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ISSN 0033-1983
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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

“A pressa do Banco Mundial”


Rindo à toa, o phd em financeirização da economia real, o boss John Briscoe se diverte ao aplicar seu receituário na Índia. Daqui há alguns anos, teremos triste memória desse momento (a)fundacional.



Na última quinta, às 9:33 o incansável João Pedro Casarotto, dirigente do Sintaf-RS me envia uma outra comunicação a respeito do acordo com o Banco Mundial. O comentário que eu iria tecer já o fiz, antes mesmo de receber a Nota abaixo. Explico. No último boletim eletrônico do ano, o referente ao mês de dezembro, escrevi uma breve análise da conjuntura do pago. Centrei o fogo nos financistas de estrela vermelha, os artífices do acórdão com o Bird, cujos meandros, de forma brilhante, nosso amigo João Pedro nos oferece logo abaixo. Vamos à leitura, retorno, ao final.

“É esclarecedora a entrevista concedida ao jornalista João Guedes (JC, 18/12/07,pág.9- Bird tem pressa para finalizar empréstimo) pelo Presidente do Banco Mundial para o Brasil, John Briscoe, responsável pela intermediação entre os técnicos dos governos estadual e federal e os dirigentes do Banco nos EUA nas negociações para a contratação do empréstimo de US$ 1 bi para o RGS.

Briscoe informa que o “time do banco está trabalhando” com as autoridades “para definir os termos de como ficará a dívida e de como serão feitos os ajustes de receitas e despesas” bem como para traçar “um plano para modernização do setor público”. Com isto, fica claro que o contrato do empréstimo perpetuará uma nova equipe de gestão que já está trabalhando antes mesmo da assinatura do contrato. Também fica claro que os nossos governantes não estão conseguindo cumprir a tarefa de governar, pois necessitam de um “time” de uma instituição financeira para ajustar receitas e despesas e modernizar o serviço público. Os servidores públicos RGS, tão reconhecidos por suas altas qualificações, devem estar se sentido uns inúteis.

Briscoe afirma também que o RGS está em um “buraco”; o que está em consonância com as afirmações de outros técnicos da instituição de que o Estado estava falido e que necessitava da aprovação do aumento dos impostos, que foi rejeitado pela Assembléia. Para acentuar esta afirmação, Briscoe contou que em conversas com o governo federal lhe foi dito que quem conseguisse resolver os problemas do RGS ganharia um Prêmio Nobel. Não poderia ser outro o clima entre eles, pois são todos credores vorazes.

Numa clara contestação às afirmativas que o Banco passaria a gerenciar o RGS, afirmou que “O estado é que tem que vir para nós e para o governo federal e dizer “o nosso programa é este”. Aí a gente tem que julgar se isso é realista”. No entanto, estas colocações são contraditórias com outras passagens da entrevista onde afirma que o time do banco está trabalhando “forte e com grande otimismo” na análise dos muitos detalhes do contrato e que o RGS está em um buraco. Neste aspecto Briscoe deixa a impressão de que esta tergiversando, pois mais confundiu do que explicou.

Quanto à questão da certa desvalorização cambial Briscoe é taxativo: “ ... cada vez que o banco libera uma parcela, em princípio seriam duas parcelas, cabe ao board escolher se vai fazer em reais ou em dólares. Uma vez feito em reais, tem que ser pago em reais. Se é feito em dólares, é o mesmo processo”. Isto quer dizer que nem o governo do estado nem o governo federal, avalista do empréstimo, saberão em que moeda o RGS está se endividando, pois esta será uma decisão do banco quando da liberação da respectiva parcela. Ora, entre estas alternativas, ser devedor em dólares ou em reais, existe uma diferença abismal. Os nossos governantes estão querendo assinar um contrato sem ter a mínima preocupação com a respectiva repercussão financeira, pois ficaremos devendo em dólares ou em reais ao talante do “board”. Por isto ser inadmissível, parece que o objetivo é misturar duas distintíssimas operações para confundir os menos avisados. Ressalte-se não ser crível a possibilidade de que o Banco Mundial fazer uma exceção e emprestar em reais, pois estaria assumindo o custo das desvalorizações cambias. Com este tipo de argumento, passo a crer que estamos sendo considerados os autênticos “bobos da corte”.

Por sua vez, a chamada de capa do jornal é mais do que esclarecedora: “Bird tem pressa em conceder crédito ao Estado”. “Cumé qui é, cumpade”, diria o guasca. Quer dizer que o Estado está em um buraco e quem conseguir resolver o problema será candidato ao Nobel e mesmo assim o Banco está com pressa em emprestar?

Restam evidentes os objetivos do governo do Estado e do Bird: celebrar o contrato!

Bem, pensando friamente, a atitude do Banco até é compreensível, afinal este é o negócio dele e os seus executivos devem ser remunerados pelas metas atingidas, afinal este é o modelo de gestão que tanto apregoam.

Mas o que não se admite é a atitude de nossos governantes. Qual será o motivo que os impulsiona com tanto ardor e dedicação na busca de um empréstimo que, como diz Briscoe, “não é algo preponderante” (comparando com o total da dívida) pelo qual entregarão, como contrapartida, a gerência de todo o orçamento estadual para uma instituição financeira por quase um quarto de século?”

Fica aqui a crítica aos colegas do outro lado do teclado. Sim, porque me equilibro entre a peleia na mídia por fora da grande mídia, a labuta intelectual por terminar a tese de doutorado, a possibilidade de uma pesquisa de pós-doc e as possibilidades de docência entre a comunicação social e a “ciência” política. Resumindo, a Nota de João Pedro revoluciona conceitualmente porque simplesmente trás o jornalismo que deveria ser feito. O Jornal do Comércio da Província de São Pedro tem o dom de fazer press release em lugar de matéria de ponto e contraponto, com texto e contexto. E olha que o veículo do Seu Mércio é o menos pior do rincão. Digo por que sou assinante.

No terceiro parágrafo, João Pedro “vai na couve”. O Prêmio Nobel atribuído pelos neo-Caramurus outrora travestidos de bombachudos nos idos de janeiro e fevereiro de 1999 é algo que beira o ridículo. Credores vorazes, preferem entregar o Rio Grande para a sanha transnacional financiada pela gordura do BNDES a salvar o patrimônio público. Esta correlação de forças, definitivamente, não se soluciona entre as tintas de canetas de ouro de um lado ou d’outro do balcão.

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