{"id":1006,"date":"2009-05-28T17:14:01","date_gmt":"2009-05-28T17:14:01","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1006"},"modified":"2009-05-28T17:14:01","modified_gmt":"2009-05-28T17:14:01","slug":"os-anarquistas-bolivarianos-da-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1006","title":{"rendered":"Os anarquistas bolivarianos da Venezuela"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/t_caracazo_2_107.jpg\" title=\"A origem da viol\u00eancia popular contra a classe pol\u00edtica se manifesta como \u00f3dio de classe com a Rebeli\u00e3o do Caracazo, em 1989. - Foto:wiki\" alt=\"A origem da viol\u00eancia popular contra a classe pol\u00edtica se manifesta como \u00f3dio de classe com a Rebeli\u00e3o do Caracazo, em 1989. - Foto:wiki\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A origem da viol\u00eancia popular contra a classe pol\u00edtica se manifesta como \u00f3dio de classe com a Rebeli\u00e3o do Caracazo, em 1989.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:wiki<\/small><\/figure>\n<p>28 de maio de 2009, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>\n&ldquo;!Oligarcas temblad, Viva La Libertad!&rdquo; <\/p>\n<p>Em janeiro de 2009 pude conhecer Caracas e seu distrito metropolitano. Afirmo que viajei a trabalho e sem nenhum v&iacute;nculo ou despesas pagas por governo algum. &Eacute; importante reafirmar a condi&ccedil;&atilde;o da viagem porque, infelizmente, a capital do pa&iacute;s de Sim&oacute;n Rodr&iacute;guez e Ezequiel Zamora, est&aacute; servindo de lugar de romaria para uma esquerda latino-americana carente de referenciais e recursos. N&atilde;o &eacute; o caso dos anarquistas especifistas politicamente organizados, onde modestamente me incluo.<\/p>\n<p>Uma das raz&otilde;es de ir &agrave; Venezuela foi conhecer o pensamento e a&ccedil;&atilde;o libert&aacute;rios dentro do movimento bolivariano. Os objetivos foram cumpridos. Fizemos contato com valorosos companheiros, isolados internacionalmente e caluniados por uma ala esqu&aacute;lida que se diz libert&aacute;ria. Existem militantes anarquistas, nucleados em um pequeno grupo que se alinha com o especifismo, mas ainda se portando como grupo de afinidade, chamado de Teseracto Bolivariano Anarquista Salom Mesa (Teseracto). Este grupo se relaciona com dois referentes, veteranos militantes que dedicaram suas vidas &agrave; causa &aacute;crata, embora por vezes de forma muito heterodoxa. <\/p>\n<p>Falo especificamente de dois compas, Floreal Castilla e Maur&iacute;cio Torres. O primeiro come&ccedil;ou no anarquismo ainda nos anos &rsquo;60, logo depois de se afastar do Movimento de Izquierda Revolucionaria (MIR-Venezuela), organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-militar que pegou em armas nas montanhas do oeste. J&aacute; Maur&iacute;cio tem uma trajet&oacute;ria que inicia em 1983, sempre com muita dedica&ccedil;&atilde;o. Torres foi expulso da escola de forma&ccedil;&atilde;o de professores e por quase vinte anos trabalhou de forma precarizada. Dentre v&aacute;rias atividades, tomou parte do levante c&iacute;vico de 27 de novembro de 1992 (o de Hugo Ch&aacute;vez y Pancho Arias foi em 4 de fevereiro daquele ano), que tentou pela segunda vez depor o presidente corrupto Carlos Andr&eacute;s P&eacute;rez. <\/p>\n<p>O v&iacute;nculo dos militantes do Teseracto, al&eacute;m de companheiros soltos em movimentos bastante combativos, com estes dois referentes vivos, assegura a continuidade da ideologia no pa&iacute;s. A partir do in&iacute;cio dos anos &rsquo;80, o anarquismo venezuelano tenta p&ocirc;r a cabe&ccedil;a para fora dos c&iacute;rculos de id&eacute;ias e difus&atilde;o, mas com intentos de inser&ccedil;&atilde;o social e a&ccedil;&atilde;o direta. N&atilde;o faltaram erros, mas sobrou generosidade pol&iacute;tica. A falta de modelos organizativos pode ter levado a v&aacute;rios equ&iacute;vocos, mas nunca o pior erro que um libert&aacute;rio pode cometer: a omiss&atilde;o pol&iacute;tica. <br \/>\nAp&oacute;s os dois levantes de 1992, a liberta&ccedil;&atilde;o dos insurretos em 1995 (incluindo o pr&oacute;prio Ch&aacute;vez, indultado pelo Congresso) e a elei&ccedil;&atilde;o do tenente coronel p&aacute;ra-quedista, o pa&iacute;s mudou. A radicaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica veio num crescente, tendo como auge, a tentativa de golpe midi&aacute;tico de abril de 2002. O morro desceu e a barriada n&atilde;o deixou a direita retomar o poder pol&iacute;tico. Nas ruas, de forma individual ou em pequenos grupos, estavam militantes hoje reconhecidos como anarquistas bolivarianos, levantando a bandeira negra e vermelha dentro das bases sociais mobilizadas. De comum os une uma defini&ccedil;&atilde;o de estar junto ao processo de c&acirc;mbio, mas