{"id":10319,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=86"},"modified":"2023-03-13T21:48:49","modified_gmt":"2023-03-14T00:48:49","slug":"brasil-a-impossibilidade-estrategica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10319","title":{"rendered":"Brasil: a impossibilidade estrat\u00e9gica"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/celsofurtado.jpg\" title=\"O professor Celso Furtado ter\u00e1 seus pressupostos v\u00e1lidos enquanto o pa\u00eds seguir no caminho da subservi\u00eancia estruturante.  - Foto:\" alt=\"O professor Celso Furtado ter\u00e1 seus pressupostos v\u00e1lidos enquanto o pa\u00eds seguir no caminho da subservi\u00eancia estruturante.  - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O professor Celso Furtado ter\u00e1 seus pressupostos v\u00e1lidos enquanto o pa\u00eds seguir no caminho da subservi\u00eancia estruturante. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Viam&atilde;o\/RS, abril de 2003<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Introdu&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Este artigo tem a inten&ccedil;&atilde;o de se <st2:hm>aventurar<\/st2:hm> pela pol&iacute;tica econ&ocirc;mica brasileira do tempo presente. J&aacute; explico. A <st2:hm>partir<\/st2:hm> de estudos realizados no 2( semestre de 2002, pudemos <st2:hm>observar<\/st2:hm> e <st2:hm>analisar<\/st2:hm> as pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas promovidas pelo governo central brasileiro a <st2:hm>partir<\/st2:hm> da Abertura. Vimos as inger&ecirc;ncias m&uacute;tuas entre o mercado, os agentes econ&ocirc;micos e os agentes pol&iacute;ticos, e preponderando sobre todos estes atores, os constrangimentos promovidos pelos pa&iacute;ses centrais, especificamente os Estados Unidos da Am&eacute;rica (EUA) somados aos mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o global por esta pot&ecirc;ncia hegemonizados. Tamb&eacute;m tivemos a oportunidade de <st2:hm>acompanhar<\/st2:hm> a disputa eleitoral, para presidente e governadores de estado (al&eacute;m da C&acirc;mara e Senado da rep&uacute;blica e respectivas Assembl&eacute;ias Estaduais) e neste processo, as poss&iacute;veis mudan&ccedil;as estruturais que poderiam <st2:hm>vir<\/st2:hm> a <st2:hdm>ocorrer<\/st2:hdm> com a altern&acirc;ncia de governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">No texto que segue, tentamos <st2:hdm>expor<\/st2:hdm>, de forma breve e sint&eacute;tica, uma s&eacute;rie de constrangimentos estruturais que reduzem &agrave; patamares m&iacute;nimos as margens de manobra do governo central. Isto, independente da altera&ccedil;&atilde;o do partido e coliga&ccedil;&atilde;o que ocupem o Executivo do Estado brasileiro. Nossa quest&atilde;o central &eacute; simples e direta:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Como pode um governo democraticamente eleito <st2:hdm>tomar<\/st2:hdm> decis&otilde;es de car&aacute;ter estrat&eacute;gico no plano macroecon&ocirc;mico se o Estado a <st2:hm>partir<\/st2:hm> do qual governa n&atilde;o &eacute; soberano de seus pr&oacute;prios recursos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">A <st2:hm>partir<\/st2:hm> da quest&atilde;o central derivam outras duas, consequ&ecirc;ncia direta da citada acima. A primeira diz respeito aos marcos de regula&ccedil;&atilde;o internacional e as inger&ecirc;ncias diretas do organismo de regula&ccedil;&atilde;o macroecon&ocirc;mica chamado Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI). &Eacute; esta:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">O (constrangimento estrutural( do endividamento brasileiro (d&iacute;vida interna e externa) e os planos de metas pr&eacute;-acordados com o FMI impedem a realiza&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de longo prazo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\"><span style=\"mso-tab-count: 1\">A segunda quest&atilde;o derivada, aborda o conjunto de compromissos e limita&ccedil;&otilde;es para o exerc&iacute;cio pol&iacute;tico do <st2:hm>poder<\/st2:hm> de <st2:hm>governar<\/st2:hm> um Estado que &eacute; ou deveria <st2:hm>ser<\/st2:hm>, ao menos em tese, soberano. Diz respeito dos n&iacute;veis de comprometimento da pol&iacute;tica econ&ocirc;mica e os respectivos compromissos internacionais, submetendo de fato a pol&iacute;tica ao n&iacute;vel econ&ocirc;mico da tomada de decis&otilde;es no plano nacional. &Eacute; esta:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Quais s&atilde;o portanto, as margens de manobra poss&iacute;veis, sem <st2:hm>realizar<\/st2:hm> alguma forma de rompimento (ou afastamento), n&atilde;o s&oacute; com o modelo vigente (ex. super&aacute;vit prim&aacute;rio, plano de metas, ajuste fiscal, etc.) mas tamb&eacute;m com as determina&ccedil;&otilde;es das institui&ccedil;&otilde;es internacionais e os Estados centrais que as hegemonizam?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Como se pode <st2:hm>observar<\/st2:hm>, a abordagem central do artigo n&atilde;o apresenta nenhuma novidade. Muito ou at&eacute; mesmo tudo o que se prop&otilde;e a <st2:hm>abordar<\/st2:hm> &eacute; visto e revisto todos os dias pela m&iacute;dia corporativa, a m&iacute;dia especializada e pela academia brasileira. Se h&aacute; algum elemento novo no texto, &eacute; justamente o momento que o produzimos. Completado o primeiro quadrimestre do governo Lu&iacute;s In&aacute;cio Lula da Silva (Lula), n&atilde;o h&aacute; <st3:sinonimos>mudan&ccedil;a<\/st3:sinonimos> sens&iacute;vel nenhuma no n&iacute;vel macroecon&ocirc;mico de governo. Considerando o car&aacute;ter de oposi&ccedil;&atilde;o que o chefe de Estado e seu partido (Partido dos Trabalhadores, PT)1 sempre tiveram, temos portanto a evid&ecirc;ncia de perman&ecirc;ncia, ao menos a curto prazo, dos padr&otilde;es de exerc&iacute;cio da pol&iacute;tica econ&ocirc;mica dos dois governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC, de 1( de janeiro de 1995 a 31 de dezembro de 2002). &Eacute; &oacute;bvio que n&atilde;o h&aacute; termos de compara&ccedil;&atilde;o entre pouco mais de 4 meses de exerc&iacute;cio de <st2:hm>poder<\/st2:hm> presidencial com 96 meses deste mesmo exerc&iacute;cio durante o governo anterior. Mas tamb&eacute;m &eacute; igualmente &oacute;bvio e evidente notarmos que as pol&iacute;ticas concretas hoje sendo exercidas, a continuidade com o governo anterior e o quanto de (constrangimento estrutural( est&aacute; implicado nesta pr&oacute;pria continuidade. Enfim, este &eacute; o intento do artigo, o qual esperamos <st2:hm>conseguir<\/st2:hm> <st2:hdm>expor<\/st2:hdm> e <st2:hm>evidenciar<\/st2:hm>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Fatores e agentes de constrangimento do exerc&iacute;cio do <st2:hm>poder<\/st2:hm> pol&iacute;tico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Para <st2:hm>desenvolver<\/st2:hm> este tema, nos atemos aquilo que a literatura e o jornalismo pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico convencionou em <st2:hm>denominar<\/st2:hm> o 2( Consenso de Washington. No 1( Consenso de Washington, reuni&atilde;o ocorrida em novembro de 1989, onde estavam presentes funcion&aacute;rios do governo dos EUA e dos organismos de regula&ccedil;&atilde;o financeira internacional (<st2:hm>ver<\/st2:hm> Auditoria Cidad&atilde; da D&iacute;vida, p.22) o conjunto de orienta&ccedil;&otilde;es consistia a grosso modo em um pacote de reformas e ajustes macroecon&ocirc;micos. Tais como, cortes de gastos e reformas do Estado, incluindo a previdenci&aacute;ria; e, ajustes microecon&ocirc;micos que desoneravam o capital privado de seus encargos e obriga&ccedil;&otilde;es com a m&atilde;o de obra. Por fim, inclu&iacute;am o desmonte progressivo no modelo de crescimento industrial p&oacute;s-2a. Guerra Mundial (atrav&eacute;s do Estado Desenvolvimentista). Este pacote de ajustes a <st2:hm>ser<\/st2:hm> implementado prioritariamente na periferia do sistema capitalista, tinha como discurso alegado o saneamento e a estabiliza&ccedil;&atilde;o de economias inflacionadas e estagnadas (Fiori, 2001, p.85). J&aacute; o 2( Consenso tinha como motiva&ccedil;&atilde;o alegada, uma proposta de crescimento dependente destas economias perif&eacute;ricas (Bresser, 2002, p.87).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Ou seja, aquilo reconhecido e denominado como o 2( Consenso &eacute; um receitu&aacute;rio de crescimento econ&ocirc;mico dependente, vindo dos mesmos centros que propuseram o programa de ajustes que alegavam <st2:hm>sanear<\/st2:hm> a estagna&ccedil;&atilde;o dos anos 1980 (conhecida como a (d&eacute;cada perdida(). De acordo com Bresser Pereira (2002, pp.86-87) a premissa do crescimento atrav&eacute;s de endividamento externo &eacute; falsa. Isto porque, a alega&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses centrais que a periferia do sistema n&atilde;o tem mais recursos para <st2:hm>financiar<\/st2:hm> seu pr&oacute;prio crescimento n&atilde;o &eacute; verdade. Ao menos, n&atilde;o &eacute; uma verdade absoluta. Indo al&eacute;m, este crescimento tem (pernas curtas( e nenhum alcance estrat&eacute;gico. H&aacute; um problema de fundo, questionamos portanto as premissas em si desta forma de pensamento econ&ocirc;mico-pol&iacute;tico. Ou seja, o hiperestruturalismo neoliberal, quando aplicado ao n&iacute;vel macro-econ&ocirc;mico, faz <st2:hm>desaparecer<\/st2:hm> &#8211; e\/ou <st2:hm>tornar<\/st2:hm> in&oacute;cua &#8211; a pr&oacute;pria pol&iacute;tica e a necessidade de vis&atilde;o de longo prazo. Voltando ao tema, o crescimento financiado &eacute; simplesmente endividamento externo aprofundado. Ao inv&eacute;s de se <st2:hdm>refor&ccedil;ar<\/st2:hdm> a poupan&ccedil;a interna, os pa&iacute;ses com maiores condi&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento na periferia do sistema, v&atilde;o <st2:hm>buscar<\/st2:hm> divisas no exterior, aumentando ainda mais seu grau de depend&ecirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Bresser tamb&eacute;m exp&otilde;e a fal&ecirc;ncia da premissa, quando afirma que pa&iacute;ses como Brasil e M&eacute;xico, tem os recursos nacionais para seu desenvolvimento (p.87). Segundo este economista e cientista pol&iacute;tico do pr&oacute;prio PSDB, os dois pa&iacute;ses realizaram sua acumula&ccedil;&atilde;o primitiva e contam com um Estado e elites econ&ocirc;micas capazes de <st2:hm>canalizar<\/st2:hm> a poupan&ccedil;a interna para o investimento nacional. Compreende-se que a premissa do 2( Consenso de Washington &eacute; falsa para Bresser por fatores eminentemente pol&iacute;ticos. E &eacute; esta mesma falta de <st3:sinonimos>preponder&acirc;ncia<\/st3:sinonimos> do n&iacute;vel pol&iacute;tico &#8211; ou o n&iacute;vel pol&iacute;tico controlado pelo fundamentalismo macroecon&ocirc;mico &#8211; que n&atilde;o gera capacidade decis&oacute;ria alguma capaz de se <st2:hm>contrapor<\/st2:hm> aos des&iacute;gnios tamb&eacute;m pol&iacute;ticos que vem do centro do capitalismo2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Indo de encontro da afirma&ccedil;&atilde;o de Bresser, concordando com a falsidade da premissa de que &eacute; imposs&iacute;vel o crescimento sem ajuda externa, Fiori (p.90) afirma que o 2( Consenso defende justo um fortalecimento do <st2:hm>poder<\/st2:hm> do Estado. E isto, para <st2:hm>assegurar<\/st2:hm> o ingresso dos investimentos externos para que supostamente estes venham a <st2:hm>financiar<\/st2:hm> o crescimento de pa&iacute;ses como o Brasil. O que o 2( Consenso n&atilde;o afirma mas leva a <st2:hm>ser<\/st2:hm> executado atrav&eacute;s de suas pol&iacute;ticas no concreto, &eacute; que estes investimentos s&atilde;o um refor&ccedil;o de fragiliza&ccedil;&atilde;o interna dos governos nacionais. Esta realidade se d&aacute; pelo simples fato destes governos n&atilde;o terem quase nenhuma autonomia sobre a decis&atilde;o da vinda ou fuga destes capitais para os pa&iacute;ses onde governam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Existe sim uma capacidade de influ&ecirc;ncia indireta. S&atilde;o as condicionantes qye gerariam &ldquo;credibilidade&rdquo; no capital vol&aacute;til (especulativo) e a pr&oacute;pria ger&ecirc;ncia tanto do Fundo como dos credores privados no pa&iacute;s emergente. Condicionantes cl&aacute;ssicas seriam:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">&#8211; Se por acaso os planos de metas e acordos forem de encontro ao indicado pelo FMI ou pelas ag&ecirc;ncias de an&aacute;lise de risco;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">&#8211; Se por acaso o pa&iacute;s <st2:hm>continuar<\/st2:hm> a se <st2:hm>endividar<\/st2:hm>, emitindo t&iacute;tulos de sua d&iacute;vida p&uacute;blica para <st4:infinitivo>remunerar<\/st4:infinitivo> o capital especulativo que entra e sai do pa&iacute;s sem <st2:hm>ser<\/st2:hm> taxado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">&#8211; Se por acaso o governo da Uni&atilde;o puser em postos-chaves do controle da economia executivos de (confian&ccedil;a( dos credores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Caso tudo isto