{"id":1014,"date":"2009-06-04T16:15:32","date_gmt":"2009-06-04T16:15:32","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1014"},"modified":"2009-06-04T16:15:32","modified_gmt":"2009-06-04T16:15:32","slug":"raizes-da-organizacao-politica-dos-anarquistas-fundamentos-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1014","title":{"rendered":"Ra\u00edzes da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos anarquistas \u2013 fundamentos (1)"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/CABALLERIA_NEGRA.jpg\" title=\"A Cavalaria Negra, arma de guerra do Ex\u00e9rcito Insurrecional dos Camponeses da Ucr\u00e2nia, foi a experi\u00eancia germinal da teoria pol\u00edtica do anarquismo em meio a um processo revolucion\u00e1rio com m\u00faltiplos agentes pol\u00edticos e sociais.  - Foto:bsquero.net\" alt=\"A Cavalaria Negra, arma de guerra do Ex\u00e9rcito Insurrecional dos Camponeses da Ucr\u00e2nia, foi a experi\u00eancia germinal da teoria pol\u00edtica do anarquismo em meio a um processo revolucion\u00e1rio com m\u00faltiplos agentes pol\u00edticos e sociais.  - Foto:bsquero.net\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A Cavalaria Negra, arma de guerra do Ex\u00e9rcito Insurrecional dos Camponeses da Ucr\u00e2nia, foi a experi\u00eancia germinal da teoria pol\u00edtica do anarquismo em meio a um processo revolucion\u00e1rio com m\u00faltiplos agentes pol\u00edticos e sociais. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:bsquero.net<\/small><\/figure>\n<p>05 de junho de 2009, Liga Federal de los Pueblos Libres de Artigas, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Existe algo no anarquismo, fundamental para a sua pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia, que ainda &eacute; mal explicado e pouco aprofundado. Isto &eacute;, seu modelo de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. A confus&atilde;o &eacute; tanta, que v&aacute;rios militantes experientes chegam a afirmar que a ideologia &eacute; anti-pol&iacute;tica. Para superar tamanha confus&atilde;o, quero oferecer aqui uma breve recorda&ccedil;&atilde;o de nossa hist&oacute;ria pol&iacute;tica. Como o t&iacute;tulo do texto j&aacute; afirma, n&atilde;o se trata de uma novidade para o universo da pol&iacute;tica. A forma organizativa dos anarquistas militantes remonta ao in&iacute;cio de nossa conforma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Se s&atilde;o novos ou inexistentes os estudos sobre o tema, se esta forma de fazer pol&iacute;tica n&atilde;o se transformar nem em objeto estudo, e menos ainda em conceito difundido, isto tem raz&otilde;es e motivos. Primeiro, dentro da academia burguesa, ou seja, das universidades do ocidente capitalista, a m&aacute;quina de moer carne dos marxismos sempre fe quest&atilde;o de fazer &ldquo;ci&ecirc;ncia&rdquo; humana e social aos moldes de 1984 de Orwell. Assim, a omiss&atilde;o hist&oacute;rica &eacute; uma forma indolor para quem o faz de fazer desaparecer a dor de milhares de militantes. <\/p>\n<p>Como a pol&iacute;tica em geral n&atilde;o tem regras, o nosso &ldquo;desaparecimento hist&oacute;rico e pol&iacute;tico&rdquo; se deu devido &agrave; correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as no interior do campo acad&ecirc;mico e de publica&ccedil;&otilde;es. Outra responsabilidade pelo desaparecimento da federa&ccedil;&atilde;o anarquista como modelo de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, tamb&eacute;m ocorre porque muitas vezes os debates travados nos intestinos das esquerdas n&atilde;o estatistas n&atilde;o encontra eco entre os proclamados fazedores de teoria. Em fun&ccedil;&atilde;o desses elementos que apresento aqui e de outros que faltam expor, houve pouco ou nenhum debate do anarquismo como ferramenta pol&iacute;tica organizativa. Por esfor&ccedil;o de gente humilde e abnegada, tal fato est&aacute; mudando. <\/p>\n<p>Como &eacute; de conhecimento geral, uma organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &eacute; composta por militantes especificamente aderentes a um corpo ideol&oacute;gico-doutrin&aacute;rio. E, pelo modelo adotado desde o in&iacute;cio no interior da ala federalista, uma organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica anarquista n&atilde;o &eacute; aberta para a filia&ccedil;&atilde;o de todas e todos. &Eacute; um grupo fechado, com ades&atilde;o volunt&aacute;ria, mas individual e paulatina. Por n&atilde;o ser de massas, em contraposi&ccedil;&atilde;o, est&aacute; no formato de quadros, sem filia&ccedil;&atilde;o aberta e cujo grau de compromisso d&aacute;-se atrav&eacute;s dos c&iacute;rculos conc&ecirc;ntricos. E, na sua estrutura&ccedil;&atilde;o interna, se encontra a divis&atilde;o jur&iacute;dico-pol&iacute;tico-administrativa, com inst&acirc;ncias de participa&ccedil;&atilde;o, de comiss&atilde;o de &eacute;tica e conduta, de administra&ccedil;&atilde;o interna (como finan&ccedil;as e tesouraria), de corpo pol&iacute;tico-t&eacute;cnico e de outras atividades especializadas. <\/p>\n<p>H&aacute; que se ressalvar que a forma especifista\/organicista\/plataformista n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica do anarquismo. Outras vertentes prop&otilde;em o modelo &ldquo;federa&ccedil;&atilde;o de grupos&rdquo; (conhecido tamb&eacute;m como federa&ccedil;&atilde;o de s&iacute;ntese, ou sintetista) e tamb&eacute;m a forma &ldquo;grupos de afinidade (que podem chegar a se organizar em uma federa&ccedil;&atilde;o de grupos ou redes). A maior parte da literatura, mesmo a ontologicamente vinculada ao anarquismo, tem uma abordagem da filosofia pol&iacute;tica dos que professam esta ideologia, e pouca aten&ccedil;&atilde;o d&atilde;o &agrave; estrutura org&acirc;nica e administrativa de suas organiza&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>O foco do texto &eacute; justamente iniciar o debate a respeito dessa estrutura. Isto porque s&atilde;o mais conhecidas as grandes divis&otilde;es do anarquismo em forma de filosofia pol&iacute;tica. Em geral associa-se a tradi&ccedil;&atilde;o de pensamento aderida &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica do anarquismo como anarco-comunista, vinda dos coletivistas de Bakunin. A ala que n&atilde;o entende a necessidade de separar o n&iacute;vel pol&iacute;tico do pol&iacute;tico-social deu na s&iacute;ntese das id&eacute;ias de anarquismo e sindicalismo, resultando no anarco-sindicalismo. Nesta vertente, em seu interior atuaram grupos de afinidade e federa&ccedil;&otilde;es, como &eacute; o exemplo da Federa&ccedil;&atilde;o Anarquista Ib&eacute;rica (FAI), fundada em 1927. <\/p>\n<p>Os chamados c&iacute;rculos conc&ecirc;ntricos, embora n&atilde;o seja exclusividade, em geral se atribui aos aderentes da ideologia anarquista esta forma de se organizar. Esta modalidade ganha defini&ccedil;&otilde;es ao longo de sua hist&oacute;ria, tais como: organicismo, plataformismo, especifismo. Este modelo compreendido por este militante remonta a esta tradi&ccedil;&atilde;o, obviamente por fora do jogo eleitoral e que n&atilde;o se enquadra apenas nas tipifica&ccedil;&otilde;es da filosofia pol&iacute;tica anarquista. <\/p>\n<p>Para fins did&aacute;ticos e termos comparativos, a modelagem organizativa se refere a uma organiza&ccedil;&atilde;o de quadros, com estrutura de c&iacute;rculos de compromisso e ades&atilde;o (conc&ecirc;ntricos) e com democracia interna. No campo doutrin&aacute;rio, se v&ecirc; como interlocutor de uma frente de classes (mas n&atilde;o exclusivista de um setor de classe); opera para a sociedade atrav&eacute;s de um vi&eacute;s classista e de maiorias. Em geral, se admite e reivindica a origem nacional e popular (mas sem nacionalismos na forma de estatismos, com &ecirc;nfase no anti-imperialismo) e necessariamente &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o program&aacute;tica. Ou seja, tem uma intencionalidade finalista (de ruptura) e se move ano a ano visando acumular for&ccedil;as para este objetivo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Cavalaria Negra, arma de guerra do Ex\u00e9rcito Insurrecional dos Camponeses da Ucr\u00e2nia, foi a experi\u00eancia germinal da teoria pol\u00edtica do anarquismo em meio a um processo revolucion\u00e1rio com m\u00faltiplos agentes pol\u00edticos e sociais. 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