{"id":1015,"date":"2009-06-05T16:11:55","date_gmt":"2009-06-05T16:11:55","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1015"},"modified":"2009-06-05T16:11:55","modified_gmt":"2009-06-05T16:11:55","slug":"a-historia-no-pensamento-de-paulo-freire","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1015","title":{"rendered":"A Hist\u00f3ria no pensamento de Paulo Freire."},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/CAH2L833CA9QFV5ZCAI0UG4MCA4ET5QXCA4P2HOECAE257N3CA655RJ9CA0D3Y6PCANBWYZPCAM4G15XCA0LWBQKCA1SHFFZCA0BWZGYCA3KZ8DTCAJ5WSEACAMPOH6ECASUKGD2CA2008M9CA7QH1FG.jpg\" title=\"Paulo Freire na bibliot\u00e9ca. - Foto:http:\/\/www.paulofreire.org\/Crpf\/ObraPFFotos\" alt=\"Paulo Freire na bibliot\u00e9ca. - Foto:http:\/\/www.paulofreire.org\/Crpf\/ObraPFFotos\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Paulo Freire na bibliot\u00e9ca.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:http:\/\/www.paulofreire.org\/Crpf\/ObraPFFotos<\/small><\/figure>\n<p>Com o objetivo de conhecer como Paulo Freire pensava a Hist&oacute;ria, buscou-se analisar um conjunto de obras de sua autoria para identificar a concep&ccedil;&atilde;o freireana de Hist&oacute;ria. Foi elaborada uma contextualiza&ccedil;&atilde;o da trajet&oacute;ria das discuss&otilde;es no Campo da hist&oacute;ria: racionalismo, estruturalismo, p&oacute;s-estruturalismo e os principais paradigmas historiogr&aacute;ficos. Ap&oacute;s a constru&ccedil;&atilde;o deste referencial te&oacute;rico, analisou-se o conjunto de onze obras de Paulo Freire e concluiu-se que ele pode ser considerado como um autor que participou da constru&ccedil;&atilde;o de uma &ldquo;nova&rdquo; concep&ccedil;&atilde;o de Estruturalismo e que, sua filosofia pedag&oacute;gica, defendia uma concep&ccedil;&atilde;o Cr&iacute;tico- dial&eacute;tica de Hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>Por Anderson Rom&aacute;rio Pereira Corr&ecirc;a. <br \/>\nAlegrete, 05 junho de 2009. <\/p>\n<p>Introdu&ccedil;&atilde;o: <\/p>\n<p>Busca-se conhecer qual era a concep&ccedil;&atilde;o de Hist&oacute;ria defendida por Paulo Freire e como deveria ser o processo de ensino\/aprendizagem nesta disciplina. Paulo Freire &eacute; conhecido internacionalmente como um dos principais fil&oacute;sofos brasileiros da &aacute;rea da Educa&ccedil;&atilde;o. Neste sentido, cabe investigar como ele pensava a Hist&oacute;ria. Geralmente os historiadores e os professores de hist&oacute;ria n&atilde;o param para pensar sobre suas pr&aacute;ticas, seus m&eacute;todos e referenciais te&oacute;ricos explicativos. Para atingir o objetivo estabelecido, elaborou-se uma revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica que possibilitou a compreens&atilde;o da epistemologia da hist&oacute;ria entre as d&eacute;cadas de 30 e 80 do s&eacute;culo XX. Em seguida, foi constru&iacute;do um referencial te&oacute;rico para dialogar com a an&aacute;lise da Obra de Paulo Freire. As obras de Paulo Freire foram abordadas primeiramente com uma t&eacute;cnica de an&aacute;lise de conte&uacute;do (quantifica&ccedil;&atilde;o e caracteriza&ccedil;&atilde;o de recorr&ecirc;ncia). Foram analisadas as considera&ccedil;&otilde;es de Paulo Freire em rela&ccedil;&atilde;o ao saber hist&oacute;rico. Comparou-se o exposto pelo autor com as discuss&otilde;es te&oacute;ricas de historiadores sobre a epistemologia do passado e sua pr&aacute;tica pedag&oacute;gica. Este artigo &eacute; composto dos seguintes t&oacute;picos: Introdu&ccedil;&atilde;o; A Hist&oacute;ria &ndash; uma ci&ecirc;ncia em constru&ccedil;&atilde;o; O Paradigma Cr&iacute;tico-Dial&eacute;tico; A Hist&oacute;ria no Pensamento Freireano; Conclus&atilde;o e Bibliografia. <\/p>\n<p>\nA Hist&oacute;ria: ci&ecirc;ncia em constru&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>No contexto da modernidade e da p&oacute;s-modernidade a Hist&oacute;ria tamb&eacute;m vem sofrendo as influ&ecirc;ncias das constru&ccedil;&otilde;es e desconstru&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas que est&atilde;o em discuss&atilde;o e em disputa. Jos&eacute; Carlos Reis (2000) escreve que a hist&oacute;ria, assim como toda cultura ocidental, passou por uma transi&ccedil;&atilde;o entre o s&eacute;culo XVIII e o s&eacute;culo XX. Esta transi&ccedil;&atilde;o caracteriza-se pelo iluminismo (racionalista, globalizante e moderno), o estruturalismo e o p&oacute;s-estruturalismo. A seguir, descreve-se de forma sucinta, a trajet&oacute;ria da epistemologia do passado nestes &uacute;ltimos tempos. <br \/>\nO projeto iluminista v&ecirc; a hist&oacute;ria como &ldquo;esp&iacute;rito universal&rdquo;, que progressivamente vai &ldquo;tomando consci&ecirc;ncia de si&rdquo;. O projeto moderno e iluminista &eacute; extremamente otimista, cr&ecirc; no poder da raz&atilde;o. A hip&oacute;tese iluminista &eacute; hegeliana, n&atilde;o pode n&atilde;o ter sentido. A historia seria ent&atilde;o governada pela raz&atilde;o. O projeto iluminista legitima toda viol&ecirc;ncia contra o passado-presente, que &eacute; considerado um entrave para o progresso e evolu&ccedil;&atilde;o. (Reis, 200:178) <br \/>\nNo s&eacute;culo XX o movimento estruturalista veio desconfiar deste sujeito consciente, em busca da liberdade. A convic&ccedil;&atilde;o de que a raz&atilde;o governa o mundo foi posta sob suspeita. Passou-se a duvidar do progresso, do evolucionismo, do eurocentrismo, da raz&atilde;o racionalista. O homem n&atilde;o &eacute; totalmente sujeito e livre, e a sociedade n&atilde;o &eacute; guiada por uma teleologia. De acordo com Jos&eacute; Carlos Reis, a hist&oacute;ria deveria dedicar-se mais ao repetitivo, c&iacute;clico, resistente, inerte e estrutural. Deveria dedicar-se a realidade emp&iacute;rica, produzindo um saber objetivo e conceitual. O estruturalismo ainda se diz racionalista, por&eacute;m procura a raz&atilde;o a contrapelo, onde ela se esconde e, com isso, acaba adotando um determinismo inconsciente. Os