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ISSN 0033-1983
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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

Ainda sobre o dossiê que “ninguém sabe” mas todos viram


O senador paranaense recebeu e plantou a bomba informativa na mídia e blogosfera nacional. O fôlego da boataria estará na CPI do Senado. Corrigir as falhas estruturais não está em pauta.



Esta Nota discorre ainda sobre o tema do dossiê da Casa Civil, roubado de dentro deste órgão da Presidência; passado para o senador tucano paranaense Álvaro Dias; transmitido para a ilibada publicação ítalo-sul-africana em formato de revista semanal chamada Veja e depois retroalimentado pelo jornal paulistano da família Frias.

No último sábado, dia 5 de abril, às 7.40 da manhã tive a oportunidade de conceder entrevista para a Rádio Eldorado AM de São Paulo, do Grupo Estado, programa Jornal Eldorado, cuja âncora naquele dia era a jornalista Vanessa Di Sevo. É sempre bom conversar com uma parte dos ouvintes e consumidores de informação mais qualificados do país. Não me refiro necessariamente a poder aquisitivo, mas sim a capacidade cognitiva e múltiplas interpretações. O tema, como quase sempre, é a parte que me toca e muito me orgulha no latifúndio da blogosfera brasileira. Quando a coisa pesa e é preciso uma análise balizada no ultra-realismo, é a hora de opinar.

Esta Nota não diz respeito ao comentário da entrevista, mas ao conteúdo. Por vezes, falar o óbvio é o mais difícil. Vamos aos fatos mais ou menos confirmados e quase nunca aprofundados:

...o dossiê foi montado dentro da Casa Civil. Não é nada demais, uma base de dados registrados a partir de compras feitas com sinais magnéticos transmitidos via fone.

....duas hipóteses tramitam no imaginário daqueles que lêem e fazem política no Gigante Adormecido. Se foi roubado fisicamente, ou seja, através de alguém que transita no órgão outrora ocupado por Golbery do Couto e Silva; ou se algum craque da informática invadiu os computadores da Casa Civil e de lá retirou as informações.

...para os dois casos a necessidade de investigação é urgente. Ambas situações implicam em quebra de segurança do órgão auxiliar do presidente da 11ª economia do mundo. Assim, se era para investigar, tal investigação deveria já estar apresentando resultados, e não ficar só no tiroteio declaratório nos microfones e câmaras da nobre mídia nacional.

....mesmo tendo recebido um soco no baço, nada justifica uma série de declarações com tom policialesco forcejando para que um repórter abra sua fonte. Isto é um absurdo e se assim prosseguir, o pouco de jornalismo que existe (e é tri miúdo) irá simplesmente desaparecer.

...se este governo não fuçou nem no banco dos Bornhausen, pisando macio e melando a CPI do Banestado; porque iria entrar na celeuma dos gastos com estilo Higienópolis-Broadway-Bloomingdales-Quartier Latin de Dona Ruth Vilaça Correia Leite Cardoso, se arriscando a compará-los com os gastos à la Barra da Tijuca-Cobertura em São Bernardo-Asa Sul de Dona Marisa Letícia Rocco Casa da Silva? Se alguém explicar porque um equilibrista político com uma aprovação nunca antes vista na história deste país iria dar um tiro no pé, sendo que o projétil entraria através do cartão de crédito de sua esposa, por sinal, bastante oneroso.

...insisto com o tema. A oposição agora quer bater, mas quando tinha de bater com firmeza deram para trás. A UDN até quis, mas Marchar com Deus pela Democracia de Mercado contra os bancos era loucura, segundo o PSD, que por sinal tinha razão. Ninguém apertou nem o Okamotto e não dissecaram as contas do Duda Mendonça; isto sendo que o publicitário, marketeiro eleitoral confessa o crime de evasão fiscal na frente das câmaras do país; a ópera bufa concluiu com a gritaria de Mercadante. O “desabafo” louco do professor de economia da USP, ex-colega de departamento de Zélia Cardoso, hoje senador da república pela locomotiva do país era o mote para a UDN ir à forra “limpando o mar de lama” do PTB Lulista. Nada fez, até porque tinha rabo preso e sujo, bem sujo, sujo de Araucária e Cacau....

...agora, é ir com tudo rumo à CPI do Senado, contando com a dobradinha do coronel potiguar-mossoroense José Agripino Maia (UDN-DEM-RN) e o faixa preta de Carlson Gracie, o manauara-amazonense, senador Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro Neto (PSD-PSDB-AM). Se a “lealdade” da base aliada for igual a manifesta na CPMF, é bom o governo abrir o cofre e sacar umas emendinhas antes de começarem as festas juninas e equivalentes pré-eleitorais.

...vai ser assim: bater no Senado para lavrar as verbas nos rincões e cafundós municipais. Quem chorar mais leva a fatia do bolo mais gorda....isso sim que é neoinstitucionalismo aplicado no mundo real....

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