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ISSN 0033-1983
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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

Bombardeio retardado e de efeito tardio


Duda Mendonça foi um dos grandes responsáveis pela posse de Lula através das urnas; e por muito pouco, não foi um dos operadores de sua queda. Adepto da rinha de galos, como declarante, se portou mais como um papagaio bem falante. Só os tucanos fingiram não escutar.



Os momentos históricos passam e poucos se dão conta da oportunidade ausente. Com toda a sinceridade de análise, estruturalmente, os governos de Lula e FHC em pouco ou nada diferenciaram. Luiz Inácio pegou a tal “herança maldita” com ganas de torná-la um complemento de si mesma. Manteve o Bolsa Família, ampliou-o; manteve a Pedro Malan na figura de Henrique Meirelles; dividiu os ministérios mais visados entre homens de confiança da Banca, do Agronegócio, das grandes empresas de Comunicação e Teles, da Indústria e Comércio, dentre outros. Considerando a caracterização de disputas na interna do poder político cuja parcela majoritária está no Planalto, é disso que estamos falando.

A hora de bater firme, pesado, com tudo, foi durante o episódio de denúncias e espetacularização das CPIs. Isto, supondo, num duríssimo exercício de abstração, no intuito de entrar na mente dos operadores tucanos e pefelistas. A vacilação tucana e seu choque de regionalidade, irritou o PFL que, como todos sabemos, não tem limites para o acionar da política. Outrora com nome de UDN, deitou e rolou até derrubar o governo de João Goulart. Como parceiro de empreitada, além da CIA e da caserna protagonizando, os amigos de Lacerda tiveram um PSD temeroso além da conta com as políticas de reformas de base.

Jango ameaçara mexer na propriedade. No embalo, a baixa soldadesca alçou-se. Garganteadas à parte, realmente havia muito em risco. O jogo pesado acabou com os tanques. Em 2005, além do Planalto em si, pouco ou nada estava sob ameaça. Quando alguém é muito prudente, morre de velho e não sai do lugar. Com boa parte dos tucanos assim é: salvo exceções barulhentas, como o finado Serjão, Serra, e o braço direito (outrora de esquerda com E maiúsculo) Aloísio Nunes Ferreira. Passou o cavalo encilhado, disparado campo afora e ninguém montou.

A oportunidade da UDN/PFL derrubar mais um governo eleito teve seu momento ápice após o depoimento de Duda Mendonça e o delírio encurralado do senador Aloísio Mercadante. Esta foi a chance, e não agora, durante campanha eleitoral xôxa e onde as forças sociais mais atuantes estão ausentes, amargando a apatia da falta de luta. Luiz González e João Santana não são vão e talvez nem cheguem a ir à ponta da adaga. Alckmin teimou em concorrer onde não devia, estava destinado a ser senador vitalício e terminará o ano com uma sofrível e sofrida derrota.

Segundo registros históricos, algo que pude ler e ouvir, os discursos do Corvo Lacerda calavam fundo na alma dos brasileiros. Genial e reacionário, Carlos de Copacabana vira Mar de Lama onde havia e não havia lodaçal. Acreditava piamente em todas as barbaridades que dizia. Talvez seja a distinção; nunca precisou do PSD para fazer seus destroços e propalar as desgraças. Do “Cata Mendigo” aos túneis e desapropriações sem fins, Lacerda buscava a interlocução na caserna, e acabou por perdê-la e junto desta a vida. Ao contrario do ex-governador da Guanabara, os tucanos e o PFL não se entendem nem na hora de comemorar, que dirá nas delicadas e definidoras chances de tentar derrubar quem se tornara igual a eles.

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