{"id":10292,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=26"},"modified":"2023-03-13T21:48:02","modified_gmt":"2023-03-14T00:48:02","slug":"entrevista-com-o-presidente-da-apcf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10292","title":{"rendered":"Entrevista com o presidente da APCF"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/banestado.jpg\" title=\"Perito da \u00e1rea de crimes financeiros, Leadabal afirma que crimes como a lavagem de dinheiro do Banestado s\u00e3o cometidos por pessoas influentes da sociedade. - Foto:Bonde\" alt=\"Perito da \u00e1rea de crimes financeiros, Leadabal afirma que crimes como a lavagem de dinheiro do Banestado s\u00e3o cometidos por pessoas influentes da sociedade. - Foto:Bonde\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Perito da \u00e1rea de crimes financeiros, Leadabal afirma que crimes como a lavagem de dinheiro do Banestado s\u00e3o cometidos por pessoas influentes da sociedade.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Bonde<\/small><\/figure>\n<p>Entrevista com o perito de pol&iacute;cia federal ROOSEVELT LEADEBAL JR., presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) &ndash; quando da data do trabalho. A entrevista ocorrera em Bras&iacute;lia, no dia 06\/08\/2003, na sede da entidade corporativa dos peritos. A mesma fez parte do trabalho de disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica (PPG Pol&iacute;tica\/UFRGS, com bolsa de dedica&ccedil;&atilde;o exclusiva da CAPES), com o t&iacute;tulo:<\/p>\n<p>&ldquo;A Pol&iacute;cia Federal ap&oacute;s a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988: pol&iacute;cia de governo, seguran&ccedil;a de Estado e pol&iacute;cia judici&aacute;ria.&rdquo;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma vez que as entrevistas (s&atilde;o quatro) constaram como Anexo da disserta&ccedil;&atilde;o e fica absolutamente imposs&iacute;vel <st2:hm>considerar<\/st2:hm> sua publica&ccedil;&atilde;o junto do livro fruto deste trabalho, optei por public&aacute;-las aqui, em sequ&ecirc;ncia, na condi&ccedil;&atilde;o de Teoria. Teoria por <st2:hm>ser<\/st2:hm> um trabalho direcionado, roteirizado, com objetivos anal&iacute;ticos precisos. O conjunto das entrevistas aparecera no texto final da disserta&ccedil;&atilde;o como Anexo I.<\/p>\n<p>Consta neste Anexo I, entrevistas com representantes das entidades estudadas e da Dire&ccedil;&atilde;o-Geral, gest&atilde;o Paulo Lacerda. Todas as entrevistas foram realizadas em Bras&iacute;lia, no m&ecirc;s de agosto de 2003. Est&atilde;o apresentadas em ordem cronol&oacute;gica, tem suas p&aacute;ginas numeradas e n&atilde;o foram editadas (est&atilde;o na &iacute;ntegra). Abaixo, antes de <st2:hm>entrar<\/st2:hm> nas entrevistas, nos pareceu interessante <st2:hdm>expor<\/st2:hdm> o roteiro inicial pensado para estas entrevistas, ainda no m&ecirc;s de junho de 2003. Estas perguntas n&atilde;o est&atilde;o em ordem de import&acirc;ncia, nem tampouco seriam feitas seguindo algum ordenamento pr&eacute;vio. <st2:hm>Apresentar<\/st2:hm> este roteiro nos pareceu interessante para <st2:hdm>expor<\/st2:hdm> o tipo de informa&ccedil;&atilde;o que quer&iacute;amos, a busca do contradit&oacute;rio dos depoimentos e <st2:hm>poder<\/st2:hm> <st2:hm>comparar<\/st2:hm> entre o momento pr&eacute;vio e o que realmente foi obtido atrav&eacute;s destas fontes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com as perguntas previamente roteirizadas, procuramos <st2:hdm>expor<\/st2:hdm> um pouco do roteiro como um mapeamento anal&iacute;tico indireto. Deste mapeamento, obt&ecirc;m-se uma dedu&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de via de aproxima&ccedil;&atilde;o indireta. O guia b&aacute;sico dos conceitos embutidos no roteiro &eacute;:<\/p>\n<p>Prerrogativas das FFAA (militares) por sobre o aparelho constitucionalmente v&aacute;lido (a PF) &ndash; Esp&iacute;rito de Corpo &ndash; Obedi&ecirc;ncia a Justi&ccedil;a, ao Ministro ou a Presid&ecirc;ncia &ndash; Justi&ccedil;a X Direito &ndash; L&oacute;gica punitiva diferenciada como fator de desigualdade estrutural do Sistema &ndash; Autonomiza&ccedil;&atilde;o dos Agentes Sociais mesmo no interior da PF &ndash; Autonomiza&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica no interior do Aparelho de Estado, mesmo sendo este um Aparelho policial &ndash; Espiocracia como forma de Burocracia &ndash; Criminaliza&ccedil;&atilde;o do Capitalismo &ndash; Classe Dominante e Classe Dirigente com pr&aacute;ticas criminalizadas de ordem estrutural &ndash; Organiza&ccedil;&atilde;o Criminosa X Rede de Quadrilhas &ndash; Organiza&ccedil;&atilde;o Criminosa X Fragmenta&ccedil;&atilde;o da(s) Forma(s) de Repress&atilde;o &ndash; Concorr&ecirc;ncias, Compet&ecirc;ncias e disputas Intra-Policiais &ndash; Disputas Internas da(s) Comunidade(s) de Informa&ccedil;&otilde;es e Intelig&ecirc;ncia &#8211; Limites do Jogo Democr&aacute;tico X Jogo real das disputas pelo poderes de fato em todos os n&iacute;veis &ndash; Campo Jur&iacute;dico + Burocracia Policial X Democracia Deliberativa &#8211; Repress&atilde;o Seletiva, Repress&atilde;o pol&iacute;tica (e das for&ccedil;as sociais) como forma de sub-sele&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Roteiro pr&eacute;vio para as entrevistas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Como o senhor analisa as acusa&ccedil;&otilde;es de inger&ecirc;ncia dos EUA (a exemplo do dossi&ecirc; da revista Carta Capital), atrav&eacute;s da embaixada e com financiamento direto de opera&ccedil;&otilde;es e <st3:sinonimos>treinamento<\/st3:sinonimos> por parte da CIA, DEA e FBI, no interior da PF? Estas den&uacute;ncias procedem? H&aacute; setores que n&atilde;o respondem mais &agrave; hierarquia do &oacute;rg&atilde;o e sim diretamente &agrave;s ag&ecirc;ncias dos EUA? Se a afirma&ccedil;&atilde;o for positiva, quais seriam as alternativas para <st2:hm>realizar<\/st2:hm> estas opera&ccedil;&otilde;es, equipagem e <st3:sinonimos>treinamento<\/st3:sinonimos>?<\/p>\n<p>&#8211; Qual &eacute;, baseado na opini&atilde;o do senhor e em sua experi&ecirc;ncia profissional, a rela&ccedil;&atilde;o e a possibilidade de trabalho em conjunto entre a PF e o GSI\/ABIN? Quais seriam, ainda na opini&atilde;o do senhor, os pap&eacute;is precisos da PF e da ABIN? Quem deveria <st2:hdm>operar<\/st2:hdm>, aonde e sob qual tipo de coordena&ccedil;&atilde;o? No plano do concreto, que tipo de influ&ecirc;ncia exercia o general Cardoso sobre a PF e o conjunto da &ldquo;comunidade de intelig&ecirc;ncia&rdquo;, especialmente a <st2:hm>partir<\/st2:hm> da queda de Vicente Chelotti at&eacute; o fim do 2o mandato de Fernando Henrique Cardoso?<\/p>\n<p>&#8211; Como entende que deveriam <st2:hm>ser<\/st2:hm> as carreiras de delegado e agente na PF? Considera poss&iacute;vel uma PF sob os moldes do FBI atual (p&oacute;s-Hoover e com cargo &uacute;nico)? Considera poss&iacute;vel uma PF onde os agentes ou outra categoria da carreira policial voltem a <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> exig&ecirc;ncia de 2o grau completo ao inv&eacute;s de n&iacute;vel superior?<\/p>\n<p>&#8211; O que o senhor pensa sobre as transforma&ccedil;&otilde;es no MJ? Deveria <st2:hm>funcionar<\/st2:hm> como um Minist&eacute;rio do Interior? Considera necess&aacute;ria a exist&ecirc;ncia de uma Guarda Federal Fardada e com emprego a n&iacute;vel nacional? Existindo esta Guarda, como ficaria a rela&ccedil;&atilde;o com o Ex&eacute;rcito, especialmente em zonas que h&aacute; Pelot&otilde;es Especiais de Fronteira? Seria empregada esta Guarda somente na faixa de fronteira ou tamb&eacute;m para interven&ccedil;&atilde;o nos estados?<\/p>\n<p>&#8211; Qual deveria <st2:hm>ser<\/st2:hm>, tanto o crit&eacute;rio como a motiva&ccedil;&atilde;o para uma interven&ccedil;&atilde;o federal em estados, micro-regi&otilde;es e\/ou munic&iacute;pios? Poderiam justificativas poss&iacute;veis, apenas para <st2:hm>exemplificar<\/st2:hm>:<\/p>\n<p>Por calamidade p&uacute;blica? Zona de emerg&ecirc;ncia? Por corrup&ccedil;&atilde;o end&ecirc;mica? Por rebeli&atilde;o de pol&iacute;cias? &Aacute;rea de seguran&ccedil;a nacional? Descontrole do Estado, como no chamado Pol&iacute;gono da Maconha? Munic&iacute;pios na faixa de fronteira? Tratando de um caso espec&iacute;fico, foi a favor da interven&ccedil;&atilde;o federal no Esp&iacute;rito Santo, a que n&atilde;o ocorreu, no ano de 2002? Porque?<\/p>\n<p>&#8211; Pediria ao senhor que fizesse uma an&aacute;lise profissional e pol&iacute;tica, pormenorizada, dos seguintes profissionais, quando no exerc&iacute;cio de fun&ccedil;&otilde;es de chefia e lideran&ccedil;a no &oacute;rg&atilde;o:<\/p>\n<p>&#8211; A gest&atilde;o de Vicente Chelotti como DG da PF?<\/p>\n<p>&#8211; A gest&atilde;o de Romeu Tuma como DG da PF? A presen&ccedil;a pol&iacute;tica e profissional de Tuma no &oacute;rg&atilde;o?<\/p>\n<p>&#8211; Qual &eacute; hoje, o grau de coordena&ccedil;&atilde;o entre os MPs estaduais e Federal com a PF? Considera a atua&ccedil;&atilde;o do GAECO do MP-SP e a Superintend&ecirc;ncia naquele estado como <st2:hdm>modelar<\/st2:hdm>? Qual seria ent&atilde;o o tipo de coordena&ccedil;&atilde;o, incluindo o n&iacute;vel dos recursos e o grau de autonomia t&aacute;tica, necess&aacute;rios para <st2:hm>fazer<\/st2:hm> frente as urg&ecirc;ncias investigativas e processuais?<\/p>\n<p>&#8211; Como o senhor v&ecirc; o papel da PF como &oacute;rg&atilde;o executor de repress&atilde;o pol&iacute;tica e social? Esta fun&ccedil;&atilde;o seria da ABIN? Seria da pr&oacute;pria PF? Como se dariam ent&atilde;o as antecipa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para <st2:hm>cumprir<\/st2:hm> o trabalho? Deveria <st2:hm>ser<\/st2:hm> exercida, por exemplo, infiltra&ccedil;&atilde;o no MST e repress&atilde;o &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias?<\/p>\n<p>&#8211; O senhor v&ecirc; necessidade da figura do delegado no processo de instru&ccedil;&atilde;o, presidindo Inqu&eacute;rito Policial? Para que serve ent&atilde;o o IPL? Como funcionaria ent&atilde;o uma pol&iacute;cia exclusivamente investigativa e judici&aacute;ria?<\/p>\n<p>&#8211; Como o senhor v&ecirc; o papel da FENAPEF e dos sindicatos estaduais na PF? Como o senhor v&ecirc; o papel da ADPF e as respectivas associa&ccedil;&otilde;es e sindicatos estaduais de delegados, na PF? Tanto hoje como durante a gest&atilde;o de Chelotti?<\/p>\n<p>&#8211; Se o senhor fizesse um mapeamento da institui&ccedil;&atilde;o, quantos setores de fato existem hoje? Seus interesses s&atilde;o conflitantes, s&atilde;o confluentes? Seus projetos para o &oacute;rg&atilde;o s&atilde;o conflitantes, s&atilde;o confluentes? A hierarquia do &oacute;rg&atilde;o exerce de fato <st2:hm>poder<\/st2:hm> de mando no conjunto dos servidores? Que setores t&ecirc;m autonomia dentro da pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>&#8211; Existe continu&iacute;smo na PF? Existe continu&iacute;smo de resqu&iacute;cios e pessoal do regime <st2:hm>militar<\/st2:hm>? Que relev&acirc;ncia tem esse continu&iacute;smo, caso exista, para a filosofia de trabalho do &oacute;rg&atilde;o?<\/p>\n<p>&#8211; Existe alguma transpar&ecirc;ncia na PF? Que tipo de transpar&ecirc;ncia e rela&ccedil;&atilde;o com a sociedade, na opini&atilde;o do senhor, deveria <st2:hm>existir<\/st2:hm>?<\/p>\n<p>&#8211; Caso o senhor tivesse <st2:hm>poder<\/st2:hm> de mando e execu&ccedil;&atilde;o, que mudan&ccedil;as realizaria na PF?<\/p>\n<p>ENTREVISTA<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Como procedimento, eu gostaria que tu dissesse o ano em que come&ccedil;ou no Departamento e um pouco da carreira, sucintamente.<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Meu nome &eacute; Roosevelt, sou perito criminal federal atualmente estou presidindo a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Peritos Criminais Federais da Pol&iacute;cia Federal. Eu ingressei no Departamento de Pol&iacute;cia Federal atrav&eacute;s do concurso de 1993 e comecei o exerc&iacute;cio das atividades como perito na Pol&iacute;cia no ano de 1996. Em julho de 1996 comecei, saiu a nomea&ccedil;&atilde;o, entrei em exerc&iacute;cio, tomei posse. E no in&iacute;cio de 1996 fiz o curso de forma&ccedil;&atilde;o para perito criminal federal. Desde l&aacute; comecei minhas atividades no Instituto Nacional de Criminal&iacute;stica aqui em Bras&iacute;lia, depois fui removido para Vit&oacute;ria, no Esp&iacute;rito Santo, onde fiquei at&eacute; o meio do ano passado, at&eacute; julho de 2002, quando voltei aqui para Bras&iacute;lia. E espero, depois que <st2:hm>acabar<\/st2:hm> meu mandato como presidente, pretendo <st2:hm>voltar<\/st2:hm> para o Esp&iacute;rito Santo.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Bom, vou <st2:hm>pegar<\/st2:hm> o in&iacute;cio no Esp&iacute;rito Santo. Eu selecionei algumas perguntas, mas eu estou pegando em ordem aleat&oacute;ria. Tu estavas l&aacute; no ano passado, correto?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Sim.<\/p>\n<p>BRUNO &#8211; Por que tu achas que n&atilde;o houve interven&ccedil;&atilde;o, se deveria <st2:hm>haver<\/st2:hm> ou n&atilde;o e como perito como deveria se <st2:hm>proceder<\/st2:hm> l&aacute;?