estruturalistas s&atilde;o contr&aacute;rios as utopias, pois discordam do fato de misturar a filosofia com a ci&ecirc;ncia. A utopia s&oacute; faz sentido dentro de um racioc&iacute;nio t&iacute;pico-ideal, uma abstra&ccedil;&atilde;o que permite conhecer a realidade. (Idem: 182). <br \/>\nA segunda fase do estruturalismo, o p&oacute;s-estruturalismo, n&atilde;o duvida da raz&atilde;o, isto &eacute;, n&atilde;o acredita na pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia da raz&atilde;o. N&atilde;o procuram mais verdades hist&oacute;ricas, nem essenciais, nem aparentes, nem manifestas e nem ocultas. O universal n&atilde;o &eacute; pens&aacute;vel, a unifica&ccedil;&atilde;o &eacute; imposs&iacute;vel. O conhecimento hist&oacute;rico p&oacute;s-estrutural &eacute; anti-estrutural, parcial, limitado, individual, em migalhas. N&atilde;o se quer neutralidade, passividade, serenidade e universalidade. N&atilde;o existe uma raz&atilde;o, moral, verdade universal. A partir dos anos 80, o homem n&atilde;o &eacute; mais o horizonte do historiador, a hist&oacute;ria deixou de ser analise do passado para produzir mudan&ccedil;as no presente, etc. (Idem: 183) <br \/>\nAcima foi transcrito como Carlos Reis descreve a rela&ccedil;&atilde;o e influ&ecirc;ncia da cultura ocidental na concep&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;ria e na pratica historiogr&aacute;fica. Esta trajet&oacute;ria ocorreu aproximadamente entre os anos 30 e 80 do s&eacute;culo XX. Carlos Reis diz que uma bandeira que vem ganhando adeptos entre os historiadores &eacute; a proposta defendida pelo historiador franc&ecirc;s F. Dosse. Este autor defende um retorno ao projeto inicial da Escola dos Annales, onde se destaca: a mesma rela&ccedil;&atilde;o interdisciplinar com as Ci&ecirc;ncias Sociais, a mesma referencia &agrave; Hist&oacute;ria problema, a mesma resist&ecirc;ncia e substitui&ccedil;&atilde;o do Marxismo. (Idem: 187) A compreens&atilde;o e o aprimoramento do saber hist&oacute;rico, absorvendo todo o avan&ccedil;o poss&iacute;vel das ci&ecirc;ncias humanas e sociais, est&aacute; em gesta&ccedil;&atilde;o. Portanto, &eacute; uma nova corrente na p&oacute;s-modernidade. A nova constru&ccedil;&atilde;o em gesta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; o estruturalismo, nem o p&oacute;s-estruturalismo, pode ser um &ldquo;novo-estruturalismo&rdquo;. <\/p>\n<p>\nO Paradigma Cr&iacute;tico Dial&eacute;tico. <\/p>\n<p>Para compreender a forma de pensar e praticar a historiografia &eacute; &uacute;til o conceito de paradigma. Segundo Thomas Khun (1962), paradigma &eacute; uma matriz disciplinar comum aos praticantes de uma mesma ci&ecirc;ncia. &Eacute; uma forma de compreender e de fazer de uma ci&ecirc;ncia. Um paradigma fornece um conjunto de problemas e solu&ccedil;&otilde;es. Esta forma de compreender e fazer deve ser partilhada por um conjunto de praticantes e reconhecida pelos mesmos (Comunidade cient&iacute;fica). A seguir apresenta-se os autores que discutem modelos explicativos e metodologias na &aacute;rea da hist&oacute;ria: Francisco Ricardo Rudiger, Emilia Viotti da Costa, Rudolf Rocker, Agnes Heller, Marc Bloch, Lucien Febvre, Jacques Le Goff, E. P. Thompson e Fran&ccedil;ois Dosse. <br \/>\nPara Francisco Ricardo Rudiger (1991:185), um dos principais temas da reflex&atilde;o epistemol&oacute;gica contempor&acirc;nea, no terreno das ci&ecirc;ncias humanas, &eacute; em rela&ccedil;&atilde;o ao car&aacute;ter do conhecimento hist&oacute;rico. &Eacute; um assunto que preocupa tanto fil&oacute;sofos quanto historiadores. Segundo Rudiger do ponto de vista geral, os paradigmas epistemol&oacute;gicos da hist&oacute;ria podem ser divididos em basicamente tr&ecirc;s: historicismo, positivismo e dial&eacute;tico. Dentro destes paradigmas existem varias correntes. Estes paradigmas divergem quanto a concep&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia, quanto ao m&eacute;todo empregado pelo historiador e quanto a mat&eacute;ria da hist&oacute;ria (Idem: 186). <br \/>\nDe acordo com Francisco R. Rudiger, o paradigma cr&iacute;tico-dial&eacute;tico, o campo factual do historiador &eacute; visto como pr&aacute;xis humana, limitada por determinadas condi&ccedil;&otilde;es, cujo car&aacute;ter, sempre mediado pelos sujeitos da a&ccedil;&atilde;o social, podem ter cunho estrutural ou sist&ecirc;mico. (Idem: 187) Em termos de pr&aacute;tica historiogr&aacute;fica, a retomada de pressupostos como a interdisciplinaridade, a rela&ccedil;&atilde;o com as Ci&ecirc;ncias Sociais, a &agrave; Hist&oacute;ria problema, e a substitui&ccedil;&atilde;o do Marxismo, no sentido de aprimoramento do saber hist&oacute;rico, ter&aacute; aqui o conceito de &ldquo;Paradigma Cr&iacute;tico Dial&eacute;tico&rdquo;. <br \/>\nDe acordo com o que vem sendo exposto, os fatos s&atilde;o resultado da pr&aacute;tica humana, condicionada de forma estrutural ou sist&ecirc;mica. Emilia Viotti da Costa (2001) escreve que a rela&ccedil;&atilde;o entre experi&ecirc;ncia e estrutura &eacute; um dos principais temas te&oacute;ricos das Ci&ecirc;ncias Sociais e da Hist&oacute;ria na atualidade. De acordo com a autora, o principio estruturalista define que os sujeitos s&atilde;o determinados (condicionados) pelas estruturas sociais (econ&ocirc;micas, pol&iacute;ticas, ideol&oacute;gicas, culturais, etc.). Em casos que s&atilde;o levados ao extremo, aposta-se mais na objetividade do conhecimento hist&oacute;rico, usando de m&eacute;todos quantific&aacute;veis. (2001:22s) J&aacute; o estudo das experi&ecirc;ncias, que emergiu a partir dos estudos antropol&oacute;gico e cultural tr&aacute;s a possibilidade do uso de diferentes tipos de fontes, incluindo as orais e a subjetividade na hist&oacute;ria, privilegiando aspectos qualitativos. (2001:29) A conex&atilde;o entre estruturas e culturas (experi&ecirc;ncias), trouxe ganhos significativos para a compreens&atilde;o da hist&oacute;ria. Segundo a historiadora, os