{"id":1007,"date":"2009-06-01T13:05:03","date_gmt":"2009-06-01T13:05:03","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1007"},"modified":"2009-06-01T13:05:03","modified_gmt":"2009-06-01T13:05:03","slug":"o-dilema-da-esquerda-social-gaucha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1007","title":{"rendered":"O dilema da esquerda social ga\u00facha"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/marcha_mov popular.jpg\" title=\"As bases sociais mobilizadas t\u00eam de dar uma resposta \u00e0 altura dos ataques que recebem. Subordinar uma pauta de luta concreta \u00e0s agendas eleitorais e deixar-se degolar na cerca de arame farpado.  - Foto:jornal express\" alt=\"As bases sociais mobilizadas t\u00eam de dar uma resposta \u00e0 altura dos ataques que recebem. Subordinar uma pauta de luta concreta \u00e0s agendas eleitorais e deixar-se degolar na cerca de arame farpado.  - Foto:jornal express\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">As bases sociais mobilizadas t\u00eam de dar uma resposta \u00e0 altura dos ataques que recebem. Subordinar uma pauta de luta concreta \u00e0s agendas eleitorais e deixar-se degolar na cerca de arame farpado. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:jornal express<\/small><\/figure>\n<p>1&ordm; de junho de 2009, Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Inicio minha contribui&ccedil;&atilde;o neste espa&ccedil;o abordando um tema delicado. N&atilde;o se trata necessariamente dos supostos esquemas de corrup&ccedil;&atilde;o que estaria envolvendo o Executivo estadual tendo a economista neocl&aacute;ssica Yeda Crusius &agrave; frente. A inten&ccedil;&atilde;o das modestas linhas que seguem &eacute; fazer um di&aacute;logo a respeito das poss&iacute;veis travas ao impedimento e conseq&uuml;ente derrubada do governo tucano no pago. Vejo esta abordagem como at&eacute; agora pouco ou nada explorada, e reconhe&ccedil;o que o assunto &eacute; no m&iacute;nimo delicado.<\/p>\n<p>Fa&ccedil;o uma ressalva antes de seguir. Quero discutir uma hip&oacute;tese. A de que os que hoje s&atilde;o oposi&ccedil;&atilde;o no parlamento ga&uacute;cho n&atilde;o t&ecirc;m a vontade pol&iacute;tica necess&aacute;ria para derrubar um governo cambaleante. Isto n&atilde;o representa manobra diversionista e tampouco uma cortina de fuma&ccedil;a tentando escamotear a crise pol&iacute;tica sem precedentes que se encontram as elites decis&oacute;rias e as respectivas institui&ccedil;&otilde;es estatais na prov&iacute;ncia. Entendo que estamos num ambiente de desconfian&ccedil;a coletiva e como tal &eacute; essencial para qualquer operador, analista, participante e leitor atento acompanhar o desenrolar dos fatos e suas deriva&ccedil;&otilde;es. Esta abordagem &eacute; mais do que v&aacute;lida, e o tema j&aacute; vem sendo coberto pela m&iacute;dia comercial e alternativa do Rio Grande. Para os leitores mais interessados, tomo a ousadia de propor a leitura cotidiana da p&aacute;gina de jornalismo digital, a excelente <a href=\"http:\/\/www.novacorja.org\">Nova Corja.<\/a> Mas, repito, n&atilde;o &eacute; disso que trata o presente e breve artigo. <\/p>\n<p>Retomo aqui algo que foi debatido durante e ap&oacute;s a jornada repressiva de junho de 2008 tendo &agrave; frente o ent&atilde;o comandante-geral da Brigada Militar, coronel de pol&iacute;cia Paulo Roberto Mendes. Naquele g&eacute;lido final de outono, o coronel Mendes foi um dos art&iacute;fices que segurou Yeda Crusius no Piratini. Os custos democr&aacute;ticos dessa &ldquo;governabilidade&rdquo; incluem nesta fatura algumas dezenas de cabe&ccedil;as e bra&ccedil;os quebrados. Mas, naquele momento, o &aacute;pice da crise implicava uma avan&ccedil;ada do protesto popular disposto a pagar os pre&ccedil;os necess&aacute;rios para cumprir uma vontade pol&iacute;tica. N&atilde;o foi o que se viu. <\/p>\n<p>A maior parte dos operadores pol&iacute;ticos centrou seus esfor&ccedil;os no relat&oacute;rio final da CPI do DETRAN-RS, projetando sua figura individual. Os parlamentares daquela Comiss&atilde;o alimentaram, atrav&eacute;s de sua performance pol&iacute;tica