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Para jornais, revistas e outras mídias •

Outra Política: a produção audiovisual no município - 1


A identidade e produção do audiovisual é um patrimônio esquecido do povo brasileiro e deve ser alimentado a partir dos municípios metropolitanos ou interioranos.

4a 23 de abril de 2008

Coluna quinzenal para o portal da TV Tribuna (Baixada Santista)

Na última quinzena apresentamos a proposta de trabalho e começamos o debate a respeito de uma idéia simples e aplicável. Neste artigo, damos seqüência na proposta de criação de um circuito audiovisual de baixo custo e amplitude municipal. Tal possibilidade é constitutiva de uma perspectiva analítica onde quem analisa também prescreve e se posiciona. Sou adepto deste tipo de posicionamento e esta Coluna é para difundir esta forma de análise política.

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Vale lembrar que as propostas se referem a uma gama de possibilidades de realizações, tendo à frente o Executivo municipal. Alguns pré-requisitos para a execução deste tipo de política seriam: um mínimo de verba de custeio; a concepção de que “cultura não é frescura” nem tampouco algo secundário; uma vontade política de reforçar o tecido social e a autoconfiança dos moradores em cidades com poucos atrativos; uma gestão transparente de modo que as iniciativas não sejam todas elas associadas somente ao aumento do capital político do prefeito e de seus aliados.

Entrando no tema específico do audiovisual, entendo que o incentivo e o envolvimento direto das prefeituras com a produção local é algo inadiável. Vivemos a era da imagem e da polissemia. Na ausência de identidade, os municípios periféricos ou mais pobres vivem uma síndrome de bastardo. Não se reconhecendo como referência em quase nenhum setor da economia, política ou cultura, terminam por perder boa parte de sua mão de obra para outros lugares. Reafirmo que gerar produção audiovisual nestes lugares é urgente e necessário.

Das mídias ao alcance de todos, a mais barata se encontra nos telefones móveis multifuncionais. Ou seja, boa parte dos telefones celulares tem aplicativos para gravar áudio e vídeo. Podem ter pouca definição e baixa qualidade técnica. Mas nada disso é necessariamente “novidade”. Nunca custa lembrar que o cinema nacional cresceu a partir de curtas metragens rodados primeiro em 8mms e depois em Super 8. Na década de ’60, mais especificamente no ano de 1965, a empresa Kodak aperfeiçoa o antigo formato de 8mms, já criado em 1932 como uma versão mais barata do que o filme de 16mms.

O conceito aplicado nas películas de filmagem pode ser reeditado com o vídeo de celular. Na época, os suportes de mídia não eram multifuncionais, mas já visavam popularizar o acesso às filmagens caseiras, ao experimentalismo e a perspectiva de cineastas amadores. O mesmo pode haver agora, no período da mídia interativa.

O mais caro – as câmaras e películas – já se converteu em mídia móvel e barateou seu custo. Hoje está nas mãos de adultos, adolescentes e jovens ávidos por interatividade. Estes mesmos portadores de câmaras móveis são carentes de conteúdo e com pouca ou nenhuma referência do cinema latino-americano. As narrativas são patrimônio de um povo e infelizmente, a grande maioria de nossa população desconhece a produção cinematográfica brasileira. Com a motivação de realizar curtas experimentais, estaria lançada a rede em busca de novos expectadores para os clássicos do cinema brasileiro.

E como funcionaria tudo isso? Neste artigo, me detenho no quesito organização de um festival de curtas. Como escrevi na quinzena passada, uma primeira idéia está na divisão por categoria de idade e formato. Assim, me vem à cabeça uma divisão por faixa etária, reservando espaços para crianças, adolescentes, jovens, adultos e terceira idade. Concomitante com a divisão etária viria outra por formato. Atendo-nos somente ao segundo item, os vídeos poderiam ser de 5’; 10’ e 15’ subdivididos nas categorias mais simples: ficção ou documentário.

Supondo que em um município de uma cidade metropolitana a idéia fosse bem acolhida, o que este Festival teria de diferente para os Festivais em mídias móveis, ou os chamados “pocket movies”? Uma distinção fundamental estaria no suporte da feitura dos roteiros, na difusão para os moradores da localidade e a distribuição. É aí que entra o poder público municipal. Entrarei no tema de roteiro na quinzena seguinte, me atendo agora na difusão e distribuição.

Difundir cinema começa pela triste constatação de que apenas nove a cada cem municípios brasileiros tem uma sala de projeção. Que dirá uma cinemateca! Este é um problema que toda e qualquer secretaria de cultura ou autarquia responsável deve enfrentar urgentemente. Se a maioria dos brasileiros não tem acesso ao cinema para assistir aos enlatados, imaginemos a dificuldade com os filmes produzidos e pensados por e para brasileiros.

