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Pesquisas eleitorais e o posicionamento de aliados


O efeito das pesquisas abafou o choque midiático gerado com a foto tirada pelo delegado da PF, lotado da SR de São Paulo, e que arriscara a carreira para gerar esta imagem equivalente a um atentado.

3ª, 24 de outubro de 2006 Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de São Sepé

Faltam cinco dias para as eleições e provavelmente o pleito nacional é uma corrida com favorito e azarão. Dentre os vários fatores que levaram à disparada de Luiz Inácio em relação a Geraldo Alckmin, três foram importantes. O primeiro e mais sentido, a demora para a retomada da campanha por parte da chapa tucana-pefelista. O segundo, os resultados imediatos dos debates, a contar com o primeiro realizado pelo Grupo Bandeirantes, quando o Chuchu ganhou mas não levou. Já o terceiro fator, é de uso continuado, eterno vetor de reclamações, protestos e fonte de renda. Estamos falando das pesquisas eleitorais e seus efeitos diretos e indiretos.

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Finda a apuração nacional, já apontado o segundo turno para a corrida da presidência, e o telefone do escritório de campanha do PSDB nacional não parou de tocar. Isto porque, a única pesquisa que vale, àquela apurada na urna eletrônica, trouxera de volta boa parte do empresariado para seu candidato favorito. Uma margem de diferença de oito pontos, ainda que a distância da situação fosse de apenas 1% para a vitória, alimentara de esperanças o nível ideológico dos investidores de campanha.

De forma vacilante, pouco a pouco uma parte do capital circulante no Brasil voltava sua fé para o candidato orgânico da direita de sempre. É certo que o governo Lula foi muito amigo, aliado de todas as horas, tendo escalado representantes da indústria nacional, da Banca, do latifúndio e do oligopólio das comunicações para os respectivos postos-chave e ministérios. No “governo de fato” do Banco Central e do Copom, ainda com toda a chiadeira dos juros e do câmbio, o Planalto deixou mandar quem sempre governara no mundo real, por mais que não houvesse sido eleito de direito.

Mesmo com todos estes fatores, boa parte dos setores de classes dominantes e suas elites dirigentes operando no Brasil se alinharam novamente com o PSDB e a tropa de choque do PFL. Sendo assim, o que os levou a recuar para uma posição defensiva em menos de 10 dias? Afirmamos que, apesar da contestável relevância cientifica das pesquisas eleitorais, a difusão das mesmas, geram efeitos devastadores em aliados e eleitores recalcitrantes.

Uma hipótese de vetor para estes recuos são os efeitos diretos e indiretos gerados pela difusão das pesquisas eleitorais. Não vamos entrar aqui em uma profunda discussão metodológica das formas de fazer pesquisa, dos grupos de controle, dos padrões de rigidez e do imediatismo das mesmas. Expomos nosso ponto de vista de que a pesquisa é uma inferência da realidade parcial, sacando uma fotografia muito focada, e com critérios no mínimo discutíveis. Mas, lembramos que este não é o foco do artigo.

A política se faz com vários fatores diretos e indiretos. Um dos diretos, e dos mais relevantes, é o posicionamento dos agentes entre concorrentes. Um exemplo, Lula terminou o primeiro turno há menos de dois pontos percentuais de resolver a eleição naquela rodada. Este é um enunciado. Outro afirmaria que Alckmin estava apenas a oito pontos do candidato da situação. A radiografia de um momento dado, tanto pode ser de uma eleição quase decidida como de uma disputa acirrada.

Deste modo, a difusão da pesquisa, particularmente nos primeiros resultados posteriores ao 1º turno, paralisa a possibilidade de embalar a candidatura pós-moderna do PSD com a UDN. Os mesmos aliados de última hora mudam sua forma de proceder, gerando um efeito de letargia indireta nos círculos estaduais já vitoriosos do PSDB. Centenas de capitães de indústrias e representantes de banqueiros que telefonavam entusiasmadamente para o tesoureiro de Alckmin, menos de duas semanas após, simplesmente pararam de atender ao telefone. O efeito direto é o de paralisia e desânimo. Ao puxar a marcha mais lenta, o dominó começa a cair ao contrário.

O mesmo se pode afirmar do comprometimento de Aécio Neves e José Serra. Antes da operação de contra-inteligência de um setor da PF agarrar no flagrante aos homens de Lorenzetti e Berzoini, o sobrinho de Tancredo flertava discretamente com o Planalto. A aproximação vinha no blefe do próprio Lula, que o mesmo romperia com o PT, navegaria nos ventos de seus mais de 50 milhões de votos, nos aliados do stablishment e em seu estado-maior do atual núcleo duro. O governador reeleito das Minas Gerais comeu parte da isca e depois recuara para suas próprias tendas, tardiamente.

Com o economista de Princeton, José Serra, passou o mesmo. Candidato de Fernando Henrique para o Planalto, teria todas as chances de disputar voto a voto com Lula este pleito. A chapa perfeita para o tucanato seria o ex-prefeito de São Paulo para presidente, FHC correndo para o Palácio dos Bandeirantes e o herdeiro político de Mário Covas indo para o cargo de honra ao mérito no Senado. Alckmin virou a mesa na interna partidária, levando Serra a preferir não deflagrar a luta fratricida novamente. O emprego da metodologia “golberyana” de 2002 cobrava seu preço quatro anos depois. Mesmo assim, o PFL amaciara, a aliança seria possível, mas o problema da falta de coesão estava dentro do tucanato paulista.

Sou da opinião que a inocência política não é uma premissa válida para operadores experimentados. Assim, uma aliança com pouca coesão, necessitava de fatores externos para fortalecê-la. Estes foram fornecidos através da marcação cerrada de um setor da PF e da oportunidade fornecida de municiar a campanha de Geraldo com o prêmio do dossiê falso. O complemento necessário é o dado de realidade.

O cenário do real é muito difícil de ser transmitido na comunicação de massa, e eis que entra em cena a prova material. Uma delas foi obtida, a famosa foto do dinheiro, a imagem e semelhança das pilhas de notas sem origem flagradas na empresa Lunus, pertencente ao marido da hoje aliada de Lula, Roseana Sarney. Ainda assim, na ausência de um escândalo maior e mais compreensível por parte do grosso do eleitorado, necessitavam-se pesquisas favoráveis.

Estas, por mais imprecisas que sejam, fizeram muita falta na virada da primeira para a segunda semana do returno eleitoral. Alguns números que gerassem uma sensação de segurança um pouco mais factível para os sócios e aliados de Geraldo, motivariam o arranque final necessário. Sabemos o que esta vontade política somada com os meios necessários pode proporcionar. A experiência que a democracia brasileira gerou foi a do segundo turno do vale-tudo de 1989. Lula reagiu mal naquele momento e teria a chance de agir mal novamente.

O dado final é o próprio posicionamento dos aliados ideológicos, mas que estão muito contentes com o governo do PT. Para ganhar esta eleição, peleando contra números favoráveis, indicadores de assistencialismo melhores do que nos oito anos de FHC, só partindo para o tudo ou nada. Reprisar o mês de novembro de 1989 implicaria uma pré-condição de possibilidade de vitória. O lastro de segurança para o estado-maior fraturado dos tucanos e pefelistas seriam as tão contestadas pesquisas eleitorais.

Ao que tudo indica a candidatura de Geraldo Alckmin não tem e nem gera o grau de certeza necessário para a reta final. O vácuo está, tanto em sua interna, como nos possíveis investidores estratégicos.

Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat






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