aconte&ccedil;a, a&iacute; sim o n&iacute;vel pol&iacute;tico estar&aacute; (influenciando positivamente( a entrada dos capitais que ajudar&atilde;o o crescimento interno. Ao nosso <st2:hm>ver<\/st2:hm>, estas afirma&ccedil;&otilde;es s&atilde;o a nega&ccedil;&atilde;o da capacidade de decis&atilde;o pol&iacute;tica e de autonomia do Executivo perante o Estado, e os sistemas pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico sobre o qual governa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">A busca do cumprimento deste plano de metas, somente durante uma parte do segundo governo Fernando Henrique, nos d&atilde;o n&uacute;meros que confirmam estas afirma&ccedil;&otilde;es. Para <st2:hdm>garantir<\/st2:hdm> a entrada destes capitais que (viriam <st2:hm>financiar<\/st2:hm> o crescimento do Brasil(, o governo FHC levou o crescimento da d&iacute;vida interna (em t&iacute;tulos p&uacute;blicos)3 para 35% ao ano em 1999, 20% em 2000 e 21% at&eacute; novembro de 2001. Os valores totais s&atilde;o, respectivamente aos anos referidos (em bilh&otilde;es de reais): R$ 464,7 bi; R$ 555,9 bi e R$ 675 bi. Fazendo o percurso deste capital financiado pelo governo, atrav&eacute;s do qual o pa&iacute;s se endividou, chegamos &agrave; outra ponta dos (compromissos brasileiros(. Apenas em juros e amortiza&ccedil;&otilde;es da d&iacute;vida externa4, o pa&iacute;s pagou aos credores &#8211; ou seja, sacou do caixa do governo, descapitalizou a na&ccedil;&atilde;o e deixou de <st2:hm>investir<\/st2:hm> em planos e metas a longo prazo- respectivamente nos anos de 1999 e 2000 (em valores de bilh&otilde;es de d&oacute;lares) os seguintes valores. Os juros foram US$ 15,24 e US$ 13,97. As amortiza&ccedil;&otilde;es foram de US$ 49,12 e US$ 31,69.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Temos de <st2:hm>considerar<\/st2:hm> uma argumenta&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica. Os planos de metas acordados com o FMI incluem um super&aacute;vit prim&aacute;rio da parte da Uni&atilde;o em torno de 3,5%. Para <st2:hm>atingir<\/st2:hm> esta meta, 34% do Produto Interno Bruto (PIB) &eacute; canalizado para impostos (Auditoria da D&iacute;vida, p.18) e que esta sobrecarga tribut&aacute;ria tem como metas a pr&oacute;pria amortiza&ccedil;&atilde;o da d&iacute;vida j&aacute; contra&iacute;da. O receitu&aacute;rio do 2( Consenso implica em mais depend&ecirc;ncia pois os capitais que entram n&atilde;o vem apenas para <st2:hm>financiar<\/st2:hm> crescimento somente. Mas, tamb&eacute;m para prosseguirem na rolagem da pr&oacute;pria d&iacute;vida a qual estes capitais s&atilde;o credores. Na depend&ecirc;ncia da entrada destes capitais vol&aacute;teis, o governo da Uni&atilde;o (sinaliza( com fatores (positivos(, demonstrando (boa vontade( e (solidez( para <st4:infinitivo>honrar<\/st4:infinitivo> seus compromissos. Realmente, por esta l&oacute;gica, n&atilde;o h&aacute; outra alternativa al&eacute;m de <st2:hm>manter<\/st2:hm> e <st2:hm>fazer<\/st2:hm> <st2:hm>crescer<\/st2:hm> o pr&oacute;prio endividamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Retomamos o debate a <st2:hm>partir<\/st2:hm> da a afirma&ccedil;&atilde;o de que a premissa do crescimento nacional n&atilde;o <st2:hm>ser<\/st2:hm> poss&iacute;vel com poupan&ccedil;a interna &eacute; falsa (segundo Bresser, na qual concordamos). Vamos <st2:hm>verificar<\/st2:hm> que este autor coloca a exist&ecirc;ncia de uma elite econ&ocirc;mica, junto de uma camada dirigente do Estado, capaz de <st2:hm>canalizar<\/st2:hm> do sistema <st3:sinonimos>financeiro<\/st3:sinonimos> para a poupan&ccedil;a interna o volume de capital circulante como fator fundamental para este crescimento negado pelo 2( Consenso de Washington. O que se verifica na afirma&ccedil;&atilde;o de Fiori, &eacute; que esta premissa &eacute; verdadeira, justamente pela inexist&ecirc;ncia de elites latino-americanas (no caso do (ajuste( dos pa&iacute;ses da regi&atilde;o) com tamanha autonomia de decis&atilde;o. Na verdade, n&atilde;o h&aacute; elite latino-americana alguma com vontade e decis&atilde;o independente. Ocorre justo ao contr&aacute;rio, as elites pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas latino-americanas aderem integralmente &agrave;s teses preconizadas em ambos os consensos (p.199). Este alinhamento ao governo e orienta&ccedil;&otilde;es da pot&ecirc;ncia central, representa em n&uacute;meros, a pr&oacute;pria nega&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses da regi&atilde;o. A m&eacute;dia de crescimento da Am&eacute;rica Latina, durante o total do per&iacute;odo desenvolvimentista (1937-1990, Fiori p.191) &eacute; de 5,5% ao ano. No Brasil, entre 1945-1980, ficou entre 7% e 8% ao ano. Na d&eacute;cada de 1990, a d&eacute;cada do ajuste e do (saneamento( econ&ocirc;mico, a taxa ficou abaixo de 3% ao ano, menor no que na chamada d&eacute;cada perdida (a de 1980).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Ainda na premissa falsa que Bresser afirmou, n&oacute;s dizemos que ela &eacute; falsa, pela capacidade de recursos naturais, acumula&ccedil;&atilde;o primitiva e avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico. Mas, que a premissa de impossibilidade de crescimento com poupan&ccedil;a interna &eacute; verdadeira, justamente pela fun&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica que teria de <st2:hm>ser<\/st2:hm> exercida pelas elites que se alinham automaticamente com as teses dos EUA. Respaldamos assim a afirma&ccedil;&atilde;o de Fiori (p.193) colocando que nunca houve no Brasil uma real coordena&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica entre as burocracias e elites dirigentes do Estado com as classes dominantes no plano econ&ocirc;mico. Na aus&ecirc;ncia destes atores coordenados, h&aacute; aus&ecirc;ncia de longo prazo. As burocracias do Estado, na aus&ecirc;ncia de uma estrat&eacute;gia pr&oacute;pria, terminam por cederem &agrave;s press&otilde;es de curto prazo das classes dominantes e conservadoras. Sendo que, no plano estrat&eacute;gico, se alinham de forma subalterna &agrave; estrat&eacute;gia hegem&ocirc;nica a qual o pa&iacute;s se submete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">O fator de perman&ecirc;ncia, &eacute; que o alinhamento autom&aacute;tico da &eacute;poca da bipolaridade e das fronteiras ideol&oacute;gicas, permaneceu na d&eacute;cada de 1990 e no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 2000. A diferen&ccedil;a &eacute; que na nova etapa de supremacia capitalista e ocidental, o alinhamento vem de elites