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ISSN 0033-1983
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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

A anexação da Criméia, o leste da Ucrânia e a projeção da Rússia




A Rússia retomou seu espaço e gravitação no cenário internacional e isto é um fato inequívoco. Desde o final da Guerra Fria, ou seja, em pelo menos vinte anos, jamais se viu um poder estatal afrontar os Estados Unidos, contrapondo as vontades de Washington deste modo. Tomamos como marco a manobra diplomática e as reais ameaças militares proclamadas por Vladimir Putin de que, se a Síria fosse bombardeada sem o aval do Conselho de Segurança da ONU, a Rússia faria bombardeios de retaliação nos aliados dos EUA no Oriente Médio. Leia-se, houve risco real de bombardeios contra Arábia Saudita e Qatar, sendo as duas monarquias grandes financiadoras dos integristas sunitas contra a ditadura da família Assad. O Estado russo não poderia dar-se ao luxo de perder outra base naval e acesso às rotas de navegação do Mediterrâneo. Caso os sauditas vierem a ser atacados, as instalações petrolíferas são o alvo primário e certamente o mundo terá uma escalada dos preços do barril de óleo cru. Ponto para Putin, com Obama ficando contra as cordas.

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Se o ano de 2013 encerra com esta vitória russa, o de 2014 termina com a tensão nas ruas de Kiev (capital da Ucrânia que se reivindica como tal) o que culmina com a derrubada – mediante um golpe parlamentar - do governo eleito (embora corrupto) de Viktor Yanukovych. Perder a Ucrânia, terra natal da Mãe Rússia, equivale para os eslavos do norte (os rus) o mesmo que para os eslavos do sul (os sérvios) implicou na perda do Kosovo. De 24 de março a 10 de junho de 1999, os conflitos da balcanizada ex Ioguslávia exacerbaram as relações tensas entre a OTAN e a Servia, e desta com a Rússia como aliada incondicional. A Aliança do Atlântico Norte atinge a Sérvia por semanas a fio, garante uma paz armada no enclave do Kosovo (de maioria albanesa) e cria o trauma da derrota da Guerra Fria para os estrategistas russos. A diferença está na qualidade da liderança do Urso Eurasiano. A transição para uma economia de mercado e a dissolução da União Soviética fora comandada por Boris Ieltsin (1992-1999). A partir de 2000, Putin, seu aliado Medvedev e o coeso e capacitado aparelho de segurança, inteligência e defesa russos retomam o controle do Estado.

As derrotas russas e dos aliados sérvios ainda não foram digeridas e são retroalimentadas como uma humilhação diante da Superpotência e o “ocidente”. Na Grande Rússia, os apparatchik político-militares reorganizaram a defesa para reconstruir a esfera de influência Eurasiana. Para isso, é necessário reconquistar ao menos aquilo que seria a sua área de respiro. O conceito "espaço vital" é erroneamente associado apenas a geopolítica de base nazista, embora seja uma ferramenta comum para todas as escolas de geopolítica clássica e agora de geoestratégia. Pois esta área onde a potência nuclear russa entende como vital é, além da Criméia, ao menos a parcela ao leste do Rio Dnieper. Para assegurá-la como área de influência direta, a Rússia joga todas as suas cartas.

Bruno Lima Rocha é professor de ciência política e de relações internacionais






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