{"id":10414,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=692"},"modified":"2023-03-13T21:24:02","modified_gmt":"2023-03-14T00:24:02","slug":"a-outra-escola-de-governo-do-pt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10414","title":{"rendered":"A outra escola de governo do PT"},"content":{"rendered":"<p>Viam\u00e3o, 29\/07\/2005<\/p>\n<p>Os 16 anos de administra\u00e7\u00e3o do PT em Porto Alegre ficaram conhecidos nacionalmente. Instalados uma s\u00e9rie de mecanismos de media\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o controlada, como o Or\u00e7amento Participativo (OP) e os Conselhos Regionais Tem\u00e1ticos, o conjunto da experi\u00eancia conforma uma &#8220;escola de governo&#8221; reproduzida Brasil adentro. Com a derrota eleitoral de Raul Pont para Jos\u00e9 Foga\u00e7a, em outubro de 2004 o PT viu por terminado o sonho dos 20 anos no poder. <\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da capital, o PT foi vitorioso em algumas cidades da Regi\u00e3o Metropolitana. Em uma delas, na cidade de Gravata\u00ed, a ala direita deste partido ganhou o terceiro mandato consecutivo. Cidade distante apenas 22 kms. de Porto Alegre, \u00e9 um importante parque metal\u00fargico e tem popula\u00e7\u00e3o de mais de 230 mil habitantes. L\u00e1 o PT ganhou em 1996 e 2000 com Daniel Bordignon e emplacou o sucessor, S\u00e9rgio Stasinski.<\/p>\n<p>Se encararmos a experi\u00eancia municipaiL como &#8220;escola de governo&#8221;, sem d\u00favida Gravata\u00ed \u00e9 marcante. Eleito para prefeito de Gravata\u00ed em 1996, Daniel Bordignon marcou sua gest\u00e3o por alian\u00e7a de classe e pragmatismo pol\u00edtico. A trajet\u00f3ria pol\u00edtica individual deste pol\u00edtico se confunde com a pr\u00f3pria administra\u00e7\u00e3o da cidade e os rumos da legenda no Rio Grande. Antes membro da DS, Bordignon mudou de corrente, entrando na Rede. Esta, \u00e9 hegem\u00f4nica na ala direita no Rio Grande e encabe\u00e7ada por Tarso Genro. <\/p>\n<p>No quesito seguran\u00e7a, marcou um gola\u00e7o. Em seu primeiro mandato, articulou com o inimigo de morte do PT, o ent\u00e3o governador Ant\u00f4nio Brito. O fruto desta parceria foi uma nova unidade da Brigada Militar ga\u00facha, o 17\u00ba BPM. O principal articulador deste feito, foi o ent\u00e3o Secret\u00e1rio Municipal de Assuntos de Seguran\u00e7a P\u00fablica, o hoje prefeito S\u00e9rgio Stasinski. Sua secretaria foi uma das pioneiras ao abrir uma inst\u00e2ncia de governo municipal para tratar de seguran\u00e7a p\u00fablica. Desde ent\u00e3o a Guarda Municipal de Gravata\u00ed e a Brigada trabalham lado a lado. H\u00e1 que se notar que nos 16 anos de governo em Porto Alegre, Guarda Municipal, EPTC (tr\u00e2nsito, tamb\u00e9m municipalizada) e Brigada Militar mal se coordenaram. Enquanto isso, um petista, Stasinski, era condecorado como o &#8220;patrono do 17\u00ba &#8220;.<\/p>\n<p>Em julho de 2000, Bordignon consolida sua marca, participando na inaugura\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica da GM em sua cidade. Alvo de pol\u00eamicas, a montadora instala-se no Rio Grande \u00e0s custas de isen\u00e7\u00e3o de ICMS, doa\u00e7\u00e3o do terreno j\u00e1 preparado para a obra e custeio do uso de energia el\u00e9trica. Ol\u00edvio questionou na Justi\u00e7a os pr\u00e9-contratos que a Ford firmara com Brito e a f\u00e1brica n\u00e3o foi instalada em Gua\u00edba, partindo para a Bahia. Bordignon foi mais r\u00e1pido, e inaugura antes da pr\u00f3pria f\u00e1brica a Avenida General Motors. Enquanto a RBS declarava guerra ao governo Ol\u00edvio Dutra, o prefeito de