{"id":1020,"date":"2009-06-15T11:02:00","date_gmt":"2009-06-15T11:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1020"},"modified":"2009-06-15T11:02:00","modified_gmt":"2009-06-15T11:02:00","slug":"construindo-um-conceito-de-radicalizacao-democratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1020","title":{"rendered":"Construindo um conceito de Radicaliza\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/appo-oaxaca-df.jpg\" title=\"A defesa dos direitos fundamentais e do exerc\u00edcio da soberania pol\u00edtica se conquista nas ruas e n\u00e3o nas urnas do sistema liberal-burgu\u00eas. Um grande exemplo nos \u00e9 dado pelo povo de Oaxaca, M\u00e9xico, atrav\u00e9s de uma inst\u00e2ncia de s\u00edntese decis\u00f3ria como a APPO. - Foto:el enemigo com\u00fan\" alt=\"A defesa dos direitos fundamentais e do exerc\u00edcio da soberania pol\u00edtica se conquista nas ruas e n\u00e3o nas urnas do sistema liberal-burgu\u00eas. Um grande exemplo nos \u00e9 dado pelo povo de Oaxaca, M\u00e9xico, atrav\u00e9s de uma inst\u00e2ncia de s\u00edntese decis\u00f3ria como a APPO. - Foto:el enemigo com\u00fan\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A defesa dos direitos fundamentais e do exerc\u00edcio da soberania pol\u00edtica se conquista nas ruas e n\u00e3o nas urnas do sistema liberal-burgu\u00eas. Um grande exemplo nos \u00e9 dado pelo povo de Oaxaca, M\u00e9xico, atrav\u00e9s de uma inst\u00e2ncia de s\u00edntese decis\u00f3ria como a APPO.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:el enemigo com\u00fan<\/small><\/figure>\n<p>15 de junho de 2009, da terra de Sep&eacute; e Languiru, por Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>\nCom o texto abaixo, al&eacute;m dos artigos de conjuntura, focados na an&aacute;lise pol&iacute;tica, farei minha contribui&ccedil;&atilde;o naquilo que d&aacute; base anal&iacute;tica. Assim, aos poucos vou expondo a base conceitual da teoria pol&iacute;tica que fundamenta minhas an&aacute;lises das realidades. <\/p>\n<p>Neste artigo abordo a proposta e o debate de uma concep&ccedil;&atilde;o de democracia como forma social de amplia&ccedil;&atilde;o de direitos. O tema passa necessariamente por discutir como se d&aacute; a cria&ccedil;&atilde;o de um conceito de processo para a radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica aplic&aacute;vel na acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as onde atua uma ou mais organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas como um motor de atua&ccedil;&atilde;o do movimento popular. Isto &eacute;, peleando de dentro da democracia liberal para avan&ccedil;ar na democracia social. Deixo exposto aqui que esse &eacute; o modo de se organizar politicamente que defendo, teorizo e modestamente tamb&eacute;m pratico como militante.<\/p>\n<p>Entendo que, para radicalizar a democracia, &eacute; necess&aacute;rio escolher onde se quer estar e atuar. Sem elencar as arenas corretas e priorit&aacute;rias, &eacute; imposs&iacute;vel acumular for&ccedil;as para o empoderamento dos sujeitos sociais. Entendo que sujeitos sociais s&atilde;o os setores de classe a ser organizados pelos agentes sociais. Essa fun&ccedil;&atilde;o de minoria ativa &ndash; os agentes &#8211; tamb&eacute;m &eacute; apontada como necess&aacute;ria. Os sujeitos sociais t&ecirc;m de ser alvo de trabalho e rela&ccedil;&atilde;o, visando organizar-se cotidianamente. Vale ressaltar tamb&eacute;m que isso se faz de dentro, como parte de um povo em movimento, e n&atilde;o de fora como uma suposta elite esclarecida. J&aacute; o ordenamento de tempos e a&ccedil;&otilde;es &eacute; urgente. Isto porque, na aus&ecirc;ncia de um planejamento pr&oacute;prio, o poder de agenda &eacute; imposto pelas arenas institucionais consagradas e midiatizadas. Ou seja, a agenda de luta &eacute; pautada por reagir &agrave;s a&ccedil;&otilde;es impostas