e midi&aacute;tica, suas possibilidades eleitorais em dois momentos. Um, no imediato, na elei&ccedil;&atilde;o municipal cuja campanha come&ccedil;aria no segundo semestre de 2008. No segundo momento, na proje&ccedil;&atilde;o de seus nomes para as elei&ccedil;&otilde;es gerais de 2010. Ou seja, estar&iacute;amos neste momento vivendo o in&iacute;cio do segundo tempo da partida cuja meta &eacute; desgastar o governo de Yeda, e n&atilde;o retir&aacute;-la. <\/p>\n<p>Reafirmo o que disse em outras situa&ccedil;&otilde;es e espa&ccedil;os. Relat&oacute;rio final de CPI &eacute; uma pe&ccedil;a de julgamento pol&iacute;tico, quase sempre sem conseq&uuml;&ecirc;ncias legais diretas. Vejamos o relat&oacute;rio final das duas CPIs que analisaram o chamado mensal&atilde;o. O procurador-geral Antonio Fernando de Souza formalizou a den&uacute;ncia contra 40 acusados do esquema de compra de votos na C&acirc;mara Federal e ningu&eacute;m teve o julgamento conclu&iacute;do at&eacute; o presente momento. O mesmo se deu em escala estadual, com os acusados da Opera&ccedil;&atilde;o Rodin. Em tese, a ju&iacute;za Simone Barbisan Fortes, da 3&ordf; Vara Federal de Santa Maria deveria concluir todo o processo no correr de um ano. J&aacute; estamos nos aproximando da data prevista e o caso est&aacute; longe de terminar. Mais uma vez eu pergunto qual o sentido de protelar uma luta social urgente substituindo-a por uma agenda institucional? <\/p>\n<p>A pol&ecirc;mica n&atilde;o &eacute; de pouca monta e traz em si a pr&oacute;pria concep&ccedil;&atilde;o de milit&acirc;ncia popular e independ&ecirc;ncia das entidades sociais para com os partidos eleitorais. Pode-se perguntar, porque o conjunto de entidades do movimento sindical, estudantil e popular aceitou fazer uma luta pela metade (a de maio e junho de 2008), subordinando suas urg&ecirc;ncias de embate contra o eucalipto e o gerencialismo no servi&ccedil;o p&uacute;blico para a pauta eleitoral? A &uacute;nica certeza conceitual que tenho &eacute; dura de ser admitida. A subordina&ccedil;&atilde;o de uma agenda sobre outra opera como freio da reivindica&ccedil;&atilde;o direta, impedindo a a&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica em nome de um projeto geral de governo. Como estamos em regime de democracia representativa, sob a l&oacute;gica do partido de intermedia&ccedil;&atilde;o, a acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as deve ser traduzida em voto eletr&ocirc;nico na urna e n&atilde;o em setores de classe mobilizados atrav&eacute;s de auto-organiza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Agora se repete a mesma hist&oacute;ria. Ouvi de mais de uma dezena de militantes, todos com n&iacute;veis de responsabilidade em suas entidades, a d&uacute;vida se deveriam ir a fundo ou n&atilde;o no processo que pode vir a derrubar o governo Yeda Crusius. O racioc&iacute;nio toma por base o casu&iacute;smo. Argumentam que se Yeda cair, Paulo Afonso Feij&oacute; (o ex-presidente da Federasul que &eacute; vice pelo DEM) pode tentar acelerar processos de privatiza&ccedil;&atilde;o do que restou do Estado ga&uacute;cho. Afirmo que o argumento &eacute; falso. Se a economista da UFRGS sair o vice que &eacute; empres&aacute;rio n&atilde;o governa. Isto porque n&atilde;o ter&aacute; condi&ccedil;&atilde;o alguma de exercer o final de mandato que lhe resta. Viveria uma situa&ccedil;&atilde;o parecida com a que padecera a petista Benedita da Silva quando assumiu o governo fluminense em 2002, completando os meses que restavam para Ant&ocirc;nio Matheus (o radialista Anthony Garotinho). Assim, n&atilde;o h&aacute; o que temer de um hipot&eacute;tico e pouco prov&aacute;vel governo Feij&oacute;. <\/p>\n<p>Um tema recorrente entre militantes da oposi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica no Rio Grande &eacute; cogitar &ldquo;se n&atilde;o seria melhor manter Yeda no cargo e n&atilde;o for&ccedil;ar um impedimento, facilitando assim uma vit&oacute;ria eleitoral&rdquo;. Repito este argumento tamb&eacute;m como falso. Diante desse racioc&iacute;nio, n&atilde;o haveria luta pol&iacute;tica