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Eu n&atilde;o tive acesso aos autos do processo para <st2:hdm>ocorrer<\/st2:hdm> a interven&ccedil;&atilde;o. Mas por todas as informa&ccedil;&otilde;es que n&oacute;s obtivemos, tinha prova mais do que suficiente para que ocorresse a interven&ccedil;&atilde;o. A interven&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se deu por uma quest&atilde;o pol&iacute;tica, n&eacute;, por uma decis&atilde;o pol&iacute;tica. Foi not&oacute;rio, toda a sociedade capixaba se manifestou contr&aacute;ria &agrave; decis&atilde;o da n&atilde;o interven&ccedil;&atilde;o. Todos n&oacute;s, e na &eacute;poca eu era vice-presidente do sindicato no Esp&iacute;rito Santo, dos policiais federais do Esp&iacute;rito Santo, e n&oacute;s nos manifestamos a favor da interven&ccedil;&atilde;o. Porque acredit&aacute;vamos que seria o &uacute;nico meio da sociedade capixaba <st2:hm>voltar<\/st2:hm> a <st2:hm>respirar<\/st2:hm> num mundo sem corrup&ccedil;&atilde;o diferente do que foi o mundo governado pelo ex-governador Jos&eacute; Ign&aacute;cio..<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Dava para <st2:hm>associar<\/st2:hm>, olha s&oacute;, por exemplo, quando eu, no caso, na reda&ccedil;&atilde;o em jornalismo, quando a gente fazia curso de jornalismo investigativo, a cr&iacute;tica que se fazia por dentro era que por exemplo no Rio de Janeiro, por dedu&ccedil;&atilde;o natural, o rep&oacute;rter entrava na favela atr&aacute;s da PM. Ou seja, j&aacute; se d&aacute; um &acirc;ngulo que o crime est&aacute; concentrado onde o n&iacute;vel de <st3:sinonimos>pobreza<\/st3:sinonimos> &eacute; maior. Tu como perito poderia <st2:hdm>falar<\/st2:hdm> que em termos de crimes federais, especificamente crimes financeiros, se d&aacute; o inverso?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Sem d&uacute;vida, a minha &aacute;rea de forma&ccedil;&atilde;o, eu n&atilde;o falei, eu sou economista e sou bacharel em Direito e a minha &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o como perito &eacute; na &aacute;rea de crimes financeiros. Ent&atilde;o, a grande maioria dos crimes, eles s&atilde;o cometidos por pessoas influentes da sociedade, pelo alto escal&atilde;o. E o nosso objetivo &eacute; exatamente <st2:hm>conseguir<\/st2:hm> <st2:hdm>provar<\/st2:hdm> esses tipos de crimes cometidos. Temos v&aacute;rios exemplos, o caso do Banco Nacional, o Banco Econ&ocirc;mico, a pr&oacute;pria lavagem de dinheiro ocorrida atrav&eacute;s do BANESTADO. Ent&atilde;o, o que a gente tem percebido &eacute; exatamente isso. Agora, vale <st2:hm>destacar<\/st2:hm> tamb&eacute;m que a Pol&iacute;cia Federal n&atilde;o est&aacute; preparada para <st2:hm>investigar<\/st2:hm> esse tipo de crime. E a&iacute; voc&ecirc; fala, p&ocirc;xa, a Pol&iacute;cia Federal n&atilde;o est&aacute; preparada, mas como &eacute; que ela consegue? Ela consegue, e a gente s&oacute; entende depois depois que a gente entra, exatamente pelo capital humano que ela tem, entendeu? Apesar de todas as defici&ecirc;ncias, da falta de investimentos, da falta de iniciativas, de uma gest&atilde;o na Pol&iacute;cia Federal voltada apenas para <st2:hdm>produzir<\/st2:hdm> Inqu&eacute;rito ao inv&eacute;s de <st2:hdm>produzir<\/st2:hdm> prova, a gente ainda consegue. E consegue sobretudo por causa da vontade do policial federal, n&atilde;o s&oacute; do perito, de todos, porque as defici&ecirc;ncias s&atilde;o enormes, o que n&oacute;s enfrentamos no dia a dia. Falta, s&oacute; para voc&ecirc; <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> uma id&eacute;ia, falta at&eacute; dinheiro para <st2:hm>revelar<\/st2:hm> filme de m&aacute;quina fotogr&aacute;fica. As pessoas pensam que isso n&atilde;o existe na Pol&iacute;cia Federal. A Pol&iacute;cia Federal hoje est&aacute; devendo R$ 35 mil reais para a Pol&iacute;cia Civil daqui do Distrito Federal porque n&atilde;o tem dinheiro para <st2:hm>continuar<\/st2:hm> a <st2:hm>fazer<\/st2:hm> exames de DNA. Os exames de DNA da Pol&iacute;cia est&atilde;o sendo feitos atrav&eacute;s de um conv&ecirc;nio informal, se &eacute; que existe conv&ecirc;nio informal com o pessoal daqui da Pol&iacute;cia Civil, com o laborat&oacute;rio, o pessoal utiliza os equipamentos l&aacute;, e deve R$ 35 mil reais que est&atilde;o pendentes l&aacute;. Ent&atilde;o, &eacute; s&oacute; para voc&ecirc; <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> uma id&eacute;ia da efici&ecirc;ncia. Agora, os crimes cometidos, e a apura&ccedil;&atilde;o dos crimes financeiros que a gente atua, essencialmente s&atilde;o feitos por pessoas, como &eacute; que a gente pode <st2:hm>dizer<\/st2:hm> assim, da elite da sociedade. E aquele crime que a gente observa na porta, usando o exemplo do policial <st2:hm>militar<\/st2:hm>, do traficante no morro; ou <st2:hm>dar<\/st2:hm> outra not&iacute;cia <st3:sinonimos>pra<\/st3:sinonimos> voc&ecirc;: a pol&iacute;cia at&eacute; hoje n&atilde;o investiga a vincula&ccedil;&atilde;o da compra e venda da mercadoria chamada droga como essencialmente a mercadoria. Ou seja, porque n&atilde;o importa <st3:sinonimos>pra<\/st3:sinonimos> mim que seja <st3:sinonimos>apreendido<\/st3:sinonimos> uma tonelada, o que importa para a sociedade &eacute; que sejam apreendidos os milh&otilde;es de d&oacute;lares que foram feitos atrav&eacute;s da contraven&ccedil;&atilde;o. Mas a m&iacute;dia publica o qu&ecirc;? A a&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia &eacute; aquela tonelada de coca&iacute;na. Ent&atilde;o a Pol&iacute;cia Federal hoje, ela n&atilde;o faz esse tipo de trabalho, at&eacute; hoje ela n&atilde;o faz e eu falo isso porque n&atilde;o tem nenhum perito da &aacute;rea de crimes financeiros fazendo essa vincula&ccedil;&atilde;o. E por que precisa de um perito? Porque &eacute; a interpreta&ccedil;&atilde;o da prova, &eacute; onde voc&ecirc; vai <st2:hm>fazer<\/st2:hm> a vincula&ccedil;&atilde;o. A transa&ccedil;&atilde;o comercial, a compra e venda de mercadoria e o financiamento saindo, o pagamento de um canto para outro. E a&iacute; &eacute; que eu falo: quem faz isso n&atilde;o &eacute; aquele &ldquo;<st3:sinonimos>Z&eacute;<\/st3:sinonimos> Ningu&eacute;m&rdquo;, aquela mula, que n&atilde;o tem conta corrente, que s&oacute; est&aacute; transportando. Isso a&iacute; &eacute; de gente grande e a Pol&iacute;cia Federal n&atilde;o faz isso.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; D&aacute; para <st2:hm>entender<\/st2:hm> que nesse espa&ccedil;o &eacute; que entra o Minist&eacute;rio P&uacute;blico investigando fora da sua atribui&ccedil;&atilde;o e que entra ganhando espa&ccedil;o?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; N&atilde;o, &eacute; exatamente por n&atilde;o <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> essa vis&atilde;o foi que o Minist&eacute;rio P&uacute;blico come&ccedil;ou a <st2:hm>atuar<\/st2:hm> com todos os seus m&eacute;ritos. Ainda bem que hoje o Minist&eacute;rio P&uacute;blico est&aacute; querendo <st2:hm>ir<\/st2:hm> al&eacute;m. Ele teve essa proje&ccedil;&atilde;o, essa id&eacute;ia, essa atribui&ccedil;&atilde;o de tamb&eacute;m <st2:hm>investigar<\/st2:hm> desde o in&iacute;cio as organiza&ccedil;&otilde;es criminosas. Seria, assim, para a sociedade, um grande avan&ccedil;o o fato do Minist&eacute;rio P&uacute;blico pudesse <st2:hm>fazer<\/st2:hm> isso a&iacute;.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Dentro dessa &aacute;rea, como &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o com a Secretaria de Defesa Econ&ocirc;mica e com o CADE?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Eu falo pela per&iacute;cia. N&oacute;s n&atilde;o temos nenhum tipo de vincula&ccedil;&atilde;o nem sabemos de nada do que acontece na Secretaria de Defesa Econ&ocirc;mica nem no CADE. Com o COAF e com a Receita Federal. Com a Receita a gente tem vincula&ccedil;&atilde;o pouca, assim as dificuldades s&atilde;o grandes, a dist&acirc;ncia entre a elabora&ccedil;&atilde;o da prova, da nossa prova financeira com a Receita, com o Banco Central, &eacute; de uma dist&acirc;ncia de norte a sul do pa&iacute;s, &eacute; gigantesca. Ela seria diminu&iacute;da com o COAF. O COAF &eacute; a Conselho de Coordena&ccedil;&atilde;o de Controle de Opera&ccedil;&otilde;es de Administra&ccedil;&atilde;o Financeira, agora esqueci o t&iacute;tulo correto mas vale a pena <st2:hm>estudar<\/st2:hm> para <st2:hm>saber<\/st2:hm> que existe esse &oacute;rg&atilde;o.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Pertence ao Banco Central, n&eacute;?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; N&atilde;o, &eacute; ao Minist&eacute;rio da Fazenda e tem assento a Receita Federal, a Pol&iacute;cia Federal, Banco Central, Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores, v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os t&ecirc;m assento l&aacute;. Para qu&ecirc;? Para que a troca de informa&ccedil;&otilde;es seja feita de maneira din&acirc;mica, r&aacute;pida. E isso n&atilde;o ocorre por que? Porque &eacute; s&oacute; gente do alto escal&atilde;o que est&aacute; ali s&oacute; para <st2:hm>fazer<\/st2:hm> assento e quase n&atilde;o funciona. Era um &oacute;rg&atilde;o para <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> o qu&ecirc;? Para <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> um grupo de t&eacute;cnicos trabalhando onde voc&ecirc; faria o meio campo entre esses &oacute;rg&atilde;os, com as informa&ccedil;&otilde;es sendo trocadas. Isso n&atilde;o existe, de fato n&atilde;o existe. Hoje, as pessoas que s&atilde;o indicadas pela Pol&iacute;cia Federal, s&oacute; est&atilde;o ali indicadas pelo Diretor-Geral mas n&atilde;o t&ecirc;m grau de conhecimento nenhum da necessidade que a per&iacute;cia precisa porque n&atilde;o &eacute; com um delegado que voc&ecirc; vai <st2:hm>conseguir<\/st2:hm> informa&ccedil;&atilde;o. A informa&ccedil;&atilde;o financeira que est&aacute; na prova &eacute; do perito e do auditor. O cara est&aacute; l&aacute;, eu preciso <st2:hm>obter<\/st2:hm> uma informa&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida e eu n&atilde;o tenho. A burocracia para se <st2:hm>investigar<\/st2:hm> &eacute; muito grande, por isso &eacute; que eu sou a favor que o Minist&eacute;rio P&uacute;blico participe, porque com o Minist&eacute;rio Publico voc&ecirc; elimina v&aacute;rias barreiras, o Minist&eacute;rio P&uacute;blico &eacute; muito mais &aacute;gil que os pr&oacute;prios delegados.<\/p>\n<p>BRUNO &#8211; Em fun&ccedil;&atilde;o do qu&ecirc;? T&ecirc;m mais prerrogativas?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &#8211; As prerrogativas constitucionais do pr&oacute;prio Minist&eacute;rio P&uacute;blico. E a pe&ccedil;a do Inqu&eacute;rito Policial, e a pol&iacute;cia foi valorizando o Inqu&eacute;rito Policial porque os delegados perderam v&aacute;rias atribui&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; A APCF tamb&eacute;m &eacute; a favor da extin&ccedil;&atilde;o do Inqu&eacute;rito?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Sim, l&oacute;gico. O que acontece &eacute; o seguinte: o Inqu&eacute;rito, do jeito que est&aacute; a&iacute; hoje, s&oacute; est&aacute; favorecendo a impunidade, os bandidos. Quem quiser <st2:hm>manter<\/st2:hm> o Inqu&eacute;rito, &eacute; porque est&aacute; querendo <st2:hm>defender<\/st2:hm> esse pessoal, entendeu? Se existe algu&eacute;m querendo <st2:hdm>transformar<\/st2:hdm> a seguran&ccedil;a p&uacute;blica em algo &aacute;gil, &eacute; preciso <st2:hm>compreender<\/st2:hm> que essa pe&ccedil;a de inqu&eacute;rito est&aacute; falida, anacr&ocirc;nica, burocr&aacute;tica, ultrapassada. E eu vou te <st2:hm>dizer<\/st2:hm> porque ela se tornou isso, muita gente pensa que a atividade de pol&iacute;cia judici&aacute;ria &eacute; uma atividade de pol&iacute;cia jur&iacute;dica. N&atilde;o existe pol&iacute;cia jur&iacute;dica no mundo inteiro. N&atilde;o existe, voc&ecirc; n&atilde;o encontra em nenhum pa&iacute;s do mundo uma pol&iacute;cia jur&iacute;dica. E a&iacute; voc&ecirc; fala, p&ocirc;xa, o Inqu&eacute;rito Policial n&atilde;o &eacute; uma pe&ccedil;a processual? Est&aacute; no c&oacute;digo do processo penal, n&atilde;o seria jur&iacute;dico? S&oacute; que existem previs&otilde;es de v&aacute;rias pe&ccedil;as outras, que por si, por ela <st2:hm>existir<\/st2:hm> no c&oacute;digo de processo ganha forma jur&iacute;dica. Tanto &eacute; que a defini&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica do Inqu&eacute;rito Policial &eacute; uma pe&ccedil;a informativa administrativa. E a&iacute; as pessoas quiseram <st2:hm>valorizar<\/st2:hm> por demais todo um procedimento burocr&aacute;tico dentro dele. Hoje voc&ecirc; n&atilde;o tem mais investiga&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o raras as investiga&ccedil;&otilde;es que ocorrem. Voc&ecirc; s&oacute; entrega a intima&ccedil;&atilde;o, convoca a pessoa para <st2:hm>ouvir<\/st2:hm> o depoimento dela. Voc&ecirc; valorizou demais o papel. A estat&iacute;stica principal de todas as pol&iacute;cias se voc&ecirc; for <st2:hm>investigar<\/st2:hm> e for <st2:hm>ver<\/st2:hm>, v&atilde;o <st2:hm>dizer<\/st2:hm> &ldquo;Ah, produzimos 50 mil inqu&eacute;ritos, 50 mil inqu&eacute;ritos foram abertos&rdquo;, voc&ecirc; entendeu? &ldquo;40 mil foram relatados.&rdquo; Isso significa o qu&ecirc;? Nada.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Qual &eacute; a propor&ccedil;&atilde;o de conclus&atilde;o?