e n&atilde;o de avan&ccedil;ar em projetos de interesse coletivo. <\/p>\n<p>Voltando ao conceito de democracia, o problema &eacute; de ordem te&oacute;rica. Com a falta de uma teoria democr&aacute;tica que contemple o processo pol&iacute;tico de empoderamento dos sujeitos sociais organizados coletivamente na forma de movimentos populares, os passos destes movimentos sempre ser&atilde;o reativos e n&atilde;o proativos. Assim sendo, perde o sentido uma Organiza&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica que supere o papel de intermedia&ccedil;&atilde;o-representa&ccedil;&atilde;o e se proponha a servir de motor e for&ccedil;a estrat&eacute;gica deste mesmo processo. A proposta deste texto &eacute; expor, a partir de uma leitura r&aacute;pida de uma id&eacute;ia sint&eacute;tica, do porque a teoria pol&iacute;tica praticada na Am&eacute;rica Latina, em geral, permanece submissa aos par&acirc;metros das id&eacute;ias impostas pela ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica praticada sob as bases do neoinstitucionalismo, corrente de pensamento que &eacute; o bra&ccedil;o pol&iacute;tico do neoliberalismo. <\/p>\n<p>Reconhe&ccedil;o e vejo como urgente o estabelecimento de um debate no interior das esquerdas sociais, de definir um projeto pol&iacute;tico que contemple a democracia em sua radicalidade, a diversidade de id&eacute;ias no campo da esquerda, do poder popular como forma de organiza&ccedil;&atilde;o social n&atilde;o-estatista e da garantia e avan&ccedil;o dos direitos fundamentais da maioria dos latino-americanos. Para isso &eacute; preciso debater como seria um processo de acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as visando &agrave; constru&ccedil;&atilde;o deste projeto pol&iacute;tico por fora e muitas vezes em contra a jogatina eleitoral da democracia de mercado (liberal, representativa, delegativa, ritual&iacute;stica sem conte&uacute;do). <\/p>\n<p>Na defesa e busca de um novo paradigma; de um novo ponto de vista e interpreta&ccedil;&atilde;o <\/p>\n<p>Neste texto afirmo que a id&eacute;ia de pol&iacute;tica vive uma crise, e que especificamente, falta teoria para a democracia radical. Como se sabe, sem teoria de c&acirc;mbio, n&atilde;o h&aacute; a menor possibilidade de transformar a nada. Entendo a teoria como um conjunto de id&eacute;ias-guia, de conceitos operacionais e de um discurso articulado e coerente. Mas, que este conceito precisa ser testado e praticado. Esta &eacute; a diferen&ccedil;a fundamental de teoria para fantasia. <\/p>\n<p>Infelizmente, as teorias democr&aacute;ticas referenciadas na Am&eacute;rica Latina t&ecirc;m de exercer uma constante luta intelectual para ser reconhecidas por seus pares. Isto n&atilde;o &eacute; novidade, nem no universo das ci&ecirc;ncias humanas do Continente, e tampouco no intestino de uma parte da esquerda que &eacute; t&atilde;o euroc&ecirc;ntrica e colonizada em sua ess&ecirc;ncia como as transnacionais as quais combatemos. Vou al&eacute;m, ouso afirmar que a luta de id&eacute;ias e de conceitos-chave &eacute; algo t&atilde;o agressivo como uma batalha campal. Rodolfo Walsh, jornalista e m&aacute;rtir da Argentina, dizia praticar o &ldquo;violento of&iacute;cio de escrever&rdquo;; Michel Foucault afirma que a &ldquo;ci&ecirc;ncia &eacute; algo dolorido e o estudo &eacute; tamb&eacute;m sofrimento&rdquo;. Vejo a batalha te&oacute;rica-epistemol&oacute;gica como parte de nossa longa marcha de mais de 500 anos para nos constituirmos. <\/p>\n<p>No caso de uma Organiza&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica, a op&ccedil;&atilde;o por vari&aacute;veis macro-explicativas em detrimento de outras, &eacute; da natureza da a&ccedil;&atilde;o. Preferir algo &eacute; ferir, &eacute; dizer &ldquo;isto vai&rdquo; &ldquo;aquilo n&atilde;o vai&rdquo;. Parto do princ&iacute;pio que o fazer pol&iacute;tico est&aacute; submetido &agrave; dimens&atilde;o ideol&oacute;gica e que isto &eacute; constitutivo, passando longe de qualquer bobagem de &ldquo;falsa consci&ecirc;ncia&rdquo; ou &ldquo;espelho invertido da realidade&rdquo;. A dimens&atilde;o ontol&oacute;gica est&aacute; para a ci&ecirc;ncia como a ideol&oacute;gica est&aacute; para a teoria emp&iacute;rica do fazer pol&iacute;tica. Esta se apresenta na motiva&ccedil;&atilde;o da teoria e da a&ccedil;&atilde;o, e ao analisar as realidades aparentes (porque s&atilde;o v&aacute;rias ao inv&eacute;s de uma), implica necessariamente nas escolhas feitas, nas ferramentas de an&aacute;lise elencadas como v&aacute;lidas e no uso de um corpo conceitual que seja coerente com os pressupostos te&oacute;ricos, os m&eacute;todos de trabalho e o suporte ideol&oacute;gico dos pr&oacute;prios ativistas e militantes. <\/p>\n<p>Estas caracter&iacute;sticas, da rela&ccedil;&atilde;o entre ideologia, id&eacute;ias-guia (doutrina) e teoria n&atilde;o cont&ecirc;m nenhuma contradi&ccedil;&atilde;o ou conflito inerente. Sou contra toda e qualquer id&eacute;ia de cientificismo, e considero absurda uma no&ccedil;&atilde;o de que exista uma consci&ecirc;ncia pr&oacute;pria de cada classe ou sujeito social. Isso simplesmente n&atilde;o existe. A consci&ecirc;ncia se forja de acordo com as identidades, as op&ccedil;&otilde;es, as lutas vividas, e pelo tipo de aprendizado pol&iacute;tico-pedag&oacute;gico que um setor ou conjunto de setores oprimidos tenham passado e sofrido. Os valores essenciais da liberdade, da diversidade, da igualdade de direitos e condi&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas de vida, necessitam de uma teoria pol&iacute;tica que jogue para acumular for&ccedil;as no rumo de uma democracia pol&iacute;tica de base libert&aacute;ria. Este regime pol&iacute;tico, o do federalismo de base popular e democr&aacute;tica, deve ser sustentado por um modelo de desenvolvimento e conseq&uuml;ente modo de produ&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel, auto-gestion&aacute;rio e voltado para atender as maiorias. <\/p>\n<p>Internalizar o projeto social &eacute; vetar o fetiche do consumo como realiza&ccedil;&atilde;o <\/p>\n<p>Tudo o exposto acima tamb&eacute;m implica que os militantes produzam uma cultura para seu desenvolvimento na mudan&ccedil;a social proposta. Ou seja, que estas minorias sejam perme&aacute;veis ao que passa ao seu redor, mas ao mesmo tempo, consigam agregar uma s&eacute;rie de valores solid&aacute;rios, remando contra a mar&eacute; das sociedades de consumo desenfreado e das rela&ccedil;&otilde;es superficiais. Passa tamb&eacute;m por determinadas mudan&ccedil;as de comportamento cotidiano, internaliza&ccedil;&atilde;o do projeto de longo prazo e a convic&ccedil;&atilde;o no estilo de trabalho (processo e comportamento militante, calcados na mod&eacute;stia e na tenacidade). Um processo de democracia radical deve apontar para outras formas de poder, tendo como condi&ccedil;&atilde;o de exist&ecirc;ncia que sua dire&ccedil;&atilde;o seja de baixo para cima e n&atilde;o o inverso. Desse abaixo e esse acima, n&atilde;o significa hierarquia, mas sim inst&acirc;ncias organizativas sociais, constru&iacute;das pelos que est&atilde;o na base da pir&acirc;mide social. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.unisinos.br\/ihu\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=23086\">Artigo publicado originalmente no portal do Instituto Humanitas Unisinos. <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A defesa dos direitos fundamentais e do exerc\u00edcio da soberania pol\u00edtica se conquista nas ruas e n\u00e3o nas urnas do sistema liberal-burgu\u00eas. Um grande exemplo nos \u00e9 dado pelo povo de Oaxaca, M\u00e9xico, atrav\u00e9s de uma inst\u00e2ncia de s\u00edntese decis\u00f3ria como a APPO. 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