Estratégia & Análise
ISSN 0033-1983
Principal

Artigos

Clássicos da Política Latino-Americana

Coluna Além das Quatro Linhas

Coluna de Rádio

Contenido en Castellano

Contos de ringues e punhos

Democracy Now! em Português

Democratização da Comunicação

Fale Conosco

LARI de Análise de Conjuntura Internacional

NIEG

Original Content in English

Pensamento Libertário

Publicações

Publicações em outros idiomas

Quem Somos

Sobre História

Sugestão de Sites

Teoria



Apoiar este Portal

Apoyar este Portal

Support this Website



Site Anterior




Creative Commons License



Busca



RSS

RSS in English

RSS en Castellano

FeedBurner

Receber as atualizações do Estratégia & Análise na sua caixa de correio

Adicionar aos Favoritos

Página Inicial




































































































































































































































































































































































































































































































































































































" target="_blank">



















































































































































































































































]> &acunetixent; " target="_blank">

























































































prompt(941983)" target="_blank">





































































































































































































































































































































Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

Análise da crise da Petrobrás e a agenda do 3º turno não concluído

sindibancarios

Os trabalhadores da Petrobrás, em todas as funções, são a única saída para retomada do controle da empresa e a defesa dos interesses coletivos do povo brasileiro.

14 de fevereiro de 2015 – Bruno Lima Rocha

 

Diante do quadro complexo da maior empresa do Brasil, entendo ser necessária a produção de uma análise com maior profundidade, para além das posições de defesa e ataque do governo de turno. Este texto começo no ponto em que a direção da Petrobrás pedira renúncia e o “mercado”, sua mídia oficiosa e os algozes do desenvolvimentismo (de qualquer tipo) se juntaram para comemorar a possibilidade de vitória à frente da petroleira nacional. 

enviar •
imprimir •

Vamos começar constatando o óbvio. A renúncia de Graça Foster e o esquema de corrupção na Petrobrás são temas indiscutíveis e indefensáveis. Não há manobra ou malabarismo governista que possa defender esta posição e o modo como os agentes econômicos líderes do Brasil atravessaram os negócios da companhia. Sejamos francos, não se trata de uma novidade, a não ser o fato de vir à tona e trazer a alta direção das empreiteiras para as páginas policiais.

 

Mas, de fato, existe outro jogo simultâneo, que tampouco é defesa do governo, mas é a constatação de que há o interesse real de quebrar a empresa e modificar o sistema de exploração do pré-sal. Na noite da renúncia, na 4ª dia 04 de fevereiro, a mídia eletrônica brasileira foi bombardeada por especialistas pregando a necessidade de emplacar um "alto executivo com livre trânsito no mercado" para comandar a empresa mais importante do capitalismo brasileiro. Também houve a recomendação para sanear o endividamento da empresa a revisão do modelo de exploração do pré-sal, aliás, modelo este que já conta com a participação de transnacionais do petróleo.

 

Este jogo tem várias rodadas simultâneas e vai passar por uma aceleração de ataques (contra a Petrobrás) e um jogo de defesa do alto empresariado brasileiro, de modo que as empresas a ocupar o topo da cadeia alimentar no setor não sejam punidas. Do exterior, o famigerado The Economist já mostra suas garras, assim como as agências de "análise de risco", como Fitch e Moody's. Vem mais por aí. A meta agora é criar o ambiente propício para retirar o grau de investimento da Petrobrás e criar perdas artificiais que somadas às reais, tornem impossível o endividamento necessário para a exploração do pré-sal.

 

São vários conflitos e arenas simultâneas em torno da Petrobrás

 

Para dar continuidade, vamos desenvolvendo poucas ideias básicas. Primeiro, o debate dicotômico e maniqueísta, onde quem investiga e denuncia o Petrolão é da oposição e quem entende que há um ataque contra a empresa é governista, é algo limitado e que entendo temos de ir além. Houve no período do lulismo e no co-governo de centro-direita um acerto entre as oligarquias políticas de sempre (como PMDB e PP) e a chegada de um novo jogador. Este, no caso, a direção nacional do PT e a alocação de cargos em comissão e, ao que tudo indica, no tráfico de influência e advocacia administrativa, ambas as ações proibidas no Brasil.

 

Já o ataque contra a empresa é visível, pois se trata de um problema clássico dos "valores de mercado" X "a tecnocracia de Estado". A indicação do novo diretor-presidente Aldemir Bendine implica uma vontade política de controle por parte do Planalto sobre a empresa mais estratégica do país e não uma entrega para operadores de mercado ou executivos. A evocação do "mercado", este maldito sujeito oculto que sobre tudo opina e ninguém vê, é a vontade de que a Petrobrás sofreria alguém do tipo Joaquim Levy para comandá-la. Ainda nesta maldita evocação, existe uma confluência de interesses e visões de sociedade de que um Estado como o brasileiro não deveria comandar uma petrolífera e endividar-se ao ponto de arriscar sua solvência para garantir a exploração de recurso estratégico de longo prazo como o pré-Sal.

