{"id":10415,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=696"},"modified":"2023-03-13T21:24:02","modified_gmt":"2023-03-14T00:24:02","slug":"xadrez-de-bombacha-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10415","title":{"rendered":"Xadrez de Bombacha &#8211; 2"},"content":{"rendered":"<p>Viam\u00e3o, 26\/08\/2005<\/p>\n<p>Este artigo \u00e9 a continuidade do publicado semana passada. Conforme dissemos, iniciamos esta an\u00e1lise a partir do ator coletivo mais complicado e dotado de maior n\u00famero de vari\u00e1veis. \u00c9 onde o imponder\u00e1vel ocorre desempenhar papel fundamental. Sim, estamos analisando a interna do PT ga\u00facho e suas poss\u00edveis implica\u00e7\u00f5es no cen\u00e1rio pol\u00edtico do estado. <\/p>\n<p>No dia 25 de agosto Ol\u00edvio Dutra concretiza um sonho antigo. Unifica duas corrrentes nacionais, a Articula\u00e7\u00e3o de Esquerda (AE) e a Democracia Socialista (DS), para apoiar ao seu nome na elei\u00e7\u00e3o interna ao Diret\u00f3rio Estadual, no pleito para presidente do PT-RS. Somadas nesta alian\u00e7a est\u00e3o duas pequenas correntes regionais, a Esquerda Democr\u00e1tica e a A\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica. Pelo espectro ideol\u00f3gico deste partido, podemos considerar esta composi\u00e7\u00e3o como de centro-esquerda. \u00c0 sua direita concorrem outros tr\u00eas candidatos, e o \u00fanico que pode incomodar \u00e9 o deputado estadual Estilac Xavier, representante do grupo de Tarso Genro, a Rede. Nacionalmente, os dois campos seriam a esquerda do PT, que n\u00e3o concorre unificada ao Diret\u00f3rio Nacional, e a direita, o Campo Majorit\u00e1rio, tamb\u00e9m conhecido no Rio Grande como PT Amplo e Democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u00c9 no m\u00ednimo curioso observar as voltas dadas por esta hist\u00f3ria imediata e midi\u00e1tica. H\u00e1 bem pouco tempo Ol\u00edvio Dutra, ent\u00e3o ministro das Cidades, estava para cair a qualquer momento. Terminou por acontecer o pior. O nome hist\u00f3rico do grupo fundador do PT, foi trocado por um tecnocrata indicado por Severino Cavalcanti. Cabisbaixo, Ol\u00edvio volta ao estado, sendo recebido no aeroporto Salgado Filho pela milit\u00e2ncia \u00f3rf\u00e3 e desesperada por referentes. O ex-governador foi carregado nos bra\u00e7os de seus correligion\u00e1rios, cantou o Hino Rio-Grandense e se refugiou em seu apartamento. Seguiu a t\u00e1tica de outro ga\u00facho das Miss\u00f5es, que mudo ficou cinco anos na sua est\u00e2ncia em S\u00e3o Borja. Ol\u00edvio foi mais pr\u00e1tico, refugiando-se em seu modesto apartamento na zona norte de Porto Alegre. <\/p>\n<p>Enquanto Ol\u00edvio costurava sua sa\u00edda pol\u00edtica, Tarso ia do c\u00e9u ao inferno. De ministro da Educa\u00e7\u00e3o gravitante e influente, foi atirado ao epicentro da luta interna. Pela frente tem de debater com a fragmentada esquerda petista. Desde sua trincheira, vive uma guerra de sombras com o &#8220;capa-preta&#8221; maior do PT, Jos\u00e9 Dirceu. Se n\u00e3o emplacar sua candidatura \u00e0 presid\u00eancia do PT pelo Campo Majorit\u00e1rio, ele e seu grupo cair\u00e3o no ostracismo. Pelas m\u00e3os de Dirceu, Lu\u00eds Dulci pode vir a ser o presidente do PT. Este movimento reposiciona a esquerda do partido, que talvez saia em bloco. Se isto n\u00e3o ocorrer, a luta interna se voltar\u00e1 para os estados, especificamente para um estado onde um candidato da esquerda do partido possa ganhar a elei\u00e7\u00e3o para governador em 2006. Uma destas possibilidades, talvez a mais forte, seja aqui no Rio Grande.