latino-americanas (como &eacute; o exemplo da brasileira) na busca de agentes pol&iacute;ticos que sejam parceiros nos pa&iacute;ses centrais. Bresser (2002, p.91) reafirma o alinhamento direto, dizendo que as elites brasileiras perdem a incapacidade de <st2:hm>pensar<\/st2:hm> por conta pr&oacute;pria, reproduzindo de forma integral as teses do 2( Consenso. Quando estas mesmas elites se concentram no plano de estabilidade do Real (1994), a &acirc;ncora da nova moeda &eacute; o padr&atilde;o d&oacute;lar. Todo um pa&iacute;s torna-se portanto ref&eacute;m dos des&iacute;gnios do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA). Partindo do princ&iacute;pio da necessidade de (sinaliza&ccedil;&atilde;o( para o pa&iacute;s central das inten&ccedil;&otilde;es de governo, &eacute; l&oacute;gica a necessidade de ocupa&ccedil;&atilde;o de postos-chaves por elementos intermedi&aacute;rios entre o Brasil, os organismos econ&ocirc;micos internacionais (como o licenciado do FMI Pedro Malan) e os grandes agentes econ&ocirc;micos e financeiros internacionais (como &eacute; o caso do ex-funcion&aacute;rio do Fundo Soros, Arm&iacute;nio <st3:sinonimos>Fraga<\/st3:sinonimos>). Veremos na outra parte do artigo como este padr&atilde;o de perman&ecirc;ncia se repete no governo Lula e na sua equipe econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Retomando a argumenta&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio Bresser, compreendemos que n&atilde;o &eacute; a aus&ecirc;ncia de poupan&ccedil;a interna (ao menos potencial) que impede um desenvolvimento mais aut&ocirc;nomo e nacional do Brasil dos anos 1990. O que sim impede &eacute; o fator coordena&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica (como afirma Fiori). &Eacute; a aus&ecirc;ncia de elites dirigentes (pol&iacute;ticas e tecno-burocr&aacute;ticas) que associadas a elites econ&ocirc;micas brasileiras (classe dominante nacional) se associariam a <st2:hm>partir<\/st2:hm> dos programas de governo e projetariam o crescimento a longo prazo. &Eacute; irresist&iacute;vel o coment&aacute;rio de que n&atilde;o &eacute; dos tempos recentes que se busca uma (burguesia nacional desenvolvimentista( e ela n&atilde;o aparece de jeito algum. V&aacute;rias for&ccedil;as pol&iacute;ticas est&atilde;o esperando seu surgimento h&aacute; d&eacute;cadas e n&atilde;o h&aacute; jeito dessa conforma&ccedil;&atilde;o se <st2:hm>dar<\/st2:hm>.5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Sem a coordena&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica dos atores centrais de uma economia e sistema capitalista, n&atilde;o h&aacute; possibilidade de realiza&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica. Disto, para um discurso e pr&aacute;tica pol&iacute;tica totalmente alinhados e afirmando que (n&atilde;o h&aacute; alternativas(, &eacute; a consequ&ecirc;ncia l&oacute;gica. Vale a cita&ccedil;&atilde;o literal de Sallum Jr. (1999, p.31).Este autor da USP afirma que (uma classe dominante n&atilde;o se transforma em dirigente a menos que consiga <st2:hm>universalizar<\/st2:hm> seus interesses na sociedade; e isso n&atilde;o ocorre a menos que lideran&ccedil;as pol&iacute;ticas encontrem uma (f&oacute;rmula pol&iacute;tica( que permita a ades&atilde;o da maioria das for&ccedil;as pol&iacute;ticas em presen&ccedil;a(. Quando esta an&aacute;lise estrutural chega aos n&iacute;veis reais, percebe-se a fal&ecirc;ncia estrat&eacute;gica. Toda a economia do Brasil dependia (e depende) da (boa vontade( do sistema <st3:sinonimos>financeiro<\/st3:sinonimos> internacional e das grandes empresas transnacionais que aqui operam (Sallum Jr., p.31). Esta (boa vontade( se manifesta a medida que o governo do Brasil, na lei eleito de forma soberana e democr&aacute;tica, faz de sua vontade pol&iacute;tica a vontade pol&iacute;tica do agente hegem&ocirc;nico externo. O Plano Real foi alegadamente criado para <st2:hm>estabilizar<\/st2:hm> a moeda e depois, talvez, <st2:hm>gerar<\/st2:hm> algum crescimento. Este se encontrava ancorado no c&acirc;mbio irreal e nas reservas em d&oacute;lar. Ou seja, a fonte de financiamento da d&iacute;vida &eacute; a pr&oacute;pria emiss&atilde;o de t&iacute;tulos p&uacute;blicos com remunera&ccedil;&atilde;o aos especuladores em n&iacute;veis alt&iacute;ssimos. Apesar de (todos este sinais(, ainda quando h&aacute; a possibilidade de <st2:hm>rever<\/st2:hm> algumas das metas do FMI o pa&iacute;s se fragiliza, isso &eacute; a aus&ecirc;ncia de coordena&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica nacional. Em tese quem decide &eacute; o chefe de Estado eleito na lei e no voto. Mas o peso hegem&ocirc;nico &eacute; de quem coage, que no caso brasileiro, pelo vi&eacute;s econ&ocirc;mico, &eacute; o FMI e os grandes credores. Apenas como exemplo, &eacute; p&uacute;blico e sabido que o maior credor privado do Brasil &eacute; o 1st Bank of Boston, o Banco de Boston. N&atilde;o por acaso esta institui&ccedil;&atilde;o privada, em conformidade com o FMI, indica Henrique Meirelles para presidente do Banco Central (o significado desta &ldquo;sinaliza&ccedil;&atilde;o veremos na outra parte).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">O racioc&iacute;nio l&oacute;gico nos faz ent&atilde;o <st2:hm>compreender<\/st2:hm> e <st2:hm>concordar<\/st2:hm> com Fiori quando este compara o alinhamento autom&aacute;tico argentino com as pretens&otilde;es de continuidade de rela&ccedil;&otilde;es entre o governo de FHC e o PSDB brasileiro e o governo do Partido Democrata de Clinton. Proporcionalmente, as (rela&ccedil;&otilde;es carnais( com os EUA e a realiza&ccedil;&atilde;o da (li&ccedil;&atilde;o de casa( pelo governo De la R&uacute;a (Fiori, p.233), resultaram primeiro num golpe branco (quando Caballo reassume como super-ministro) e depois na derrocada de governo eleito. Na queda de De la Rua, foi destro&ccedil;ada a Alianza, a base da UCR e quase foi junto todo o sistema pol&iacute;tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Quando o ex-ministro da economia de Menem, Domingo Caballo, candidato derrotado a presid&ecirc;ncia (perdeu para De la R&uacute;a e teve Duhalde em segundo lugar) assume o super-minist&eacute;rio da economia, Fiori chama a isso de (golpe branco( (afirma&ccedil;&atilde;o com a qual concordamos). As decis&otilde;es estrat&eacute;gicas para o pa&iacute;s, que no ano de 2001 passavam (e ainda passam) necessariamente pelas decis&otilde;es macroecon&ocirc;micas, ficam concentradas nas m&atilde;os do (homem de confian&ccedil;a( das transnacionais, dos credores