Gravata\u00ed torna-se um nome de consenso para a grande m\u00eddia e a FIERGS. Maldosamente, os sindicatos da regi\u00e3o come\u00e7am a cham\u00e1-lo de &#8220;o prefeito da GM&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, simultaneamente ocorre uma debandada dos sindicalistas da CUT na regi\u00e3o. O alvo de disputa \u00e9 a poderosa base metal\u00fargica. A CUT reivindicava a base territorial metropolitana, onde os metal\u00fargicos da GM est\u00e3o vinculados a Federa\u00e7\u00e3o com sede na capital. J\u00e1 a For\u00e7a Sindical, aliada da empresa, tenta rachar esta base, criando um sindicato pr\u00f3prio de Gravata\u00ed. As for\u00e7as se dividem, parte das lideran\u00e7as hist\u00f3ricas do munic\u00edpio v\u00e3o para a For\u00e7a Sindical, mas a CUT ganha a base territorial. Dentro da GM, os intentos de greve fracassam, e os trabalhadores que impulsionam o movimento foram demitidos.<\/p>\n<p>Em 2002, as pr\u00e9vias internas do PT para o governo do estado marcam a presen\u00e7a de Bordignon e Stasinki na pol\u00edtica estadual. Disputa acirrada entre seu candidato Tarso Genro e o ent\u00e3o governador Ol\u00edvio Dutra. A contagem era parelha at\u00e9 serem contabilizados os votos de Gravata\u00ed. Surpreendentemente, uma cidade de porte m\u00e9dio, levou mais de 1000 pessoas para votarem. Todos devidamente embandeirados, com camiseta, lanche, bon\u00e9s e adesivos apoiando a candidatura de Tarso. Quem viu n\u00e3o se esquece, e fez lembrar os com\u00edcios de Ant\u00f4nio Erm\u00edrio de Moraes concorrendo pelo PTB ao governo de S\u00e3o Paulo em 1986. Seus com\u00edcios eram simples. As unidades da Votorantim paravam, os funcion\u00e1rios eram &#8220;embandeirados&#8221; e levados em \u00f4nibus da empresa para as atividades de campanha. Qualquer semelhan\u00e7a com Gravata\u00ed n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia.<\/p>\n<p>Na corrida eleitoral de 2004, emplacar o sucessor foi algo relativamente f\u00e1cil. Aliado ao PL atrav\u00e9s de seu vice D\u00e9cio Becker, tamb\u00e9m representante da classe empresarial do munic\u00edpio, Stasinski arrecadou mais de 500 mil reais declarados para sua campanha. Sua receita foi o dobro da arrecadada pelo segundo colocado. A maior parte deste valor veio da pr\u00f3pria fam\u00edlia Becker, atrav\u00e9s de suas pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas. At\u00e9 a Pirelli doou gordos R$ 25 mil reais para a campanha. Com todo este apoio, somados aos mais de 8 anos de presen\u00e7a anteriores, foi f\u00e1cil derrotar o candidato do PTB, Ab\u00edlio Santos, representante do senador S\u00e9rgio Zambiasi e fiel reprodutor de seu estilo assistencialista.<\/p>\n<p>J\u00e1 Bordignon, prova que \u00e9 um nome em alta e duro na queda. O ex-prefeito de Gravata\u00ed resistiu no segundo escal\u00e3o da Casa Civil ap\u00f3s a sa\u00edda de Jos\u00e9 Dirceu. S\u00f3 mudou de fun\u00e7\u00e3o, passando de SubChefe da Casa Civil para Assuntos Federativos para Assessor Especial da ministra meio mineira e meio ga\u00facha, Dilma Roussef. Para o pleito eleitoral do partido, segue junto ao chefe pol\u00edtico Tarso Genro. Tem seu nome inscrito na chapa &#8220;Construindo o Novo Brasil&#8221;, candidato ao Diret\u00f3rio Nacional. Na medida que Tarso subir, Bordignon e seu grupo sobem juntos, sem nenhuma coincid\u00eancia.<\/p>\n<p>Originalmente publicado no Blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viam\u00e3o, 29\/07\/2005 Os 16 anos de administra\u00e7\u00e3o do PT em Porto Alegre ficaram conhecidos nacionalmente. 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