{"id":10324,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=151"},"modified":"2023-03-13T21:46:39","modified_gmt":"2023-03-14T00:46:39","slug":"recorde-no-superavit-um-pais-espoliado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10324","title":{"rendered":"Recorde no super\u00e1vit \u2013 um pa\u00eds espoliado"},"content":{"rendered":"<p >Deu no CMI, na <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>coluna da direita, postado ontem, dia de Finados (cruel ironia), 2 de novembro, os n\u00fameros da economia brasileira. Se estiv\u00e9ssemos nos anos \u201950, com a gesta\u00e7\u00e3o do pensamento que se tornaria nacional-desenvolvimentista e cepalino, algu\u00e9m diria:<\/p>\n<p >&#8211; \u201c\u00c9 o balan\u00e7o de um pa\u00eds <?xml:namespace prefix = st3 ns = \"schemas-houaiss\/dicionario\" \/><st3:sinonimos>espoliado<\/st3:sinonimos>\u201d! E \u00e9 mesmo.<\/p>\n<p >Eis a mat\u00e9ria, postada pelo Partido da Causa Oper\u00e1ria. Concordamos com os n\u00fameros e n\u00e3o com a an\u00e1lise, por isso n\u00e3o a postamos. <\/p>\n<p >\u201c O Banco Central divulgou que at\u00e9 o m\u00eas de setembro o governo Lula j\u00e1 ultrapassou a meta acordada com o FMI de 4,25% de super\u00e1vit prim\u00e1rio, chegando a 6,1%. <\/p>\n<p >A pol\u00edtica fiscal de constantes cortes das verbas destinadas aos servi\u00e7os p\u00fablicos (educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, etc.), combinada com sucessivos recordes na arrecada\u00e7\u00e3o de impostos da popula\u00e7\u00e3o, permitiu ao governo Lula <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/><st2:hm>superar<\/st2:hm> ainda em setembro a meta de super\u00e1vit prim\u00e1rio de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto das riquezas produzidas no pa\u00eds) fixada para o ano. O setor p\u00fablico consolidado \u2014 Uni\u00e3o, estados, munic\u00edpios e estatais \u2014 registrou naquele m\u00eas super\u00e1vit prim\u00e1rio (receitas menos despesas, sem <st2:hm>contar<\/st2:hm> os juros da d\u00edvida externa) de R$ 7,571 bilh\u00f5es, elevando para R$ 86,502 bilh\u00f5es (6,1% do PIB) o resultado acumulado no ano. <\/p>\n<p >O super\u00e1vit prim\u00e1rio \u00e9 a \u201ceconomia\u201d que o governo faz para <st2:hm>pagar<\/st2:hm> os juros da d\u00edvida externa do pa\u00eds. Entretanto, os n\u00fameros divulgados ontem pelo BC refor\u00e7am a percep\u00e7\u00e3o dos analistas de que o super\u00e1vit prim\u00e1rio do setor p\u00fablico fechar\u00e1 este ano bem acima da meta fixada na Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO). <\/p>\n<p >Com o resultado recorde de setembro, o super\u00e1vit fiscal acumulado j\u00e1 supera em R$ 3,752 bilh\u00f5es a meta estabelecida para o ano. Em 12 meses, o super\u00e1vit acumulado equivale a 5,16% do PIB. <\/p>\n<p >Em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, houve um crescimento de 23,9% no super\u00e1vit consolidado do setor p\u00fablico, uma economia adicional de R$ 16,7 bilh\u00f5es para o pagamento de juros da d\u00edvida externa. <\/p>\n<p >O super\u00e1vit prim\u00e1rio de 6,1% do PIB nas contas p\u00fablicas \u00e9 o resultado combinado de um aumento substancial na arrecada\u00e7\u00e3o de impostos com os cortes de investimentos no Or\u00e7amento da Uni\u00e3o. De um lado, de janeiro a setembro a arrecada\u00e7\u00e3o j\u00e1 supera em R$ 14,3 bilh\u00f5es o resultado do mesmo per\u00edodo de 2004. <\/p>\n<p >De outro, a equipe econ\u00f4mica conduz com \u201cm\u00e3o-de-ferro\u201d a execu\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento de 2005, retendo no caixa do Tesouro a maior parte dos recursos para investimentos