e do FMI. E ainda assim, estes agentes internacionais retiram seu apoio, geram <st3:sinonimos>iliquidez<\/st3:sinonimos> no pa&iacute;s e quebram toda a poupan&ccedil;a interna que restava. Veio desta medida o confisco da poupan&ccedil;a e do dinheiro depositado, chamado de corralito. Ao <st2:hm>fazer<\/st2:hm> esta li&ccedil;&atilde;o de casa e <st2:hm>abrir<\/st2:hm> m&atilde;o dos pontos b&aacute;sicos de seu programa de governo, De la R&uacute;a primeiro cede ao golpe branco dos agentes internacionais e depois &eacute; derrubado pela rebeli&atilde;o popular. O sentimento tecido na alian&ccedil;a entre os setores desempregados piqueteros, a classe trabalhadora e a baixa classe m&eacute;dia culmina na rebeli&atilde;o do cacerolazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">O mesmo Fiori usa de exemplo comparativo ao alinhamento do PSDB e os Democratas de Clinton (p.221). FHC apostou suas fichas e proje&ccedil;&otilde;es junto do multilateralismo com os EUA &agrave; frente. Fez todas as li&ccedil;&otilde;es de casa e posicionou o Brasil com algum destaque nessa ordem subalterna onde o pa&iacute;s se enquadra. Muda o senhor, o vassalo perde a sua base de sustenta&ccedil;&atilde;o. Foi justo o que ocorreu. A&iacute; est&aacute; um exemplo bem simples e direto da aus&ecirc;ncia de condi&ccedil;&otilde;es para tomada de decis&otilde;es estrat&eacute;gicas. Os destinos das decis&otilde;es fundamentais do governo do Estado brasileiro estavam centradas numa alian&ccedil;a cujo destino n&atilde;o dependia em nada do pr&oacute;prio pa&iacute;s. Ao <st2:hm>relegar<\/st2:hm> suas expectativas internacionais &#8211; de inser&ccedil;&atilde;o numa ordem global regulamentada &#8211; se delega o aux&iacute;lio e a ajuda externa aos atores pol&iacute;ticos centrais dos EUA. Agora com o governo republicano de George W. Bush, cessaram os apoios financeiros para crises nacionais como os EUA deram para a Argentina em 1990, M&eacute;xico 1994 e Brasil 1998 (Fiori, p.223). Nesta ordem unilateral que se configura para o curto prazo, com que peso o Brasil entra na barganha e no jogo de for&ccedil;as? Como pode <st2:hm>afirmar<\/st2:hm> sua posi&ccedil;&atilde;o no cen&aacute;rio internacional se suas decis&otilde;es e rumos econ&ocirc;micos internos pertencem aos planos de metas estipulados pelos agentes que coagem o pa&iacute;s? Simplesmente n&atilde;o pode e fica o pa&iacute;s a merc&ecirc; de decis&otilde;es externas, passando o papel do governo a <st2:hm>ser<\/st2:hm> o agente que exerce a coa&ccedil;&atilde;o vinda dos mecanismos internacionais para dentro dos sistemas pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos. Some-se a isto, o papel cl&aacute;ssico de <st2:hm>fazer<\/st2:hm> a conten&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as sociais como fator essencial para (<st2:hdm>acalmar<\/st2:hdm> os investidores(.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Na aus&ecirc;ncia de projetos de longo prazo, ou seja, na aus&ecirc;ncia de projeto estrat&eacute;gico), se reproduzem as (li&ccedil;&otilde;es de casa(, acompanhadas de (coment&aacute;rios de especialistas( e uma dezena de eufemismos como refor&ccedil;o psicol&oacute;gico e press&atilde;o midi&aacute;tica para serem cumpridos os planos de metas. Assim, o cumprimento das metas estipuladas por agente externo coage e retira recurso do pa&iacute;s. A solu&ccedil;&atilde;o a curto prazo &eacute; mais renegocia&ccedil;&atilde;o e poupan&ccedil;a externa, aumentando ainda mais a pr&oacute;pria d&iacute;vida. Isto d&aacute; num c&iacute;rculo vicioso que pela pr&oacute;pria l&oacute;gica n&atilde;o terminar&aacute; se n&atilde;o houver rompimento com esta mesma l&oacute;gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Apenas para <st2:hm>exemplificar<\/st2:hm>, o total do or&ccedil;amento da Uni&atilde;o (previs&atilde;o para 2001),era de R$ 418,5 bilh&otilde;es de reais. J&aacute; o montante dos servi&ccedil;os da d&iacute;vida foi de R$ 142,2 bilh&otilde;es. Juros e encargos somavam R$ 71,6 bi; e as amortiza&ccedil;&otilde;es R$ 70,6 bi. O total do or&ccedil;amento fora reduzido em um ter&ccedil;o (1\/3) apenas com os encargos da d&iacute;vida externa. Em m&eacute;dia, no ano de 2001, 1 em cada 3 reais arrecadados era para <st2:hm>rolar<\/st2:hm> a d&iacute;vida externa brasileira. Isto &eacute; simplesmente a aus&ecirc;ncia de soberania sobre os pr&oacute;prios recursos. Ou seja, o governo eleito n&atilde;o decide sobre a riqueza produzida e circulante, arrecadada de forma impositiva e enviada para os credores externos na propor&ccedil;&atilde;o descrita acima. Esta marca bate nos 34% do PIB que s&atilde;o aplicados em carga tribut&aacute;ria no ano de 2000. Realmente, nesse modelo, n&atilde;o h&aacute; nenhuma condi&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento nacional, muito menos com base em uma poupan&ccedil;a interna inexistente. &Eacute; &oacute;bvia a conclus&atilde;o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">&#8211; &ldquo; Como se pode <st2:hdm>ter<\/st2:hdm> aquilo que n&atilde;o se pode <st2:hdm>acumular<\/st2:hdm>?!&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">A perman&ecirc;ncia do constrangimento e da impossibilidade estrat&eacute;gica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">A premissa que tomamos por base nesta parte do artigo vem do economista Celso Furtado. Em entrevista concedida ao jornal seman&aacute;rio Brasil de Fato e reproduzida na revista Caros Amigos6, Furtado afirma que se o debate for centrado no vi&eacute;s econ&ocirc;mico, o Brasil j&aacute; se encontra numa posi&ccedil;&atilde;o demasiado subordinada no sistema econ&ocirc;mico mundial (p.30). Compreende-se que a posi&ccedil;&atilde;o dos atores pol&iacute;ticos executores dos destinos da economia, membro do Executivo do Estado, a partir da mirada econ&ocirc;mica, j&aacute; parte de uma posi&ccedil;&atilde;o de submiss&atilde;o, portanto, n&atilde;o-estrat&eacute;gica. Mesmo se tratando do vi&eacute;s exclusivamente econ&ocirc;mico, Furtado afirma que os economistas que aplicam o receitu&aacute;rio do FMI, (pensam em termos de microeconomia e aplicam em forma macroecon&ocirc;mica( (p.30), reduzindo assim as sa&iacute;das a m&eacute;dio e longo prazo. Da&iacute; o porque o objetivo dos servi&ccedil;os da d&iacute;vida &eacute; amortizar uma quota para captar mais d&iacute;vida e rolar esta que v&ecirc;m e assim por diante. A premissa &eacute; que o pa&iacute;s tem de definir um projeto nacional (ou ao menos um projeto m&iacute;nimo das for&ccedil;as que