indiv&iacute;duos e grupos sociais &ldquo;(&#8230;) tornaram-se sujeitos da hist&oacute;ria, em vez de serem seus meros objetos (&#8230;)&rdquo;. (2001:34) <br \/>\nRudolf Rocker (1937) tamb&eacute;m possui uma vis&atilde;o contr&aacute;ria aos determinismos na hist&oacute;ria, assim como as posi&ccedil;&otilde;es que definem uma &uacute;nica causa como determinante (embora em &ldquo;&uacute;ltima inst&acirc;ncia&rdquo;). Este historiador se antecipava &agrave;s discuss&otilde;es j&aacute; na primeira metade do s&eacute;culo XX. No livro Nacionalismo e Cultura, Rudolf Rocker escreveu um cap&iacute;tulo para discutir teoria e metodologia da hist&oacute;ria com o t&iacute;tulo &ldquo;A insufici&ecirc;ncia do materialismo econ&ocirc;mico&rdquo;. O historiador afirma que n&atilde;o nega a exist&ecirc;ncia, na Hist&oacute;ria, de rela&ccedil;&otilde;es internas que se pode atribuir a no&ccedil;&atilde;o de causa e efeito, mas se trata de processos sociais, sempre de uma causalidade de fins humanos. As causalidades de natureza f&iacute;sicas se desenvolvem independentes do nosso consentimento; as causalidades hist&oacute;ricas s&atilde;o manifesta&ccedil;&otilde;es de nossa vontade. (1937:03) Para ele, toda tentativa de previs&atilde;o humana, de uma finalidade &eacute; para a exist&ecirc;ncia social de grande import&acirc;ncia, por&eacute;m deve deixar de considerar os acontecimentos sociais como manifesta&ccedil;&otilde;es for&ccedil;osas de uma evolu&ccedil;&atilde;o naturalmente necess&aacute;ria. Semelhante interpreta&ccedil;&atilde;o tem levado aos piores sofismas e levado a perda total de todo verdadeiro entendimento da hist&oacute;ria. (Ibidem) Rocker escreve que n&atilde;o existem &ldquo;leis da hist&oacute;ria&rdquo;. Sobre a quest&atilde;o das causas, escreve que qualquer pessoa que pense de forma mediana sabe que &eacute; imposs&iacute;vel conhecer um per&iacute;odo hist&oacute;rico sem levar em considera&ccedil;&atilde;o suas condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas. Por&eacute;m &eacute; completamente equivocado querer que toda a hist&oacute;ria seja unicamente resultado das condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas. (1937:05) Segundo Rudolf Rocker: &ldquo;Todos os fen&oacute;menos sociales se producen por una serie de motivos diversos que, &ldquo;en la mayor&iacute;a de los casos, est&aacute;n entrelazados de tal modo, que no es posible delimitarlos concretamente. Se trata siempre de efectos de m&uacute;ltiples causas, que pueden reconocerse claramente&#8230;&rdquo; (1937:06) <br \/>\nRudolf Rocker diz que as condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas por si s&oacute; n&atilde;o podem modificar toda uma estrutura social, se n&atilde;o existirem nos homens as condi&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas e espirituais que d&ecirc; sentido e agrupem as for&ccedil;as sociais dispersas para uma obra comum. (1937:10) Segundo ele, todos sabem que as quest&otilde;es econ&ocirc;micas tem muita influ&ecirc;ncia na transforma&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es sociais, mas &eacute; muito mais importante saber o modo como os seres humanos reagem, em seu pensamento e a&ccedil;&atilde;o. Sobre a influ&ecirc;ncia e os passos que d&atilde;o no sentido de implantar uma transforma&ccedil;&atilde;o na vida social considerada necess&aacute;ria. (Idem: 13) Neste sentido, a quest&atilde;o entra no campo das experi&ecirc;ncias e do cotidiano, que Rudiger destaca ao citar a historiadora Agnes Heller, uma das construtora do paradigma cr&iacute;tico-dial&eacute;tico. (1987:172s) Para Agnes Heller (1982: 54) a necessidade do saber hist&oacute;rico esta enraizado na vida cotidiana. &Eacute; a rela&ccedil;&atilde;o da Hist&oacute;ria com a consci&ecirc;ncia hist&oacute;rica. Da mesma forma, &eacute; de importante contribui&ccedil;&atilde;o os estudos de Edward P. Thompson (1981:12) sobre a quest&atilde;o da experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica como categoria de an&aacute;lise e estudo na pr&aacute;tica hist&oacute;rico-social. A experi&ecirc;ncia &eacute; a influencia do ser social sobre a consci&ecirc;ncia social. <br \/>\nRetomando as quest&otilde;es propostas por Rudolf Rocker, o estudo da &ldquo;vontade de poder&rdquo; ou &ldquo;pol&iacute;tica de dom&iacute;nio&rdquo;, pode ser um instrumento para a interpreta&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria, e assim ele completa: &ldquo;El triunfo o el fracaso de los planes de dominio capitalista-monopolistas determinar&aacute; la nueva estructuraci&oacute;n de la vida social en el pr&oacute;ximo futuro.&rdquo; (Idem: 18) <br \/>\nA Hist&oacute;ria na perspectiva Cr&iacute;tico-dial&eacute;tica, centrada na pr&aacute;tica social e nos projetos sociais, &eacute; uma hist&oacute;ria comprometida com a transforma&ccedil;&atilde;o, e por isso uma hist&oacute;ria problema. Marc Bloch (2001:07) inaugurou a no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;hist&oacute;ria como problema&rdquo;. A hist&oacute;ria n&atilde;o seria mais entendida como &ldquo;ci&ecirc;ncia do passado&rdquo;, mas ao contr&aacute;rio, destacava a import&acirc;ncia do presente para entender o passado e do passado para entender o presente. Apresentou, assim, o &ldquo;m&eacute;todo regressivo&rdquo;, ou seja, temas do presente condicionam e delimitam o retorno, poss&iacute;vel, ao passado. Como L&uacute;cien Febvre, Bloch afirmava que a hist&oacute;ria &eacute; filha de seu tempo. Nas palavras de Jacques Le Goff (1990:478) podemos perceber a inten&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica desta concep&ccedil;&atilde;o de Hist&oacute;ria: &ldquo;A mem&oacute;ria, onde cresce a hist&oacute;ria, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro. Devemos trabalhar de forma a que a mem&oacute;ria coletiva sirva para a liberta&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o para a servid&atilde;o dos homens.