<\/p>\n<p>Com Ol\u00edvio Dutra presidente do PT-RS, est\u00e3o dadas as condi\u00e7\u00f5es para a vit\u00f3ria nas pr\u00e9vias. Seu retorno ter\u00e1 impactos diretos em todas as for\u00e7as pol\u00edticas e sociais do estado. Vejamos. O primeiro impacto \u00e9 sobre a pr\u00f3pria milit\u00e2ncia petista, mobilizando amplos setores de classe m\u00e9dia urbana, gente que faz pol\u00edtica em \u00e9poca de elei\u00e7\u00e3o e n\u00e3o no dia a dia. Renovadas as esperan\u00e7as, e livre das &#8220;m\u00e1s companhias&#8221;, os setores mais militantes se alinham com ele. A alian\u00e7a que governou de 1998-2002 resultou no poder de Estado concentrado na DS. As decis\u00f5es estrat\u00e9gicas passavam necessariamente por seus organismos de dire\u00e7\u00e3o. Caso esta alian\u00e7a se repita, Raul Pont e Miguel Rosseto ser\u00e3o outra vez mais os homens fortes do governo. <\/p>\n<p>Dada a alian\u00e7a interna, a externa \u00e9 previs\u00edvel. O PT com a esquerda \u00e0 frente retomar\u00e1 a Frente Popular, juntando-se apenas com seus aliados &#8220;naturais&#8221;, PSB, PC do B e PCB. Ainda que o PSB marque posi\u00e7\u00e3o em 1\u00ba turno lan\u00e7ando a Beto Albuquerque, este gesto ser\u00e1 apenas pr\u00f3-forma. Suas fichas estar\u00e3o no 2\u00ba turno, assim como o dos demais partidos ga\u00fachos. PDT, PPS, PTB, PP e PMDB; e em menor escala local PL, PSDB e PFL, tratar\u00e3o de unificar esfor\u00e7os para derrotar Ol\u00edvio. Ao que tudo indica, desta disputa estar\u00e1 de fora apenas a direita do PT no estado.<\/p>\n<p>Opini\u00e3o un\u00e2nime entre as velhas raposas ga\u00fachas, \u00e9 o fato do PT ter de pagar uma conta cara nesta elei\u00e7\u00e3o. Dentro do estado, vai levar pau por direita e por esquerda. Haver\u00e1 uma competi\u00e7\u00e3o de den\u00fancias entre os partidos tradicionais do Rio Grande e os ex-petistas do PSTU e PSOL. Indo mais \u00e0 esquerda, Ol\u00edvio candidato reposiciona as for\u00e7as sociais e o movimento popular ga\u00facho, isolando a extrema-esquerda. Pode soar como o canto da sereia para alguns, trazendo de volta ao \u00e2mbito eleitoral gente que j\u00e1 est\u00e1 querendo ir muito al\u00e9m. Como este tema \u00e9 complexo, ser\u00e1 abordado na outra semana, no terceiro e \u00faltimo artigo da s\u00e9rie. <\/p>\n<p>Na elei\u00e7\u00e3o de 2002, uma grava\u00e7\u00e3o de Tarso afirmando peremptoriamente que n\u00e3o abandonaria a prefeitura de Porto Alegre para concorrer ao Piratini foi reprisada um sem n\u00famero de vezes. Como Ol\u00edvio est\u00e1 limpo, ataques diretos \u00e0 sua pessoa ser\u00e3o evitados. Mas, al\u00e9m do mensal\u00e3o de Bras\u00edlia, a den\u00fancia permanente ser\u00e3o os R$ 1milh\u00e3o e 200 mil reais vindos de Marcos Val\u00e9rio e j\u00e1 reconhecidos pelo atual diret\u00f3rio estadual. Chumbo grosso e muni\u00e7\u00e3o pesada v\u00e3o sendo acumulados. Se Brizola estivesse vivo, a\u00ed sim o clima pol\u00edtico dos pampas ia esquentar, e muito.<\/p>\n<p>Certeza mesmo \u00e9 que passou o encanto. Ainda que a esquerda do partido volte a governar o estado, no imagin\u00e1rio popular nada ser\u00e1 como antes. Em janeiro de 1999 Ol\u00edvio e Rosseto assumiam o governo hasteando as bandeiras farroupilha e cubana lado a lado, em pleno Pal\u00e1cio Piratini. Radicalizando de primeira, decretaram Morat\u00f3ria Unilateral das d\u00edvidas do Rio Grande. Tamanha f\u00faria n\u00e3o durou nem tr\u00eas meses. Prometeram um mandato socialista e terminaram com um governo apenas correto. Se em 1998 as disputas eram de cunho classista, agora a paulada vir\u00e1 na forma de investiga\u00e7\u00e3o policial. Sair deste brete ser\u00e1 dif\u00edcil. Talvez nem Mart\u00edn Fierro saiba como.<\/p>\n<p>Originalmente publicado no Blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viam\u00e3o, 26\/08\/2005 Este artigo \u00e9 a continuidade do publicado semana passada. Conforme dissemos, iniciamos esta an\u00e1lise a partir do ator coletivo mais complicado e dotado de maior n\u00famero de vari\u00e1veis. \u00c9 onde o imponder\u00e1vel ocorre desempenhar papel fundamental. Sim, estamos analisando a interna do PT ga\u00facho e suas poss\u00edveis implica\u00e7\u00f5es no cen\u00e1rio pol\u00edtico do estado. 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