{"id":10317,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=64"},"modified":"2023-03-13T21:48:43","modified_gmt":"2023-03-14T00:48:43","slug":"opiniao-publica-x-opiniao-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10317","title":{"rendered":"Opini\u00e3o P\u00fablica x Opini\u00e3o Popular"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/radiocomunitria.jpg\" title=\"A cria\u00e7\u00e3o de meios comunit\u00e1rios de comunica\u00e7\u00e3o fomenta a discuss\u00e3o popular com pautas do p\u00fablico para o pr\u00f3prio p\u00fablico a partir da sua realidade. - Foto:radiomebaweb\" alt=\"A cria\u00e7\u00e3o de meios comunit\u00e1rios de comunica\u00e7\u00e3o fomenta a discuss\u00e3o popular com pautas do p\u00fablico para o pr\u00f3prio p\u00fablico a partir da sua realidade. - Foto:radiomebaweb\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A cria\u00e7\u00e3o de meios comunit\u00e1rios de comunica\u00e7\u00e3o fomenta a discuss\u00e3o popular com pautas do p\u00fablico para o pr\u00f3prio p\u00fablico a partir da sua realidade.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:radiomebaweb<\/small><\/figure>\n<p>Rio Grande, julho de 2001<\/p>\n<p>Todos os dias, dezenas de not&iacute;cias de esc&acirc;ndalos bombardeiam a cabe&ccedil;a da maioria do povo. Apag&atilde;o e crise energ&eacute;tica, ACM e painel do senado, seu inimigo J&aacute;der Barbalho, greve das PMs, a corrida pr&eacute;-eleitoral, os acordos do Malan com o FMI e agora a crise da Argentina. Entorpecidos de tantos problemas, o povo discute o que pode e reflete o que d&aacute;. Termina por canalizar parte dos anseios oprimidos atrav&eacute;s dos mecanismos oferecidos pela pr&oacute;pria m&iacute;dia. A &quot;sociedade se corrige&quot; com participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;, exigindo muito do pouco que funciona no capitalismo brasileiro: os cavaleiros legalistas do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, o Procon e a defesa do consumidor, Instituto da Terra e a Defensoria P&uacute;blica. Somadas a estas ilhas de excel&ecirc;ncia do Estado brasileiro, est&atilde;o centenas de ONGs que fazem de tudo para aumentar o n&iacute;vel de &quot;cidadania&quot; num pa&iacute;s governado por elites que nada mais s&atilde;o do que seu pr&oacute;prio passado escravrocrata.<\/p>\n<p>Opini&atilde;o p&uacute;blica, a grosso modo, &eacute; um conjunto de opini&otilde;es emitidas a partir de temas apresentados pelos grandes grupos econ&ocirc;micos, baseadas em informa&ccedil;&otilde;es e conceitos transmitidos pelos pr&oacute;prios conglomerados. Se o povo discute os temas expostos pela classe dominante, controladora da m&iacute;dia, quais s&atilde;o os assuntos que se discute a partir dos pr&oacute;prios interesses de classe?! Se o consenso &eacute; fabricado nas transmiss&otilde;es televisivas, d&aacute; pr&aacute; concluir que os assuntos de interesse popular s&atilde;o &quot;dissenso&quot;?! Sim, infelizmente, para ambas perguntas, a resposta &eacute; afirmativa.<\/p>\n<p>Ao contr&aacute;rio do que possa parecer, um enunciado pol&iacute;tico, qualquer um, &eacute; fruto de negociatas, espionagem e correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as. Desde a declara&ccedil;&atilde;o do Banco Central sobre a alta do d&oacute;lar at&eacute; um projeto-lei fisiol&oacute;gico do vereador mais pilantra, sempre a pauta do notici&aacute;rio pol&iacute;tico passa por um processo seletivo acirrado. Isto significa, no m&iacute;nimo, selecionar uma em cada dez not&iacute;cias. E, uma vez selecionada, construir esta not&iacute;cia gerando um sentido pr&eacute;-escolhido.<\/p>\n<p>O controle da opini&atilde;o p&uacute;blica est&aacute; na sele&ccedil;&atilde;o do que noticiar, a forma de transmitir, a ordem de exposi&ccedil;&atilde;o do telejornal, o tom emocional da transmiss&atilde;o, al&eacute;m dos coment&aacute;rios editoriais dos apresentadores. Por mais que sejam noticiados esc&acirc;ndalos das elites e mecanismos de governo, a pr&oacute;pria den&uacute;ncia em forma de not&iacute;cia &eacute; um produto informativo. O bombardeio destes produtos na cabe&ccedil;a da gente, n&atilde;o nos permite aprofundar nenhum deles.