&rdquo; Fran&ccedil;ois Dosse (2003) ao parafrasear Bloch e Lefbvre constr&oacute;i uma s&iacute;ntese entre os dois na frase a seguir: &ldquo;A hist&oacute;ria permanece uma ci&ecirc;ncia em constru&ccedil;&atilde;o, &agrave; imagem da nossa sociedade, da qual &eacute; indissoci&aacute;vel. Tamb&eacute;m continua o combate pela hist&oacute;ria.&rdquo; (2003:28) <\/p>\n<p>\nA Hist&oacute;ria no Pensamento Freireano. <\/p>\n<p>Para identificar e analisar como Paulo Freire pensava a Hist&oacute;ria, ap&oacute;s a constru&ccedil;&atilde;o de um referencial te&oacute;rico contextualizado, foi elaborada uma an&aacute;lise de conte&uacute;do a partir de onze obras de Paulo Freire: &ldquo;Pedagogia do Oprimido&rdquo;, &ldquo;A&ccedil;&atilde;o Cultural para a liberdade&rdquo;, &ldquo;Pedagogia da indigna&ccedil;&atilde;o: cartas pedag&oacute;gicas e outros escritos&rdquo;, &ldquo;A import&acirc;ncia do ato de ler: em tr&ecirc;s artigos que se completam&rdquo;, &ldquo;Extens&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o, Pol&iacute;tica e Educa&ccedil;&atilde;o: ensaios&rdquo;, &ldquo;Professor sim, tia n&atilde;o: cartas a quem ousa ensinar&rdquo;, &ldquo;Conscientiza&ccedil;&atilde;o: Teoria e pratica da liberta&ccedil;&atilde;o &ndash; uma Introdu&ccedil;&atilde;o ao pensamento de Paulo Freire&rdquo;, &ldquo;Educa&ccedil;&atilde;o e Mudan&ccedil;a, Pedagogia da Esperan&ccedil;a: um reencontro com a Pedagogia do Oprimido&rdquo;, &ldquo;Pedagogia da Autonomia: saberes necess&aacute;rios a pr&aacute;tica educativa&rdquo;. Foi analisada a recorr&ecirc;ncia das refer&ecirc;ncias de Freire em rela&ccedil;&atilde;o ao conhecimento hist&oacute;rico e relacionaram-se suas concep&ccedil;&otilde;es com as discuss&otilde;es dos historiadores sobre seu oficio. Neste conjunto de onze obras, Paulo Freire fala sobre &ldquo;hist&oacute;ria&rdquo; mais de uma centena de vezes. <br \/>\nDe acordo com a quantidade de ocorr&ecirc;ncia, os livros que mais apresentam discuss&otilde;es sobre a Hist&oacute;ria s&atilde;o: &ldquo;Pol&iacute;tica e Educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &ldquo;Pedagogia do Oprimido&rdquo;, &ldquo;Pedagogia da Autonomia&rdquo; e &ldquo;Professor sim, tia n&atilde;o&rdquo;. Algumas destas refer&ecirc;ncias apareciam em forma de cr&iacute;tica &agrave;s concep&ccedil;&otilde;es tradicionais e outras cita&ccedil;&otilde;es apareciam no sentido de afirmar uma nova concep&ccedil;&atilde;o. <br \/>\nNo levantamento que foi feito, de 102 ocorr&ecirc;ncias registradas, 75 possuem sentido positivo e de promo&ccedil;&atilde;o, e 27 aparecem com sentido negativo. A maioria das ocorr&ecirc;ncias aparece no sentido de defender e apresentar de forma propositiva sua concep&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;ria. A &ldquo;palavra&rdquo; Hist&oacute;ria aparece nos textos relacionada a: Dial&eacute;tica (18), Hist&oacute;ria Escolar (15), Conhecimento da Realidade (12), Experi&ecirc;ncia (11), Fatalismo (10), Mito (08), Causalidade (04), Vontade de Potencia (03), Filosofia (03), Processo (03), Idealismo (03), Possibilidade (03), Cotidiano (03), Determinismo (02) e sem classifica&ccedil;&atilde;o (04). <br \/>\nComo j&aacute; foi escrito, fez-se a escolha de trechos em que Freire enfatiza ou reporta-se a hist&oacute;ria enquanto epistemologia do passado. Em todos os livros consultados, somente uma vez o autor citou um grande historiador como sendo sua refer&ecirc;ncia te&oacute;rica. Foi a historiadora Agnes Heller (retomaremos com Agnes Heller mais adiante quando for analisada a quest&atilde;o do cotidiano e da consci&ecirc;ncia hist&oacute;rica). As id&eacute;ias de Paulo Freire ser&atilde;o apresentadas primeiro no n&iacute;vel te&oacute;rico e em seguida em rela&ccedil;&atilde;o as pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas <\/p>\n<p>\nPaulo Freire e sua concep&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica de hist&oacute;ria. <\/p>\n<p>Ao fazer an&aacute;lise de conte&uacute;do nas obras de Paulo Freire observou-se que sua id&eacute;ia de Hist&oacute;ria &eacute; contraria ao fatalismo e defende a vis&atilde;o de Hist&oacute;ria como possibilidade. Rejeita o determinismo, considerando que existem condicionantes, mas nada pr&eacute;-determinado em rela&ccedil;&atilde;o aos acontecimentos hist&oacute;ricos. Segundo Paulo Freire, n&atilde;o existe uma causa determinante nos acontecimentos, mas v&aacute;rios fatores que interagem na realiza&ccedil;&atilde;o dos fatos. Sua concep&ccedil;&atilde;o &eacute; dial&eacute;tica, admitindo o papel condicionante das estruturas sociais, por&eacute;m enfatizando as experi&ecirc;ncias a n&iacute;vel do cotidiano. A seguir apresenta-se a concep&ccedil;&atilde;o de Paulo Freire sobre a Hist&oacute;ria como fatalidade ou destino, a concep&ccedil;&atilde;o mecanicista e determinista da hist&oacute;ria, os condicionantes na Hist&oacute;ria, a possibilidade, a concep&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica, as experi&ecirc;ncias e o cotidiano. <br \/>\nSegundo Paulo Freire (1987), pensar a hist&oacute;ria enquanto fatalidade ou destino &eacute; pensar o passado como algo pr&eacute;-dado ou imut&aacute;vel, o presente domesticado e bem comportado e o futuro prefixado e inexor&aacute;vel. Esta concep&ccedil;&atilde;o &eacute; castradora e negadora da liberdade. Nesta concep&ccedil;&atilde;o, os indiv&iacute;duos tornam-se espectadores da hist&oacute;ria, esperando a manuten&ccedil;&atilde;o do presente e a espera que o futuro j&aacute; conhecido se instale. (1987:26) Em &ldquo;Pedagogia da Autonomia&#8230;&rdquo; Freire escreve: &ldquo;A ideologia fatalista, imobilizante, que anima o discurso neoliberal anda solta no mundo. Com ares de p&oacute;s-modernidade, insiste em convencer-nos de que nada podemos contra a realidade social que, de hist&oacute;rica e cultural, passa a ser ou a virar &ldquo;quase natural&rdquo;. Frases como &ldquo;a realidade &eacute; assim mesmo, que podemos fazer?