sem se alinhar como chavistas e nem ingressar na legenda oficial, o Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV). <\/p>\n<p>O problema &eacute; expor essa posi&ccedil;&atilde;o sem consistir em uma alternativa pol&iacute;tica definida (como o especifismo) e com o ideal libert&aacute;rio contaminado pela desinforma&ccedil;&atilde;o. Construir esta alternativa pol&iacute;tica &eacute; a tarefa a qual todos temos de ajudar. <\/p>\n<p>O anarquismo de tipo de gorila se complica e confunde ao seu redor <\/p>\n<p>Em 1993, cai o presidente corrupto, e junto com ele, todo o sistema pol&iacute;tico institu&iacute;do no Pacto de Punto Fijo (1958), onde A&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica (AD, &ldquo;adecos&ldquo;), Copei (Democrata Crist&atilde;o, &ldquo;copeyanos&rdquo;) e Uni&atilde;o Republicana Democr&aacute;tica (URD) se revezavam no poder. O acord&atilde;o olig&aacute;rquico e vende p&aacute;tria fez com que a pol&iacute;tica na Venezuela fosse um jogo para poucos. Esse elitismo, tamb&eacute;m de corte intelectual, contaminou o comportamento de todas as esquerdas, incluindo suas alas extremas. O &ldquo;anarquismo&rdquo; n&atilde;o escapou desse mau. <\/p>\n<p>Seria leviano omitir a exist&ecirc;ncia de uma ala libert&aacute;ria com maior visibilidade mundial, mas que no seu pa&iacute;s, marcha ao lado da direita olig&aacute;rquica, cumprindo muitas vezes um papel de tropa de choque dos pol&iacute;ticos profissionais derrotados pelo populismo. Esta vergonha n&atilde;o &eacute; exclusividade de &ldquo;anarquistas&rdquo; desorientados ou manipulados por intelectuais com trajet&oacute;ria de &ldquo;adecos&rdquo;. Outros grupos, como Bandera Roja (marxista com tradi&ccedil;&atilde;o de luta, inser&ccedil;&atilde;o e m&aacute;rtires), hoje joga na 5&ordf; coluna e alinha com as legendas da direita. Infelizmente, nada disso &eacute; novidade na Am&eacute;rica Latina. <\/p>\n<p>A dif&iacute;cil tarefa de manter a independ&ecirc;ncia pol&iacute;tica no contexto venezuelano <\/p>\n<p>O que hoje ocorre na Venezuela, de uma parte do anarquismo se equivocar e considerar que o corte autorit&aacute;rio da lideran&ccedil;a pol&iacute;tica impossibilita todo um processo de avan&ccedil;ada popular &#8211; ainda em aberto &#8211; j&aacute; se deu em outras conjunturas. O correto seria manter uma posi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica, &agrave; esquerda do governo populista, e n&atilde;o alinhando com os golpistas financiados pela CIA. A organiza&ccedil;&atilde;o Resist&ecirc;ncia Libert&aacute;ria da Argentina dos anos &lsquo;70 e a extrema-esquerda chilena durante o governo Allende (MIR e MAPU, por exemplo) abriram um caminho onde se pode atuar de forma contundente sem ter posturas nem adesistas e nem anti-povo. <\/p>\n<p>O pensamento libert&aacute;rio est&aacute; presente numa parte das bases bolivarianas, especialmente nos movimentos de cunho autogestion&aacute;rios &ndash; a chamada esquerda social. Transformar este conjunto de id&eacute;ias em pensamento e a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;ticos &eacute; trabalhar num terreno f&eacute;rtil. Embora o processo venezuelano seja marcado por uma lideran&ccedil;a carism&aacute;tica, a cr&iacute;tica da democracia representativa habilita a compreens&atilde;o de que os l&iacute;deres pol&iacute;ticos devem estar sob comando das bases e a servi&ccedil;o das causas coletivas. <\/p>\n<p>Dentro dessa l&oacute;gica, identifiquei movimentos de luta onde os anarquistas t&ecirc;m espa&ccedil;o amplo para se inserirem, tais como: Anmcla, Misi&oacute;n Boves, Movimiento Campesino Ezequiel Zamora, nas esquerdas estudantis, em centenas de comunidades de base e no reconstitu&iacute;do movimento sindical. Se os compas venezuelanos trabalharem socialmente e tiverem afinco na constru&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica org&acirc;nica, em breve, as classes oprimidas da terra de Bol&iacute;var ter&atilde;o uma ferramenta de luta pelo socialismo e pela liberdade. <\/p>\n<p>\nObserva&ccedil;&atilde;o: este artigo foi originalmente publicado na vers&atilde;o impress&atilde;o do jornal Socialismo Libert&aacute;rio, &oacute;rg&atilde;o oficial de difus&atilde;o do F&oacute;rum do Anarquismo Organizado (FAO), inst&acirc;ncia de coordena&ccedil;&atilde;o nacional onde a FAG pertence.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A origem da viol\u00eancia popular contra a classe pol\u00edtica se manifesta como \u00f3dio de classe com a Rebeli\u00e3o do Caracazo, em 1989. Foto:wiki 28 de maio de 2009, Bruno Lima Rocha &ldquo;!Oligarcas temblad, Viva La Libertad!&rdquo; Em janeiro de 2009 pude conhecer Caracas e seu distrito metropolitano. 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