{"id":10425,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=746"},"modified":"2023-03-13T21:21:17","modified_gmt":"2023-03-14T00:21:17","slug":"novas-palavras-e-velhas-solucoes-dos-oligopolios-gauchos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10425","title":{"rendered":"Novas palavras e velhas solu\u00e7\u00f5es dos oligop\u00f3lios ga\u00fachos"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/fotodogado.jpg\" title=\"Como n\u00e3o h\u00e1 alternativa para o neologismo neoliberal, com o perd\u00e3o da redund\u00e2ncia, a vers\u00e3o de democracia e debate p\u00fablico por eles advogados, mais se parece com um tropa de gado indo para o abate\n\n - Foto:\" alt=\"Como n\u00e3o h\u00e1 alternativa para o neologismo neoliberal, com o perd\u00e3o da redund\u00e2ncia, a vers\u00e3o de democracia e debate p\u00fablico por eles advogados, mais se parece com um tropa de gado indo para o abate\n\n - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Como n\u00e3o h\u00e1 alternativa para o neologismo neoliberal, com o perd\u00e3o da redund\u00e2ncia, a vers\u00e3o de democracia e debate p\u00fablico por eles advogados, mais se parece com um tropa de gado indo para o abate<\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p >Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S\u00e3o Sep\u00e9, 3\u00aa 25 de julho de 2006<\/p>\n<p >Na semana anterior, nosso artigo tratou de demonstrar um painel do chamado Pacto pelo Rio Grande. Este intento, \u00e9 a tratativa das for\u00e7as pol\u00edticas ga\u00fachas majorit\u00e1rias buscando alguma sa\u00edda para a crise estrutural do estado. O conceito-chave do pacto, ali\u00e1s, caracter\u00edstica dos pactos de elite, \u00e9 o fato do acordo para sair da crise de estrutura recusar-se a mexer em qualquer base estrutural. Convocado para mais \u201csacrif\u00edcios\u201d, o funcionalismo p\u00fablico estadual entraria com a carne e os grandes operadores pol\u00edticos com a faca carneadeira. Vejamos algumas raz\u00f5es disto nesse artigo.<\/p>\n<p >Come\u00e7amos pelo pr\u00f3prio fato do debate da crise do Estado na forma de publiciza\u00e7\u00e3o de seus recursos, ser algo pouco ou nada abordado na corrida eleitoral. Apontando sa\u00eddas diferentes daquelas advogadas pela tropa de Montpelier e cujos pioneiros expoentes ao sul do mundo foram os chamados Chicago Boys, alternativas econ\u00f4micas hoje n\u00e3o chegam a ser complementares ao grande capital, mas sim concorrentes e inimigas estrat\u00e9gicas. Vejamos os porqu\u00eas atrav\u00e9s das id\u00e9ias-guias apresentadas pela pr\u00f3pria patronal ga\u00facha.<\/p>\n<p >De acordo com o pensamento neoliberal, referendado nas propagandas, nas chamadas de r\u00e1dio e nos coment\u00e1rios da maior parte dos \u201cespecialistas\u201d, o estado ga\u00facho \u00e9 enorme, lento, obsoleto e tranca o desenvolvimento. Estas mesmas fontes, n\u00e3o por coincid\u00eancia rezando na cartilha das federa\u00e7\u00f5es patronais Farsul, Federasul, Fecom\u00e9rcio e Fiergs, apontam uma Agenda Estrat\u00e9gica para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Colocam como ano meta 2020, e estabelecem \u201cdi\u00e1logo\u201d com a sociedade, prosa essa intermediada pelos quatro grandes grupos de m\u00eddia regional, Pampa, RBS, Band RS e Caldas Jr. O tema de fundo \u00e9 