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; De inqu&eacute;ritos &eacute; mais f&aacute;cil voc&ecirc; <st2:hd>perguntar<\/st2:hd> para a Dire&ccedil;&atilde;o-Geral. Agora, a&iacute; voc&ecirc; pergunta, eu fa&ccedil;o uma compara&ccedil;&atilde;o do Inqu&eacute;rito Policial que a pol&iacute;cia, ela deu uma valoriza&ccedil;&atilde;o muito grande em detrimento das outras atividades de investiga&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria per&iacute;cia. E eu vou <st2:hm>dar<\/st2:hm> um exemplo para voc&ecirc;, muito pr&aacute;tico: numa empresa, qual &eacute; o objetivo, a atividade-fim de qualquer empresa? &Eacute; o lucro. E o balan&ccedil;o patrimonial que ela publica &eacute; a formata&ccedil;&atilde;o, a publicidade daquele lucro, ou preju&iacute;zo. E o que isso tem a <st2:hm>ver<\/st2:hm> com a pol&iacute;cia, qual &eacute; o lucro da pol&iacute;cia? &Eacute; a prova. O lucro da pol&iacute;cia &eacute; a prova. As pessoas, a gest&atilde;o policial, elas valorizam o Inqu&eacute;rito, e o Inqu&eacute;rito o que &eacute;, &eacute; o balan&ccedil;o patrimonial, &eacute; a formata&ccedil;&atilde;o, voc&ecirc; entendeu? E a prova &eacute; que &eacute; o lucro. Ent&atilde;o, eles quiseram <st2:hm>valorizar<\/st2:hm> demais essa pe&ccedil;a em detrimento do seu conte&uacute;do, do lucro, que &eacute; a prova. E a&iacute; se voc&ecirc; valoriza a prova, isso &eacute; t&atilde;o &oacute;bvio que o momento de <st2:hdm>produzir<\/st2:hdm> prova na esfera criminal &eacute; onde, &eacute; ali na institui&ccedil;&atilde;o penal, no inqu&eacute;rito, na investiga&ccedil;&atilde;o preliminar, o momento de <st2:hdm>produzir<\/st2:hdm> prova &eacute; ali. Ent&atilde;o a pol&iacute;cia tem que <st2:hm>estar<\/st2:hm> muito mais preocupada com a prova do que pe&ccedil;a. E aconteceu o contr&aacute;rio. Quer <st2:hm>dizer<\/st2:hm>, o que tem ocorrido &eacute; a supervaloriza&ccedil;&atilde;o da pe&ccedil;a, do balan&ccedil;o patrimonial, em detrimento do lucro.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Isso seria em fun&ccedil;&atilde;o de que?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Exatamente em fun&ccedil;&atilde;o de voc&ecirc; <st2:hm>tentar<\/st2:hm> <st2:hm>manter<\/st2:hm> o status quo alcan&ccedil;ado pelos delegados. Porque &eacute; a &uacute;nica forma deles poderem se <st2:hm>tornar<\/st2:hm> juristas, essa &eacute; a realidade. O Inqu&eacute;rito Policial &eacute; uma pe&ccedil;a administrativa, n&atilde;o &eacute; jur&iacute;dica e a&iacute; voc&ecirc; mant&eacute;m o status que voc&ecirc; tinha antes. Quer <st2:hm>dizer<\/st2:hm>, se a gente tivesse um modelo de investiga&ccedil;&atilde;o em que as pessoas estivessem preocupadas em <st2:hm>investigar<\/st2:hm> e <st2:hm>interpretar<\/st2:hm> a prova, apenas isso a&iacute;, seria muito mais r&aacute;pido. Mas n&atilde;o, as pessoas tentam <st2:hm>ocupar<\/st2:hm> um status jur&iacute;dico que na verdade n&atilde;o existe.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Al&eacute;m de interesses corporativos, atribui a alguma outra coisa isso? O Departamento est&aacute; trancado em algum aspecto?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Eu digo o seguinte: &eacute; porque a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, ela trouxe v&aacute;rios avan&ccedil;os. E todas as pol&iacute;cias, elas na verdade elas foram, como a Pol&iacute;cia Federal, ela foi constitu&iacute;da na &eacute;poca da repress&atilde;o do regime <st2:hm>militar<\/st2:hm>. Ent&atilde;o, na Pol&iacute;cia Federal para voc&ecirc; <st2:hm>ocupar<\/st2:hm> um cargo de chefia, quanto tempo durava? Uns 30 anos, certo? Esse pessoal que est&aacute; na gest&atilde;o do Inqu&eacute;rito Policial que previu que delegado n&atilde;o tem mais direito de <st2:hm>fazer<\/st2:hm> uma pris&atilde;o para averigua&ccedil;&atilde;o, busca e apreens&atilde;o, tem que <st2:hdm>pedir<\/st2:hdm> para o juiz, nada mais do que justo. Gra&ccedil;as a Deus a Constitui&ccedil;&atilde;o &eacute; que trouxe tudo isto, para uma outra pessoa <st2:hm>avaliar<\/st2:hm> de maneira &iacute;ntegra, de maneira equilibrada, n&atilde;o &eacute; da maneira que a Justi&ccedil;a pondera, a balancinha &eacute; da Justi&ccedil;a, e n&atilde;o aquela pessoa que est&aacute; na investiga&ccedil;&atilde;o que tem este requisito. Hoje quem &eacute; que manda? S&atilde;o aquelas mesmas pessoas que foram criadas na &eacute;poca da ditadura.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Teve continuidade de nomes?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; S&atilde;o as mesmas. Elas foram criadas na &eacute;poca do regime <st2:hm>militar<\/st2:hm>, da ditadura. Ent&atilde;o elas n&atilde;o conseguem <st2:hm>perceber<\/st2:hm> esse avan&ccedil;o democr&aacute;tico que aconteceu na sociedade. A Pol&iacute;cia n&atilde;o est&aacute; conseguindo, a democracia est&aacute; ampliando, crescendo, a gente nem est&aacute; ampliando, n&eacute;, a democracia no Brasil est&aacute; se desenvolvendo, ela est&aacute; nascendo, e as pessoas ainda n&atilde;o perceberam que ela nasceu. Por qu&ecirc;? Porque elas nasceram num regime ditatorial, <st2:hm>militar<\/st2:hm>, entendeu, onde elas podiam <st2:hm>fazer<\/st2:hm> tudo. Um exemplo disso foi agora, sexta-feira, quando empurraram a Senadora Helo&iacute;sa Helena, o COT (obs. nosso: Comando de Opera&ccedil;&otilde;es T&aacute;ticas, unidade de combate de elite e choque da PF) foi para l&aacute; para <st2:hdm>reprimir<\/st2:hdm> um movimento sindical leg&iacute;timo dos servidores p&uacute;blicos. Mesmo que eles estivessem querendo <st2:hm>invadir<\/st2:hm> pr&eacute;dio p&uacute;blico n&atilde;o era <st3:sinonimos>pra<\/st3:sinonimos> <st2:hm>chamar<\/st2:hm> o COT. N&atilde;o &eacute; para <st2:hm>chamar<\/st2:hm> a Pol&iacute;cia Federal, o grupo de elite. O COT foi preparado para <st2:hdm>matar<\/st2:hdm> bandido, <st2:hm>ir<\/st2:hm> atr&aacute;s de bandido, <st2:hm>investigar<\/st2:hm> crime e n&atilde;o para <st2:hdm>proteger<\/st2:hdm> pr&eacute;dio p&uacute;blico. Ent&atilde;o, quer <st2:hm>dizer<\/st2:hm>, uma atitude dessas, de voc&ecirc; <st2:hm>querer<\/st2:hm> <st2:hm>mandar<\/st2:hm> o COT, o Comando de Opera&ccedil;&otilde;es T&aacute;ticas, grupo de elite da pol&iacute;cia, que &eacute; justamente para <st2:hm>combater<\/st2:hm> o crime organizado, <st2:hm>combater<\/st2:hm> o tr&aacute;fico de drogas, <st2:hdm>subir<\/st2:hdm> no morro, <st2:hm>pegar<\/st2:hm> esse criminoso, n&atilde;o. Ele vai <st2:hm>fazer<\/st2:hm> o que? Quer <st2:hm>dizer<\/st2:hm>, quem est&aacute; na gest&atilde;o atual da Pol&iacute;cia n&atilde;o percebeu que existe democracia, evolu&ccedil;&atilde;o, voc&ecirc; entendeu? E t&atilde;o cedo n&atilde;o vai <st2:hm>acontecer<\/st2:hm>. E a&iacute; voc&ecirc; se pergunta, p&ocirc;xa, por que n&atilde;o vai <st2:hm>acontecer<\/st2:hm> uma democratiza&ccedil;&atilde;o, uma <st3:sinonimos>mudan&ccedil;a<\/st3:sinonimos>, isso tudo que eu estou falando, porque &eacute; t&atilde;o necess&aacute;rio, parece at&eacute; &oacute;bvio, n&eacute;, que a Pol&iacute;cia tivesse como seu lucro, a prova. E a gente est&aacute; se preocupando com a prova? N&atilde;o est&aacute;. Por qu&ecirc;? Por causa da disputa de <st2:hm>poder<\/st2:hm> dentro da Pol&iacute;cia Federal. 27 superintend&ecirc;ncias, quem chefiam? Delegados. A Diretoria da Pol&iacute;cia, s&atilde;o as 6 Diretorias, acho que s&atilde;o 7 diretorias, todos delegados. Nos estados, desde o vereador at&eacute; o governador, todo o mundo quer <st2:hdm>conhecer<\/st2:hdm> o superintendente da Pol&iacute;cia Federal, que &eacute; um delegado. Estou falando em estrutura pol&iacute;tica. Nos estados verifica todos os delegados de pol&iacute;cia civil, eles s&atilde;o vereadores, deputados estaduais, deputados federais s&atilde;o seis, sendo um da Pol&iacute;cia Federal e cinco da Pol&iacute;cia Civil (obs. nosso: este &eacute; o levantamento do entrevistado, o nosso tem mais deputados egressos da PF). Senador tem um. Ent&atilde;o, se voc&ecirc; quiser <st2:hm>mexer<\/st2:hm> em alguma coisa nisso a&iacute;, voc&ecirc; n&atilde;o consegue, porque as pessoas que n&atilde;o est&atilde;o vinculadas &agrave; &aacute;rea de seguran&ccedil;a p&uacute;blica, pode <st2:hm>ser<\/st2:hm> at&eacute; partido de oposi&ccedil;&atilde;o, se o cara n&atilde;o &eacute; da &aacute;rea de seguran&ccedil;a p&uacute;blica, se ele entende disso, na hora do aperto que ele estiver passando, ou com um eleitor dele, ele liga para quem? Para um delegado para <st2:hm>resolver<\/st2:hm>. Porque administrativamente na pol&iacute;cia, manda l&aacute;, que ele resolve. Eu n&atilde;o acredito, assim, no m&iacute;nimo que em 20 anos essa estrutura que est&aacute; a&iacute; seja modificada.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Tu &eacute;s a favor ent&atilde;o de <st2:hm>modificar<\/st2:hm> a Lei Org&acirc;nica?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Sim, eu sou a favor da nova proposta.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Incluindo a de cargo &uacute;nico?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Esse cargo &uacute;nico j&aacute; &eacute; constitucional, n&eacute;, o cargo &uacute;nico j&aacute; existe.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Na pr&aacute;tica?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; N&atilde;o, na verdade n&atilde;o existe carreira. Porque constitucionalmente a gente confunde carreira com cargo, cargo &uacute;nico. Eu sou a favor do cargo &uacute;nico. O que n&oacute;s estamos precisando na Pol&iacute;cia, se a atividade fim dela &eacute; a prova, o que a gente precisa s&atilde;o de especialistas em prova.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Agora isso teria que, pelo que eu conversei l&aacute; no sul, isso teria consequ&ecirc;ncias para a pol&iacute;cia civil tamb&eacute;m, correto? Tipo efeito em cascata.<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Porque o que acontece &eacute; o seguinte, olha o meu racioc&iacute;nio: a nossa atividade fim &eacute; <st2:hdm>produzir<\/st2:hdm> prova. Voc&ecirc; concorda comigo? Parece &oacute;bvio. Ent&atilde;o qual &eacute; o profissional que a pol&iacute;cia precisa? Especialistas em prova. E a&iacute; voc&ecirc; v&ecirc; aqueles que dizem assim: p&ocirc;xa, mas o que &eacute; um especialista em provas? Vai <st2:hm>ser<\/st2:hm> <st2:hm>fazer<\/st2:hm> prova para a gente? Se voc&ecirc; for <st2:hm>pensar<\/st2:hm> em quem comete um crime, quais s&atilde;o as provas dos crimes? As provas dos crimes s&atilde;o s&oacute; de lei? N&atilde;o. A prova do crime &eacute; uma coisa pr&aacute;tica, porque quem comete o crime, cometeu o crime fazendo algum tipo de a&ccedil;&atilde;o criminosa que envolveu n&atilde;o exclusivamente a ci&ecirc;ncia do direito. Superfaturamento de obra, quem cometeu o crime? Foi um engenheiro l&aacute; da obra, entendeu? O que a pol&iacute;cia precisa? O que a pol&iacute;cia precisa <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> &eacute; de um perito engenheiro para <st2:hm>detectar<\/st2:hm> aquilo ali e n&atilde;o um bacharel de direito. Adultera&ccedil;&atilde;o de rem&eacute;dios: quem &eacute; que vai <st2:hdm>encontrar<\/st2:hdm> provas de adultera&ccedil;&atilde;o de rem&eacute;dios? Tu precisa &eacute; de um profissional especialista em farm&aacute;cia.<\/p>\n<p>BRUNO &#8211; Dava para <st2:hm>dizer<\/st2:hm> que hoje, por causa da Constitui&ccedil;&atilde;o at&eacute;, a PF est&aacute; sobrecarregada de tarefas e subdimensionada de pessoal. Tamb&eacute;m em fun&ccedil;&atilde;o de que uma parte do pessoal, uma parte muito alta, est&aacute; envolvida com coisas que est&atilde;o fora da atividade-fim?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Exato. Quem est&aacute; fora da atividade-fim da Pol&iacute;cia, para mim, s&atilde;o os delegados. Eles n&atilde;o est&atilde;o mais nas atividades-fim na Pol&iacute;cia. Pol&iacute;cia judici&aacute;ria n&atilde;o &eacute; voc&ecirc; <st2:hm>ficar<\/st2:hm> sentado num banco anotando Inqu&eacute;rito, n&atilde;o &eacute; isso. Para mim, precisamos de bachar&eacute;is de direito, sim, &oacute;bvio, a Pol&iacute;cia precisa, mas n&atilde;o na quantidade que tem hoje. S&oacute; para voc&ecirc; <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> uma id&eacute;ia, o n&uacute;mero de delegados dentro da Pol&iacute;cia Federal &eacute; tr&ecirc;s vezes maior que o n&uacute;mero de peritos. Voc&ecirc; entendeu? Para cada laudo precisa de dois peritos. Porque o C&oacute;digo de Processo exige dois peritos. Ent&atilde;o se voc&ecirc; fizer uma foto dentro de um Inqu&eacute;rito Policial; num inqu&eacute;rito policial, digamos que no m&iacute;nimo deu dois tipos de provas que precisam de laudo. Porque a per&iacute;cia n&atilde;o serve s&oacute; para <st2:hm>interpretar<\/st2:hm> aquela prova, mas para materializ&aacute;-la tamb&eacute;m, para perpetu&aacute;-la durante os laudos. Para o juiz <st2:hm>saber<\/st2:hm> &ldquo;Ah, esse aqui foi o carro em que colidiu&rdquo; entendeu, isso a&iacute; a gente tem que <st2:hm>perpetuar<\/st2:hm> precisa daquele tipo de laudo. Ent&atilde;o, normalmente um Inqu&eacute;rito Policial tem, no m&iacute;nimo, dois laudos. Um Inqu&eacute;rito normalmente &eacute; presidido por um delegado. Os dois laudos, se voc&ecirc; fizer, precisam de dois peritos. Ent&atilde;o, se voc&ecirc; for <st2:hm>ver<\/st2:hm>, se tiver na Pol&iacute;cia 50 mil Inqu&eacute;ritos pendentes, quantos laudos tinham que <st2:hm>ser<\/st2:hm> produzidos e quantos policiais precisam <st2:hm>ser<\/st2:hm>? A rela&ccedil;&atilde;o tinha que <st2:hm>ser<\/st2:hm> inversa, tinha que <st2:hdm>ter<\/st2:hdm>.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Tu diz, no m&iacute;nimo dois peritos para cada IPL seria no m&iacute;nimo?