Qualquer prefeitura que se preocupe com a capacidade cognitiva de seus cidadãos deve confrontar esta realidade. Isto porque se um tema é de ordem pública o correto é que o governo subnacional da cidade envolvida entre como fomentador. Temos o costume de associar o envolvimento do ente estatal na produção cultural como uma forma de burlar o fisco. Isto porque as leis de incentivo à cultura passam pela evasão fiscal. Não é o foco deste artigo. Por isso vejo que as administrações municipais devem gerar espaços de tipo cinemateca em suas cidades. E, paralelo a estas iniciativas, devem investir em uma mídia audiovisual de baixo custo.

Assim como não é preciso reinventar a roda com os festivais de filmes por celular, não é necessário desvendar o que já existe. Sim, quem pensou nos cineclubes, acertou. O Brasil tem uma experiência acumulada de oitenta anos de cineclubismo sendo que estes produtores e ativistas culturais são responsáveis pela história e preservação do cinema brasileiro. Mesmo se tratando de mídias digitais, qualquer organização de festival com o intuito de criar um circuito de acesso popular deve passar pelas entidades ligadas ao Conselho Nacional de Cineclubes .

Já tendo o suporte de mídia (os celulares que gravam vídeos); a experiência acumulada (os cineclubes), a orientação de política pública de criar uma cinemateca por cidade; o que falta neste nosso hipotético município para dar início ao festival e a difusão dos filmes digitais produzidos pelos moradores? Faltam salas de exibição em abundância e a custo baixo. Os únicos aparelhos públicos que podem receber muita gente ao mesmo tempo são as escolas. Como já existe o costume de realizar atividades extra-classe nos finais de semana, é nos centros de estudo onde devem ser localizadas as salas de exibição. Resta saber como?

Particularmente resido em um município metropolitano que tem uma população de cerca de 250 mil habitantes e conta com 70 escolas municipais, entre urbanas e rurais. Supondo que isto seja um padrão, vamos calcular esta média entre habitantes e colégios públicos da prefeitura. O investimento necessário seria o da compra de um projetor digital por escola. Cada equipamento custa uns R$ 4.000,00 a unidade. Portanto, o montante não poderia ultrapassar os R$ 280.000,00, o que convenhamos, não é muito para uma cidade mediana. Fazendo uma comparação, somente com o IPTU se arrecada, em média, quase o dobro deste valor mensalmente.

Voltando às “salas de exibição de filmes digitais”, não havendo condições de comprar telões para todas as escolas, passa-se para a solução mais barata. Assim, o custo por parede branca pintada não ultrapassaria os R$50,00 – sem contar a mão de obra, já existente dentro do quadro de pessoal das prefeituras. Deste modo, o valor total do investimento bruto em equipamento seria da ordem de R$283.500,00 (o valor dos projetores mais os R$ 3.500,00 gastos com material de pintura). Apenas para oferecer um termo de comparação, este custo em equipamento é muito menor do que se costuma se gastar em Feiras ou Acampamentos festivos em uma cidade média gaúcha. Não tenho nada contra estas celebrações, mas reitero que a obrigação de uma prefeitura deveria ser para o longo prazo e não contar o tempo somente a cada quatro anos.

O demonstrado neste artigo é fato. É viável criar condições para o audiovisual de baixo custo, produzido e co-gerido pelos próprios moradores. Esta iniciativa aumentaria uma enormidade a carga cultural, a referência nacional e a capacidade cognitiva dos cidadãos de municípios mais pobres, sejam interioranos ou periféricos. Talvez este seja o problema de fundo.

Existe interesse da parte dos políticos profissionais em fortalecer o grau de informação, comunicação e cultura de seus eleitores? Eu, como cientista político, vejo que não existe este interesse. Isto porque o senso comum se fortalece com a ignorância e o clientelismo. Como nosso dever é prescrever saídas viáveis para tal estado de coisas, aportamos aqui e em outras arenas estas idéias plausíveis. Na próxima quinzena seguimos no tema, abordando o tema do apoio e suporte para os roteiros e distribuição do audiovisual.

Encerro repetindo algo já afirmado. Para os brasileiros não falta criatividade. O problema é o controle sobre os recursos públicos e a mentalidade política tacanha e mesquinha que impede o desenvolvimento das forças vivas da sociedade. Romper este bloqueio é um dever da Coluna Outra Política.

Este artigo foi originalmente publicado no Portal da TV Tribuna, Baixada Santista (SP)






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