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ISSN 0033-1983
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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

O Choque de capitalismo, segundo Veja

livraria.jp

Veja se supera, mais uma vez, demonstrando de forma editorializada uma reportagem recheada de fontismos sem fim.

15 de agosto de 2012, Bruno Lima Rocha

Por obrigação profissional li a matéria de capa de Veja, datada em 12 de agosto deste ano. O texto da reportagem de Carolina Rangel e Otávio Cabral, é atravessado por uma agressiva linha editorial, trata-se de um libelo a favor do empresariado e, obviamente, anti-greve. Surpreende a capacidade da revista semanal da família Civita ainda causar espanto. Em pleno momento quando a publicação, o grupo controlador da revista e um de seus repórteres especiais estão como supostos alvos de investigação federal, a matéria de capa termina por se aproximar do lado mais à direita da política econômica da economista Dilma Rousseff.

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O argumento central do texto reflete a moral conservadora cruzada com rudimentos de economia neoclássica, que de forma vulgar circula como neoliberalismo. O elogio para as medidas de Dilma vão ao encontro das premissas neoliberais, obviamente todas anti-estatistas e contra qualquer demanda por direitos dos trabalhadores, em especial os do serviço público. A lógica do texto é simples. O governo teria interesse em promover o desenvolvimento de áreas estratégicas ao país. E, para isso, abriria mão de intervir na infra-estrutura básica do país (como transporte e energia), sendo que o BNDES seria um financiador parcial ao menos. Assim, estradas, portos e ferrovias retornam para a condição do século XIX, quando obras de infra-estruturais eram da iniciativa privada e o Estado, à época gendarme, garantia suas funções básicas de saúde, educação e segurança.

Já a virtude, segundo o texto, estaria no empresariado consultado pelo Executivo e futuro gestor das ditas obras. Participariam do processo de escuta os empresários André Esteves, Eike Batista, Jorge Gerdau, Marcelo Odebrecht e Sergio Andrade. Ora, se os capitães de indústria são apresentados como parte da solução, já os funcionários públicos grevistas seriam os anti-heróis. São caracterizados pelos autores como um reflexo do sindicalismo, que seriam desconectados com a realidade! O real fruto da experiência vivida pela humanidade, ainda segundo Veja, é oposto da retórica anti-mercado. Para a publicação da família Civita e seus sócios do Grupo sul-africano Naspers, “nenhum outro sistema da história humana foi mais revolucionário e tirou mais gente da miséria do que o capitalismo, mas o bacana é posar de crítico engajado em alternativas que ninguém sabe quais, para que ou como implementá-las”.

Assim, Veja naturaliza o sistema e o associa com a democracia política, como se capitalismo e democracia fossem sinônimos. Também isenta a própria lógica do sistema (afirma serem excessos) pela “crise” de 2008, chamando de “desarranjo produtivo” a quebradeira geral que vem ocorrendo nas economias de capitalismo avançado (como Europa ocidental e EUA), fruto da jogatina estrutural que subordina os processos decisórios da democracia representativa.

Para além de Veja, um pouco das obviedades da Economia Política não fazem mal a ninguém

Aquilo que Veja chama de “desarranjo produtivo” é simplesmente a Síntese do sistema. Pois o valor de uso perde para valor de troca; depois, o valor de troca já não vale nada, mas a representação desse bem que não pode ser resgatado implica num rombo colossal nas reservas financeiras de todo o mundo. Depois, estes dementes dizem que os "mercados são racionais". São sim, racionalizam a maximização de lucros a todo e qualquer custo!

Já o libelo anti-greve tem uma razão de ser. Para o capital, e em especial para a fome gananciosa das bestas financeiras, os direitos são travas para a circulação do capital especulativo e sua garantia de volta, os ganhos que advêm de recursos coletivos, garantidos pelo Estado.

O problema de fundo do “desarranjo produtivo” (segundo Veja) é que aqui como lá, nos enfiam goela abaixo que o risco dos bancos é risco sistêmico. Eu diria que a existência das instituições financeiras tal como elas se organizam hoje é que é um risco para qualquer forma de vida em sociedade. Não geram valor real, montam uma cadeia de transferência inventando moeda sem lastro algum na forma de crédito e na maioria das vezes jogam no limiar das possibilidades. O Estado Espanhol passa hoje por isso, e ao invés de intervir nos maiores bancos, permitem que a besta dilapide patrimônio e opere sobre as Caixas autônomicas e provinciais.

Os bancos são causadores da farsa com nome de crise, assim como as agências de "análise" de risco, as empresas de certificação de auditagem, as mega-corretoras de operações em bolsa, as seguradoras e as autoridades a ocupar postos-chave em processos decisórios delicados. No fundo do poço, se raspa o cofre para dar recursos a quem os sugou da sociedade. Mas, como o valor é antes que nada socialmente construído, vive-se sob o mito da credibilidade e confiança. Balela perigosa.






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