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NIEG •
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre a Globalização Transcultural e a Cultura do Capitalismo •

Quando algo se torna suficientemente grande demais para quebrar?

NY Times

Dimensão econômica e poder política das corporações são temas do filme Too Big To Fail.

30 de junho, coletivo NIEG

Já tratamos ao longo das colunas neste espaço das relações e dos agentes que deram origem à “farsa com o nome de crise”, vivenciada pelo mundo a partir de 2007. É curioso observar que as produções cinematográficas sobre o assunto não param de ser lançadas – agora com um foco maior na situação dos países do Euro –, o que prova a hipótese deste Núcleo de que é algo bem mais fácil de ser explicado do que os grupos midiáticos o fazem.

No texto desta semana, apresentamos uma análise sobre um filme baseado em fatos reais. Too Big To Fail (“Grande Demais para Falir”, Curtis Hanson, 2011) trata dos momentos mais críticos das negociações para salvar, ou não, os bancos que uma atrás do outro entravam em processo de falência numa velocidade tão rápida quanto a que o dinheiro “fictício” é movimento nas bolsas de valores.

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O filme, produzido de forma independente dos grandes estúdios estadunidenses pela HBO, é baseado no livro do jornalista Andrew Ross Sorkin, que além do título que leva o longa, tem como subtítulo: “The Inside Story of How Wall Street and Washington Fought to Save the Financial System – and Themselves” (“por dentro da história de como Wall Street e Washington lutaram para salvar o sistema financeiro e eles mesmos”).

O ponto de vista apresentado é o de Henry Paulson (William Hunt), secretário do Tesouro dos Estados Unidos que abandonou o cargo de CEO do Goldman Sachs com direito a não ter impostos sobre os seus vencimentos na saída da empresa. O Goldman, vale salientar, acabou sendo um dos grandes beneficiários da “farsa com o nome de crise”. Porém, Too big to fail não pretende apresentar estes detalhes, mas as frias negociações do Estado com os bancos ainda “vivos” e com o Congresso.

Após emprestar dinheiro para que milhares de conterrâneos do Tio Sam conseguissem alcançar o tão esperado “sonho americano” de ter uma casa própria, baixando o nível da análise de crédito, possibilitando a um maior número de pessoas que antes não eram vistas como possíveis bons pagadores a oportunidade de ter um bem próprio, os bancos estadunidenses acabaram montando uma enorme bola de neve: pacotes com hipotecas de imóveis, automóveis e os mais diversos tipos de financiamentos, repassando esses montantes para outros bancos.

O mercado estava aquecido, pessoas pegando dinheiro emprestado com bancos, o setor imobiliário era algo extremamente lucrativo e os grandes diziam que ele nunca seria desvalorizado, mas será mesmo que poderiam se firmar nisso?

Não, não deveriam e nem poderiam, mas fizeram. Isso gerou uma bolha que inflou, inflou até estourar, como um prédio condenado, que ao ser detonado, levanta uma grande nuvem de poeira, atingindo outros prédios, impossibilitando com que as pessoas enxerguem ou raciocinem corretamente. Nos Estados Unidos, antes da bolha imobiliária, o mercado sofreu no início do século com a bolha das empresas ponto.com (eletrônicas), mas nada mudou quanto a maiores cuidados para evitar que a liberdade aos mercados permitisse que isso voltasse a ocorrer tão depressa e de forma tão avassaladora sobre a economia mundial.

Milhares de americanos que custaram para conseguir uma casa acabaram sem saber o que fazer. Muitos foram pegos de surpresa, despejados, ficaram desamparados, vendo suas casas sendo fechadas com tapumes de madeira nas portas e nas janelas, para que não pudessem entrar lá novamente.

Financeiras como a Bear Stearns estavam em colapso, algumas vendiam suas ações a preços baixíssimos, outras esperavam a ajuda divina do Tesouro Nacional, e havia ainda aquelas que estavam tentando fechar negócios internacionalmente. Uma corrida para salvar os “pequenos bancos”. Porém, nesse caso, o que um fizesse seria revertido a toda a cadeia econômica dos EUA e posteriormente a mundial. Como evitar que esse verdadeiro castelo de cartas que foi construído a base de muita intriga, dinheiro “fácil” e ganância, não despencasse agora, não caísse e desestabilizasse toda a economia mundial?

