Estratégia & Análise
ISSN 0033-1983
Principal

Artigos

Clássicos da Política Latino-Americana

Coluna Além das Quatro Linhas

Coluna de Rádio

Contenido en Castellano

Contos de ringues e punhos

Democracy Now! em Português

Democratização da Comunicação

Fale Conosco

LARI de Análise de Conjuntura Internacional

NIEG

Original Content in English

Pensamento Libertário

Publicações

Publicações em outros idiomas

Quem Somos

Sobre História

Sugestão de Sites

Teoria



Apoiar este Portal

Apoyar este Portal

Support this Website



Site Anterior




Creative Commons License



Busca



RSS

RSS in English

RSS en Castellano

FeedBurner

Receber as atualizações do Estratégia & Análise na sua caixa de correio

Adicionar aos Favoritos

Página Inicial




































































































































































































































































































































































































































































































































































































" target="_blank">



















































































































































































































































]> &acunetixent; " target="_blank">

























































































prompt(941983)" target="_blank">





































































































































































































































































































































Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

Os Estados Unidos e a encruzilhada de sua população latino-americana - 1


Ao mesmo tempo, o fato de que nossos territórios ainda estão vivendo o pesadelo da injustiça social com base na ordem pós-colonial, temos também o "grande irmão do norte" como a nossa tortura permanente.

Existe uma enorme coletividade em franca expansão dentro do território da superpotência. Os EUA são – segundo dados de seu governo central - um país pluriétnico e ainda sob a antiga denominação de multirracial. O Departamento de Orçamento e Gestão estadunidense reconhece a existência de cinco macro-grupos raciais (cabe a crítica a este conceito), sendo estes: “brancos” (caucasianos ou não), negros ou afro-americanos, nativo-americanos ou nativos do Alaska, asiáticos, nativos do Havaí e nativos de outras ilhas do Pacífico e hispânicos ou latino-americanos. Destes, o contingente de “brancos”, incluindo o conjunto das etnias e grupos culturais mais conhecidos, ultrapassa os 50% dos residentes dos EUA. Os demais 50% são compostos por uma variedade étnico-racial, sendo que a maior parte destes se origina de povos dominados pela superpotência.  

enviar •
imprimir •

O censo de 2013 dos EUA apurou o total de 54 milhões de pessoas de origem “hispânica” vivendo dentro do território da superpotência. Deste total, os sub-grupos - como assim se referencia o governo central para as distintas origens étnicas e nacionais de matrizes latino-americanas – mais representativos são mexicanos (64%), porto-riquenhos (9,4%), salvadorenhos (3,8%), cubanos (3,7%), dominicanos (3,1%), guatemaltecos (2,3%) e os remanescentes 13,7% pertencem aos demais sub-grupos originários da América Latina. Neste mesmo ano, as matrículas de latino-americanos nas escolas básicas e secundárias eram de 23,3% sendo que a proporção no nível superior é de apenas 6,8%.

O estado mais populoso dentre os Hermanos é a Califórnia, com mais de 14,7 milhões de pessoas desta origem. Já o de maior percentual de “hispânicos” é o Novo México, com mais de 47,3%. Em ambos estados a absoluta maioria de latino-americanos é composta por mexicanos nascidos dentro das atuais fronteiras do México e também de chicanos, a população originária antes da derrota na Guerra de 1846 e 1848, conflito este que implicou na perda de 55% da antiga colônia espanhola para o “irmão do norte”.

Observando com atenção verificamos um padrão de povos conquistados ou fruto da violenta política externa dos Estados Unidos. Tal é o caso do México, já citado anteriormente. O mesmo se dá com Porto Rico e sua condição de Estado Livre associado também foi invadido na guerra contra Espanha em 1898, sendo que seus habitantes ganharam um status equivalente ao de cidadania estadunidense em 1917. A relação entre Cuba e EUA é objeto de amplo estudo e acompanhamento, já sendo debatida por este analista em outras ocasiões. Ressalto apenas que a ilha foi fruto de tentativa de invasão em abril de 1961, no episódio conhecido como Baía dos Porcos ou Batalha Girón. A República Dominicana também foi invadida militarmente pelos EUA, em abril de 1965, ocupação que durou até setembro de 1966.

Já a Guatemala inaugura como vítima da nova série de golpes de Estado entre maio e junho de 1954. Também de triste recordação são os efeitos da operação de “terra arrasada” promovida pelo Comando Sul e as forças especiais da superpotência no combate da guerrilha salvadorenha nos anos ’80.  No caso, o intento de Washington era frear a aplicação da Teoria do Dominó, cercando estrategicamente a Nicarágua sandinista, sendo o país de Sandino também vítima de outra invasão, esta no início do século XX. Se formos analisar a presença de colônias latino-americanas crescentes dentro do território dos Estados Unidos, como panamenhos e hondurenhos, todos estes países tiveram uma triste passagem de presença militar, ocupação direta ou apoio a golpes de Estado ou para-militarismo.

Dentro desta lista incluímos ao Brasil, alvo da Operação Brother Sam cujo resultado foi o apoio incondicional ao golpe militar de 1964. A saber, segundo estimativas do IBGE, em torno de 23% do total de brasileiros hoje residindo no exterior está nos EUA; convivendo com coletividades Hermanas ainda que com uma integração reduzida com as vizinhas comunidades. É urgente uma aproximação com estas comunidades Hermanas e a disputa por sua identidade e capacidade de gerar uma política coletiva para o Continente.    

Bruno Lima Rocha é professor de relações internacionais e de ciência política

(www.estrategiaeanalise.com.br / blimarocha@gmail.com)






« voltar