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ISSN 0033-1983
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Alan García, o retorno. Conservadorismo ou mudança?


Entre o ex-presidente e o ex-general, o labirinto da falta de saída para o povo peruano. Alvaradista de última hora, Humala não conseguiu derrotar ao desacreditado APRA de García



No dia 13 de Junho o Peru escolheu seu novo governante pelos próximos 5 anos. Ele será o ex-presidente Alan García, que governou já governou o país de 1985 a 1990, conseguindo entre suas proezas um aumento considerável da inflação, algo em torno de 7000% no total. Nesse seu fracassado governo da metade da década de ‘80, o dito social-democrata do Partido Apra, se notabilizou por não conseguir apoio da oligarquia peruana, tanto pela privatização dos bancos, como pela ascenção de uma nova elite, financeira e transnacional. A guerrilha do Sendero Luminoso chegou ao auge, provocando pânico nas classes mais abastadas por uma série de atentados, e emprego de guerra psicológica. Alan García levou pau da esquerda legal também, porque além da já referida galopante inflação que resultou numa maior desigualdade econômica e social, não cumpriu as suas prometidas reformas sociais para o bem estar do tão sofrido povo peruano, com uma corrupção enorme nesses anos dentro do aparelho estatal.

Com o término de seu primeiro governo, foi tratado até essa eleição com desdém, pois era dado como um cadáver político, porque a população peruana associava o nome de Alan, como é popularmente chamado no Peru, à corrupção e à inflação. Durante boa parte das prévias para o primeiro turno, ele ficou em terceiro lugar, atrás do candidato nacionalista general Ollanta Humala e da direitista Lourdes Flores. Quando chegou a proximidade das eleições esse panorama se inverteu, com o candidato Aprista conseguindo abocanhar o lugar de Flores para o segundo turno, através de discursos buscando se comprometer com uma mudança paulatina e “responsável”; sempre dando desculpas de seu fracasso anterior. A perda eleitoral da candidata conservadora foi uma demonstração do descontentamento do eleitorado peruano para com as classes mais favorecidas, situadas principalmente no Departamento de Lima, centro político e industrial do país, que simplesmente ignoram os apelos de maior mudança e igualdade social.

A tensão aumento na campanha para o segundo turno. Humala batia e ia de encontro a uma proposta semelhante a de Chávez e Morales. Propôs aumentar o papel do Estado na economia, através de uma série de leis rígidas contra os exploradores mineradores, operando nesse mercado quase sem controle e, obviamente, encampando os recursos minerais. A solução era até simplista, controle do subsolo para arrecadar e distribuir um pouco mais de renda, subsisidando a pobreza de mais de 52% dos peruanos. Uma réplica tanto do programa do MAS boliviano, como das próprias experiências peruanas, já levadas a cabo no governo do general Velázquez Alvarado.

Constava do plano de governo de Humala, acabar com o acordo de Livre Comércio com os Estados Unidos, assinado pelo então presidente Alejandre Toledo. Esse tratado comercial, caso seja efetivado, destruiria a quase inoperante indústria nacional peruana, porque teria de competir com empresas americanas, resultando numa clara desvantagem de uma possível independência econômica. Ollanta Humala se associou ao presidente venezuelano Hugo Chávez e pagou seu preço. Em nome de discurso bolivariano, deu palpites e ingerências no processo eleitoral peruano, tal e qual na Bolívia. Chávez difamou publicamente Alan García, chamando-o de corrupto, ladrão e um possível fantoche imperialista, como também foi chamado por ele o presidente mexicano Vicente Fox.

Essa campanha de insultos contra a pessoa de Alan resultou em uma crescente popularidade desse candidato, pois ele conseguiu associar a imagem de seu adversário, Ollanta Humala, ao de Chávez. O candidato do APRA colou o general peruano com a idéia de que este seria apenas uma marionete do venezuelano. Acusou o candidato nacionalista, do partido União Pelo Peru( UPP), de ser um terrorista, já que em seu “currículo” está um fracassado golpe de Estado no ano 2000, contra o ex-presidente Alberto Fujimori. Acusou-o também de ser contra os direitos humanos, já que existe uma série de acusações da organização Sendero Luminoso contra Humala, por maus tratos na repressão contra essa guerrilha. Houve, nas propagandas Apristas, uma clara mensagem de um possível autoritarismo do candidato nacionalista. Alan García, passou recibo e não fez a sua parte. Direitos Humanos durante seu governo, foi algo tão ridículo quanto a honestidade do capitão e advogado Vladimiro Montesinos. Detalhe, Humalla foi um oficial de campo também durante seu governo, combatendo as mesmas guerrilhas do Sendero Luminoso e MRTA que eram oposição ao desgoverno do APRA.

A vitória de García é uma visível derrota de Hugo Chávez. Seu partido defende o Brasil como liderança regional (?!), quer fazer parceria associada e subordinada ao Chile e tentar ressucitar a fracassada Comunidade Andina de Nações( CAN), cuja derrota prática anda de mãos dadas com o acordo unilateral pré-acordado pelo Peru com o Império de Bush Jr. e do vice-cônsul Dick Cheney. García tem a via crucis de fazer o que nunca fez, como por exemplo, salvaguardar os setores de algodão e manter a produção agrícola. Caso contrário, será apenas uma continuidade da política neoliberal de Fujimori e Toledo, somado a tendência ao desastre, como a inflação crescente como em seu governo anterior.

Cabe uma leve ironia, tão sutil quanto uma tempestade nos Andes. García poderia soltar a Abimael Guzmán e Victor Polay, dentre centenas de militantes presos políticos. Depois, deveriam trazer de volta às operações, tanto o MRTA e o Sendero, e o baile estaria completo, com queñas e zamponas de todos os lados.

Esta Nota foi redigida por João Vitor Cassela Novoa e revisada por Bruno Lima Rocha

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