<\/p>\n<p>Cada assunto &eacute; martelado at&eacute; o ponto que a cobertura necessita ser ainda mais profunda. Quando esta passa de not&iacute;cia a sintoma de uma caracter&iacute;stica sist&ecirc;mica, simplesmente o assunto desaparece. Apenas como exerc&iacute;cio de mem&oacute;ria; algu&eacute;m se lembra do esc&acirc;ndalo dos po&ccedil;os artesianos constru&iacute;dos pelo DNOCS nas fazendas do deputado federal do PFL Inoc&ecirc;ncio de Oliveira? O senador Romeu Tuma era chamado de xerife do governo Sarney (1985-1990) quando comandava a Pol&iacute;cia Federal, mas quantos se lembram que ele comandava o DOPS da Pol&iacute;cia Civil em S&atilde;o Paulo na &eacute;poca da ditadura militar, e foi diretor no governo Maluf?! &Eacute; coincid&ecirc;ncia que Paulo Renato (Ministro da Educa&ccedil;&atilde;o), Pedro Malan (Ministro da Fazenda) e Arm&iacute;nio Fraga (presidente do Banco Central) sejam todos ex-funcion&aacute;rios do FMI e do Banco Mundial?! At&eacute; que ponto chega o cinismo da classe dominante?!<\/p>\n<p>Outro falso mito, &eacute; o de que a m&iacute;dia tem sua din&acirc;mica pr&oacute;pria, independente dos capitais que a manipulam. Certa vez num debate, um estudante perguntou a Noam Chomsky:<br \/>\n&#8211; &quot;Professor, como a e elite controla a m&iacute;dia?!&quot; Chomsky perguntou ao estudante:<br \/>\n&#8211; &quot;Amigo, como a elite controla a GM, Ford, Volkswagen e outras montadoras?&quot; Simplesmente n&atilde;o controla porque n&atilde;o precisa controlar&quot; disse ele, &quot;Isto porque os capitais da m&iacute;dia s&atilde;o a elite!&quot;<\/p>\n<p>O mesmo acontece no Brasil. A partir de 1964, logo ap&oacute;s o golpe de 1&ordm; de abril, a Rede Globo se associou ao grupo yankee Time-Warner e tornou-se pe&ccedil;a fundamental de apoio ao regime. J&aacute; no ano de 2001 a Globo n&atilde;o apenas ap&oacute;ia, mas ela &eacute; o regime! Pautando os assuntos comuns a toda nossa vida, o &quot;grande irm&atilde;o&quot; tenta nos dizer o que discutir, contra quem se revoltar e nos impor os motivos de nossa indigna&ccedil;&atilde;o. Como diz outro papagaio da direita, o ex-membro do CCC B&oacute;ris Casoy, &quot;isto &eacute; uma vergonha!&quot;. E &eacute; mesmo.<\/p>\n<p>Mesmo que a situa&ccedil;&atilde;o narrada acima seja dura, a classe oprimida ainda tem alguma capacidade de resposta. Nenhuma audi&ecirc;ncia ou p&uacute;blico receptor &eacute; inteiramente passivo, ningu&eacute;m acata e reproduz tudo o que tentam nos impor goela abaixo. Mas, mais importante do que resistir ou furar ao bombardeio da m&iacute;dia capitalista, &eacute; gerarmos meios de comunica&ccedil;&atilde;o sob controle popular. S&oacute; teremos nossos enunciados pol&iacute;ticos discutidos em comunidades populares e categorias de trabalhadores, quando formos capazes de gerar entre n&oacute;s mesmos todo o processo de constru&ccedil;&atilde;o da not&iacute;cia.<\/p>\n<p>A pauta de discuss&atilde;o ser&aacute; popular quando os meios de comunica&ccedil;&atilde;o forem do povo. Vamos compreender e debater a not&iacute;cia pautada a partir de nossas comunidades, geradas na pr&oacute;pria realidade, seja esta como for. &Eacute; urgente que o conjunto dos militantes que est&atilde;o na luta popular, trabalhando na inser&ccedil;&atilde;o social todos os dias em vilas, periferias e favelas, participem da cria&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dios e TVs comunit&aacute;rias e at&eacute; mesmo seman&aacute;rios impressos populares. Atrav&eacute;s da comunica&ccedil;&atilde;o social democr&aacute;tica, recriamos o consenso da base, pautamos a luta atrav&eacute;s da realidade cotidiana e encontramos a est&eacute;tica em nossa pr&oacute;pria cultura popular. Assim, escrevemos a hist&oacute;ria onde protagonista &eacute; o povo em luta e movimento!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cria\u00e7\u00e3o de meios comunit\u00e1rios de comunica\u00e7\u00e3o fomenta a discuss\u00e3o popular com pautas do p\u00fablico para o pr\u00f3prio p\u00fablico a partir da sua realidade. Foto:radiomebaweb Rio Grande, julho de 2001 Todos os dias, dezenas de not&iacute;cias de esc&acirc;ndalos bombardeiam a cabe&ccedil;a da maioria do povo. 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