&rdquo;ou &ldquo;o desemprego no mundo &eacute; uma fatalidade do fim do s&eacute;culo&rdquo; expressam bem o fatalismo desta ideologia e sua indiscut&iacute;vel vontade imobilizadora. Do ponto de vista de tal ideologia, s&oacute; h&aacute; uma sa&iacute;da para a pr&aacute;tica educativa: adaptar o educando a esta realidade que n&atilde;o pode ser mudada. O de que se precisa, por isso mesmo, &eacute; o treino t&eacute;cnico indispens&aacute;vel &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o do educando, &agrave; sua sobreviv&ecirc;ncia. O livro com que volto aos leitores &eacute; um decisivo n&atilde;o a esta ideologia que nos nega e amesquinha como gente.&rdquo; (1996:11). <br \/>\nAinda na &ldquo;Pedagogia da Autonomia&rdquo; Paulo Freire (1996: 38) destaca que a concep&ccedil;&atilde;o mecanicista e determinista da hist&oacute;ria reduz a consci&ecirc;ncia a puro reflexo da materialidade. Da mesma forma que a fatalidade, o determinismo (seja ele mono-causal ou pluri-causal) tamb&eacute;m servem aos interesses do imobilismo. S&atilde;o as chamadas concep&ccedil;&otilde;es teleol&oacute;gicas, que afirmam existir um &ldquo;destino j&aacute; tra&ccedil;ado&rdquo;. Assim explica ele: &ldquo;Sempre recusei os fatalismos. Prefiro a rebeldia que me confirma como gente e que jamais deixou de provar que o ser humano &eacute; maior que os mecanicismos que o minimizam.&rdquo; (1996:44) Freire ainda acrescenta: &ldquo;Quanto mais me deixo seduzir pela aceita&ccedil;&atilde;o da morte da Hist&oacute;ria tanto mais admito que a impossibilidade do amanh&atilde; diferente implica a eternidade do hoje neo-liberal que a&iacute; est&aacute;, e a perman&ecirc;ncia do hoje mata em mim a possibilidade de sonhar. Desproblematizando o tempo, a chamada morte da Hist&oacute;ria decreta o imobilismo que nega o ser humano.&rdquo; (Ibidem) <br \/>\nPaulo Freire &eacute; contr&aacute;rio a id&eacute;ia do fatalismo e do determinismo, por&eacute;m, acredita que existem condicionantes sociais. Em &ldquo;Pol&iacute;tica e Educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; o pedagogo apresenta a defesa da id&eacute;ia de condicionamentos, que n&atilde;o determinam o comportamento dos seres humanos, mas imp&otilde;e-lhes certos limites: &ldquo;A nossa experi&ecirc;ncia, que envolve condicionamentos mas n&atilde;o determinismo, implica decis&otilde;es, rupturas, op&ccedil;&otilde;es, riscos.&rdquo; (2001:09) Na mesma obra salienta que: &ldquo;Esta intelig&ecirc;ncia da Hist&oacute;ria, que descarta um futuro predeterminado, n&atilde;o nega, por&eacute;m, o papel dos fatores condicionantes a que estamos mulheres e homens submetidos.&rdquo; (Idem: 47) Desde sua primeira obra a &ldquo;Pedagogia do Oprimido&rdquo; que ele escreve sobre os condicionantes e n&atilde;o determinantes na Hist&oacute;ria: &ldquo;Os homens, pelo contr&aacute;rio, porque s&atilde;o consci&ecirc;ncia de si e, assim, consci&ecirc;ncia do mundo, porque s&atilde;o um &ldquo;corpo consciente&rdquo;, vivem uma rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica entre os condicionamentos e sua liberdade.&rdquo; (1987:90). <br \/>\nNa &ldquo;Pedagogia da Autonomia&rdquo; (1996:54) e em &ldquo;Pol&iacute;tica e Educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; (2001: 46s) Paulo Freire destaca a sua compreens&atilde;o que a Hist&oacute;ria &eacute; possibilidade e n&atilde;o Determinismo. Para o autor, a hist&oacute;ria como possibilidade destaca o papel da subjetividade na Hist&oacute;ria, a capacidade que os indiv&iacute;duos t&ecirc;m de comparar, analisar, avaliar, decidir, escolher, romper. Apresenta a import&acirc;ncia da &eacute;tica e da pol&iacute;tica. <br \/>\nEstes condicionamentos a que Paulo Freire se refere, que n&atilde;o s&atilde;o determina&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o de v&aacute;rios fatores. Ele rompe com a tese marxista da determina&ccedil;&atilde;o do fator econ&ocirc;mico sobre o processo hist&oacute;rico. Afirma que a economia &eacute; um dos fatores, e que n&atilde;o existe fator principal. Na &ldquo;Pedagogia da Autonomia&rdquo; existe uma reflex&atilde;o completa sobre este assunto, que &eacute; demonstrada no trecho que segue: &ldquo;De um lado, a compreens&atilde;o mecanicista da Hist&oacute;ria, que reduz a consci&ecirc;ncia a puro reflexo da materialidade, e de outro, o subjetivismo idealista, que hipertrofia o papel da consci&ecirc;ncia no acontecer hist&oacute;rico. Nem somos, mulheres e homens, seres simplesmente determinados nem tampouco livres de condicionamentos gen&eacute;ticos, culturais, sociais, hist&oacute;ricos, de classe, de g&ecirc;nero, que nos marcam e a que nos achamos referidos.&rdquo;(1996:38). A cr&iacute;tica ao marxismo aparece quando ele escreve que embora n&atilde;o podendo compreender a hist&oacute;ria contempor&acirc;nea sem a luta de classes, a luta de classes t&atilde;o pouco pode explicar tudo. Em &ldquo;Pedagogia da Esperan&ccedil;a&rdquo; Paulo Freire escreve: &ldquo;Nunca entendi que as classes sociais, a luta entre elas, pudessem explicar tudo, at&eacute; a cor das nuvens numa ter&ccedil;a-feira &agrave; tardinha, da&iacute; que jamais tenha dito que a luta de classes, no mundo moderno, era ou &eacute; o motor da hist&oacute;ria. Mas, por outro lado, hoje ainda e possivelmente por muito tem o n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel entender a hist&oacute;ria sem as classes sociais, sem seus interesses em choque.&rdquo; (1992:47) Logo a seguir Paulo Freire escreve que o &ldquo;sonho&rdquo;, os ideais, s&atilde;o tamb&eacute;m um dos &ldquo;motores da hist&oacute;ria&rdquo;, e acrescenta sua vis&atilde;o de que a realidade e a hist&oacute;ria &eacute; o resultado de v&aacute;rios fatores, sendo que n&atilde;o aponta nenhum deles como tendo primazia sobre os outros: &ldquo;O sonho pela humaniza&ccedil;&atilde;o, cuja concretiza&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre processo, e sempre devir, passa pela ruptura das amarras reais, concretas, de ordem econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica, social, ideol&oacute;gica etc., que nos est&atilde;o condenando &agrave; desumaniza&ccedil;&atilde;o. O sonho &eacute; assim uma exig&ecirc;ncia ou uma condi&ccedil;&atilde;o que se vem fazendo permanente na hist&oacute;ria que fazemos e que nos faz e re-faz.