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; No m&iacute;nimo, meu amigo. Em tese, se n&atilde;o tem laudo vai me <st2:hdm>desculpar<\/st2:hdm>, esse Inqu&eacute;rito a&iacute; com certeza n&atilde;o vai <st2:hm>ser<\/st2:hm> feito nem a den&uacute;ncia. Voc&ecirc; concorda? Porque &eacute; o seguinte, <st3:sinonimos>pra<\/st3:sinonimos> voc&ecirc; <st2:hm>fazer<\/st2:hm> a den&uacute;ncia, s&atilde;o tr&ecirc;s requisitos que o Minist&eacute;rio P&uacute;blico precisa. Porque o Minist&eacute;rio P&uacute;blico manda a den&uacute;ncia e o juiz aceita a den&uacute;ncia. O juiz pode n&atilde;o <st2:hdm>aceitar<\/st2:hdm>. Um &eacute; infra&ccedil;&atilde;o penal, se n&atilde;o tiver aquela infra&ccedil;&atilde;o penal prevista, o juiz n&atilde;o aceita. Se n&atilde;o for crime, o juiz nem aceita. Outro &eacute; a autoria. Se eu n&atilde;o <st2:hm>identificar<\/st2:hm> uma pessoa que fez aquele crime, ou seu co-autor, o juiz tamb&eacute;m n&atilde;o aceita. Pode <st2:hm>ser<\/st2:hm> infra&ccedil;&atilde;o penal, mas n&atilde;o identificando o autor, o juiz n&atilde;o aceita. E outro &eacute; a materialidade. Tem que <st2:hdm>ter<\/st2:hdm>, eu chego e falo: &ldquo;Eu cometi homic&iacute;dio&rdquo;. Mas o corpo n&atilde;o aparece, o juiz tamb&eacute;m n&atilde;o aceita. Ent&atilde;o, para que seja aceita a den&uacute;ncia, tem que <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> esses tr&ecirc;s requisitos. Se n&atilde;o tem o laudo, a materialidade disso a&iacute; j&aacute; n&atilde;o existe, voc&ecirc; entendeu? Porque &eacute; atrav&eacute;s do laudo que voc&ecirc; perpetua a materialidade. A arma de fogo que disparou, o corpo, e no laudo muitas vezes voc&ecirc; consegue <st2:hm>identificar<\/st2:hm> a autoria. Porque voc&ecirc; tem um corpo, um exemplo do cotidiano, voc&ecirc; tem um corpo, retirou o proj&eacute;til, voc&ecirc; encontrou, ningu&eacute;m viu o crime, mas suspeitava que o fulano de tal cometeu o crime. A&iacute; voc&ecirc; vai na casa do fulano de tal, pega a arma dele, faz um disparo com o proj&eacute;til que tem l&aacute;, bate que &eacute; o mesmo proj&eacute;til que estava no corpo da v&iacute;tima. Ou seja, quem identificou a autoria? Foi o laudo. Porque ele vai <st2:hm>dizer<\/st2:hm>: a arma de fogo &eacute; desse cara e saiu daquela arma de fogo. Ent&atilde;o quer <st2:hm>dizer<\/st2:hm>, isso aqui &eacute; prova, se n&atilde;o tiver isso aqui, o juiz n&atilde;o aceita a den&uacute;ncia. Ent&atilde;o, Inqu&eacute;rito que n&atilde;o tenha laudo, esquece, n&atilde;o serve para nada. E a&iacute; s&oacute; por isso &eacute; que eu estou falando assim, s&oacute; para voc&ecirc; <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> uma id&eacute;ia, a quantidade, s&oacute; que &eacute; a teoria da for&ccedil;a <st2:hm>militar<\/st2:hm>, n&eacute;, tem que <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> uma quantidade grande para <st2:hm>manter<\/st2:hm> o status quo que tiver a&iacute;.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Tu disseste que come&ccedil;ou como servidor em 96 n&eacute;? Pegou a gest&atilde;o do Vicente Cherlotti n&atilde;o foi?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Sim.<\/p>\n<p>BRUNO &#8211; Dessa &eacute;poca, tu achas que houve <st3:sinonimos>superexposi&ccedil;&atilde;o<\/st3:sinonimos> da PF, houve muita inger&ecirc;ncia pol&iacute;tica no trabalho, proje&ccedil;&atilde;o pessoal do <st2:hm>poder<\/st2:hm> dele. Eu s&oacute; estou falando como observador, leigo em muitos aspectos, pelo que eu leio atrav&eacute;s da m&iacute;dia. Queria uma opini&atilde;o de quem vivenciou dentro do &oacute;rg&atilde;o este momento.<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Eu vou <st2:hm>dizer<\/st2:hm> <st3:sinonimos>pra<\/st3:sinonimos> voc&ecirc;. De todos os diretores, eu to h&aacute; 7 anos dentro do Departamento, o que eu acho que teve maior destaque para a Pol&iacute;cia foi o Chelotti. Para a Pol&iacute;cia, de modo geral, eu achei que assim, ao Cherlotti, ao final, quando a pessoa est&aacute; h&aacute; muito tempo no <st2:hm>poder<\/st2:hm>, a pessoa precisa efetivamente <st2:hm>sair<\/st2:hm>. Tem que <st2:hm>existir<\/st2:hm> essa oxigena&ccedil;&atilde;o, &eacute; bom tanto para a pessoa quanto para o &oacute;rg&atilde;o essa substitui&ccedil;&atilde;o, mas eu acredito que ele tenha sido o melhor nesse tempo todo em que a gente esteve aqui. E isso foi bom porque ele realmente levou uma boa proje&ccedil;&atilde;o ao Departamento. Por mais que ele tenha ficado conhecido, ele deu uma proje&ccedil;&atilde;o ao Departamento muito boa, melhor que a proje&ccedil;&atilde;o que o Tuma deu, porque o Tuma deu uma proje&ccedil;&atilde;o para ele.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Essa proje&ccedil;&atilde;o que tu disse que o Departamento deu, acabou esbarrando na atividade-fim e a&iacute; por conseq&uuml;&ecirc;ncia, na ABIN?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; O que acontece &eacute; o seguinte: se confunde muito as atribui&ccedil;&otilde;es. Na utiliza&ccedil;&atilde;o, vamos <st2:hm>dizer<\/st2:hm> assim, de uma ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, porque a ABIN &eacute; da Presid&ecirc;ncia, ent&atilde;o el&aacute; serve <st3:sinonimos>pra<\/st3:sinonimos> qu&ecirc;? <st3:sinonimos>Pra<\/st3:sinonimos> <st2:hm>obter<\/st2:hm> informa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas de todo mundo, n&eacute;, de tudo. Existe a prerrogativa l&aacute; da DEOPS, Ordem Pol&iacute;tica e Social da Pol&iacute;cia Federal, para <st2:hdm>tratar<\/st2:hdm>, um exemplo, o pessoal procura <st2:hm>ver<\/st2:hm> a quest&atilde;o do MST, movimentos sociais, esse tipo de coisa. E a ABIN, a ABIN tamb&eacute;m est&aacute; l&aacute; infiltrada, trabalhando. Eu n&atilde;o vejo ressalva no trabalho da ABIN, com toda a sinceridade. Talvez seja um dos poucos que n&atilde;o tem preocupa&ccedil;&atilde;o com o trabalho da ABIN. Porque a ABIN, ela &eacute; muito necess&aacute;ria, porque tem certas situa&ccedil;&otilde;es que, por causa da nossa quantidade de atribui&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia, que faz um trabalho de pol&iacute;cia judici&aacute;ria para <st2:hm>apurar<\/st2:hm> o crime; porque o que a ABIN precisa &eacute; da intelig&ecirc;ncia, tipo aquele avi&atilde;o franc&ecirc;s que apareceu em Manaus. &Eacute; t&iacute;pica atribui&ccedil;&atilde;o da ABIN de <st2:hm>detectar<\/st2:hm> aquilo ali. Ent&atilde;o &eacute; por isso que a ABIN &eacute; t&atilde;o pr&oacute;xima dos militares, porque o servi&ccedil;o de intelig&ecirc;ncia dos militares &eacute; muito bom. Ent&atilde;o eu n&atilde;o vejo esse tipo de preocupa&ccedil;&atilde;o com a ABIN, n&atilde;o. A ABIN &eacute; necess&aacute;ria, ela em determinados momentos ela &eacute; muito parceira nessa troca de informa&ccedil;&otilde;es com a Pol&iacute;cia Federal em muitos estados. Porque tem certas coisas que voc&ecirc; pode <st2:hdm>conversar<\/st2:hdm>, porque como eles est&atilde;o espalhados por a&iacute; voc&ecirc; n&atilde;o consegue <st2:hm>detectar<\/st2:hm>, &ldquo;voc&ecirc; &eacute; da ABIN, voc&ecirc; n&atilde;o &eacute;&rdquo;. Eu acho que a Pol&iacute;cia n&atilde;o tem preocupa&ccedil;&atilde;o nenhuma com choque de atribui&ccedil;&otilde;es. O que eu sou contra &eacute; o que tem na SENAD. A SENAD, ela n&atilde;o poderia <st2:hm>estar<\/st2:hm> nas m&atilde;os dos militares, a SENAD tinha que <st2:hm>estar<\/st2:hm> no Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a fazendo programas de preven&ccedil;&atilde;o de drogas junto com a Pol&iacute;cia Federal. A Pol&iacute;cia faz a repress&atilde;o e a SENAD faz a preven&ccedil;&atilde;o. Mas vinculadas a quem? Ao mesmo Minist&eacute;rio, n&atilde;o tem como <st2:hm>ser<\/st2:hm> diferente. O minist&eacute;rio X faz uma pol&iacute;tica, o minist&eacute;rio Y faz outra pol&iacute;tica. Mas o que todo mundo quer? Quer <st2:hm>combater<\/st2:hm> a droga. Um de uma maneira, de repress&atilde;o, e outro de uma maneira de preven&ccedil;&atilde;o. Ou seja, n&atilde;o tem como <st2:hdm>procurar<\/st2:hdm> <st2:hm>atacar<\/st2:hm> em todo mundo. Essa informa&ccedil;&atilde;o da preven&ccedil;&atilde;o voc&ecirc; perde aqui na Pol&iacute;cia. Hoje a Pol&iacute;cia ela tem em cada regional um grupo que trabalha, que procura <st2:hm>fazer<\/st2:hm> isso, d&aacute; palestras em escolas para <st2:hm>fazer<\/st2:hm> esse tipo de preven&ccedil;&atilde;o, esclarecimento para a sociedade. Isso voc&ecirc; perde, se a Pol&iacute;cia tivesse um mecanismo, uma pol&iacute;tica oficial de preven&ccedil;&atilde;o, era s&oacute; <st2:hm>encaminhar<\/st2:hm> ao Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a a SENAD, que &eacute; onde voc&ecirc; tem verba, que voc&ecirc; pode <st2:hm>colocar<\/st2:hm> profissionais. N&oacute;s peritos na &aacute;rea, na Pol&iacute;cia, eu acho que dos peritos na ativa, uns 15% a 20% deve <st2:hm>ser<\/st2:hm> s&oacute; da &aacute;rea de sa&uacute;de. M&eacute;dico, farmac&ecirc;utico, qu&iacute;mico, bi&oacute;logo, veterin&aacute;rio, seja l&aacute; o que for, pessoas da &aacute;rea biom&eacute;dica. Quer <st2:hm>dizer<\/st2:hm>, eles poderiam <st2:hm>estar<\/st2:hm> atuando na elabora&ccedil;&atilde;o de projetos de preven&ccedil;&atilde;o. Poderiam <st2:hm>participar<\/st2:hm> porque o pessoal conhece cientificamente os efeitos da droga, o pessoal, muita gente que est&aacute; ingressando no cargo de perito vem do meio acad&ecirc;mico, do meio universit&aacute;rio, s&atilde;o pessoas muito boas para proferirem palestras. Ent&atilde;o, quer <st2:hm>dizer<\/st2:hm>, e n&atilde;o &eacute; usado. S&oacute; para voc&ecirc; <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> uma id&eacute;ia disso a&iacute;, s&oacute; para <st2:hm>complementar<\/st2:hm>, o controle de produto qu&iacute;mico &eacute; feito por bacharel de Direito. Aquele cara n&atilde;o sabe a diferen&ccedil;a entre &aacute;gua com g&aacute;s e &aacute;gua oxigenada. Como &eacute; que eu vou numa empresa <st2:hm>realizar<\/st2:hm> uma fiscaliza&ccedil;&atilde;o do controle de produto qu&iacute;mico se eu n&atilde;o for qu&iacute;mico, se eu n&atilde;o for da &aacute;rea?! Mas por que n&atilde;o se faz isso? &Eacute; t&atilde;o &oacute;bvio, porque a Pol&iacute;cia n&atilde;o bota um perito, ou bota um agente ou algu&eacute;m que entenda, que seja formado nessa &aacute;rea? Hoje, todos n&oacute;s, a exig&ecirc;ncia para ingresso &eacute; de curso superior. &Eacute; aquilo que te falei, &eacute; a estrutura de <st2:hm>poder<\/st2:hm>, ela n&atilde;o abre m&atilde;o, ela n&atilde;o quer <st2:hm>mudar<\/st2:hm>, ela n&atilde;o abre m&atilde;o. Ent&atilde;o, quer <st2:hm>dizer<\/st2:hm> assim, pode <st2:hm>ser<\/st2:hm> pior para a sociedade <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> um delegado l&aacute;? Pode. Mas para n&oacute;s delegados &eacute; bom? &Eacute;. Ent&atilde;o deixa de lado a sociedade. A verdade &eacute; essa. A atual gest&atilde;o est&aacute; continuando o que se fez, tipo aquela quest&atilde;o do tr&aacute;fico de drogas. Por que, &eacute; uma coisa t&atilde;o &oacute;bvia, por que n&atilde;o tem laudo vinculando a mercadoria que foi presa, aquela maconha veio do Paraguai para o Esp&iacute;rito Santo. Prendeu l&aacute; 500 kgs. Ningu&eacute;m pagou pr&aacute; ningu&eacute;m? Foi de gra&ccedil;a que veio? Nos grampos telef&ocirc;nicos que o pessoal fez a investiga&ccedil;&atilde;o, pegou o traficante em nenhum momento o cara falou: &ldquo;Olha, estou te mandando de presente 500 kgs. de maconha&rdquo;. Voc&ecirc; entendeu? Por que n&atilde;o faz isso? Parece t&atilde;o &oacute;bvio, mas n&atilde;o faz. Mas por que n&atilde;o faz? Porque o efetivo nosso, h&aacute; um ano atr&aacute;s, o efetivo de peritos que trabalhavam na Pol&iacute;cia, n&atilde;o chegava a duzentos e quarenta, acredita?<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Para todo o pa&iacute;s?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Para todo o pa&iacute;s, para <st2:hdm>atender<\/st2:hdm> a todas as atribui&ccedil;&otilde;es da Pol&iacute;cia Federal. Hoje, n&oacute;s estamos chegando ao n&uacute;mero de 420 mais ou menos, na ativa para <st2:hdm>atender<\/st2:hdm> a todas as atribui&ccedil;&otilde;es conseguimos, brigando ainda, <st2:hdm>ampliar<\/st2:hdm> esse quadro para 450, mas o total de delegados vai <st2:hm>chegar<\/st2:hm> a quase dois mil delegados, a gente vai <st2:hm>chegar<\/st2:hm>, na ativa, a uns novecentos, vai <st2:hm>diminuir<\/st2:hm> um pouco a rela&ccedil;&atilde;o tr&ecirc;s para um.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; A&iacute; fica quase dois para um?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; &Eacute;, a&iacute; vai <st2:hm>ser<\/st2:hm> dois e pouco para um.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Voltando ao tema da estrutura e da vincula&ccedil;&atilde;o de lealdade com os militares. D&aacute; <st3:sinonimos>pra<\/st3:sinonimos> <st2:hm>afirmar<\/st2:hm> que quando o Romeu Tuma assume no governo Sarney de transi&ccedil;&atilde;o, ele passa a <st2:hm>dar<\/st2:hm> continuidade? Ele entra em cargos de confian&ccedil;a, primeiro superintendente e depois D-G, por <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> sido do DOPS de S&atilde;o Paulo, por <st2:hm>seguir<\/st2:hm> sendo uma pessoa de confian&ccedil;a dos militares?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; N&atilde;o, l&oacute;gico, com esse a&iacute; n&atilde;o tem <st3:sinonimos>mudan&ccedil;a<\/st3:sinonimos> nenhuma. E o Paulo Lacerda representa isso, porque o Paulo Lacerda representa o Romeu Tuma. Ent&atilde;o quer <st2:hm>dizer<\/st2:hm>, n&atilde;o existe perspectiva de <st3:sinonimos>mudan&ccedil;a<\/st3:sinonimos> t&atilde;o cedo. Atrav&eacute;s de muita briga e luta, infelizmente a gente esperava que ocorresse modifica&ccedil;&otilde;es com o atual governo, mas na Pol&iacute;cia Federal n&atilde;o est&aacute; ocorrendo.