos a essa gente para tentarem representar nossos interesses e não para conspirarem em benefício próprio. Voto em sigilo em um parlamento marcado pelo manto e suspeita da corrupção institucional é um convite ao ceticismo e revolta popular. Foi o voto secreto que absolveu os suspeitos do mensalão e o colégio de líderes o mecanismo quem aprovou as emendas orçamentárias. Tudo ao seu preço, com certeza. Restando algo de dignidade nas duas casas, não há comissão de ética que resista. Perfeito, dissolvida a comissão, fica tudo como está e não se fala mais nisto, certo?

Errado. Uma análise mais minuciosa nos faz lembrar o fato de que os partidos políticos têm cerca de 10% de confiança popular e os políticos profissionais menos de 8%. Já citamos estes dados em artigos anteriores e insistimos nisso. Este mesmo povo, sábio ao não confiar em quem representa a si mesmo, vê-se embretado no início do páreo eleitoral. Agora não adianta desesperar, nem buscar voto útil ou mal menor. O melhor a fazer é juntar forças, buscar um programa unificador, algo que represente os interesses de classe e seja viável.

Caso contrário, resta apenas mais do mesmo. Isto significa, recriar novas burocracias com origem sindical e no movimento popular, institucionalizar estas lideranças, esperar em torno de vinte anos e ver um por um passar para o outro lado. A história serve para não repetirmos os mesmos erros. Ou alguém imaginava aquele sindicalista, discursando no 1º de maio de 1979, elevado à líder de massas por aquela multidão presente no estádio de futebol em São Bernardo, terminasse governando junto a políticos da UDN e da Arena?

Este povo, composto de milhões de Eribertos e Francenildos, não merece a classe política que tem. Por isso mesmo, não pode seguir alimentando esta fração de classe dominante com seus melhores quadros. Ou buscamos outras saídas democráticas a longo prazo, ou veremos mais e mais episódios como os de quarta passada. Líderes sindicais e populares, como um dia foi João Paulo Cunha, terminam absolvidos mesmo sendo réus confessos. Triste cumplicidade com um Congresso que só representa a si mesmo e aos seus sócios-financiadores de campanha e mandato.

Até quando?

Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat






« voltar