{"id":10420,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=720"},"modified":"2023-03-13T21:22:23","modified_gmt":"2023-03-14T00:22:23","slug":"a-salada-suprapartidaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10420","title":{"rendered":"A salada suprapartid\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/salada de feijao.jpg\" title=\"Esta salada, ao contr\u00e1rio da fossa suprapartid\u00e1ria, \u00e9 bastante saud\u00e1vel e bem avaliada no gosto popular. - Foto:\" alt=\"Esta salada, ao contr\u00e1rio da fossa suprapartid\u00e1ria, \u00e9 bastante saud\u00e1vel e bem avaliada no gosto popular. - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Esta salada, ao contr\u00e1rio da fossa suprapartid\u00e1ria, \u00e9 bastante saud\u00e1vel e bem avaliada no gosto popular.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >Viam\u00e3o, 31\/01\/2006<\/p>\n<p >Ap\u00f3s <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>intenso \u201cdebate\u201d, a verticaliza\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a <st2:hm>cair<\/st2:hm>. \u00c9 verdade, <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>que ainda restam alguns assaltos neste combate, mas, aparentemente nem o Supremo nem o TSE v\u00e3o <st2:hm>barrar<\/st2:hm> a contra-medida. A segunda quinzena de janeiro agitou a classe pol\u00edtica brasileira, com os chefes das m\u00e1quinas partid\u00e1rias avaliando perdas e ganhos. O racioc\u00ednio pol\u00edtico empregado \u00e9 baseado em c\u00e1lculos alucinados de possibilidades e hip\u00f3teses de alian\u00e7as ou defec\u00e7\u00f5es regionais. <\/p>\n<p ><?xml:namespace prefix = st1 ns = \"schemas-houaiss\/mini\" \/>Com a norma quebrada e o PMDB indicando um candidato <?xml:namespace prefix = st2 ns = \"schemas-houaiss\/acao\" \/>pr\u00f3prio, os cen\u00e1rios da pol\u00edtica nacional e estadual tornam-se mais imprevis\u00edveis. Sem alian\u00e7as nacionais, as elei\u00e7\u00f5es em muitos lugares tomam contornos de disputas suprapartid\u00e1rias. Sai o partido, ou mesmo os arremedos de partidos, e entram os esquemas. N\u00e3o que a verticaliza\u00e7\u00e3o por si s\u00f3 desse jeito na falta de disciplina dos pol\u00edticos brasileiros, longe disso. O problema \u00e9 de outra ordem. Com regras mais r\u00edgidas, a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil de <st2:hm>ser<\/st2:hm> compreendida pelo cidad\u00e3o medianamente informado. J\u00e1 com normas frouxas, n\u00e3o h\u00e1 quem segure a forma direta e nada c\u00ednica, \u00e0 moda do falecido deputado Roberto Cardoso Alves, aquele do \u201c\u00e9 dando que se recebe!\u201d <\/p>\n<p >A pol\u00edtica feita aqui \u00e9 il\u00f3gica, se analisada por fora da id\u00e9ia de maximiza\u00e7\u00e3o de ganhos imediatos. J\u00e1 dentro desta l\u00f3gica, nossa pol\u00edtica \u00e9 \u201cracional e eficiente\u201d. S\u00f3 n\u00e3o \u00e9 republicana e nem defende o bem comum. Sem <st2:hm>cair<\/st2:hm> no discurso moralista, as elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o investimentos de risco, onde os cons\u00f3rcios pol\u00edtico-eleitorais apresentam \u201cprodutos patrocin\u00e1veis\u201d. No \u00faltimo artigo, deixamos expressa nossa defesa pela norma da verticaliza\u00e7\u00e3o e explicamos alguns porqu\u00eas. No presente texto, expomos um prov\u00e1vel cen\u00e1rio real daquilo que acontece em elei\u00e7\u00f5es suprapartid\u00e1rias.