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Eh algo meio curioso. Quando eu peguei o material do Congresso Nacional dos Policiais Federais (CONAPEF) estava l&aacute; o Luiz Eduardo Soares, que foi o subsecret&aacute;rio de seguran&ccedil;a do Rio de Janeiro e agora est&aacute; na SENASP, Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a. Acima dele est&aacute; o ministro, e abaixo est&aacute; o Paulo Lacerda. D&aacute; para <st2:hdm>falar<\/st2:hdm> que na fun&ccedil;&atilde;o de uma pessoa em tese mais esclarecida ou mais moderna seria quase inconstrutiva? Se a estrutura de <st2:hm>poder<\/st2:hm> da PF est&aacute; inalterada, qual seria ent&atilde;o a fun&ccedil;&atilde;o dele a&iacute;?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; N&atilde;o, a&iacute;, eu vou te <st2:hm>dizer<\/st2:hm> assim. A SENASP, ela pode, o secret&aacute;rio, como um Secret&aacute;rio de Estado, ele est&aacute; acima do Diretor-Geral do Departamento. Mas ele, o Diretor-Geral n&atilde;o est&aacute; subordinado a SENASP. A&iacute; eu poderia <st2:hm>defender<\/st2:hm> o Luiz Eduardo Soares por um motivo: o trabalho dele, l&aacute; na SENASP, ele est&aacute; efetivamente buscando <st2:hm>implantar<\/st2:hm> o plano do governo, o Plano Nacional de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica efetivamente. E a gente tem <st3:sinonimos>acompanhado<\/st3:sinonimos> l&aacute;, esse &eacute; um dilema que a gente vive aqui na pr&oacute;pria per&iacute;cia. Por qu&ecirc;? Por que a pessoa que mais defende a per&iacute;cia, pela primeira vez na hist&oacute;ria, o &uacute;nico plano de governo de seguran&ccedil;a p&uacute;blica que falou da import&acirc;ncia da per&iacute;cia foi esse do PT. Nenhum outro destacou. E a&iacute; voc&ecirc; vai <st2:hdm>conversar<\/st2:hdm> com o Soares, ele tem conhecimento de causa para <st2:hm>defender<\/st2:hm> a per&iacute;cia e l&aacute; dentro da SENASP, na elabora&ccedil;&atilde;o de todos esses sistemas &uacute;nicos de seguran&ccedil;a p&uacute;blica que cada estado oferece porque est&aacute; destinada verba para <st2:hm>investir<\/st2:hm> na seguran&ccedil;a p&uacute;blica dele, tem um espa&ccedil;o l&aacute;. Se eles n&atilde;o investirem na per&iacute;cia, eles n&atilde;o recebem recurso. Ent&atilde;o, cada estado est&aacute; fazendo isso e a perspectiva que eu te digo para os estados, e eu estou falando isso porque a gente est&aacute; ali dentro participando, auxiliando, contribuindo para que a SENASP d&ecirc; certo e h&aacute; disposi&ccedil;&atilde;o pessoal em <st2:hm>elaborar<\/st2:hm> projetos para cada estado, em todos os n&iacute;veis. Ent&atilde;o, s&oacute; para voc&ecirc; <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> uma id&eacute;ia, ao final desses 4 anos de mandato, j&aacute; tem a previs&atilde;o no plano plurianual para investimento na &aacute;rea de seguran&ccedil;a p&uacute;blica de <st2:hm>investir<\/st2:hm> e <st2:hm>criar<\/st2:hm> laborat&oacute;rios de DNA em todos os estados. Eles est&atilde;o planejando isso, l&oacute;gico que nem todos v&atilde;o <st2:hm>estar<\/st2:hm> no mesmo n&iacute;vel, vai <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> b&aacute;sico, intermedi&aacute;rio, avan&ccedil;ado, os avan&ccedil;ados v&atilde;o <st2:hm>ser<\/st2:hm> institutos-escola. Agora falando isso, lembrei da Pol&iacute;cia Federal. Nada disso que a gente est&aacute; presenciando na SENASP est&aacute; acontecendo na Pol&iacute;cia Federal. A&iacute; h&aacute; essa dicotomia.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; A rea&ccedil;&atilde;o interna dos dirigentes do &oacute;rg&atilde;o qual &eacute;?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; N&atilde;o, n&atilde;o est&aacute; nem a&iacute;. Ele n&atilde;o est&aacute; <st3:sinonimos>preocupado<\/st3:sinonimos>, tanto &eacute; que o decreto 4.720, que &eacute; decreto-presidencial, ele regulamenta.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; De quando &eacute;?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; De 2003. Ele regulamentou o <st2:hm>Poder<\/st2:hm> Executivo, certo, toda a sua estrutura, dizendo quantos cargos de chefia, quantos D.A.S., quantos e a&iacute; a per&iacute;cia &eacute; um eixo tem&aacute;tico no Plano Nacional de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica. S&atilde;o 6 eixos tem&aacute;ticos, a per&iacute;cia &eacute; um. E a&iacute; n&oacute;s pens&aacute;vamos que n&oacute;s ir&iacute;amos essa mesma import&acirc;ncia dentro da Pol&iacute;cia Federal. Que nesse momento, nesse governo n&oacute;s ser&iacute;amos prioridade para a Pol&iacute;cia Federal, na Pol&iacute;cia Federal. E a&iacute; a gente viu o contr&aacute;rio. Esse decreto, ele rebaixou as chefias das per&iacute;cias. Porque existe em cada Superintend&ecirc;ncia um substituto-superintendente que &eacute; chamado de DRT. O DRT, a chefia dele &eacute; paralela ao chefe da per&iacute;cia regional. Ent&atilde;o, se eu sou chefe da per&iacute;cia regional, o meu cargo e minha gratifica&ccedil;&atilde;o, ela &eacute; paralela a gratifica&ccedil;&atilde;o do chefe da delegacia. Qquer <st2:hm>dizer<\/st2:hm>, que aqui est&atilde;o os delegados e aqui os peritos, numa hierarquia paralela, certo? O pessoal &eacute; subordinado ao superintendente que pode <st2:hm>ser<\/st2:hm> qualquer um, no momento s&atilde;o delegados.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Pode <st2:hm>ser<\/st2:hm> qualquer um?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Em tese pode <st2:hm>ser<\/st2:hm> qualquer um. Tanto &eacute; que em v&aacute;rios estados a&iacute; s&atilde;o militares, n&eacute;. Ent&atilde;o, n&atilde;o &eacute; um cargo privativo de delegado. E a&iacute; o que acontece&#8230; o que ele fez, o Paulo Lacerda? Ele pegou a chefia do DRT, colocou aqui para cima, um D.A. S. 1, n&eacute;, uma gratifica&ccedil;&atilde;o superior, e pegou essa chefia da per&iacute;cia e colocou aqui em baixo. Deu uma gratifica&ccedil;&atilde;o menor. Qual o objetivo disso? L&aacute; na SENASP na lei de seguran&ccedil;a p&uacute;blica, um eixo tem&aacute;tico na seguran&ccedil;a p&uacute;blica, um investimento na per&iacute;cia maci&ccedil;o, v&aacute;rios planejamentos, v&aacute;rios planos por ano e dentro da Pol&iacute;cia Federal se faz isso.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Uma pergunta de fundo. Qual a justificativa. O que tu pensa <st2:hm>ser<\/st2:hm> a justificativa?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &#8211; S&oacute; existe uma justificativa. &Eacute; aquilo que eu falei desde o in&iacute;cio. A gente est&aacute; come&ccedil;ando a <st2:hdm>divulgar<\/st2:hdm> isso. A Federa&ccedil;&atilde;o (FENAPEF) tem sido muito boa, DE que a atividade-fim da pol&iacute;cia &eacute; <st2:hdm>produzir<\/st2:hdm> prova. E <st2:hdm>produzir<\/st2:hdm> prova &eacute; o qu&ecirc;? &Eacute; <st2:hm>investigar<\/st2:hm> e <st2:hm>fazer<\/st2:hm> per&iacute;cia, <st2:hm>interpretar<\/st2:hm> a prova, voc&ecirc; entendeu? A investiga&ccedil;&atilde;o e a interpreta&ccedil;&atilde;o da prova est&aacute; se tornando t&atilde;o importante, t&atilde;o grande, que est&aacute; jogando para baixo o Inqu&eacute;rito. E quanto menor o <st2:hm>poder<\/st2:hm> que eu der para os peritos, porque o nosso sal&aacute;rio &eacute; o mesmo do delegado, n&atilde;o somos subordinados a ele, ningu&eacute;m interfere num laudo que eu escrevo, n&atilde;o. E nisso nosso comportamento &eacute; bem firme. Ent&atilde;o, se <st2:hdm>falar<\/st2:hdm> que existe interfer&ecirc;ncia hoje, n&atilde;o tem, porque a gente n&atilde;o tem conhecimento disso. Se eu tivesse, eu diria para voc&ecirc; que a primeira coisa &eacute; <st2:hdm>brigar<\/st2:hdm> com o perito que estiver aceitado qualquer coisa. Ent&atilde;o, por que ele quer isso? Na verdade &eacute; <st2:hm>diminuir<\/st2:hm> o prest&iacute;gio, <st2:hm>aumentar<\/st2:hm> a nossa dist&acirc;ncia nossa do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, <st2:hm>aumentar<\/st2:hm> a nossa dist&acirc;ncia do Judici&aacute;rio; porque o que est&aacute; acontecendo &eacute; exatamente o contr&aacute;rio. O Minist&eacute;rio P&uacute;blico cada vez mais est&aacute; se aproximando da gente, o Judici&aacute;rio cada vez mais est&aacute; se aproximando da gente. Por qu&ecirc;? Porque quando chega num momento l&aacute;, antes da den&uacute;ncia, ele olha, e &ldquo;p&ocirc;, esse inqu&eacute;rito n&atilde;o tem provas, n&atilde;o tem laudo&rdquo;. O pessoal relata, entendeu, s&oacute; depoimento, a&iacute; o Minist&eacute;rio P&uacute;blico manda de volta para <st2:hm>fazer<\/st2:hm> a per&iacute;cia. E o que acontece? Ele, o promotor, a&iacute; o cara pela forma&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica dele, que &agrave;s vezes ele n&atilde;o tem o conhecimento sobre engenharia, como por exemplo, num Inqu&eacute;rito de uma obra super-faturada, para <st2:hm>fazer<\/st2:hm> uma pergunta sobre uma obra, a&iacute; eles pegam e entram em contato conosco. A&iacute; a gente liga para eles e diz &ldquo;olha, a obra, dentro desses quesitos aqui, eu vou <st2:hm>detectar<\/st2:hm> isso, isso e isso&rdquo;, porque na verdade o Minist&eacute;rio P&uacute;blico tem sido muito mais acess&iacute;vel, o Minist&eacute;rio P&uacute;blico tem sido muito mais curioso.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Agora, na pr&aacute;tica, isso est&aacute; acontecendo a revelia da hierarquia funcional, correto?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; &Eacute;, a&iacute; o que est&aacute; acontecendo? N&atilde;o tem essa hierarquia, porque isso a&iacute; &eacute; processual. Quer <st2:hm>dizer<\/st2:hm>, a Justi&ccedil;a est&aacute; precisando que o perito esclare&ccedil;a os fatos, direto com ela. Independe do superior superintendente. Mas a&iacute; o que ele faz? Ele joga a gente para baixo, e diz n&atilde;o, a <st2:hm>partir<\/st2:hm> de agora voc&ecirc;s s&oacute; entram em comunica&ccedil;&atilde;o com o Minist&eacute;rio P&uacute;blico com autoriza&ccedil;&atilde;o nossa. Porque? Porque daqui h&aacute; pouco, &eacute; aquilo que eu falei, se o Minist&eacute;rio P&uacute;blico come&ccedil;a tamb&eacute;m a <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> legitimidade de <st2:hm>investigar<\/st2:hm> desde o in&iacute;cio, ele vai <st2:hm>querer<\/st2:hm> o qu&ecirc;? Ele vai <st2:hm>querer<\/st2:hm> o trabalho do agente, e ele vai <st2:hm>querer<\/st2:hm> o trabalho do perito. Ele vai <st2:hm>precisar<\/st2:hm> do trabalho do delegado para qu&ecirc;? Por que, o que &eacute; um relat&oacute;rio, eu n&atilde;o sei se tu j&aacute; viu um relat&oacute;rio de Inqu&eacute;rito. O que um relat&oacute;rio de Inqu&eacute;rito faz? Num relat&oacute;rio de Inqu&eacute;rito eles tentam <st2:hm>fazer<\/st2:hm> at&eacute; hoje, vamos <st2:hm>chamar<\/st2:hm> entre aspas, um &ldquo;enquadramento&rdquo;, eles tentam <st2:hm>colocar<\/st2:hm> a pessoa naquele Artigo. O que vale aquilo ali? Nada. O Inqu&eacute;rito &eacute; uma pe&ccedil;a informativa. Ent&atilde;o se n&atilde;o vale nada, ent&atilde;o porque ocorre indiciamento? N&atilde;o sei. Totalmente ultrapassado o indiciamento, somos contra o indiciamento. N&atilde;o precisa.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Por qu&ecirc;?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Porque a pessoa est&aacute; sob suspeita de um crime, e n&atilde;o indiciada. O que &eacute; mais importante &eacute; a quest&atilde;o da den&uacute;ncia, a pessoa foi denunciada. Porque o que acontece? A pessoa &eacute; indiciada, a&iacute; quando o Minist&eacute;rio P&uacute;blico analisa os fatos, a&iacute; eles chegam e &ldquo;isso aqui n&atilde;o precisa desse indiciamento&rdquo;. Mas a&iacute; a vida da pessoa j&aacute; acabou, entendeu, se ela foi indiciada pela Pol&iacute;cia Federal, acabou a vida da pessoa, acabou. E a&iacute; ele vai <st2:hm>colocar<\/st2:hm> a pessoa para <st2:hm>ser<\/st2:hm> tipificada naquele tipo de crime. N&atilde;o serve <st3:sinonimos>pra<\/st3:sinonimos> nada aquilo ali. O Inqu&eacute;rito ou o relat&oacute;rio diz assim: &ldquo;conforme o depoimento do Fulano de Tal, p&aacute; p&aacute; p&aacute; p&aacute;, conforme o que o perito diz nas folhas tais tais tais abre aspas p&aacute; p&aacute; p&aacute; p&aacute; p&aacute; p&aacute;&#8230; conforme o relat&oacute;rio de investiga&ccedil;&atilde;o do agente que informou p&aacute; p&aacute; p&aacute; p&aacute; p&aacute;&rdquo;, o relat&oacute;rio &eacute; isso. Serve para alguma coisa? Para <st2:hm>informar<\/st2:hm>, &eacute; o resumo do que aconteceu. E a&iacute; eu te digo, eu preciso de algu&eacute;m para <st2:hm>fazer<\/st2:hm> isso? &Eacute; isso o que a sociedade precisa? O cargo &eacute; imprescind&iacute;vel? &Eacute; totalmente prescind&iacute;vel. Por qu&ecirc;? Porque voc&ecirc; tem uma pe&ccedil;a informativa que s&oacute; est&aacute; te dando o fato, a tipifica&ccedil;&atilde;o penal que ele faz n&atilde;o vale de nada. O indiciamento que se faz s&oacute; serve para <st2:hm>acabar<\/st2:hm> com a vida da pessoa que foi indiciada. O que ele faz, &eacute; o resumo do laudo, da informa&ccedil;&atilde;o do agente, do que a pessoa falou, que vai <st2:hm>ser<\/st2:hm> feito novamente, a &uacute;nica pe&ccedil;a que n&atilde;o se faz novamente &eacute; o laudo. O laudo pode <st2:hm>ser<\/st2:hm> at&eacute; contestado.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; <st2:hm>Ser<\/st2:hm> feito outro laudo, no caso?