aprovados pelo Congresso. At\u00e9 setembro, apenas R$ 2,9 bilh\u00f5es ou 13,5% do total desses investimentos (R$ 21,6 bilh\u00f5es) foram executados. Mesmo considerando os limites de gastos para investimentos liberados pela \u00e1rea econ\u00f4mica (R$ 13,6 bilh\u00f5es), a execu\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 muito baixa. Neste caso, corresponde a 21,5%. <\/p>\n<p >As despesas com juros, por sua vez, continuam crescendo e provocando grande impacto nas contas e na d\u00edvida p\u00fablica. O esfor\u00e7o fiscal de R$ 7,571 bilh\u00f5es em setembro n\u00e3o foi suficiente para <st2:hm>cobrir<\/st2:hm> as despesas com juros, de R$ 14,461 bilh\u00f5es. Com isso, o setor p\u00fablico teve d\u00e9ficit nominal (receitas menos despesas, incluindo os gastos com juros) de R$ 6,891 bilh\u00f5es em setembro, que j\u00e1 chega a R$ 33,647 bilh\u00f5es (2,37% do PIB) no acumulado de 2005. <\/p>\n<p >No ano, os gastos com juros j\u00e1 chegam a R$ 120,149 bilh\u00f5es, o equivalente a 8,47% do PIB. Em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2004, essas despesas cresceram R$ 24,8 bilh\u00f5es por causa da pol\u00edtica econ\u00f4mica do Banco Central e do governo Lula, que elevou a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) a n\u00edveis estratosf\u00e9ricos. <\/p>\n<p >Entre janeiro e setembro de 2004, a taxa b\u00e1sica de juros m\u00e9dia foi de 16,72% ao ano, enquanto no mesmo per\u00edodo de 2005 foi de 18,68%. <\/p>\n<p >Em setembro, a maior contribui\u00e7\u00e3o para o super\u00e1vit do setor p\u00fablico foi dada pelo governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e INSS), com uma economia de R$ 2,930 bilh\u00f5es, mas o esfor\u00e7o das estatais tamb\u00e9m merece destaque. Elas registraram super\u00e1vit de R$ 2,903 bilh\u00f5es, enquanto estados e munic\u00edpios registraram super\u00e1vit de R$ 1,737 bilh\u00e3o. <\/p>\n<p >J\u00e1 a d\u00edvida l\u00edquida do setor p\u00fablico acumulada at\u00e9 setembro est\u00e1 em R$ 973 bilh\u00f5es, equivalente a 51,4% do PIB. O chefe do Departamento Econ\u00f4mico do BC destacou que o impacto da eleva\u00e7\u00e3o dos juros ainda n\u00e3o foi incorporado \u00e0 d\u00edvida: \u201cA estimativa do BC \u00e9 que chegaremos ao fim do ano com uma d\u00edvida equivalente a 51,5% do PIB\u201d. <\/p>\n<p >O governo do PT n\u00e3o s\u00f3 cumpre severamente os acordos com o FMI, como paga acima do valor firmado, defendendo os interesses dos banqueiros internacionais, atacando as condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora. <\/p>\n<p >Fruto das constantes eleva\u00e7\u00f5es da taxa base de juros (Selic) do Banco Central, a d\u00edvida externa cresceu R$ 95 bilh\u00f5es no primeiro semestre deste ano. Pela primeira vez na hist\u00f3ria do pa\u00eds a d\u00edvida alcan\u00e7ou a cifra dos R$ 900 bilh\u00f5es. A causa fundamental deste valor \u00e9 a elevada taxa de juros do pa\u00eds fixada em 19,5%. Cerca de 70,42% da d\u00edvida \u00e9 oriundo dos juros, cujas despesas cresceram R$ 67 bilh\u00f5es. <\/p>\n<p >A estimativa do governo \u00e9 que a d\u00edvida p\u00fablica feche o ano no valor de R$ 1 trilh\u00e3o. \u201c <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deu no CMI, na coluna da direita, postado ontem, dia de Finados (cruel ironia), 2 de novembro, os n\u00fameros da economia brasileira. Se estiv\u00e9ssemos nos anos \u201950, com a gesta\u00e7\u00e3o do pensamento que se tornaria nacional-desenvolvimentista e cepalino, algu\u00e9m diria: &#8211; \u201c\u00c9 o balan\u00e7o de um pa\u00eds espoliado\u201d! E \u00e9 mesmo. 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