&rdquo; (Idem: 51) <br \/>\nCom tudo o que foi exposto, &eacute; f&aacute;cil perceber que Freire possui uma concep&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica da Hist&oacute;ria (movimento, processo e contradi&ccedil;&otilde;es). Em &ldquo;Pedagogia do Oprimido&rdquo; ele escreve: &ldquo;Os homens, pelo contr&aacute;rio, porque s&atilde;o consci&ecirc;ncia de si e, assim, consci&ecirc;ncia do mundo, porque s&atilde;o um &ldquo;corpo consciente&rdquo;, vivem uma rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica entre os condicionamentos e sua liberdade.&rdquo; (1987:90) Em &ldquo;Pedagogia da Autonomia&rdquo; destaca: &ldquo;Se sou puro produto da determina&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica ou cultural ou de classe, sou irrespons&aacute;vel pelo que fa&ccedil;o no mover-me no mundo e se care&ccedil;o de responsabilidade n&atilde;o posso falar em &eacute;tica. Isto n&atilde;o significa negar os condicionamentos gen&eacute;ticos, culturais, sociais a que estamos submetidos. Significa reconhecer que somos seres condicionados, mas n&atilde;o determinados. Reconhecer que a Hist&oacute;ria &eacute; tempo de possibilidade e n&atilde;o de determinismo, que o futuro, permita-se-me reiterar, &eacute; problem&aacute;tico e n&atilde;o inexor&aacute;vel.&rdquo; (1996:11) Em &ldquo;Pol&iacute;tica e Educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; apresenta uma discuss&atilde;o muito interessante sobre a quest&atilde;o dos condicionantes estruturais e a a&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos e grupos sociais: &ldquo;A supera&ccedil;&atilde;o da compreens&atilde;o mecanicista da Hist&oacute;ria, por outra que, percebendo de forma dial&eacute;tica as rela&ccedil;&otilde;es entre consci&ecirc;ncia e mundo, implica necessariamente uma nova maneira de entender a Hist&oacute;ria. A Hist&oacute;ria como possibilidade. Esta intelig&ecirc;ncia da Hist&oacute;ria, que descarta um futuro predeterminado, n&atilde;o nega, por&eacute;m, o papel dos fatores condicionantes a que estamos mulheres e homens submetidos. Ao recusar a Hist&oacute;ria como jogo de destinos certos, como dado dado, ao opor-se ao futuro como algo inexor&aacute;vel, a Hist&oacute;ria como possibilidade reconhece a import&acirc;ncia da decis&atilde;o como ato que implica ruptura, a import&acirc;ncia da consci&ecirc;ncia e da subjetividade, da interven&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica dos seres humanos na reconstru&ccedil;&atilde;o do mundo. Reconhece o papel da consci&ecirc;ncia construindo-se na pr&aacute;xis; da intelig&ecirc;ncia sendo inventada e reinventada no processo e n&atilde;o como algo im&oacute;vel em mim, separado quase, de meu corpo. (&#8230;) Reconhece minha individualidade que nem se dilui, amorfa, no social nem tampouco cresce e vinga fora dele.(&#8230;)&rdquo; (2001:47). Para finalizar com uma s&iacute;ntese do pensamento dial&eacute;tico em hist&oacute;ria a partir de Paulo Freire, destaca-se na obra &ldquo;Professor sim, tia n&atilde;o&rdquo; a seguinte afirma&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Recusando qualquer interpreta&ccedil;&atilde;o mecanicista da Hist&oacute;ria, recuso igualmente a idealista. A primeira reduz a consci&ecirc;ncia &agrave; pura c&oacute;pia das estruturas materiais da sociedade; a segunda submete tudo ao todo-poderosismo da consci&ecirc;ncia. Minha op&ccedil;&atilde;o &eacute; outra. Entendo que estas rela&ccedil;&otilde;es entre consci&ecirc;ncia e mundo s&atilde;o dial&eacute;ticas.&rdquo; (1997:26) <br \/>\nAo enfatizar a dial&eacute;tica entre os condicionantes e as possibilidades do fazer-se hist&oacute;rico, Paulo Freire, ainda em &ldquo;Pol&iacute;tica e Educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; escreve, dando destaque as experi&ecirc;ncias vividas ou herdadas pelos sujeitos e grupos sociais: &ldquo;Ressaltamos inicialmente a sua condi&ccedil;&atilde;o de ser hist&oacute;rico-social, experimentando continuamente a tens&atilde;o de estar sendo para poder ser e de estar sendo n&atilde;o apenas o que herda, mas tamb&eacute;m o que adquire e n&atilde;o de forma mec&acirc;nica. Isto significa ser o ser humano, enquanto hist&oacute;rico, um ser finito, limitado, inconcluso, mas consciente de sua inconclus&atilde;o.&rdquo; (Idem:12) Na obra &ldquo;Professor sim, tia n&atilde;o&rdquo; afirma que fazem-se a experi&ecirc;ncia existencial enquanto experi&ecirc;ncia social e hist&oacute;rica. (1997:68) Em se tratando de experi&ecirc;ncias socio-hist&oacute;ricas, Paulo Freire enfatiza o cotidiano, e narra que ao amanhecer, despertamos, escovamos os dentes, tomamos o primeiro banho e o caf&eacute; da manh&atilde;. O marido conversa com a mulher, ou a mulher com o marido, informamo-nos das primeiras noticias. Sa&iacute;mos de casa, andamos na rua, cruzamos com pessoas, paramos no sem&aacute;foro (&#8230;) fazemos coisas que apreendemos desde crian&ccedil;a, mas em nenhum momento paramos para pensar o porqu&ecirc; das coisas que fizemos. Para Paulo Freire: &ldquo;Dos dentes que escovamos, da ducha que tornamos, do caf&eacute; que bebemos (a n&atilde;o ser que tenhamos reclamado algo que saiu da rotina), da cor vermelha do sem&aacute;foro por causa da qual paramos sem tamb&eacute;m nos perguntar, em outras palavras: imersos na cotidianeidade, marchamos nela, nas suas &ldquo;ruas&rdquo;, nas suas &ldquo;cal&ccedil;adas&rdquo;. Sem maiores necessidades de nos indagar sobre nada. Na cotidianeidade, nossa mente n&atilde;o opera epistemologicamente.