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; N&atilde;o, ele pode <st2:hm>ser<\/st2:hm> contestado pela parte, porque a pessoa s&oacute; vai <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> um contradit&oacute;rio na a&ccedil;&atilde;o penal. Porque a pessoa n&atilde;o vai <st2:hdm>produzir<\/st2:hdm> prova contra ela, ela quer se <st2:hm>defender<\/st2:hm>. Ent&atilde;o, na a&ccedil;&atilde;o penal, quando chega na a&ccedil;&atilde;o penal com o laudo, o perito, a&iacute; a parte que est&aacute; sendo denunciada vai e contrata perito da parte dela e a&iacute; faz a contra-prova. Diz: &lsquo;isso aqui n&atilde;o aconteceu desse jeito.&rdquo; Pode <st2:hm>contestar<\/st2:hm> e pode <st2:hm>acrescentar<\/st2:hm> mais informa&ccedil;&otilde;es. A pessoa vai <st2:hm>dizer<\/st2:hm> <st3:sinonimos>pra<\/st3:sinonimos> se <st2:hm>defender<\/st2:hm>. A den&uacute;ncia diz: &ldquo;-Voc&ecirc; lavou dinheiro e mandou R$ 1milh&atilde;o <st3:sinonimos>pra<\/st3:sinonimos> fora. A per&iacute;cia e o laudo est&aacute; dizendo isso. Tem um milh&atilde;o l&aacute; fora, no exterior, na conta tal tal tal.&rdquo;A&iacute; a pessoa vai <st2:hm>chegar<\/st2:hm> l&aacute; e <st2:hm>dizer<\/st2:hm> &ldquo;- N&atilde;o&rdquo;, isto se o Inqu&eacute;rito for mal feito, &ldquo;eu tenho isso a&iacute; porque eu ganhei na loteria l&aacute; fora.&rdquo; Porque voc&ecirc; n&atilde;o tem esse contradit&oacute;rio na investiga&ccedil;&atilde;o. Se a investiga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o encontrou isso, voc&ecirc; n&atilde;o est&aacute; nem a&iacute;, por isso os figur&otilde;es fazem uso do Inqu&eacute;rito.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; D&aacute; para <st2:hdm>falar<\/st2:hdm> de &uacute;ltimo caso que para <st2:hdm>garantir<\/st2:hdm> a impunidade de quem tem maior <st2:hm>poder<\/st2:hm> econ&ocirc;mico, &eacute; bom <st3:sinonimos>pra<\/st3:sinonimos> ela o Inqu&eacute;rito?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Com certeza.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Garante a impunidade?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Hoje o Inqu&eacute;rito serve para a manuten&ccedil;&atilde;o desta impunidade que existe nesse pa&iacute;s.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Um tema de ordem t&eacute;cnica e jur&iacute;dica mas que tem rela&ccedil;&atilde;o com a impunidade. O Departamento tem autonomia para, por exemplo, <st2:hm>fazer<\/st2:hm> infiltra&ccedil;&atilde;o numa empresa, como faz numa quadrilha?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; H&aacute; um projeto 3731 que est&aacute; na C&acirc;mara dos Deputados que vai <st2:hm>autorizar<\/st2:hm> a realiza&ccedil;&atilde;o de infiltra&ccedil;&atilde;o, sob autoriza&ccedil;&atilde;o judicial e <st3:sinonimos>acompanhado<\/st3:sinonimos> pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico. Est&aacute; em tramita&ccedil;&atilde;o no Senado este projeto.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Por outro lado, ocorre algum pavor de lembran&ccedil;a do SNI, que infiltrava e tinha capilaridade em toda a sociedade, e que exercia esta prerrogativa?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; N&atilde;o, na verdade este instrumento &eacute; necess&aacute;rio. Por exemplo, at&eacute; o projeto que est&aacute; l&aacute; fala sobre organiza&ccedil;&otilde;es criminosas, que &eacute; onde se faz a investiga&ccedil;&atilde;o com infiltra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; N&atilde;o h&aacute; previs&atilde;o de infiltra&ccedil;&atilde;o de agente?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Oficialmente n&atilde;o existe isso. Legalmente hoje n&atilde;o existe previs&atilde;o legal para isto.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; N&atilde;o para pessoa jur&iacute;dica?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Exato. Pessoa jur&iacute;dica e outro grupo qualquer. Hoje eu n&atilde;o estou lembrando que tenha legisla&ccedil;&atilde;o para isso. Tanto que esse 3731, isso a&iacute; voc&ecirc; pode <st2:hm>checar<\/st2:hm> mas a informa&ccedil;&atilde;o que eu tenho informa&ccedil;&atilde;o &eacute; que o projeto 3731 que ele est&aacute; no Senado, &eacute; que vai <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> esta autoriza&ccedil;&atilde;o de <st2:hm>infiltrar<\/st2:hm> e de <st2:hm>negociar<\/st2:hm> a pena. Ent&atilde;o, voc&ecirc; &eacute; um criminoso e a&iacute; para eu <st2:hm>negociar<\/st2:hm> a pena contigo voc&ecirc; me d&aacute; informa&ccedil;&atilde;o sobre a quadrilha, sobre a organiza&ccedil;&atilde;o criminosa.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Como aconteceu na It&aacute;lia por exemplo. Primeiro contra as Brigadas Vermelhas e Prima L&iacute;nea, e depois nas opera&ccedil;&otilde;es Anti-M&aacute;fia, chamada de M&atilde;os Limpas, correto?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Exato. Isso vai <st2:hm>avan&ccedil;ar<\/st2:hm> bastante com a aprova&ccedil;&atilde;o desse projeto. A &uacute;nica coisa que modificou &eacute; que o Minist&eacute;rio P&uacute;blico ele ia <st2:hm>come&ccedil;ar<\/st2:hm> a investiga&ccedil;&atilde;o e a&iacute; tiraram isso. O lobby dos delegados, tem uma for&ccedil;a pol&iacute;tica muito grande, e a&iacute; n&atilde;o permitiram que isto ocorresse.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; E o Minist&eacute;rio P&uacute;blico vai <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> de <st2:hm>requerer<\/st2:hm> investiga&ccedil;&atilde;o para o Departamento?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Exatamente, para <st2:hm>continuar<\/st2:hm> na investiga&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; A pergunta que eu lhe fa&ccedil;o &eacute; a seguinte: se n&atilde;o h&aacute; base legal, ent&atilde;o na pr&aacute;tica h&aacute; uma antecipa&ccedil;&atilde;o do Departamento. O Departamento n&atilde;o consegue se <st2:hm>antecipar<\/st2:hm> a uma previs&atilde;o de suspeita. S&oacute; para lhe <st2:hm>dar<\/st2:hm> um exemplo: eu n&atilde;o sou de Bras&iacute;lia, eu estou aqui pela segunda vez. Eu <st3:sinonimos>confesso<\/st3:sinonimos> assim, que tenho um lado moralista de forma&ccedil;&atilde;o e tomei um susto: eu olhei para tudo quanto &eacute; lado e vi s&oacute; grupo OK, e Paulo Ot&aacute;vio. Ainda que supondo que n&atilde;o tem nada judicialmente contra eles, mesmo com a metade de Bras&iacute;lia sabendo, o que todo o mundo sabe, toda a m&iacute;dia sabe, mas est&atilde;o ali e a vida continua.<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Estes casos e tantos outros, porque a nossa preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; exatamente com a prova. Se voc&ecirc; n&atilde;o <st2:hm>conseguir<\/st2:hm> prova, n&atilde;o houve nada. &Agrave;s vezes se produz o fato jornal&iacute;stico, mas ele n&atilde;o est&aacute; fundamentando, ele n&atilde;o tem, se voc&ecirc; for <st2:hm>analisar<\/st2:hm> mesmo o que ocorreu ele n&atilde;o tem for&ccedil;a, n&atilde;o tem estrutura, n&atilde;o tem base, n&atilde;o tem nada aquilo ali. Ent&atilde;o, acontece de <st2:hm>chegar<\/st2:hm> pedidos de per&iacute;cia para a gente e voc&ecirc; <st2:hm>pegar<\/st2:hm> e <st2:hm>analisar<\/st2:hm>, e <st2:hm>ver<\/st2:hm> que n&atilde;o tem nada, porque desde o in&iacute;cio a prova foi mal coletada.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash;Por exemplo,com essa lei aprovada que tu est&aacute; falando, impediria, por exemplo, que a Scuderie Le Cocq se desenvolvesse tanto ao longo de 25 anos s&oacute; no Esp&iacute;rito Santo, correto. Se tivesse sido identificada e infiltrada antes, n&atilde;o estaria t&atilde;o imbricada no alto escal&atilde;o do estado e da sociedade capixaba. Agora depois de 25 anos a organiza&ccedil;&atilde;o criminosa j&aacute; criou ra&iacute;zes, correto?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; A&iacute; isso vai <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> que <st2:hm>ser<\/st2:hm> muito bem feito, porque, at&eacute; o Programa de Prote&ccedil;&atilde;o a Testemunhas, tudo est&aacute; muito cru, est&aacute; come&ccedil;ando agora isso a&iacute;. Ent&atilde;o, isso a&iacute; vai <st2:hm>ser<\/st2:hm> importante. Voc&ecirc; vai <st2:hm>verificar<\/st2:hm>, por exemplo, o Banco X, voc&ecirc; vai <st2:hm>fazer<\/st2:hm> uma per&iacute;cia, e a&iacute; voc&ecirc; come&ccedil;a <st2:hm>olhar<\/st2:hm> assim e voc&ecirc; v&ecirc; &ldquo;p&ocirc;xa, quanta opera&ccedil;&atilde;o que os caras fizeram&rdquo; e voc&ecirc; analisa aquelas opera&ccedil;&otilde;es financeiras, de mercado de capitais, e outras. A&iacute; voc&ecirc; como perito identifica que a pessoa foi contratada apenas para <st2:hm>cometer<\/st2:hm> o crime, apenas para <st2:hm>cometer<\/st2:hm> o crime. Aquele gerente que saiu na capa da revista Isto &Eacute;, na capa da revista Exame, como o grande empres&aacute;rio do mundo, grande banqueiro do ano, grande n&atilde;o sei o que l&aacute;. L&oacute;gico que tem muitos profissionais, n&atilde;o vamos <st2:hm>generalizar<\/st2:hm>. Mas voc&ecirc; verifica que aquele cara n&atilde;o era o gerente no sentido strictu senso do banco, n&atilde;o era aquele c&eacute;u. Aquele cara que tem aquela vis&atilde;o empresarial, que acerta no investimento, e consegue uma grande rentabilidade para a empresa, voc&ecirc; n&atilde;o v&ecirc; aquela personalidade empresarial magn&iacute;fica, n&atilde;o v&ecirc; o lucro que deu para a empresa, voc&ecirc; n&atilde;o v&ecirc;. Voc&ecirc; consegue <st2:hm>constatar<\/st2:hm> que a &uacute;nica percep&ccedil;&atilde;o dele &eacute; <st2:hm>abrir<\/st2:hm> as brechas da lei e <st2:hm>cometer<\/st2:hm> o crime. S&oacute; que para voc&ecirc; <st2:hm>identificar<\/st2:hm> e <st2:hdm>provar<\/st2:hdm> isso &eacute; muito dif&iacute;cil, n&atilde;o &eacute; um trabalho f&aacute;cil. E eu falo isso como perito, que n&atilde;o &eacute; um trabalho f&aacute;cil. Voc&ecirc; vai <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> que <st2:hm>ir<\/st2:hm> atr&aacute;s de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; documental. Para voc&ecirc; <st2:hdm>provar<\/st2:hdm> vai <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> que <st2:hm>estar<\/st2:hm> ali no documento mas para voc&ecirc; <st2:hm>saber<\/st2:hm> a opera&ccedil;&atilde;o voc&ecirc; tem que <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> a informa&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o, se o Banco Central <st2:hm>detectar<\/st2:hm> que o mercado, um banco ou aquela empresa seja l&aacute; o que for, est&aacute; come&ccedil;ando a <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> algum tipo de opera&ccedil;&atilde;o, avisa a Pol&iacute;cia. Um banco, ou um plano de sa&uacute;de ou seja l&aacute; o que for. A&iacute; voc&ecirc; vai <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> legitimidade para voc&ecirc; <st2:hm>colocar<\/st2:hm> um profissional l&aacute; dentro para que ele consiga <st2:hm>obter<\/st2:hm> o m&aacute;ximo de informa&ccedil;&otilde;es, porque se &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o criminosa, o crime &eacute; cometido por especialistas. A organiza&ccedil;&atilde;o criminosa &eacute; diferente da quadrilha de um bando, &ldquo;ah, vamos <st2:hdm>roubar<\/st2:hdm> galinha.&rdquo; A organiza&ccedil;&atilde;o criminosa &eacute; diferente, ela ta num est&aacute;gio superior. Esses crimes s&atilde;o cometidos por profissionais das mais diversas &aacute;reas que pensam no crime, existe uma hierarquia existe tudo isso. E para voc&ecirc; <st2:hm>desvendar<\/st2:hm> todo esse trabalho da hierarquia de uma organiza&ccedil;&atilde;o, das atividades, da rotina de trabalho, das pessoas, voc&ecirc; tem que <st2:hm>estar<\/st2:hm> ali dentro. E voc&ecirc; vai <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> que <st2:hm>negociar<\/st2:hm> o que? <st2:hm>Negociar<\/st2:hm> a pena de um membro daquela organiza&ccedil;&atilde;o para que se possa <st2:hm>qualificar<\/st2:hm> a informa&ccedil;&atilde;o, <st2:hm>conseguir<\/st2:hm> a prova e <st2:hm>fazer<\/st2:hm> o laudo de maneira correta. Voc&ecirc; consegue <st2:hm>identificar<\/st2:hm> todos os passos da opera&ccedil;&atilde;o financeira fraudulenta, voc&ecirc; consegue <st2:hm>identificar<\/st2:hm>, por exemplo, lavagem de dinheiro. Quem faz lavagem de dinheiro, quem faz isso, ningu&eacute;m &eacute; besta, quem faz isso j&aacute; &eacute; especialista em <st2:hm>mandar<\/st2:hm> dinheiro para o exterior. Ent&atilde;o o cara manda, ai da conta do Jo&atilde;o da Silva, j&aacute; vai para um bode nos Estados Unidos, passa por um monte de bode, e vai para outra empresa e p&aacute; p&aacute; p&aacute; p&aacute;. A lavagem &eacute; feita por etapas, e quando sai daqui muda tudo l&aacute; fora. E ainda digo mais: a&iacute; a pessoa come&ccedil;a a <st2:hm>abrir<\/st2:hm> empresas, procura&ccedil;&otilde;es e empresas, empresa que quebra, que quebra e que voc&ecirc; n&atilde;o v&ecirc; s&oacute;cio de ningu&eacute;m, e a empresa que quebra n&atilde;o era s&oacute;cia de outra e que passa para outra empresa e o circuito gira. A&iacute; voc&ecirc; v&ecirc; um laranja l&aacute; fora e o cara passa uma procura&ccedil;&atilde;o para que quem movimente seja voc&ecirc;. Ent&atilde;o, o trabalho &eacute; feito por gente especializada, ent&atilde;o se a Pol&iacute;cia n&atilde;o tiver especialista em prova, pessoas com qualifica&ccedil;&atilde;o suficiente para isto, n&atilde;o vai <st2:hm>chegar<\/st2:hm> a lugar nenhum.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; E nesse caso, o cargo &uacute;nico e o concurso direcionado, viria a <st2:hm>solucionar<\/st2:hm>?