<\/p>\n<p >No \u00faltimo fim de semana de janeiro, tivemos a felicidade de <st2:hm>ler<\/st2:hm> quatro jornais paraibanos, dois de Jo\u00e3o Pessoa e dois de Campina Grande. <st2:hm>Ler<\/st2:hm> uma imprensa viva e com colunas \u00e1geis foi uma agrad\u00e1vel surpresa. Em uma destas colunas, assinada pelo jornalista Nonato Guedes, p\u00e1gina A4 da edi\u00e7\u00e3o de s\u00e1bado 28\/01\/06 do tradicional di\u00e1rio O Norte, nos reencontramos com os Comit\u00eas Suprapartid\u00e1rios.<\/p>\n<p >O colunista explica com precis\u00e3o como funciona um Comit\u00ea Suprapartid\u00e1rio. S\u00e3o aglomera\u00e7\u00f5es de aliados, que ap\u00f3iam um determinado candidato ao governo do estado e outro, n\u00e3o alinhado com este, para presidente. Exemplifica que nas elei\u00e7\u00f5es para o governo da Para\u00edba em 2002, diversos aliados do ent\u00e3o candidato e hoje governador C\u00e1ssio Cunha Lima (PSDB) apoiaram a Lula. Estes pol\u00edticos disputavam espa\u00e7o com o PMDB local, que atraiu o ex-metal\u00fargico para o palanque estadual de seu ent\u00e3o candidato, Roberto Paulino.<\/p>\n<p >Nonato segue exemplificando o funcionamento de uma campanha n\u00e3o-verticalizada a <st2:hm>partir<\/st2:hm> de depoimento do l\u00edder de C\u00e1ssio na Assembl\u00e9ia paraibana, o deputado pelo PDT Gilvan Freire. Gilvan votara em Lula em 2002 e j\u00e1 vinha votando nele h\u00e1 quatro elei\u00e7\u00f5es. Foi um dos art\u00edfices do Comit\u00ea Suprapartid\u00e1rio pr\u00f3-Lula\/C\u00e1ssio no segundo turno da elei\u00e7\u00e3o passada. Detalhe, na \u00e9poca o <st2:hdm>parlamentar<\/st2:hdm> era presidente do PSB da Para\u00edba. A salada continua na elei\u00e7\u00e3o de 2006. Seu atual partido, o PDT, est\u00e1 rompido com Luiz In\u00e1cio e talvez emplaque candidatura pr\u00f3pria. Um dos nomes cotados \u00e9 o senador pelo DF, Cristovam Buarque, ele pr\u00f3prio ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o de Lula, ainda pelo PT. Como sabemos, o nome do senador enfrenta resist\u00eancias de v\u00e1rios correligion\u00e1rios do partido de Brizola, dentre eles o pr\u00f3prio Gilvan Freire.<\/p>\n<p >Prosseguindo na explica\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Suprapartid\u00e1rio, o l\u00edder de C\u00e1ssio exp\u00f5e como a queda da verticaliza\u00e7\u00e3o favoreceria a seu candidato. Para ele, as vari\u00e1veis de op\u00e7\u00f5es do esquema de Cunha Lima \u00e9 mais amplo do que o esquema do rival, o senador Jos\u00e9 Maranh\u00e3o (PMDB). Detalhe, n\u00e3o estamos adjetivando as palavras, a coluna deu assim mesmo, \u201cesquema\u201d. <\/p>\n<p >Uma maior op\u00e7\u00e3o eleitoral significa <st2:hm>cobrir<\/st2:hm> clivagens de discurso mais ampliados. Nesta estimativa, o c\u00e1lculo entre alian\u00e7as e defec\u00e7\u00f5es aparentaria <st2:hm>ser<\/st2:hm> mais favor\u00e1vel ao grupo que Gilvan ap\u00f3ia. Segundo o atualmente deputado pedetista, seu esquema superaria assim em n\u00fameros absolutos ao grupo concorrente. Isto porque seu cons\u00f3rcio oferece palanque a Lula e Serra no mesmo estado, aumentando, segundo suas pr\u00f3prias palavras, o leque de op\u00e7\u00f5es de voto.