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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

Não existe ex-agente

Viamão, 21/07/2005

A ABIN voltou aos holofotes através da CPI dos Correios. Mais uma vez, o tumulto começa através de uma operação de vigilância interna. Ainda sob o comando do ex-diretor da Agência delegado Mauro Marcelo, a Diretoria de Operações comandada por Paulo Sérgio Ramos, destaca um agente para a ECT. As investigações correm sob plena autonomia do órgão. O general Jorge Armando Félix, ministro do GSI, faz vista grossa. O Palácio do Planalto, o Ministério Público e menos ainda a PF, não foram informados de nada.

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O escândalo da CPI dos Correios divulgou uma idéia no mínimo equivocada. Não existem "ex-agentes", ninguém se afasta integralmente da comunidade de informações. Vejamos o que houve na operação ECT sob um ponto de vista operacional. O agente divulgado como operador nos Correios é Edgar Lange (Alemão). Este, tem relação próxima com um ex-agente do SNI, o capitão da reserva da PM de Minas, José Santos Fortuna Neves. Fortuna presta serviço de vigilância e investigações e é cúmplice de um "consultor" da FGV. Este é o oficial da reserva da Marinha, Arlindo Molina. Molina terceiriza a gravação através de um outro ex-agente, Jairo Martins, homem que tem registro de jornalista e é "frila" de arapongagem. Martins treina ao detetive particular e advogado cassado pela OAB do Paraná, Joel da Silva Filho. Joel e seu parceiro, João Carlos Mancuso conseguem o flagrante e a fita vai para o mercado negro. Molina e Fortuna tentam achacar Roberto Jefferson e aparentemente nada conseguem. Martins vende a fita para Veja e a crise estoura.

Segundo a ABIN, 5 dias antes da publicação a Agência já sabia de tudo. Porque não impediu sua difusão? Porque não alertou a presidência? Afinal, não é o presidente da república o cliente preferencial da ABIN?

Vejamos a coincidência. No ano de 1998 entrava em leilão o Sistema Telebrás. Consórcios se engalfinham para conseguir o dinheiro dos fundos de pensão, em especial o Previ. O então diretor da ABIN, coronel Ariel de Cunha Cunto autoriza o grampo nas conversas com FHC. Conseguem o flagrante de FHC e Luís Carlos Mendonça de Barros (o Mendonção) negociando abertamente o apoio a um dos consórcios. Enquanto isso, na Agência Rio, o diretor regional João Guilherme de Almeida manda a campo o agente Telmiro Barreto de Resende, o Telmo. Este enlaça com o ex-cabo do CENIMAR, o detetive particular Adílson Alcântara de Matos para montar a operação. Grampeiam a mesa de operações do edifício sede do BNDES. Contam com apoio de pessoal do extinto Serviço. São eles o coronel da FAB Eudo Costa, o ex-superintendente da PF no Rio Edson Oliveira e o ex-agente Celso Rocha. Eudo vende a fita para um dos grupos concorrentes e depois a revendem para a Folha de São Paulo. Celso Rocha dá com a língua nos dentes e some por conta própria. O delegado da PF titular do inquérito, tentou acarear João Guilherme com o general Alberto Cardoso, então ministro do GSI, o que obviamente não ocorreu. Telmo pegou uma geladeira na ABIN e não se falou mais no assunto. Detalhe, todos estes operadores já tinham ficha suja e haviam sido alvos de sindicância interna. Acreditem, o caso é corriqueiro.

Não existe ex-agente e há uma regra no mundo real onde ninguém fala mas também ninguém é punido. Eudo Costa é proprietário da empresa Air Phoenix Sistemas de Segurança e continua ganhando licitações e prestando serviço, inclusive para a prefeitura do Rio. Qualquer semelhança com a Atrium, uma das pessoas jurídicas de Fortuna, não será mera coincidência. Ambos são homens do círculo de irregulares da Agência, gente ainda operacional e com experiência. Contratam e treinam a bois de piranha em operações no mínimo embaraçosas. Lange operou na ECT como agente de enlace, semelhante a Telmo no BNDES. Até agora não se provou nada diretamente contra Lange. Ao contrário de Telmo, que estava na lista de propinas do falecido bicheiro carioca Castor de Andrade. Qualquer semelhança com Carlos Cachoeira também não é coincidência.

O único atingido do Grampo do BNDES foi Paulo Renault. Ele é engenheiro eletrônico, perito judicial e também ex-agente irregular do SNI. Descumprindo os acordos reais, tentou prestar depoimento em juízo e sofreu as conseqüências. Renault, que mora numa ilha na Barra da Tijuca, por pouco não foi assassinado. No meio da madrugada dois botes infláveis tentaram ancorar em seu píer. Chegaram atirando e tiveram resposta. O perito e seu caseiro também "sentaram o dedo", impedindo o desembarque. Depois disso, o engenheiro se calou. Como homem experiente, Paulo Renault sabe que nunca será um "ex-agente".

Artigo originalmente publicado no Blog de Ricardo Noblat






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