{"id":1021,"date":"2009-06-18T16:11:39","date_gmt":"2009-06-18T16:11:39","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1021"},"modified":"2009-06-18T16:11:39","modified_gmt":"2009-06-18T16:11:39","slug":"os-atos-secretos-do-senado-sequer-sao-republicanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1021","title":{"rendered":"Os atos secretos do Senado sequer s\u00e3o republicanos"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sarney_e_juca.jpg\" title=\"Jos\u00e9 Sarney e Romero Juc\u00e1, arenistas de sempre e membros da base aliada de Lula. Mesmo n\u00e3o sendo os principais respons\u00e1veis pela bandalha no Senado, s\u00e3o operadores de confian\u00e7a do fisiologismo planaltino.   - Foto:bp2\" alt=\"Jos\u00e9 Sarney e Romero Juc\u00e1, arenistas de sempre e membros da base aliada de Lula. Mesmo n\u00e3o sendo os principais respons\u00e1veis pela bandalha no Senado, s\u00e3o operadores de confian\u00e7a do fisiologismo planaltino.   - Foto:bp2\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Jos\u00e9 Sarney e Romero Juc\u00e1, arenistas de sempre e membros da base aliada de Lula. Mesmo n\u00e3o sendo os principais respons\u00e1veis pela bandalha no Senado, s\u00e3o operadores de confian\u00e7a do fisiologismo planaltino.  <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:bp2<\/small><\/figure>\n<p>17 de junho de 2009, da Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Mais uma vez a c&acirc;mara alta do parlamento brasileiro presta um grande desservi&ccedil;o. N&atilde;o falo especificamente da gest&atilde;o do arenista Jos&eacute; Sarney na presid&ecirc;ncia da casa, mas da &ldquo;descoberta&rdquo; dos atos secretos. Na verdade, o que houve foi uma abertura de mais uma caixa preta do trato da coisa p&uacute;blica com m&atilde;os e intencionalidade privada. Queimaram mais uma medida que costuma ser aplicada para outros tipos de neg&oacute;cios de Estado. Explico.<\/p>\n<p>O ritual de segredo parlamentar costuma ser utilizado na rela&ccedil;&atilde;o com o Executivo para temas sens&iacute;veis. Lembro que em 2002, ainda no primeiro ano de mestrado em ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, fiz um trabalho que analisava as formas de controle do Congresso dos EUA para com a chamada comunidade de seguran&ccedil;a e informa&ccedil;&otilde;es. Pois dentro do Capit&oacute;lio operavam mais de 14 comiss&otilde;es e subcomiss&otilde;es, mistas ou exclusivas, e quase todas trabalhavam a maior parte do tempo em condi&ccedil;&otilde;es de segredo de Estado. Aplicava-se a condi&ccedil;&atilde;o secreta para uma mat&eacute;ria de envergadura, vinculada ao complexo industrial militar e os interesses pouco p&uacute;blicos do Pent&aacute;gono. No caso, a elite pol&iacute;tica estadunidense preserva as medidas para os grandes neg&oacute;cios e n&atilde;o para prebendas fisiol&oacute;gicas ou nepotismo. <\/p>\n<p>N&atilde;o quero dizer com isso que os plutocratas que comandam a democracia liberal estadunidense sejam perfeitos na defesa apenas daquilo que &eacute; estrat&eacute;gico para eles, muito pelo contr&aacute;rio. Mas, ao menos, neste ponto, at&eacute; eles fazem pol&iacute;tica em segredo para temas de ordem geral e n&atilde;o para o balc&atilde;o de &ldquo;secos e molhados&rdquo; da cultura pol&iacute;tica paroquiana. Qualquer um que acompanhe a pol&iacute;tica sabe da import&acirc;ncia do trato com a coisa p&uacute;blica. Em tese, qualquer ato de Estado &ndash; e por conseq&uuml;&ecirc;ncia de governo e de mandato &ndash; deveria obedecer aos princ&iacute;pios de Legalidade, Impessoalidade, Moralidade e Publicidade. Sem exageros, quando s&atilde;o abertas as entranhas do Senado o que se v&ecirc; &eacute; o oposto disso. <\/p>\n<p>Para complicar a situa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; justo mandar a conta dos atos secretos apenas para o diretor-geral, os senadores que comp&otilde;em a Mesa Diretora ou o presidente e o primeiro-secret&aacute;rio de turno. Em alto n&iacute;vel decis&oacute;rio, n&atilde;o h&aacute; inoc&ecirc;ncia pol&iacute;tica. Consente quem cala e comete crime por omiss&atilde;o. N&atilde;o &eacute; aceit&aacute;vel um senador que argumente desconhecer o rito e regimento interno da casa. Simplesmente, o detentor de mandato &eacute; pago pela na&ccedil;&atilde;o para legislar e tem por obriga&ccedil;&atilde;o conhecer as normas de funcionamento de seu posto. O m&iacute;nimo que se exigiria do Senado &eacute; a devassa total dos atos secretos nos &uacute;ltimos 14 anos, uma medida urgente proibindo qualquer forma de nepotismo (direto ou cruzado) at&eacute; o terceiro grau de parentesco e o ressarcimento imediato dos recursos gastos a partir de atos n&atilde;o p&uacute;blicos. <\/p>\n<p>Esse receitu&aacute;rio, de base institucionalista e procedimental, seria o paliativo para dar sobrevida ao capital pol&iacute;tico do combalido Senado brasileiro. Mas, a experi&ecirc;ncia nos diz que isso jamais ocorrer&aacute; de forma sum&aacute;ria. Ao contr&aacute;rio, cada medida de transpar&ecirc;ncia no parlamento nacional &eacute; uma conquista da sociedade, a duras penas arrancada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Sarney e Romero Juc\u00e1, arenistas de sempre e membros da base aliada de Lula. 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