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as bases do pensamento, doutrina e teoria política da democracia radical com a igualdade social •

Análise preditiva para o cenário político nacional em 2015

sindpetroalse

Nesta charge a síntese de uma urgente necessidade política para além da farsa do “jogo de posições” e muito além das urnas da democracia indireta

05 de janeiro de 2015, Bruno Lima Rocha

 

Ao contrário da maior parte das postagens deste portal e os respectivos compartilhamentos, desta vez este analista se dá ao direito de ser 100% normativo. Proponho uma análise de tipo normativa (dever ser), partindo do ponto de vista de quem se posiciona pelo avanço da democracia em todos os níveis, estando a maioria organizada como agente coletivo com poder de veto diante das decisões verticais típicas de uma sociedade onde não há justiça social embora exista igualdade formal de direitos. O momento realmente é grave diante da crise do modelo do tímido keynesianismo tardio, do retrocesso localizado nas posturas neoliberais, defensoras dos astronômicos lucros do rentismo (alocando mais de 40% do orçamento da União apenas com a rolagem de juros da dívida odiosa) e partindo diretamente para o corte de direitos sociais e, por tabela, do volume de crédito e condições de vida.  

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A primeira constatação é a necessidade de se contar apenas com as próprias forças. Logo, cabe a pergunta: “nós quem?”. Quem seria este aglomerado de forças políticas e sociais para serem total ou parcialmente aglutinadas a partir de 2015, aproveitando que este não é um ano eleitoral? Faço a aposta naquilo que podemos afirmar como apenas contando com as próprias forças. Neste sentido, queria ver a esquerda restante (logo, a que não se ilude com o governo de direita) ter algum grau de unidade para além das urnas; o ideal seria uma unidade em nível sindical com boa coordenação em nível popular e estudantil;

 

Ainda neste ângulo, seria interessante ver um racha definitivo nos setores ainda combativos no movimento social brasileiro tais como MST, MTST e outros, em especial da Via Campesina, que equivocadamente ainda nutrem alguma esperança no governo de coalizão. Na condição ideal tais setores se aliariam sem condicionantes - no nível social - com a unidade sindical (ainda inexistente) e popular, com razoável grau de solidariedade. É preciso se antecipar nesta aproximação, antes que a esquerda que ainda se posiciona à esquerda no PT (sim, tem gente que ainda se diz de “esquerda” dentro da legenda de José Dirceu), dê carga em eventos como o Fórum 21 (realizado em São Paulo em 15 de dezembro de 2014), para buscar a unidade tática contra a restauração neoliberal, reforçando a ideia absurda do “governo em disputa”.

 

De novo, o motor de tudo isso seria a massificação pelo direito à cidade, como em 2013, e sem o fato-gerador da Copa das Confederações como pano de fundo. Tem muita gente desorganizada no Brasil metropolitano contemporâneo e precisamos de referentes político-sociais para aglutinar estas pessoas, pequenos coletivos e redes. Quem convocar alguma unidade vai sair na frente, mesmo reconhecendo serem as realidades de capitais e regiões metropolitanas muito distintas. Temos subsistemas políticos de esquerda radicalizada e agrupamentos sociais com médio ou baixo grau de radicalização, mas sempre com temas urgentes e organizáveis. Aglutinar estes interesses diretos e estruturais ultrapassa a farsa do “jogo de posições” embora não tenhamos no Brasil uma condição de trabalho social que possa prescindir totalmente de algum tipo de relação de simpatia dentro do aparelho de Estado em seus três níveis de governo.

 

Indo além da predição, é preciso avançar urgente no reconhecimento de políticas públicas e direitos fundantes da diversidade, não dando espaço nem para liberais e neo-conservadores, tais como neopentecostais, esquálidos à la brasileira e saudosistas do Golpe de 1o de abril. Está na hora de tolerância zero para com qualquer tipo de intolerância, começando pelo reconhecimento imediato das causas dos povos indígenas e quilombolas. Nesta pauta o enfrentamento direto com o governo central obriga aquelas e aqueles que são protagonistas ou apoiadores destas causas a se posicionarem de encontro aos projetos da coalizão de centro-direita reeleita em outubro.

 

Para concluir, este analista entende que é chegada a hora da maturidade e do reconhecimento da CAB e do pensamento libertário difuso que atravessa a nova esquerda pós-lulismo no Brasil. Está na hora de assumir este protagonismo com responsabilidade e contundência para gerar uma referência para todas as urgências que nunca couberam nas urnas da democracia indireta.






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