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Vou te <st2:hm>dizer<\/st2:hm> o seguinte. &Eacute; por isso que a gente defende a Lei Org&acirc;nica, o cargo &uacute;nico, porque ela vai <st2:hm>estar<\/st2:hm> trazendo uma transforma&ccedil;&atilde;o que hoje, o grande pontap&eacute; inicial desse jogo de mudan&ccedil;as foi a emenda do Superior para todos os policiais. Isto a&iacute; foi excelente, foi uma conquista, mas isso a&iacute; foi s&oacute; o in&iacute;cio de um jogo. Durante o jogo voc&ecirc; precisa <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> um padr&atilde;o de jogo mas tamb&eacute;m <st2:hm>poder<\/st2:hm> <st2:hm>mudar<\/st2:hm> o comportamento da equipe perante as adversidades, voc&ecirc; pode <st2:hm>substituir<\/st2:hm> uma pessoa ou outra. Ent&atilde;o, come&ccedil;ou o campeonato, s&oacute; que ainda n&atilde;o terminou, ent&atilde;o para <st2:hdm>ganhar<\/st2:hdm>, voc&ecirc; tem que <st2:hm>fazer<\/st2:hm> outras mudan&ccedil;as.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; A conquista definitiva do n&iacute;vel superior &eacute; de 1996, &eacute; a emenda do Superior, correto?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; A lei &eacute; 9266 de 1996.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Girando a entrevista, vou <st2:hm>tocar<\/st2:hm> num assunto interno. Uma coisa que me espantou &eacute; o grau de mobiliza&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o interna da PF, associativismo no caso: associa&ccedil;&otilde;es por setor, sindicalizados, etc. Geralmente, no b&ecirc;-a-b&aacute; da Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica a gente aprende que quando tem muito associativismo &eacute; porque nesses casos tem muita defesa de interesses corporativos em jogo. Hoje o que a imprensa fala que o Departamento seria mais ou menos preso a corpora&ccedil;&otilde;es internas e que para determinadas quest&otilde;es sequer se obedecem as hierarquias. Isso se d&aacute;?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; PAREI A verdade &eacute; a seguinte: uma entidade de classes, &eacute; claro, ela tem que <st2:hm>defender<\/st2:hm> os interesses daquilo que ela representa. Ent&atilde;o, quer <st2:hm>dizer<\/st2:hm>, o que o Departamento, exatamente por causa da iniciativa de sempre <st2:hm>defender<\/st2:hm> interesses pr&oacute;prios dos delegados, foi que cada um passou a <st2:hm>querer<\/st2:hm> <st2:hm>defender<\/st2:hm> o seu lado. Ent&atilde;o, uma das lutas que a gente gostaria de <st2:hm>ver<\/st2:hm> na transforma&ccedil;&atilde;o do cargo &eacute;, se tiver possibilidade de <st2:hdm>transformar<\/st2:hdm> para um &uacute;nico cargo, um dos interesse de que todos que participam dessa Lei Org&acirc;nica &eacute;: vamos <st2:hm>acabar<\/st2:hm> com essa defesa de classe que existe. Porque todo o mundo est&aacute; defendendo os seus interesses, ningu&eacute;m est&aacute; defendendo o Departamento de Pol&iacute;cia Federal . E a&iacute; a gente percebe, por exemplo, o atual Diretor era conselheiro da Associa&ccedil;&atilde;o de Delegados e sempre foi aquela pessoa que sempre defendeu apenas o delegado.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Eu perguntei isso ao dr. Bol&iacute;var e ele declarou que n&atilde;o, mas a ADPF n&atilde;o seria uma associa&ccedil;&atilde;o chave pros delegados hoje?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Com certeza. E ela tem acesso ao Diretor-Geral sem <st2:hm>marcar<\/st2:hm> hor&aacute;rio. O Diretor-Geral recebe a ADPF quando ele quer, direto. &ldquo;- Olha, estou querendo <st2:hdm>falar<\/st2:hdm> com voc&ecirc;, ent&atilde;o vai l&aacute;.&rdquo; Agora eu n&atilde;o, eu marco audi&ecirc;ncia e o cara cancela, vai <st2:hm>marcar<\/st2:hm> audi&ecirc;ncia para a a Associa&ccedil;&atilde;o dos Peritos, n&atilde;o &eacute; assim n&atilde;o. A Associa&ccedil;&atilde;o dos Delegados marca quando quer, com a gente n&atilde;o &eacute; assim n&atilde;o..<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Dentro dessa superatribui&ccedil;&atilde;o, nessa disputa interna o que a m&iacute;dia revelou, que n&atilde;o sei se procede e se o senhor pode <st2:hdm>responder<\/st2:hdm>, &eacute; que haveriam setores inteiros financiados pelos Estados Unidos?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Isso eu n&atilde;o sei, isso eu n&atilde;o tenho acesso. Normalmente isso a&iacute;, quem tem mais informa&ccedil;&atilde;o &eacute; o pessoal que trabalha na &aacute;rea de entorpecentes, porque os acordos internacionais de combate ao uso de drogas e de preven&ccedil;&atilde;o de drogas, &eacute; que &agrave;s vezes tem esse acordo. Agora, eu realmente n&atilde;o sei.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Tenho uma pergunta, que &aacute; baseada numa hip&oacute;tese e queria <st2:hm>ver<\/st2:hm> se ela na sua opini&atilde;o procede. A proposta de voc&ecirc;s da Lei Org&acirc;nica, ela gera uma contradi&ccedil;&atilde;o dentro do &oacute;rg&atilde;o nesse processo. O pessoal que vem de uma tradi&ccedil;&atilde;o civil, de curso superior e de origem universit&aacute;ria, hoje estariam mais vinculados a atividade-fim da Pol&iacute;cia do que os pr&oacute;prios policiais na ativa pelo regime anterior. Teria sentido isso para voc&ecirc;s?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; N&atilde;o, porque existe um outro motivo. E por que a gente defende essa Lei Org&acirc;nica e o cargo &uacute;nico? Porque todo o mundo est&aacute; esquecendo que a atividade policial ela &eacute; uma especialidade, voc&ecirc; entendeu? E a gente precisa da experi&ecirc;ncia da pessoa. Ent&atilde;o, essa &eacute; uma contradi&ccedil;&atilde;o e eu digo assim porque nem todos os peritos s&atilde;o a favor do cargo &uacute;nico.<\/p>\n<p>BRUNO &#8211; A entidade &eacute; a favor?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; A entidade est&aacute; sendo a favor, ela &eacute; a favor. Na Lei Org&acirc;nica n&oacute;s votamos a favor, estamos sendo a favor do cargo &uacute;nico. Por qu&ecirc;? Porque a gente percebeu que precisava a Pol&iacute;cia <st2:hm>mudar<\/st2:hm>. E a&iacute; eu vou te <st2:hm>dizer<\/st2:hm>: o que a Pol&iacute;cia precisa? A Pol&iacute;cia precisa de um doutor em que &aacute;rea? Um doutor especializado na &aacute;rea de medicina legal. A gente precisa de um doutor especializado na nossa atividade-fim, nas provas das quais a gente fala, na &aacute;rea criminal, n&atilde;o doutor em qualquer outra &aacute;rea. Mas a gente precisa <st2:hm>aprender<\/st2:hm> a <st2:hm>vincular<\/st2:hm> a experi&ecirc;ncia policial. A experi&ecirc;ncia policial, ela &eacute; muito importante. E por isso que, atrav&eacute;s do cargo &uacute;nico, a gente ir&aacute; <st2:hm>mesclar<\/st2:hm> as duas coisas. Entra assim, o seguinte: precisamos em especialistas em prova. Ent&atilde;o, a Pol&iacute;cia Federal n&atilde;o vai <st2:hm>abrir<\/st2:hm> concurso para qualquer forma&ccedil;&atilde;o superior. Porque vai <st2:hm>ser<\/st2:hm> um &uacute;nico cargo, ent&atilde;o n&atilde;o <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> escriv&atilde;o, papi e agente. Vai <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> o que? Cargo de policial federal. A&iacute; precisamos de 50 policiais federais na &aacute;rea de inform&aacute;tica. Vai <st2:hm>abrir<\/st2:hm> concurso para essa especialidade. Precisamos de policiais na &aacute;rea de farm&aacute;cia, de qu&iacute;mica e biologia. Ent&atilde;o abre a vaga para estes, o concurso vai <st2:hm>ser<\/st2:hm> espec&iacute;fico para quem &eacute; formado naquela &aacute;rea, com curso superior, porque na hora que <st2:hm>entrar<\/st2:hm> aqui dentro o cara vai <st2:hm>trabalhar<\/st2:hm> para <st2:hm>investigar<\/st2:hm> provas naquela forma&ccedil;&atilde;o profissional dele. N&atilde;o adianta <st2:hm>negar<\/st2:hm> a necessidade da exig&ecirc;ncia especializada para policial federal. Crime da m&aacute;fia chinesa: voc&ecirc; grampeia o telefone do chin&ecirc;s, se n&atilde;o sabe chin&ecirc;s, o que adianta, voc&ecirc; <st2:hm>contratar<\/st2:hm> algu&eacute;m que possa <st2:hm>traduzir<\/st2:hm>? Se voc&ecirc; for <st2:hm>ver<\/st2:hm> o FBI faz isso.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; &Eacute; o recrutamento &eacute;tnico e com dom&iacute;nio de idioma, correto?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Correto. Na tr&iacute;plice fronteira, cheio de &aacute;rabe, voc&ecirc; vai <st2:hm>fazer<\/st2:hm> o que? Vai <st2:hm>contratar<\/st2:hm> um int&eacute;rprete, algu&eacute;m para <st2:hm>traduzir<\/st2:hm>? N&atilde;o, voc&ecirc; precisa de policial federal que tenha aquela forma&ccedil;&atilde;o de l&iacute;nguas, especializado naquilo ali. E hoje a Pol&iacute;cia Federal n&atilde;o tem. O que existe s&atilde;o abnegados que fazem curso por conta pr&oacute;pria, porque gostam e tem interesse, e que estudam aquilo ali. Agora, o que a Pol&iacute;cia precisa &eacute; exatamente isso, de <st2:hdm>focalizar<\/st2:hdm> a forma&ccedil;&atilde;o profissional naquilo ali. E ao longo da carreira a pessoa vai se especializando, quer <st2:hm>dizer<\/st2:hm>, se ela <st2:hm>ficar<\/st2:hm> na &aacute;rea processual, por isso que eu digo, bacharel em direito &eacute; muito importante dentro da Pol&iacute;cia, ele vai exercendo um cargo de delegado da mesma forma e o bacharel especializado em outras &aacute;reas, especializado em inform&aacute;tica, em qu&iacute;mica, vai <st2:hdm>exercer<\/st2:hdm> atividade de per&iacute;cia. Vai <st2:hm>existir<\/st2:hm> a classe de perito. E ao final, para o cara <st2:hm>chegar<\/st2:hm> a Superintendente, a Diretor, ele vai <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> que <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> um grau de especializa&ccedil;&atilde;o profissional em gest&atilde;o p&uacute;blica, em administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, coisa que n&atilde;o tem, n&eacute;. Porque o que a gente est&aacute; querendo <st2:hdm>transformar<\/st2:hdm> &eacute; toda a Pol&iacute;cia, para que a pessoa chegue ao cargo de Diretor-Geral, ela antes tenha no m&iacute;nimo mestrado em gest&atilde;o p&uacute;blica, que ela fa&ccedil;a no m&iacute;nimo mestrado, porque um Diretor-Geral n&atilde;o &eacute; um delegado, &eacute; um administrador. E ele precisa <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> um conhecimento policial, mas na verdade &eacute; um cargo de administra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Voc&ecirc;s t&atilde;o propondo uma equival&ecirc;ncia com, aproximadamente, os cursos que existem nas For&ccedil;as Armadas, como pr&eacute;-requisito para a promo&ccedil;&atilde;o a conclus&atilde;o de cruso espec&iacute;fico, como por exemplo, o de Estado-Maior?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Exatamente, e a&iacute; voc&ecirc; procura <st2:hm>mesclar<\/st2:hm> esse conhecimento cient&iacute;fico do cara que veio para c&aacute; com a experi&ecirc;ncia policial. Essa &eacute; a nossa dificuldade, para o caso da per&iacute;cia, porque para a per&iacute;cia precisa de um int&eacute;rprete para a prova. Mesmo que o cara seja perito, ele vai <st2:hm>demorar<\/st2:hm> 10, 14 anos para <st2:hm>chegar<\/st2:hm> no cargo de perito e <st2:hm>fazer<\/st2:hm> laudo, a&iacute; ele vai <st2:hm>perder<\/st2:hm> a ci&ecirc;ncia tecnologia, que vai mudando rapidamente, se eu n&atilde;o tiver um cara que esteja sempre oxigenando a per&iacute;cia eu vou <st2:hm>estar<\/st2:hm> defasado. Mas &eacute; porque todo o mundo pensa que o modelo de investiga&ccedil;&atilde;o vai <st2:hm>ser<\/st2:hm> igual o que est&aacute; a&iacute; hoje e n&atilde;o pode. Se <st2:hm>implantar<\/st2:hm> o cargo &uacute;nico e a estrutura organizacional da Pol&iacute;cia <st2:hm>permanecer<\/st2:hm> do jeito que est&aacute;, o modelo de investiga&ccedil;&atilde;o da forma que est&aacute;, ele n&atilde;o vai <st2:hm>dar<\/st2:hm> certo.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Quando voc&ecirc;s chegaram &agrave; proposta do cargo &uacute;nico, qual foi a rea&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia, algu&eacute;m cobriu, teve rea&ccedil;&atilde;o direta?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; N&atilde;o, por enquanto ningu&eacute;m deu muita bola, n&atilde;o. N&atilde;o houve destaque por parte da m&iacute;dia, nem de m&iacute;dia especializada. S&oacute; em CONAPEF, eu j&aacute; participei de CONAPEF que a gente teve tal, vinha a m&iacute;dia naquele momento. O que a gente sabe &eacute; que o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a est&aacute; esperando, &eacute; que o ministro j&aacute; falou v&aacute;rias vezes: quer <st2:hdm>transformar<\/st2:hdm> a pol&iacute;cia num FBI. E o FBI, vai l&aacute; <st2:hm>ver<\/st2:hm> qual &eacute; o perfil do policial l&aacute;, como &eacute; a estrutura de investiga&ccedil;&atilde;o, tem que <st2:hm>mudar<\/st2:hm> tudo, entendeu? A carreira, ela n&atilde;o &eacute; preparada para <st2:hm>atuar<\/st2:hm> num dos maiores servi&ccedil;os que est&atilde;o sendo feitos hoje. E s&oacute; voltando a uma coisa que eu esqueci e que tem que <st2:hm>complementar<\/st2:hm>, quando teve o decreto que o Paulo Lacerda desvalorizou, desprestigiou a per&iacute;cia, a gente n&atilde;o entendeu pelo seguinte. Ele fez a pol&iacute;tica, aquela antiga, que qualquer um faz. Que &eacute; o que? <st2:hm>Criar<\/st2:hm> delegacias. Exemplo, &ldquo;- Vamos <st2:hm>combater<\/st2:hm> o crime do meio ambiente.&rdquo;. Vamos <st2:hm>criar<\/st2:hm> delegacia do meio ambiente.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Aumentou o contingente?