comp&otilde;em o novo governo), identificar o espa&ccedil;o que existe para esse projeto e buscar uma autonomia de manobra para realiz&aacute;-lo. Identifica que, por exemplo, o caso do Banco Central (&eacute; uma entrega ao grande capital internacional((p.30). Portanto, n&atilde;o h&aacute; rumo nem itiner&aacute;rio tra&ccedil;ado atrav&eacute;s de uma posi&ccedil;&atilde;o mais aut&ocirc;noma. Por exclus&atilde;o, se n&atilde;o h&aacute; autonomia m&iacute;nima de decis&atilde;o em alto n&iacute;vel, h&aacute; impossibilidade estrat&eacute;gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">O debate derivaria portanto em duas dire&ccedil;&otilde;es. A compreens&atilde;o que o pa&iacute;s tem um sistema econ&ocirc;mico (p.32) e em contraparte a nega&ccedil;&atilde;o da administra&ccedil;&atilde;o e proje&ccedil;&atilde;o a longo prazo deste sistema &eacute; a (esteriliza&ccedil;&atilde;o do debate econ&ocirc;mico( (p.32). A economia redobra em import&acirc;ncia desde que n&atilde;o se mantenha nenhum vi&eacute;s desenvolvimentista. O dom&iacute;nio (t&eacute;cnico( da economia &eacute; simplesmente uma afirma&ccedil;&atilde;o das premissas de um sistema econ&ocirc;mico mundial onde o pa&iacute;s se insere de forma subalterna. Eis a impossibilidade estrat&eacute;gica, uma vez que n&atilde;o h&aacute; nem recurso te&oacute;rico de desenvolver o sistema econ&ocirc;mico nacional. Existem esta possibilidade, mas n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es de ser implementado num universo (t&eacute;cnico( dominado pelo receitu&aacute;rio da matriz de pensamento econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Na pr&aacute;tica do mundo real, a alta taxa de juros hoje est&aacute; batendo em 26.5% (padr&atilde;o da taxa selic desde de mar&ccedil;o de 2003, ver Benjamin 20037). O governo central busca um super&aacute;vit que ultrapasse 3,75%. Mesmo assim n&atilde;o est&aacute; cobrindo nem 1\/3 dos juros que o Brasil remunera o capital que aqui entra. Tudo isto significa uma absurda descapitaliza&ccedil;&atilde;o da economia (ver Dowbor, 2003). Fica mais uma pergunta b&aacute;sica:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">&#8211; Como &eacute; poss&iacute;vel o desenvolvimento econ&ocirc;mico se a economia e a liquidez real &eacute; sugada pelo sistema financeiro? Falar de poupan&ccedil;a interna, portanto sem mudan&ccedil;a de modelo de desenvolvimento baseado justamente no endividamento externo, torna-se algo parad&oacute;xico e inexequ&iacute;vel. Sendo a poupan&ccedil;a interna o recurso de divisas que um Estado soberano pode ter sem aumentar ainda mais o endividamento (e portanto a depend&ecirc;ncia e o impedimento de uso dos pr&oacute;prios recursos), e estando esta mesma poupan&ccedil;a interna impedida de uso (pelo modelo aplicado), n&atilde;o h&aacute; ent&atilde;o possibilidade estrat&eacute;gica de desenvolvimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Valem sempre as no&ccedil;&otilde;es comparativas, para termos a no&ccedil;&atilde;o real desta impossibilidade. As reservas de um pa&iacute;s s&atilde;o um dos medidores de sua riqueza. O professor de economia da PUC-SP, Ladislau Dowbor (2003, p.12) nos oferece em artigo os seguintes dados comparativos. A Argentina tinha em janeiro de 2003, em divisas, em torno de US$ 10 bilh&otilde;es de d&oacute;lares. O Brasil US$ 30 bilh&otilde;es. J&aacute; uma grande empresa de investimentos e (consultoria(, como a estadunidense Merryl Linch, maneja em torno de US$ 1 trilh&atilde;o de d&oacute;lares. Um investidor privado m&eacute;dio,como o tamb&eacute;m estadunidense Edward Jones, maneja cerca de US$ 255 bilh&otilde;es. Sendo a Merryl Linch, uma investidora e avalista dos investimentos no pa&iacute;s, como pode haver uma rela&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima de equil&iacute;brio entre um Estado soberano e uma transnacional de investimentos e especula&ccedil;&atilde;o? Simplesmente n&atilde;o pode, ficando este pa&iacute;s submetido aos interesses e capacidades de constrangimento da empresa transnacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Tratando especificamente das estruturas de continuidade, vemos a premissa de esteriliza&ccedil;&atilde;o de debate econ&ocirc;mico de Furtado, manifestado no ministro da fazenda Ant&ocirc;nio Palocci. Este reafirma que as decis&otilde;es do Banco Central (Palocci apud Duarte, 2003) s&atilde;o eminentemente (t&eacute;cnicas(, n&atilde;o estando sujeitas a (aprecia&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas(. Esta afirmativa t&eacute;cnica aponta a continuidade do trip&eacute; de Malan e Fraga (respectivamente ministro da fazenda nos dois mandatos de FHC e presidente do Banco Central no segundo mandato), com a motiva&ccedil;&atilde;o de conter a alta inflacion&aacute;ria e uma crise cambial. O trip&eacute; se baseia nas pol&iacute;ticas de c&acirc;mbio livre, juros altos e aperto fiscal. As pol&iacute;ticas at&eacute; o momento apresentadas por Palocci e o presidente do Banco Central Henrique Meirelles (por sinal deputado federal eleito pelo PSDB-Goi&aacute;s) s&atilde;o exatamente as mesmas. As alega&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m, prevalecendo a necessidade (t&eacute;cnica(.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">O conceito de vulnerabilidade externa manifesta-se na depend&ecirc;ncia do fluxo de capitais de giro r&aacute;pido, entrando e saindo do p&aacute;is, (indicando sinais positivos para o mercado mundial(. Isto possibilita (baixar os &iacute;ndices do risco pa&iacute;s( (avalizado, entre outras empresas, pela pr&oacute;pria Merryl Linch, uma das avalistas do leil&atilde;o da Vale do Rio Doce, p\/ex.) e manter o rolamento de nossa d&iacute;vida. Se, por algum (acaso( ocorra algo (como uma medida de pol&iacute;tica econ&ocirc;mica) que n&atilde;o agrade nem os credores e\/ou os avalistas de risco e\/ou o FMI, avalista central, pode se dar (uma fuga de capitais de curto prazo( e (uma alta do risco pa&iacute;s(. Poder&iacute;amos denominar a isto de ataque (ou achaque especulativo), dependendo do ponto de vista e das premissas, se (pol&iacute;ticas( (como a do economista Celso Furado), ou se (t&eacute;cnicas( (como a do m&eacute;dico e ex-prefeito de Ribeir&atilde;o Preto, Ant&ocirc;nio Palocci).