&rdquo; (idem:82). Ele escreve mais sobre a cotidianiedade: &ldquo;Se prosseguirmos um pouco mais na an&aacute;lise da cotidianeidade desta manh&atilde; que estamos analisando ou em que nos analisamos, observaremos que, para havermos tomado uma manh&atilde; qualquer nossa, como objeto de nossa curiosidade foi necess&aacute;rio que o fiz&eacute;ssemos fora da experi&ecirc;ncia da cotidianeidade. Foi preciso que dela emerg&iacute;ssemos para, ent&atilde;o, &ldquo;tomarmos dist&acirc;ncia&rdquo; dela ou da maneira como nos movemos no mundo em nossas manh&atilde;s. &Eacute; interessante observar, tamb&eacute;m, que &eacute;, na opera&ccedil;&atilde;o de &ldquo;tomar dist&acirc;ncia&rdquo; do objeto, que dele nos &ldquo;aproximamos&rdquo;. A &ldquo;tomada de dist&acirc;ncia&rdquo; do objeto &eacute; a &ldquo;aproxima&ccedil;&atilde;o&rdquo; epistemol&oacute;gica que a ele fazemos. S&oacute; assim podemos &ldquo;admirar&rdquo; o objeto, no nosso caso, a manh&atilde;, em cujo tempo analisamos como nos movemos no mundo.&rdquo; (Ibidem). E finaliza: &ldquo;No primeiro momento, o da experi&ecirc;ncia da e na cotidianeidade, meu corpo consciente se vai expando aos fatos, aos feitos, sem contudo, interrogando-se sobre eles, alcan&ccedil;ar a sua &ldquo;raz&atilde;o de ser&rdquo;. Repito que o saber &ndash; porque tamb&eacute;m o h&aacute; &ndash; que resulta destas tramas &eacute; o de pura experi&ecirc;ncia feito. No segundo momento, em que nossa mente opera epistemologicamente, a rigorosidade metodol&oacute;gica com que nos aproximamos do objeto, tendo dele &ldquo;tomado dist&acirc;ncia&rdquo;, isto &eacute;, tendo-o objetivado, nos oferece um outro tipo de saber. Um saber cuja exatid&atilde;o proporciona ao investigador ou ao sujeito cognoscente uma margem de seguran&ccedil;a que inexiste no primeiro tipo de saber, o do senso comum.&rdquo; (Idem:83) Da&iacute; conclui-se que as experi&ecirc;ncias do cotidiano devem ser problematizadas e tratadas com rigor metodol&oacute;gico para buscar o conhecimento mais apurado e atingir a Consci&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>A Pr&aacute;tica pedag&oacute;gica em Hist&oacute;ria. <\/p>\n<p>Do exposto percebe-se que no pensamento de Paulo Freire a Hist&oacute;ria &eacute; possibilidade condicionada e existe a partir das experi&ecirc;ncias do cotidiano, da problematiza&ccedil;&atilde;o e criticidade, do tratamento met&oacute;dico da realidade hist&oacute;rica. Aponta caminhos para pensar a Educa&ccedil;&atilde;o e o Ensino\/aprendizagem da Hist&oacute;ria. <br \/>\nA hist&oacute;ria fatalista e determinista que organiza o passado estanque, apresenta-se na did&aacute;tica, na forma de narra&ccedil;&atilde;o e exposi&ccedil;&atilde;o dos fatos, geralmente de forma cronol&oacute;gica, enfatizando datas e nomes. Na &ldquo;Pedagogia do Oprimido&rdquo; ele escreve: &ldquo;Narra&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos que, por isto mesmo, tendem a petrificar-se ou a fazer-se algo quase morto, sejam valores ou dimens&otilde;es concretas da realidade. Narra&ccedil;&atilde;o ou disserta&ccedil;&atilde;o que implica num sujeito &ndash; o narrador &ndash; e em objetos pacientes, ouvintes &ndash; os educandos.&rdquo; (1987:57) Acrescenta Paulo Freire: &ldquo;A narra&ccedil;&atilde;o, de que o educador &eacute; o sujeito, conduz os educandos &agrave; memoriza&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica do conte&uacute;do narrado. Mais ainda, a narra&ccedil;&atilde;o os transforma em &ldquo;vasilhas&rdquo;, em recipientes a serem &ldquo;enchidos&rdquo; pelo educador. Quanto mais v&aacute; &ldquo;enchendo&rdquo; os recipientes com seus &ldquo;dep&oacute;sitos&rdquo;, tanto melhor educador ser&aacute;. Quanto mais se deixem docilmente &ldquo;encher&rdquo;, tanto melhores educandos ser&atilde;o.&rdquo; (Idem:58) Esta concep&ccedil;&atilde;o e forma de trabalhar com os conhecimentos hist&oacute;ricos &eacute; conhecida pelos professores de hist&oacute;ria como &ldquo;Hist&oacute;ria Tradicional&rdquo;. <br \/>\nAo contr&aacute;rio da concep&ccedil;&atilde;o fatalista e determinista da hist&oacute;ria (Hist&oacute;ria Tradicional), que tem na narra&ccedil;&atilde;o e na repeti&ccedil;&atilde;o de fatos, datas e nomes seu ponto forte, a concep&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica de hist&oacute;ria, que trabalha com a concep&ccedil;&atilde;o de possibilidades condicionadas, destaca a &ldquo;hist&oacute;ria problema.&rdquo; Em &ldquo;Pedagogia do Oprimido&rdquo; Freire escreve que: &ldquo;A concep&ccedil;&atilde;o e pr&aacute;tica &ldquo;banc&aacute;rias&rdquo;, imobilistas, &ldquo;fixistas&rdquo;, terminam por desconhecer os homens como seres hist&oacute;ricos, enquanto a problematizadora parte exatamente do car&aacute;ter hist&oacute;rico e da historicidade dos homens.&rdquo; (1987:72) A problematiza&ccedil;&atilde;o da realidade parte sempre do seu aqui e agora. <br \/>\nFreire explica que &eacute; necess&aacute;rio problematizar os fatos, pois n&atilde;o existe nada que n&atilde;o possa ser ainda desvelado. Em &ldquo;Exten&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo; Paulo Freire (1985) escreve: &ldquo;&Eacute; necess&aacute;rio que ele reflita sobre o porqu&ecirc; do fato, sobre suas conex&otilde;es com outros fatos no contexto global em que se deu.&rdquo; (1985:35). Destaca o pedagogo a tarefa do profissional educador da &aacute;rea de hist&oacute;ria: &ldquo;Poder-se-ia dizer que esta &eacute; a tarefa pr&oacute;pria de um professor de Hist&oacute;ria; a de situar, na totalidade, a &ldquo;parcialidade&rdquo; de um fato hist&oacute;rico. Parece-nos, entretanto, que sua tarefa primordial n&atilde;o &eacute; esta, mas a de, problematizando a seus alunos, possibilitar-lhes o ir-se exercitando em pensar criticamente, tirando suas pr&oacute;prias interpreta&ccedil;&otilde;es do porqu&ecirc; dos fatos.