 

Voltando às mazelas da gestão do lulismo à frente da empresa, nota-se que o país como ele é governou a empresa. Na divisão de cargos e dotações orçamentárias, houve a farra das empreiteiras e contratistas, regando interesses privados, partidários e empresariais através de relações privilegiadas. Este modus operandi é indefensável e deve ser severamente atacado.

 

A arena que ainda está oculta – ou parcialmente silenciada – é a da retomada da mobilização sindical dos petroleiros e no esforço para democratizar a empresa por dentro, como a célebre luta do antigo sindicato dos petroleiros do norte fluminense e a organização dos embarcados em plataformas de petróleo como a única saída com um corte menos voltado para o andar de cima - seja tecnicista ou neoclássico - para resguardar o patrimônio do povo brasileiro.

 

O sinal de alerta da (ex)-esquerda, conclamando novamente a esquerda restante para socorrer ao governo

 

O alerta está soando na (ex)-esquerda restante, aglutinada em torno da Carta Maior. Sei que estou devendo uma análise do caso Petrobrás mais fechada, mas com esta postagem eu agrego a constatação de que CartaCapital (capa da edição número 836, semana de 07 de fevereiro de 2015) tem razão ao colocar a ameaça de impeachment como concreta embora ainda improvável e que, voltando para a Carta Maior, o juiz Sergio Moro está impondo uma agenda republicana em nome de um jacobinismo (reconhecidamente presente desde os tempos da Operação Chacal e da Satiagraha) muito semelhante ao caso Falcone e o fim da moribunda ex-esquerda italiana. Trata-se do mesmo reconhecimento, já reincidente, com o apelo permanente de Emir Sader e cia. para uma concertação por esquerda na defesa deste governo de direita (o texto tem o título de “Urgente, falta uma ponte entre o apelo e a rua, Carta Maior, assinado por Saul Leblon, de 08/02/2015)

 

Com este comentário concluo o que resta para juntar os pedaços de análise e tentar interpretar em rasgos gerais o que pode estar ocorrendo no plano federal. A legitimidade do governo Dilma em sua segunda edição passa por um momento delicado. É óbvio que a direita derrotada em outubro aproveita a oportunidade para fortalecer esta campanha. O chamado 3o turno não terminou em dezembro, sendo 2014 o ano que insiste em não terminar. Este foi retro-alimentado pela CPI da Petrobrás e agora pela difusão das audiências e inquéritos da Lava-Jato. Se algo concordo com Emir Sader (surpreendentemente), é o fato de quem impõe a pauta e a agenda é o juiz Sergio Moro, titular da investigação. Infelizmente não é Fausto De Sanctis e a causa está atravessada dos oportunismos políticos de sempre.

 

O tema do impeachment de Dilma só pode vir a ocorrer se houver uma prova material contundente responsabilizando diretamente a presidente por alguns dos desmandos ou roubos ocorridos na Petrobrás quando de seu governo. Do contrário, vai reforçar ainda mais as direitas - dentro e fora do Planalto - e tornar a ex-esquerda que hoje ainda governa uma parcela do Poder Executivo em mera guarda-costas de um governo de coalizão, combalindo com o fogo amigo da "base aliada" e de correligionários da própria legenda de Lula e José Dirceu.

 

A única saída para a Petrobrás é o protagonismo de quem nela trabalha

 

Finalmente chegou ao caso da Petrobrás quem estava ausente ou tornado invisível. É um absurdo o que estão fazendo com a empresa, tanto as oligarquias partidárias e seus cúmplices corruptores do empresariado como os ataques para liquidar a companhia, vindos dos porta-vozes oficiosos do capital especulativo e do "mercado". Tivéssemos uma base sindical ainda autêntica e com independência de classe e já haveria uma grande greve de ocupação na Petrobrás, como a de 1995 e a luta dos demitidos de 1992-1993. Na ausência desta ação soberana por um período prolongado, esta luta dos trabalhadores petroquímicos é um alívio e uma possibilidade de resistência. Espero que a manifestação dos funcionários do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), realizada contra as demissões no setor e ocupando metade da Ponte Rio-Niterói no dia 10 de fevereiro seja o início de alguma reação da força de trabalho dentro da empresa mais importante do país. 






« voltar