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Para diminuir a vulnerabilidade externa (ou seja, para manter uma opini&atilde;o favor&aacute;vel sobre a pol&iacute;tica econ&ocirc;mica do Brasil), se eleva a taxa de juros. E a remunera&ccedil;&atilde;o desses juros,sair&aacute; de onde? Emiss&atilde;o de moeda, gerando infla&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel. Aumento da carga tribut&aacute;ria (que fechou o segundo governo FHC em 34% do PIB), n&atilde;o &eacute; indicado embora possa ocorrer. O que na pr&aacute;tica acontece (e se sucede) &eacute; o corte or&ccedil;ament&aacute;rio. Ou seja, reduzindo os investimentos do Estado, o repasse de verbas, os programas de inclus&atilde;o social (como o dado comparativo do Fome Zero e a subida de 1% da taxa selic), al&eacute;m de j&aacute; haver enquadramento dos administradores p&uacute;blicos dentro da lei de responsabilidade fiscal. Some-se a isto com a aus&ecirc;ncia de poupan&ccedil;a interna, como ent&atilde;o apontar um crescimento fora do receitu&aacute;rio hegem&ocirc;nico? Estando o Brasil, dentro do receitu&aacute;rio hegem&ocirc;nico gerado justamente pelos que det&ecirc;m a hegemonia do sistema econ&ocirc;mico mundial, numa posi&ccedil;&atilde;o subalterna, como ent&atilde;o tomar decis&otilde;es estrat&eacute;gicas? De nossa parte, a conclus&atilde;o l&oacute;gica &eacute;, sen&atilde;o a total impossibilidade, a baix&iacute;ssima probabilidade de que isto venha a ocorrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Apenas como refor&ccedil;o da evid&ecirc;ncia de continuidade de aus&ecirc;ncia estrat&eacute;gica, vejamos a proposta de (autonomia do Banco Central do governo Lula (BC, vide Arbex, maio de 2003)(. Sendo o BC o locus de excel&ecirc;ncia de decis&otilde;es executivas &#8211; de origens portanto pol&iacute;ticas e n&atilde;o apenas (t&eacute;cnicas( &#8211; como pode este ser dotado de autonomia justamente do Executivo eleito de forma soberana? Um outro questionamento b&aacute;sico &eacute; sobre quais ser&atilde;o as premissas econ&ocirc;micas aplicadas (tecnicamente( num espa&ccedil;o de decis&atilde;o pol&iacute;tica da economia nacional. O BC regula e administra sobre o sistema financeiro que opera no pa&iacute;s. Estando aut&ocirc;nomo, quem o far&aacute;? Qual pa&iacute;s hegem&ocirc;nico dotou de autonomia administrativa e de implementa&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas financeiras o organismo que regula a moeda de seu pr&oacute;prio pa&iacute;s? Por l&oacute;gica, se h&aacute; a compreens&atilde;o que o BC &eacute; um espa&ccedil;o de decis&otilde;es estrat&eacute;gicas, autonomizar estas decis&otilde;es &eacute; justamente abrir m&atilde;o de qualquer margem de manobra na pol&iacute;tica financeira do pa&iacute;s. Isto &eacute;, portanto, abrir m&atilde;o n&atilde;o apenas dos recursos (como hoje j&aacute; ocorre com os servi&ccedil;os da d&iacute;vida), mas tamb&eacute;m da administra&ccedil;&atilde;o decis&oacute;ria sobre os recursos financeiros de todo o pa&iacute;s. Eis a evid&ecirc;ncia de continuidade de aus&ecirc;ncia estrat&eacute;gica na mudan&ccedil;a de governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Conclus&atilde;o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Avaliamos, com bastante certeza, que todos os argumentos v&aacute;lidos para responder a quest&atilde;o central j&aacute; foram expostos nos par&aacute;grafos anteriores. Afirmamos portanto que um Estado que n&atilde;o &eacute; soberano de seus pr&oacute;prios recursos &#8211; incluindo a&iacute; os recursos pol&iacute;ticos, econ&ocirc;micos, humanos, naturais, energ&eacute;ticos, etc. &#8211; &eacute; incapaz de tomar decis&otilde;es estrat&eacute;gicas. Isto porque passa a ter de responder, sempre a curto ou a curt&iacute;ssimo prazo, &agrave;s demandas externas, provindas justo dos credores e\/ou avalistas dos pa&iacute;ses centrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Tamb&eacute;m reconhecemos que hoje n&atilde;o h&aacute; possibilidade imediata de exerc&iacute;cio pleno da soberania. Mas, tendo uma intencionalidade pol&iacute;tica, a classe dirigente pode reverter o predom&iacute;nio hegem&ocirc;nico externo a m&eacute;dio ou longo prazo. O que afirmamos em sentido estrito &eacute; que o sistema econ&ocirc;mico nacional &eacute; muito mais complexo e completo do que a impossibilidade dada pelo (hiperestruturalismo microecon&ocirc;mico(. A busca por autonomia nas fontes energ&eacute;ticas, por energia renov&aacute;vel (biomassa por ex.), cadeias produtivas dentro do pa&iacute;s, garantir as exporta&ccedil;&otilde;es de produtos beneficiados (n&atilde;o brutos, como &eacute; o que ocorre com o min&eacute;rio de ferro p\/ ex.), retomar o crescimento econ&ocirc;mico a partir da poupan&ccedil;a interna, amplia&ccedil;&atilde;o do mercado consumidor brasileiro; fortalecimento da inclus&atilde;o social atrav&eacute;s de sal&aacute;rio (que &eacute; renda e n&atilde;o benef&iacute;cio do Estado) seriam sa&iacute;das &oacute;bvias ao menos no m&eacute;dio prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Mas, em termos estrat&eacute;gicos, a l&oacute;gica nos faz concluir que a hegemonia n&atilde;o ser&aacute; rompida a n&atilde;o ser com uma inten&ccedil;&atilde;o contra-hegem&ocirc;nica concretizada em tomadas de decis&otilde;es concretas. Retomando a premissa de coordena&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica necess&aacute;ria (Fiori), entendemos que esta &eacute; imposs&iacute;vel se tiver de partir de elites econ&ocirc;micas e de classe pol&iacute;tica e tecno-burocr&aacute;tica conformada como classe dirigente. Estas j&aacute; de h&aacute; muito se alinharam com as matrizes e n&atilde;o aparentam se (desalinhar( a curto ou m&eacute;dio prazo. Visto o que ocorreu na Argentina, antes de apostar em um projeto nacional, as elites econ&ocirc;micas migraram os capitais l&iacute;quidos em uma semana, terminando assim de quebrar o pa&iacute;s. Dada esta evid&ecirc;ncia, afirmamos tanto a impossibilidade estrat&eacute;gica pela aus&ecirc;ncia de soberania sobre os recursos como tamb&eacute;m pela aus&ecirc;ncia de coordena&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica entre agentes pol&iacute;ticos centrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Para concluir, apontamos a segunda evid&ecirc;ncia de necess&aacute;ria coordena&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica oriunda de iniciativa de uma coordena&ccedil;&atilde;o de classe, representante de fato das maiorias, e centrada no eixo pol&iacute;tico. Retomamos assim a premissa do economista Celso Furtado, afirmando a necessidade de um projeto pol&iacute;tico que pense e projete estrategicamente ao sistema econ&ocirc;mico do pa&iacute;s. O detalhe, segundo o mesmo Furtado, &eacute; que sem uma l&oacute;gica inclusiva e distributiva no n&iacute;vel social, n&atilde;o h&aacute; projeto pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico que funcione no pa&iacute;s. Disto concordamos e n&atilde;o h&aacute; nenhuma d&uacute;vida. As evid&ecirc;ncias nos levam &agrave; esta conclus&atilde;o quase que l&oacute;gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Bibliografia e fontes hemerogr&aacute;ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. A economia brasileira &aacute;s v&eacute;speras das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 2002. Cadernos Adenauer, Ano III, 2002, No. 03, pp.79-102.