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; N&atilde;o, vai <st2:hm>aumentar<\/st2:hm> o contingente. A lei 10.682 deste ano aumentou a quantidade de vagas para a Pol&iacute;cia Federal. Mas a&iacute; ele pega e fala assim: &ldquo;Vamos <st2:hm>combater<\/st2:hm> os crimes contra o meio ambiente&#8230;&rdquo;, a&iacute; cria a Delegacia do Meio Ambiente. &ldquo;Ah, est&aacute; havendo muito crime contra o turista&rdquo;, vamos <st2:hm>criar<\/st2:hm> a Delegacia do Turismo. &ldquo;Ah, est&aacute; acontecendo muito crime organizado.&rdquo;, vamos <st2:hm>criar<\/st2:hm> a Delegacia do Crime Organizado. Mas eles esquecem que, &eacute; preciso <st2:hm>especializar<\/st2:hm> o combate ao crime? &Eacute; evidente que precisa. S&oacute; que n&atilde;o pelo m&eacute;todo esse. Isso que ta a&iacute; virou o que? Virou mero distribuidor de protocolo de crime. Porque efetivamente a especializa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem esse espelhamento na per&iacute;cia. Voc&ecirc; quer <st2:hm>criar<\/st2:hm> uma Diretoria de Crime Organizado ent&atilde;o voc&ecirc; tem que <st2:hm>fazer<\/st2:hm> esse espelho para a per&iacute;cia, ou seja, <st2:hm>colocar<\/st2:hm> peritos ali. Efetivamente <st2:hm>criar<\/st2:hm> a &aacute;rea da per&iacute;cia, para <st2:hm>trabalhar<\/st2:hm> nos crimes organizados. Porque a prova &eacute; especializada. Voc&ecirc; quer <st2:hm>combater<\/st2:hm> crime do meio ambiente, voc&ecirc; precisa de peritos a&iacute;, <st2:hm>criar<\/st2:hm> essa estrutura na &aacute;rea de crimes ambientais. Mas porque ele n&atilde;o faz isso? Porque todo mundo vai <st2:hm>ver<\/st2:hm> que n&atilde;o &eacute; a delegacia, &eacute; a per&iacute;cia, &eacute; a prova que ta ali. A&iacute; criou Delegacia de Combate a Crimes do Meio Ambiente. Que que o delegado sabe sobre dano ambiental? &Eacute; o engenheiro agr&ocirc;nomo, engenheiro florestal, engenheiro ambiental.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; At&eacute; para <st2:hm>fazer<\/st2:hm> o EIA\/RIMA (obs. nosso: Estudo de Impacto Ambiental\/Relat&oacute;rio de Impacto Ambiental), correto?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Correto. O pessoal vai <st2:hm>estar<\/st2:hm> trabalhando, e tem pessoal que trabalha na &aacute;rea de meio ambiente na PF. To dando um exemplo s&oacute;. Quer <st2:hm>ver<\/st2:hm>, na &aacute;rea de crimes de inform&aacute;tica: Delegacia de Crimes Cibern&eacute;ticos. Precisa disso? Com toda a sinceridade? N&atilde;o. O que precisa &eacute; de um grupo que trabalhe com provas de crimes cibern&eacute;ticos, mas n&atilde;o h&aacute; esse espelhamento, n&atilde;o existe. Enquanto a gente n&atilde;o tiver gestores em todas as pol&iacute;cias, n&atilde;o s&oacute; na Pol&iacute;cia Federal, com essa vis&atilde;o macro do que seja <st2:hm>combater<\/st2:hm> o crime, n&oacute;s n&atilde;o vamos a lugar nenhum. S&oacute; <st3:sinonimos>pra<\/st3:sinonimos> voc&ecirc; <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> uma id&eacute;ia, eu defendo o cargo &uacute;nico e uma <st3:sinonimos>mudan&ccedil;a<\/st3:sinonimos> radical na Pol&iacute;cia porque eu acho que a Pol&iacute;cia precisa <st2:hm>mudar<\/st2:hm> todo o seu conceito. Quando eu falo que &eacute; produtora de prova e n&atilde;o outra coisa &eacute; porque, eu vou te <st2:hdm>mostrar<\/st2:hdm> aqui: um &uacute;nico artigo do processo penal que voc&ecirc; vai <st2:hm>entender<\/st2:hm> porque a Pol&iacute;cia precisa <st2:hm>mudar<\/st2:hm>. Na revista nossa de n&uacute;mero 13, tem um artigo meu, &ldquo;Prova, Pol&iacute;cia Per&iacute;cia&rdquo;. Ele, o policial, o perito, sabe que tem que <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> provas suficientes para a condena&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o existem provas suficientes para a condena&ccedil;&atilde;o. Se n&atilde;o existem provas suficientes para a condena&ccedil;&atilde;o, est&aacute; absolvido. O que que s&atilde;o provas suficientes? &Eacute; uma coisa t&atilde;o abrangente, que o juiz diz: &ldquo;- ah, s&oacute; tem uma prova, s&oacute; tem duas, ent&atilde;o n&atilde;o &eacute; suficiente, est&aacute; absolvido.&rdquo; Ent&atilde;o, o m&iacute;nimo que se requer da pol&iacute;cia &eacute; que ela produza provas. N&atilde;o tem como <st2:hm>desvincular<\/st2:hm> a prova da per&iacute;cia, porque se eu disser que voc&ecirc; cometeu um crime voc&ecirc; entra com uma a&ccedil;&atilde;o de dano moral, dizendo n&atilde;o, n&atilde;o cometi. Cad&ecirc; sua prova de que eu cometi o crime? Quando se fala hoje em dia em prova, &eacute; prova pericial. A prova testemunhal ela pode <st2:hdm>auxiliar<\/st2:hdm> e <st2:hdm>ajudar<\/st2:hdm> na investiga&ccedil;&atilde;o. Agora efetiva, o que todo mundo quer &eacute; a materialidade, certo? E no C&oacute;digo de Processo Penal est&aacute; bem claro isso. Ent&atilde;o voc&ecirc; abre a p&aacute;gina da Associa&ccedil;&atilde;o, a nossa p&aacute;gina e ta l&aacute; &ldquo;A Per&iacute;cia prova.&rdquo;<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Roosevelt, esta pergunta eu fiz para todos at&eacute; agora, e fa&ccedil;o agora para ti. Na m&iacute;dia, e como observador, a <st2:hm>partir<\/st2:hm> da sociedade, a gente percebe que a imagem com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; PF &eacute; bem superior que a das outras pol&iacute;cias. Queria uma avalia&ccedil;&atilde;o tua de a que se deve isso?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Na verdade eu acho que isso a&iacute; se deve ao que eu falei desde o in&iacute;cio, por causa do efetivo. Ao capital humano da Pol&iacute;cia, e at&eacute; era por isso que eu estava falando da experi&ecirc;ncia policial. O capital humano da Pol&iacute;cia &eacute; muito bom. As pessoas que comp&otilde;em o quadro na Pol&iacute;cia Federal, elas se dedicam de corpo e alma. Ao seu trabalho, principalmente os agentes. Os peritos que trabalharam ao longo do tempo, voc&ecirc; via que eles tinham v&aacute;rias defici&ecirc;ncias de instrumenta&ccedil;&atilde;o, mas o cara tinha criatividade e se dedicava para aquilo. A Pol&iacute;cia Federal era o objetivo da pessoa, que dizia: Eu quero <st2:hm>ser<\/st2:hm> policial federal. A pessoa entrava aqui para se <st2:hm>aposentar<\/st2:hm> aqui na Pol&iacute;cia. Isso tinha antigamente, e hoje j&aacute; n&atilde;o tem tanto assim. Ent&atilde;o a pessoa tinha orgulho, e tem na m&uacute;sica nossa, o orgulho de <st2:hm>ser<\/st2:hm> federal. Ent&atilde;o esse orgulho de <st2:hm>ser<\/st2:hm> federal, esse orgulho que tem na m&uacute;sica, de <st2:hm>ser<\/st2:hm> da Pol&iacute;cia Federal, &eacute; que diferencia. Isto est&aacute; na mente, t&aacute; dentro do cara. Principalmente do pessoal mais antigo. Isso a&iacute; &eacute; o que faz que a pessoa diga: &ldquo;p&ocirc;, eu quero <st2:hm>ser<\/st2:hm> policial federal.&rdquo; E isto veio sendo <st3:sinonimos>constru&iacute;do<\/st3:sinonimos> ao longo dos anos. Ent&atilde;o foi <st3:sinonimos>constru&iacute;do<\/st3:sinonimos> com quem? Com o capital humano, com a pessoa que ta ali, com o agente que t&aacute; ali investigando. Voc&ecirc; v&ecirc; o policial, n&atilde;o tem previs&atilde;o legal, de infiltra&ccedil;&atilde;o, voc&ecirc; n&atilde;o v&ecirc; este tipo de previs&atilde;o legal, mas voc&ecirc; v&ecirc; policial federal fazendo campana, largando a sua fam&iacute;lia, ficando 2, 3 dias acompanhando bandido, escondido, disfar&ccedil;ado, s&oacute; para <st2:hm>pegar<\/st2:hm> bandido. Ent&atilde;o isso a&iacute; se faz com muita vontade de <st2:hdm>ajudar<\/st2:hdm> a sociedade. Isso eu, l&aacute; no Esp&iacute;rito Santo que teve na Superintend&ecirc;ncia, eu pude <st2:hm>ver<\/st2:hm> isso mais de perto. &Agrave;s vezes o perito lotado onde eu t&ocirc; agora n&atilde;o tem muito contato, mas o perito na Superintend&ecirc;ncia, por causa das opera&ccedil;&otilde;es, voc&ecirc; vai de vez em quando. E voc&ecirc; v&ecirc;, exatamente, esta dedica&ccedil;&atilde;o. Dedica&ccedil;&atilde;o assim, com amor a camisa da Pol&iacute;cia Federal. &Eacute; por isso que a sociedade acredita tanto. Eu n&atilde;o sei se nas outras pol&iacute;cias se o pessoal tem essa dedica&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o, mas eu to falando da nossa. O que eu presencio desde que eu entrei aqui, to h&aacute; 7 anos na Pol&iacute;cia, &eacute; que todo o mundo tem orgulho de <st2:hm>ser<\/st2:hm> policial federal. E isso faz o diferencial da Pol&iacute;cia. A vontade do pessoal <st2:hm>trabalhar<\/st2:hm> para <st2:hm>investigar<\/st2:hm> &eacute; muito grande.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Isso vem fomentado desde a Academia?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Olha, eu n&atilde;o sei se antes, se quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha. Eu n&atilde;o sei se desde antes, no pr&oacute;prio concurso a pessoa diz: &ldquo; &ndash; Eu quero <st2:hm>ser<\/st2:hm> policial federal.&rdquo;Quando a pessoa j&aacute; entra na Academia, todo mundo l&aacute; j&aacute; ta super-empolgado e l&aacute; o pessoal incentiva porque quem est&aacute; dando aula incentiva porque gosta. N&oacute;s temos as nossas brigas aqui internas, essa confus&atilde;o toda que voc&ecirc; ta vendo, mas todo o mundo ama a Pol&iacute;cia Federal. Todo mundo adora a Pol&iacute;cia Federal. O que a gente quer &eacute; <st4:infinitivo>modernizar<\/st4:infinitivo>, &eacute; a estrutura que a gente quer <st2:hm>mudar<\/st2:hm>, por isso que a gente defende o cargo &uacute;nico. Porque a <st2:hm>partir<\/st2:hm> de um novo modelo de Pol&iacute;cia onde todo mundo vai <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> o mesmo cargo, n&atilde;o vai <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> diferen&ccedil;a, a gente acredita que essa nossa uni&atilde;o vai <st2:hm>ficar<\/st2:hm> mais forte ainda. E a&iacute; fica dif&iacute;cil para quem queira <st2:hdm>brigar<\/st2:hdm> conosco. Eu acredito na for&ccedil;a da Pol&iacute;cia Federal, porque hoje &eacute; aquele neg&oacute;cio, divide pr&aacute; <st2:hm>poder<\/st2:hm> <st2:hm>manipular<\/st2:hm>. Se a gente <st2:hm>conseguir<\/st2:hm> <st2:hm>unir<\/st2:hm>, at&eacute; pro pr&oacute;prio governo, isso a&iacute; pode <st2:hm>ser<\/st2:hm> uma amea&ccedil;a <st3:sinonimos>pra<\/st3:sinonimos> ele. A&iacute; atrav&eacute;s da unifica&ccedil;&atilde;o em um &uacute;nico cargo, onde todos v&atilde;o <st2:hm>estar<\/st2:hm> unidos, isso a&iacute; pode <st2:hm>ser<\/st2:hm> efetivamente, um caminho. Voc&ecirc; v&ecirc;: &ldquo;P&ocirc;, na Pol&iacute;cia Federal agora t&aacute; todo mundo unido, n&atilde;o tem mais aquela briga de delegado com perito com escriv&atilde;o com agente com papi, todo mundo brigava antes e <st3:sinonimos>tava<\/st3:sinonimos> tudo bem n&eacute;.&rdquo; Agora n&atilde;o, todo mundo t&aacute; unido, &eacute; um cargo s&oacute;, s&oacute; tem uma entidade de classe, a&iacute; fica complicado <st3:sinonimos>pra<\/st3:sinonimos> muita gente.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Tu diz ent&atilde;o, que a chance de <st2:hm>haver<\/st2:hm> impunidade diminuiria?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Exatamente.<\/p>\n<p>BRUNO &ndash; Ent&atilde;o, entrando no conflito de interesses, a autonomia policial j&aacute; n&atilde;o interessaria a muita gente, correto?<\/p>\n<p>ROOSEVELT &ndash; Eu nem digo que os outros n&atilde;o possam <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> interesse, mas eu t&ocirc; falando o seguinte. Na verdade, se voc&ecirc; todos os servidores da PF numa mesma id&eacute;ia, numa estrutura &uacute;nica, esses conflitos em que a gente perde tempo, discutindo: &ldquo;- Ah, os delegados t&atilde;o fazendo isso com a gente. E os agentes querem <st2:hm>fazer<\/st2:hm> isso.&rdquo; Essa perda de tempo, essas brigas, a id&eacute;ia &eacute; que elas v&atilde;o <st2:hm>diminuir<\/st2:hm>. Elas diminuindo, o enfoque vai <st2:hm>ser<\/st2:hm> outro. Eu vou <st2:hm>parar<\/st2:hm> de <st2:hdm>focalizar<\/st2:hdm> o meu tempo pr&aacute; <st2:hm>defender<\/st2:hm> a minha categoria, e vou <st2:hm>defender<\/st2:hm> o que? Meu grupo, que &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o muito maior. E tamb&eacute;m, olha s&oacute;, quem <st2:hm>mexer<\/st2:hm> na Pol&iacute;cia, e no pr&oacute;prio trabalho. Quer <st2:hm>dizer<\/st2:hm>, <st2:hdm>tirar<\/st2:hdm> o foco, porque na institui&ccedil;&atilde;o, vai <st2:hm>ser<\/st2:hm> menos cargo classista, ent&atilde;o vai <st2:hm>ser<\/st2:hm> mais gente trabalhando tamb&eacute;m. Porque hoje t&aacute; todo mundo brigando um contra o outro, alguns v&atilde;o <st2:hm>sobrar<\/st2:hm> para <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> de <st2:hm>voltar<\/st2:hm> a <st2:hm>trabalhar<\/st2:hm>. Esta perda de tempo vai <st2:hm>ser<\/st2:hm> substitu&iacute;da pelo trabalho. Eu acredito que essa unifica&ccedil;&atilde;o ela vai <st2:hdm>fortalecer<\/st2:hdm> a institui&ccedil;&atilde;o, as entidades de classe e vai <st2:hm>ser<\/st2:hm> ben&eacute;fico para a sociedade, vai <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> mais tempo pr&aacute; gente se <st2:hdm>dedicar<\/st2:hdm> a <st2:hm>combater<\/st2:hm> a impunidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perito da \u00e1rea de crimes financeiros, Leadabal afirma que crimes como a lavagem de dinheiro do Banestado s\u00e3o cometidos por pessoas influentes da sociedade. Foto:Bonde Entrevista com o perito de pol&iacute;cia federal ROOSEVELT LEADEBAL JR., presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) &ndash; quando da data do trabalho. 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