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Para jornais, revistas e outras mídias •

Os flancos abertos de Marina Silva são alvos móveis para as baterias do lulismo original

blogdopedlowski

Dilma Rousseff então ministra da Casa Civil, o criador do lulismo e sua versão amazônica genérica, a então ministra do Meio Ambiente Marina Silva. À época, Marina tentava ser ungida pelo padrinho político, perdendo a corrida para o braço forte pós-Mensalão.

Bruno Lima Rocha, 18 de setembro de 2014

 

Na reta final do 1º turno, faltando menos de vinte dias para o pleito, parece que finalmente houve um ajuste da estratégia de campanha do partido de governo (PT) e da defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff. Como havíamos dito anteriormente, o pior dos mundos para a situação seria uma versão do lulismo mais palatável para os operadores midiáticos e com livre trânsito nos agentes com poder de veto. Tal produto de marketing político é a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva. E, sua maior virtude publicitária, termina por tornar-se o alvo visível e concreto dos ex-correligionários petistas. 

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Não se pode fazer análise séria levando em conta os índices de campanha eleitoral; mas, como os staffs dos candidatos assim o fazem, somos obrigados a reconhecer esta variável.  O PT começou a bater em sua desafeta expondo suas contradições e duplo discurso. Este mesmo partido, ungido por Lula à época sob a direção política de José Dirceu e José Genoino, operara alianças heterodoxas para formação de maioria no Congresso e assegurar a tal da governabilidade por dentro e por fora. Se Marina também não tivesse alianças heterodoxas em sua projeção de imagem pública, poderia explorar tal fato na coligação liderada por Dilma e Michel Temer (PMDB), mas não o faz. Ao afirmar que “vai governar com os melhores” e “não tem lados”, apenas o “bem comum de todos os brasileiros” independente de suas posições na pirâmide social, Marina executa um discurso vazio, com forte apelo publicitário, mas com possibilidade de vôo limitado.

 

Bastou que seus aliados nas clivagens específicas fossem a campo, como o Pastor Silas Malafaia, para Marina aumentar a rejeição e a insegurança no eleitorado. O tele-evangelista, liderança nacional da Assembléia de Deus e porta-voz de um capitalismo de tipo neoliberal e com pregações micropolíticas conservadoras, pode ser facilmente taxado de incitar o ódio homofóbico e assim, reforçar a violência contra toda a população LGBT. Estas pregações vão de encontro à estrutura midiática apoiadora de Marina, como por exemplo, é notado nos enredos de tele-novelas da Rede Globo de Televisão. Ainda que de forma caricata, a presença de relações homoafetivas é constante nas tramas da Globo e formam um lugar comum na emissora líder.

 

Outro flanco aberto por Marina é na exposição de Neca Setúbal e uma suposta possibilidade de acerto fiscal de R$ 15 bilhões a ser realizado através de recursos judiciais do Grupo Itaú, o qual ela é herdeira de parcela majoritária. A ex-senadora pelo Acre, através da porteira de suas relações econômicas, não se difere da política dos campeões nacionais do BNDES de Lula e Dilma e a relação umbilical com os grandes capitais aqui presentes. A diferença é no tipo de relação, pois os seguidos pacotes de bondades de Lula e Dilma asseguram o emprego direto como fator de estabilidade no capitalismo brasileiro. Já as opções da equipe econômica de Marina, liderada por Eduardo Gianetti da Fonseca, flertam com o fantasma da Era FHC e suas terríveis conseqüências para a sociedade brasileira concreta. O tema do Pré-Sal, dentre outros, caracteriza este flanco aberto.

 

Assim, permitindo-nos a uma comparação forçosa, apesar de não termos candidaturas reformistas (de esquerda eleitoral autêntica) com chances de vitória, o PT vê-se obrigado a se posicionar publicitariamente mais à esquerda para diferenciar-se de sua cisão que ruma ao centro e centro-direita do espectro. Tal cisão, antes comandada pelo finado Eduardo Campos (PSB), abre uma aliança com o capital financeiro, já assinalada com a infeliz ideia de assegurar “independência” para o Banco Central. Isto na prática implica entregar 100% da autoridade monetária nas mãos de banqueiros, especuladores e economistas-consultores vinculados ao setor financeiro. Entre obscuras “regras técnicas” que oscilam entre medições econométricas e delírios de filosofia econômica liberal, a pouca soberania restante do Estado sobre o poder dos rentistas iria pelo ralo. Ao propagar tamanho absurdo na campanha,  Marina, Beto Albuquerque e a trupe de filiados históricos e novos arrivistas, abrem um flanco para bater e a dúvida não é porque o PT bate, mas como demorou e porque bate tampouco.

 

Se há ainda uma chance de vitória eleitoral do lulismo, esta se materializa com a presença do próprio Lula em campanha. Desautorizando Marina e reivindicando sua criatura política (Dilma, a ex-Primeira Ministra, titular da Casa Civil empossada em meio ao pandemômio da crise do Mensalão), o Lech Walesa brasileiro pode virar o jogo publicitário. A “mãe do PAC” conta com de novo com o “pai dos pobres” para derrotar aos dois projetos neoliberais em nome de um desenvolvimento policlassista. O lulismo, traduzido em bismarckismo tropical com arroubos de keynesianismo tardio, convive bem com a estrutura de classes e alguma desigualdade. Se a direita política brasileira não fosse tão louca em termos ideológicos e exclusão pós-colonial, seguiria os passos dos agentes econômicos líderes e apoiaria Lula,  Dilma e cia.

 

A eleição brasileira é um jogo disputado em dois turnos e que, em sua primeira rodada, levará à vitória parcial para o time que atacar mais os flancos abertos de adversários. O PT assumiu o paradigma de Adhemar, e está fazendo. Os demais precisam derrubar este prisma e afirmar que vão distribuir renda e assegurar os ganhos de acumulação dos capitais aqui presentes geradores de emprego direto.  Do contrário, as chances de vitória são menores.

 






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