&rdquo; (Idem:35) <br \/>\nEm &ldquo;A Import&acirc;ncia do ato de ler&rdquo; Freire (1989) destaca o importante trabalho que deve ser feito em rela&ccedil;&atilde;o ao conhecimento da realidade hist&oacute;rico-cultural onde inserem-se os educandos: &ldquo;Um excelente trabalho, numa &aacute;rea popular, sobretudo camponesa, que poderia ser desenvolvido por bibliotec&aacute;rias, documentalistas, educadoras, historiadoras, seria, por exemplo, o do levantamento da hist&oacute;ria da &aacute;rea atrav&eacute;s de entrevistas gravadas, em que as mais velhas e os mais velhos habitantes da &aacute;rea, como testemunhos presentes, fossem fixando os momentos fundamentais da sua hist&oacute;ria comum. Dentro de algum tempo se teria um acervo de est&oacute;rias que, no fundo, fariam parte viva da Hist&oacute;ria da &aacute;rea.&rdquo; (1989:21) Por&eacute;m &eacute; preciso estar vigilante para que mesmo partindo da experi&ecirc;ncia, do cotidiano, n&atilde;o se caia no fatalismo e no &ldquo;saber de experi&ecirc;ncia feito&rdquo;. O &ldquo;saber de experi&ecirc;ncia feito&rdquo; &eacute; aquele saber do &ldquo;senso comum&rdquo;, onde n&atilde;o &eacute; conhecimento n&atilde;o &eacute; tratado com metodologia cr&iacute;tica e problematizadora. O &ldquo;saber de experi&ecirc;ncia feito&rdquo; pode colaborar na constru&ccedil;&atilde;o e na manuten&ccedil;&atilde;o de mitos, pois mistifica a realidade e o passado. Isto acontece porque o &ldquo;senso comum&rdquo; geralmente &eacute; fatalista e determinista. Em &ldquo;Pedagogia da Autonomia&rdquo; Paulo Freire destaca esta situa&ccedil;&atilde;o: &ldquo;O di&aacute;logo em que se vai desafiando o grupo popular a pensar sua hist&oacute;ria social como a experi&ecirc;ncia igualmente social de seus membros, vai revelando a necessidade de superar certos saberes que, desnudados, v&atilde;o mostrando sua &ldquo;incompet&ecirc;ncia&rdquo; para explicar os fatos.&rdquo; (1996:32) <br \/>\nSobre a preserva&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria e do patrim&ocirc;nio hist&oacute;rico e cultural, Paulo Freire em &ldquo;Pol&iacute;tica e Educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; destaca: &ldquo;&Agrave;s vezes, sinto um certo descompasso em certas Cidades entre a quantidade de marcos que falam ou que proclamam envaidecidamente feitos de guerra e os que falam da paz, da do&ccedil;ura de viver. N&atilde;o que esteja defendendo a oculta&ccedil;&atilde;o dos fatos belicosos que escondem ou explicitam malvadezas, perversidades in-cr&iacute;veis de que temos sido capazes nos descompassos de nossa hist&oacute;ria. Mostr&aacute;-los &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es mais jovens &eacute; tamb&eacute;m tarefa educativa das Cidades. Mas mostr&aacute;-los nem sempre como quem deles se orgulha.&rdquo; (2001:14) A mem&oacute;ria que existe a n&iacute;vel do cotidiano, &eacute; um &ldquo;saber de experi&ecirc;ncia feito&rdquo;, que por n&atilde;o ser cr&iacute;tico, serve a imobilidade na hist&oacute;ria, a oculta&ccedil;&atilde;o da realidade pois refor&ccedil;a mitos, &eacute; antidemocr&aacute;tica e serve a domina&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o a liberta&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>\nConclus&atilde;o. <\/p>\n<p>A partir da analise elaborada &eacute; poss&iacute;vel compreender o pensamento de Paulo Freire em rela&ccedil;&atilde;o ao conhecimento Hist&oacute;rico. A concep&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;ria de Paulo Freire est&aacute; de acordo com o momento, o contexto hist&oacute;rico em que ele produziu suas reflex&otilde;es filos&oacute;ficas e te&oacute;ricas. Tamb&eacute;m est&aacute; de acordo com a nova postura em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s ci&ecirc;ncias humanas e sociais, ou seja, acredita na ci&ecirc;ncia com consci&ecirc;ncia. <br \/>\nO que mais Paulo Freire enfatiza em seus textos &eacute; uma concep&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica de Hist&oacute;ria (Hist&oacute;ria como movimento e contradi&ccedil;&otilde;es). Escreve bastante, como n&atilde;o deveria deixar de ser, do saber hist&oacute;rico escolar. Para ele, a hist&oacute;ria &eacute; importante para &ldquo;conhecer&rdquo; a realidade (o presente hist&oacute;rico). Ele defende um saber hist&oacute;rico que parta das experi&ecirc;ncias, por&eacute;m cr&iacute;tico e met&oacute;dico, para atingir a &ldquo;Consci&ecirc;ncia hist&oacute;rica&rdquo;. Critica o fatalismo, os mitos e a mitifica&ccedil;&atilde;o do passado. A hist&oacute;ria para ele &eacute; multi-causal, destacando a &ldquo;vontade de potencia&rdquo; (discurso e instrumento das rela&ccedil;&otilde;es de poder). Em sua filosofia (hist&oacute;rica) Paulo Freire critica o idealismo e o determinismo, afirmando que a hist&oacute;ria &eacute; possibilidade e se manifesta no cotidiano. A Hist&oacute;ria Escolar para ele deve ser problematizada, critica o &ldquo;narrativismo&rdquo; de fatos, datas e nomes. Para ele a Hist&oacute;ria escolar deve proporcionar pr&aacute;ticas reflexivas atrav&eacute;s de problematiza&ccedil;&otilde;es em busca dos porqu&ecirc;s, em fim, deve ser explicativa e responder a problemas do presente. <br \/>\nAssim, o pensamento de Paulo Freire em rela&ccedil;&atilde;o a Hist&oacute;ria, pode ser compreendido como uma nova concep&ccedil;&atilde;o de estruturalismo sist&ecirc;mico e cr&iacute;tico-dial&eacute;tico. <\/p>\n<p>\nBibliografia: <\/p>\n<p>BLOCH, Marc. Apologia da Hist&oacute;ria, ou, O oficio de historiador, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 2001. <br \/>\nCOSTA, Emilia Viotti da. Experi&ecirc;ncia versus estruturas: Novas tend&ecirc;ncias na hist&oacute;ria do trabalho e da classe trabalhadora na Am&eacute;rica Latina &ndash; O que ganhamos? O que perdemos? HIST&Oacute;RIA UNISINOS\/ Centro de Ci&ecirc;ncias Humanas, Universidade do Vale do Rio dos Sinos &ndash; n&uacute;mero Especial &ndash; S&atilde;o Leopoldo, 2001. <br \/>\nDOSSE, Fran&ccedil;ois. 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