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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

Como cai um secretário de segurança na Província


A máfia das máquinas caça níqueis já derrubaram um secretário de segurança no RS. Serão dor de cabeça constante para os Federais que assumem a crise.

17 de abril de 2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de São Sepé

Ao completar 100 dias de governo, Yeda Crusius demite seu secretário mais popular. O deputado federal pelo PDT Enio Bacci, advogado criminalista de carreira, natural do Vale do Taquari foi demitido do cargo de secretário de segurança. A crise iniciara em uma data de triste memória, o 31 de março. Teve seu desfecho no fim da tarde de 11 de abril. Várias versões confluíram ao final do ato que deve levar um pedaço do partido de Brizola para fora do co-governo da província. Como quase sempre, os motivos estruturais passaram ao largo. Típico fenômeno da era da desinformação.

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A queda de Bacci e a desautorização dos ainda comandantes da Brigada Militar (BM), os coronéis Alves e Mendes, teve o tempero típico. Foi gerada a partir de uma coletânea de motivos jurídico-policiais transformados em fatos midiáticos. No trabalho investigativo, o jornalista Vítor Vieira e seu portal Vide Versus estiveram à frente. Coordenaram com ele o Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), protagonizados nas figuras de Jair Krischke e Sérgio Bittencourt. O tiro saiu certeiro, porque o agora ex-secretário foi campeão de audiência e já alçava vôo solo rumo ao estrelato da política local. Não foi por falta de aviso.

A queda de Enio Bacci ainda ecoa entre rádios da província e em um festival de entrevistas coletivas. Como técnica discursiva, oculta a causa principal – as denúncias feitas pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos e as enviadas no boletim eletrônico da página Vide Versus. Esta mala direta é poderosa, chegando a mais de 91.000 emails. Como jornalista, o veterano Vítor Vieira, editor do portal, furou todo mundo, incluindo a toda poderosa RBS. A página 6 de Zero Hora de 12 de abril reconhece a vitória e difunde as supostas denúncias de envolvimento de policiais civis com a máfia dos caça-níqueis.

Bacci foi derrubado por uma série de fatores, dentre eles o fato de ter como assessor ao delegado Luís Carlos Ribas, homem que está respondendo processo pela Justiça Federal. Seria a justificativa pública para se livrar de alguém que deixara o seu na reta. Mas, o problema é outro. A política de segurança pública aplicada era uma bomba relógio e continua sendo. Saiu mais barato cortar uma cabeça do que ter de responder a uma desgraça por abuso de autoridade ou uso excessivo de violência. A BM e a Polícia Civil prenderam, em conjunto, a mais de 19.000 pessoas nos três primeiros meses de governo. Praticamente todos os dias o ex-secretário revezava-se com o subcomandante da Brigada em aparições midiáticas. Uma espiral de atividade e holofotes, cortando férias de policiais e respondendo publicamente a qualquer ameaça à segurança pública.

Curiosa contradição para tamanho rigor policial. Chama atenção o fato de que o empresário Luiz Ruphental está foragido. Esse homem é diretor da Utresa, responsável pela mortandade de toneladas de peixe no Rio dos Sinos e seu paradeiro é do conhecimento de muitos. É certo, o industrial não se encontra mais em Estância Velha, sua cidade. Mas, durante o verão foi visto seguidas vezes passeando no local. Como pode uma polícia tão eficiente não saber do paradeiro de um personagem público, observado por centenas de testemunhas diariamente?

Voltando ao ocaso, os problemas eram sabidos por vários e difundidos por quase ninguém. Na segunda de noite (9 de abril) Enio Bacci participava de entrevista intimista em rádio FM líder de audiência. Nos corredores do Palácio Piratini, a manobra estava a caminho.

Daí em diante, o procedimento foi clássico. É indefensável a permanência de Bacci se for levado em conta que ele mesmo indicara seu assessor direto na SSP. O delegado Luís Carlos Ribas foi afastado e também o desafeto público deEnio Egon BergmannBacci, Alexandre Vieira, delegado da 17ª DP da capital gaúcha. Quem afastou os dois foi o mesmo Chefe de Polícia, Pedro Rodrigues, que os nomeou ou manteve há pouco mais de 100 dias.

Caiu Enio e a substituição pode ser uma forma de início de intervenção federal branda. Yeda acertou com o ministro Tarso Genro a posse do superintendente da Polícia Federal no RS o delegado gaúcho Francisco Mallmann. Como é previdente, o policial federal com mais de 30 anos de carreira levou o delegado Ademar Stocker, seu auxiliar de todas as horas, a compor o primeiríssimo escalão. Na ausência de um, fica o outro e o comando não circula.

Resta saber se as qualidades técnicas superarão as pirotecnias do estilo anterior.

Bruno Lima Rocha é cientista político

(www.estrategiaeanalise.com.br / blimarocha@via-rs.net)






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