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">SALLUM JR, Bras&iacute;lio. O Brasil sob Cardoso, neoliberalismo e desenvolvimentismo. Tempo Social, revista de sociologia da USP, volume 11, No. 02, outubro 1999, S&atilde;o Paulo, pp.23-47.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">FIORI, Lu&iacute;s Jos&eacute;. 60 li&ccedil;&otilde;es dos anos 90. Uma d&eacute;cada de neoliberalismo. Rio de Janeiro, Record, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Artigos e entrevistas da revista mensal Caros Amigos (S&atilde;o Paulo, Casa Amarela, 2003), em ordem cronol&oacute;gica:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">DOWBOR, Ladislau. Altos Juros e descapitaliza&ccedil;&atilde;o da economia. artigo de janeiro de 2003,pp.12-13.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">FURTADO, Celso. Ou&ccedil;am esta Voz. entrevista de fevereiro de 2003, pp.30-35.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">PEREIRA, Duarte. por enquanto, Mais do Mesmo. artigo de fevereiro de 2003. pp.26-27.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">BENJAMIN, C&eacute;sar. Brevemente Saberemos. artigo de mar&ccedil;o de 2003. p.23.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">Dossi&ecirc;:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">CAMPANHA JUBILEU SUL. Auditoria Cidad&atilde; da D&iacute;vida. Belo Horizonte, dezembro de 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">1 O Partido dos Trabalhadores est&aacute; na oposi&ccedil;&atilde;o ao governo da Uni&atilde;o desde o ano de 1980, quando foi fundado em plena Abertura pol&iacute;tica e re-organiza&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria ocorrida durante o governo do general de cavalaria Jo&atilde;o Baptista Figueiredo. Conquista o poder do Executivo vinte e dois (22) anos ap&oacute;s sua funda&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">2 &Eacute; importante ressaltar que n&atilde;o estamos fazendo a apologia nem a panac&eacute;ia da vontade pol&iacute;tica (pejorativamente chamada tamb&eacute;m de (voluntarismo pol&iacute;tico(, ao menos nesse n&iacute;vel decis&oacute;rio) em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s for&ccedil;as reais da economia e da sociedade. Muito pelo contr&aacute;rio, afirmamos que s&atilde;o justamente estes elementos reais que podem fazer preponderar o papel eminentemente pol&iacute;tico por acima de decis&otilde;es de governo que se auto- proclamam de (t&eacute;cnicas( e quase inquestion&aacute;veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">3 Os valores tem origem na Secretaria do Tesouro Nacional e no Banco Central, citados pela Auditoria Cidad&atilde; da D&iacute;vida, p&aacute;gina 15.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">4 Estes valores tem origem nos boletins do Banco Central e na Revista Conjuntura Econ&ocirc;mica, citados pela Auditoria Cidad&atilde; da D&iacute;vida, p.14.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">5 Para n&atilde;o estender o coment&aacute;rio, queria fazer uma analogia. Dificilmente um ex&eacute;rcito reacion&aacute;rio ser&aacute; anti-imperialista e arriscar&aacute; sua capacidade de interven&ccedil;&atilde;o interna numa guerra contra uma pot&ecirc;ncia externa. Para n&atilde;o falarmos no exemplo recente da invas&atilde;o ao Iraque, vale lembrar a Guerra das Malvinas (1982); quando as melhores tropas argentinas ficaram no continente para conter uma potencial insatisfa&ccedil;&atilde;o popular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">6 FURTADO (2003), revista mensal Caros Amigos, na entrevista contida entre as p&aacute;ginas 30 a 35, fevereiro de 2003. Nesta entrevista, o economista discorre sobre os modelos econ&ocirc;micos, o debate a respeito do desenvolvimento do pa&iacute;s e das possibilidades estrat&eacute;gicas da na&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoPlainText\">7 Neste artigo, ao final do texto,C&eacute;sar Benjamin (Caros Amigos, mar&ccedil;o de 2003) faz um comparativo or&ccedil;ament&aacute;rio. O ministro da fazenda, o atual, Ant&ocirc;nio Palocci, alega a subida de 1% da taxa de juros por causa de (inesperadas press&otilde;es inflacion&aacute;rias(. Esta subida de 1% tem equival&ecirc;ncia em valores reais de mais de R$ 5 bilh&otilde;es de reais, na rolagem da d&iacute;vida interna brasileira. Este montante, equivalente a 1% de juros causados por (press&otilde;es inesperadas(, totaliza os fundos destinados a tr&ecirc;s vezes o Programa Fome Zero (do governo federal, lan&ccedil;ado logo no in&iacute;cio do mandato). Os n&uacute;meros portanto, apontam, sen&atilde;o a prioridade declarada, a pouca possibilidade real de, em se mantendo o modelo, realizar pol&iacute;ticas m&iacute;nimas de inclus&atilde;o social. Verifica-se portanto v&aacute;lida a premissa de Furtado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O professor Celso Furtado ter\u00e1 seus pressupostos v\u00e1lidos enquanto o pa\u00eds seguir no caminho da subservi\u00eancia estruturante. Foto: Viam&atilde;o\/RS, abril de 2003 &nbsp; &nbsp; Introdu&ccedil;&atilde;o &nbsp; Este artigo tem a inten&ccedil;&atilde;o de se aventurar pela pol&iacute;tica econ&ocirc;mica brasileira do tempo presente. J&aacute; explico. A partir de estudos realizados no 2( semestre de 2002, pudemos observar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-10319","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10319","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10319"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10319\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11791,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10319\/revisions\/11791"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10319"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10319"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10319"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}