<\/p>\n<p >Vale <st2:hdm>lembrar<\/st2:hdm> que a confus\u00e3o e quebra de pacto partid\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 exclusividade do esquema eleitoral dos Cunha Lima. Em 2002 o PMDB da Para\u00edba apoiara Lula j\u00e1 em primeiro turno. Isto se deu mesmo com seu partido indicando a vice de Serra naquela elei\u00e7\u00e3o, a deputada Rita Camata (PMDB\/ES). <\/p>\n<p >Passando da narrativa factual para a an\u00e1lise pol\u00edtica, vejamos o significado desta teia de alian\u00e7as. O l\u00edder de um governo estadual, ele pr\u00f3prio j\u00e1 tendo trocado de partido nos \u00faltimos quatro anos, defende e opera alian\u00e7as por fora da divis\u00e3o pol\u00edtico-partid\u00e1ria. O deputado estadual n\u00e3o vai <st2:hm>apoiar<\/st2:hm> o candidato de sua sigla para o Planalto e sim o presidente em busca da reelei\u00e7\u00e3o. Simultaneamente, \u00e9 l\u00edder na assembl\u00e9ia de um governo filiado ao partido que \u00e9 oposi\u00e7\u00e3o ao governo federal. Sem maiores crises, apoiar\u00e1 legendas rivais em n\u00edveis distintos na mesma elei\u00e7\u00e3o. Trabalhar\u00e1 por cima dos partidos, operando um Comit\u00ea Suprapartid\u00e1rio. Os concorrentes far\u00e3o o mesmo e, minoritariamente, podem at\u00e9 <st2:hm>vir<\/st2:hm> a <st2:hm>formar<\/st2:hm> um Comit\u00ea pr\u00f3 Maranh\u00e3o e Serra.<\/p>\n<p >Em termos de contabilidade, tudo perfeito. Aumenta-se a oferta de produtos com demanda garantida, alcan\u00e7ando assim fatias de mercado mais variadas. Nenhum problema se o \u201cproduto\u201d fosse refrigerante ou comida congelada. Mas, n\u00e3o se trata disso, e sim de candidatos, programas, propostas e vontades canalizadas atrav\u00e9s do voto. <\/p>\n<p >O tamanho da fossa aumenta porque n\u00e3o se trata de problema local e menos ainda de uma forma \u201cnordestina\u201d de <st2:hm>fazer<\/st2:hm> pol\u00edtica. N\u00e3o concordamos, nem reproduzimos este tipo de argumento preconceituoso. Bem longe disso. Os Comit\u00eas Suprapartid\u00e1rios nada mais s\u00e3o do que um cons\u00f3rcio de interesses imediatos e por si s\u00f3 anti-program\u00e1ticos e contradit\u00f3rios. O mesmo cen\u00e1rio confuso da pol\u00edtica paraibana ir\u00e1 se <st2:hm>reproduzir<\/st2:hm> em escala diversa em todos os estados. Diante desse quadro, como fica a cabe\u00e7a do eleitor? Que op\u00e7\u00f5es reais t\u00eam, quando todos concorrem e cooperam entre si, e terminam por n\u00e3o se <st2:hm>diferenciar<\/st2:hm> em nada?<\/p>\n<p >Voltando ao Nordeste, vale <st2:hdm>lembrar<\/st2:hdm> que a mesma Regi\u00e3o onde coabitam Sarney e ACM entre outros, \u00e9 onde foi gerada a id\u00e9ia de brasilidade. No mesmo agreste e zona da mata dos usineiros ergueu-se o Quilombo dos Palmares. Em pleno sert\u00e3o, bem antes dos caminh\u00f5es-pipa do DNOCS, outras sa\u00eddas j\u00e1 foram buscadas em Canudos. <\/p>\n<p >A hist\u00f3ria nordestina j\u00e1 comprova. Quando a organiza\u00e7\u00e3o popular encontra seu pr\u00f3prio caminho, suas escolhas v\u00e3o al\u00e9m de casu\u00edsmos, oligarquias e cons\u00f3rcios eleitorais.<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta salada, ao contr\u00e1rio da fossa suprapartid\u00e1ria, \u00e9 bastante saud\u00e1vel e bem avaliada no gosto popular. 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