para derrubar o hoje senador pelo PTB\/AL e base de apoio do governo Lula, Fernando Collor de Mello, no dia 2 de outubro de 1992. Qualquer analista ir&aacute; discernir com precis&atilde;o de que a queda de Collor foi uma soma de fatores, incluindo a desconfian&ccedil;a do empresariado nacional e do capital estrangeiro para com a sua conduta. <\/p>\n<p>Mas, independente do cen&aacute;rio complexo onde por seis meses, de maio a outubro de &lsquo;92, se desenvolveu a seq&uuml;&ecirc;ncia de esc&acirc;ndalos e defec&ccedil;&otilde;es na interna da Casa da Dinda, a experi&ecirc;ncia foi v&aacute;lida. O povo brasileiro experimentou a sensa&ccedil;&atilde;o de uma vit&oacute;ria pontual, articulada nos bastidores, mas ganha nas ruas. N&atilde;o h&aacute; luta popular sem conflito interno e nem &ldquo;processo social puro&rdquo;. No longo prazo, os efeitos s&atilde;o positivos no sentido de mudar o eixo da democracia realmente existente no Brasil, de representativa e olig&aacute;rquica, para participativa e popular. <\/p>\n<p>No momento em que o descr&eacute;dito e a desconfian&ccedil;a para com as institui&ccedil;&otilde;es de governo e de representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica abundam na Prov&iacute;ncia, &eacute; necess&aacute;rio girar o eixo pol&iacute;tico dos ga&uacute;chos. N&atilde;o podemos delegar a decis&atilde;o da perman&ecirc;ncia ou n&atilde;o de um governo a um inqu&eacute;rito policial. Assim, duas medidas deveriam ser emergentes. Uma medida &eacute; Exce&ccedil;&atilde;o da Verdade e a divulga&ccedil;&atilde;o do que existe de prova material contra o governo ga&uacute;cho e sua base de apoio. As acusa&ccedil;&otilde;es se centram nas opera&ccedil;&otilde;es da Pol&iacute;cia Federal, a Rodin e a Solid&aacute;ria, e envolvem quase toda a elite pol&iacute;tica do pago. <\/p>\n<p>A segunda medida &eacute; uma decis&atilde;o pol&iacute;tica. Embora a CPI da Corrup&ccedil;&atilde;o seja algo importante, as for&ccedil;as da esquerda social ga&uacute;cha n&atilde;o devem apostar todas as suas energias nesta Comiss&atilde;o. Mais uma vez remonto a Era Collor. Seria muito mais confort&aacute;vel para o descalabro da &eacute;poca ter de enfrentar uma ou mais CPIs simult&acirc;neas do que o movimento Fora Collor nas ruas. O oposto se deu durante a crise pol&iacute;tica de 2005. Com a aus&ecirc;ncia da base popular mobilizada, n&atilde;o houve como traduzir a indigna&ccedil;&atilde;o popular com o Mensal&atilde;o em protesto direto contra o governo que se aliara com os herdeiros da ARENA. Nunca se pode esquecer que a composi&ccedil;&atilde;o da alian&ccedil;a do governo Yeda no Rio Grande &eacute; muito parecida com a de Lula no Planalto. <\/p>\n<p>O cen&aacute;rio pol&iacute;tico profissional n&atilde;o &eacute; promissor. Para decidir a batalha da crise pol&iacute;tica ga&uacute;cha, onde a desconfian&ccedil;a coletiva atira no limbo a suposta reputa&ccedil;&atilde;o das legendas estaduais, n&atilde;o se pode contar com quem tamb&eacute;m &eacute; respons&aacute;vel por tudo o que ocorre no pa&iacute;s. Um povo adquire confian&ccedil;a quando se move e percebe suas vit&oacute;rias, mesmo que pontuais. &Eacute; apostando na capacidade de rea&ccedil;&atilde;o popular que se acumula for&ccedil;a para outro projeto de democracia. &Eacute; neste caminho, o da independ&ecirc;ncia das entidades, onde se pode trilhar e fortalecer a democracia participativa. <\/p>\n<p>Artigo originalmente publicado no portal do <a href=\"http:\/\/www.unisinos.br\/ihu\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=22753\">Instituto Humanitas da Unisinos<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As bases sociais mobilizadas t\u00eam de dar uma resposta \u00e0 altura dos ataques que recebem. Subordinar uma pauta de luta concreta \u00e0s agendas eleitorais e deixar-se degolar na cerca de arame farpado. Foto:jornal express 1&ordm; de junho de 2009, Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha Inicio minha contribui&ccedil;&atilde;o neste espa&ccedil;o abordando um tema delicado. 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