O Tesouro Nacional, que era liderado pelo ex-presidente da Goldman Sachs, Henry Paulson, busca uma solução para algo de tamanha gravidade que se apresenta diante dele e de todo o país. A equipe de Paulson trabalhou muito sobre esse problema, mas era extremamente difícil fazer com que os bancos se mantivessem calmos diante de tal situação. O salvamento dos fundos hipotecários Fannie Mae e Freddie Mac pelo Governo dos EUA gerou uma expectativa de que caso novos agentes estivessem perto da falência, o Estado voltaria a injetar recursos. Os bancos não podiam esperar – e não paravam de apostar uns sobre os outros –, e a equipe do Tesouro não conseguia encontrar uma solução adequada para isso em tempo hábil. E lá se foi o Lehman Brothers, ruindo de vez.

Após serem pressionados por todos – pelos bancos que estavam sem saber para onde correr; pelas pessoas que já começavam a dar-se conta da imensa onda de problemas que viria, e corriam aos bancos para sacar seu dinheiro, pois tinham medo de que assim que o banco quebrasse, suas economias ficassem congeladas –, o Tesouro chegou a uma solução: fazer com que os grandes bancos comprassem as ações podres dos que estavam prestes a ruir.

Mas aí ainda estavam dois problemas, o primeiro era convencer os grandes bancos a comprarem essas ações e o outro era o tempo que isso levaria. Precisavam de quase dois meses para fechar essas transações, tempo o qual ninguém dispunha, afinal, a economia estava prestes a desmoronar e não esperaria meses por uma solução.

Tentou-se ainda fazer a junção entre os grandes e os pequenos. A equipe do Tesouro organizou os bancos em duplas, as quais deveriam chegar a um consenso, para fazer a união deles. Era uma questão em que os bancos que estavam à beira do abismo tinham de “namorar” bancos grandes para que esses aceitassem fazer esse casamento, mas não deu certo.

O Tesouro percebeu que a única saída era que os grandes bancos emprestassem dinheiro aos pequenos, mas como convencer os grandes a emprestar dinheiro para aqueles que já estavam quase quebrando, correndo o risco ainda de não receber o que emprestaram?

Por fim, com a recusa dos agentes financeiros em resolver o problema que eles mesmos criaram, decidiu-se que o governo tomaria capital em nove bancos, cerca de US$ 125 bilhões, para injetar nos falimentares. A administração Bush Jr. teria cerca de 5% das ações de cada banco, mas não teria direito a voto, o único pedido era que emprestassem dinheiro aos pequenos bancos para estabilizar a economia americana e mundial. Só uma rodada final, definindo em US$ 700 bilhões a ajuda estatal, é que foi levada a ser aprovada no Congresso.

Numa das partes mais interessantes do filme, Paulson pergunta aos banqueiros ali presentes se eles têm noção do que irá acontecer: o Estado injetando dinheiro nos bancos, uma “suposta” estatização nos moldes inaceitáveis para o capitalismo que todos ali defendiam!

As batalhas seguintes se deram no Congresso Nacional, que recusou a proposta inicial e só a aceitou numa segunda votação, sob enorme pressão e muito apuro em meio a uma situação em que a população era contra a proposta, mas o Governo e os bancos ameaçavam com uma possível recessão bem pior que a de 1929.

Os nove bancos aceitaram, mas nem todos cumpriram com o combinado. Vários bancos menores quebraram. Os bancos que receberam dinheiro do governo, após um tempo, devolveram o que foi injetado, após terem gasto boa parte dele com reuniões em paraísos naturais e viagens de jatinhos a seus executivos. No fim, ficou comprovada a hipótese do mercado que eles eram “grandes demais para quebrar” e em quantidade bem menor que os verdadeiros prejudicados com a “farsa com o nome de crise” criada por eles.

...

Nota: as pessoas interessadas em participar do Núcleo Interdisciplinar de Estudos da Globalização Transnacional e da Cultura do Capitalismo (NIEG) podem nos encontrar todas as 5as, a partir das 18 horas, na sala do Grupo de Pesquisa Cepos (ao qual o Núcleo pertence), 3ª 318, 3º andar do centro 3 (prédio A), ciências da comunicação, Unisinos. O telefone de contato é o geral da Unisinos (51 3591 1122) no ramal 1320, pedindo para falar com Bruno, Anderson, Ivan ou Dijair, sempre a partir das 14 horas (2ª a 6ª). Ressaltamos que todos os textos desta coluna são de autoria coletiva, sendo responsabilidade do conjunto dos membros do NIEG-CEPOS. E-mail: nieg.cepos@gmail.com – www.grupocepos.net






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