a transfer\u00eancia de recursos do controle estatal para as m\u00e3os da iniciativa privada e de grande porte. <\/p>\n<p >Qualquer analista s\u00e9rio e sincero n\u00e3o pode calar-se perante as palavras empregadas e a carga ideol\u00f3gica contida nelas. As palavras n\u00e3o s\u00e3o pontes para a comunica\u00e7\u00e3o, s\u00e3o portadoras de conceitos, caixa de ferramentas da estrutura do pensamento cujo arranjo determina a pr\u00f3pria forma de pensar. Foi desta maneira que chegou ao Brasil h\u00e1 16 anos, vindo com ares de verdade, o conjunto da ferramentaria neoliberal. Uma d\u00e9cada e meia depois, ao lado do advento da m\u00eddia eletr\u00f4nica, instant\u00e2nea e interativa, os \u201cespecialistas\u201d e seus porta-vozes por detr\u00e1s de microfones, c\u00e2meras e teclados levantam em alto e bom som a \u201cnova sa\u00edda\u201d. Esta tem uma sigla, PPP, e se chama Parceria P\u00fablico Privado.<\/p>\n<p >Fossem honestos estes conceitos e a denomina\u00e7\u00e3o seria outra. Devera chamar-se algo como FEO, Financiamento do Estado para os Oligop\u00f3lios. Ali\u00e1s, esta sigla tem a sonoridade em castelhano resultando na palavra \u201cfeio\u201d. Quando uma coisa \u00e9 feia na l\u00edngua vizinha, \u00e9 como dizer que algo n\u00e3o cheira bem, que \u00e9 um desastre <st1:PersonName ProductID=\"em potencial. Pois\" w:st=\"on\">em potencial. Pois<\/st1:PersonName> bem, o pano de fundo da Agenda Estrat\u00e9gica advogada pelo sistema Fiergs \u00e9, em nome da \u201csociedade civil\u201d, querer usufruir dos recursos estatais, tirando-os da poss\u00edvel passagem para m\u00e3os p\u00fablicas e deixando tudo ao bel prazer dos grandes grupos econ\u00f4micos. Tivessem franqueza expositiva, assim deveria chegar ao p\u00fablico consumidor deste tipo de not\u00edcia, nota, coluna e coment\u00e1rio.<\/p>\n<p >O fundo da proposta \u00e9 incrivelmente simples. Os recursos do Estado, incluindo o que sobrou da capacidade de investimento e manuten\u00e7\u00e3o de infra-estrutura, como na empresa de eletrifica\u00e7\u00e3o CEEE, da CORSAN (\u00e1guas e esgotos), devem passar para operadoras privadas com o t\u00edtulo de \u201cparceria\u201d. O mesmo, segundo esta cartilha fomentada a partir de um \u201cbanco de id\u00e9ias\u201d, deve se dar com os cofres do dinheiro coletivo, ou seja, o controle acion\u00e1rio do Banrisul, da Caixa RS e com a participa\u00e7\u00e3o estadual no BRDE. Sen\u00e3o est\u00e1 expl\u00edcita a linha de fundo \u00e9 esta. A solu\u00e7\u00e3o que vale nas cidades vale tamb\u00e9m para o t\u00e3o conturbado campo ga\u00facho. <\/p>\n<p >Para eles, a solu\u00e7\u00e3o para a metade sul, para sair do modelo do latif\u00fandio, \u00e9 justamente mais latif\u00fandio. Com a alcunha de promover a reconvers\u00e3o econ\u00f4mica, a gigante Aracruz Celulose propagandeia no interior a cria\u00e7\u00e3o da \u201cnova mentalidade de empres\u00e1rio florestal\u201d. Os propriet\u00e1rios, pequenos e m\u00e9dios, cedem suas terras para o plantio de eucalipto. \u00c9 s\u00f3 esperar crescer, chegar o momento do corte, e faturar em \u201cparceria\u201d com a empresa. Trazendo elementos de \u201cnovidade\u201d ao discurso e a pr\u00e1tica de sempre, o neologismo consentido atrav\u00e9s da press\u00e3o midi\u00e1tica vai ganhando ares de verdade revelada e absoluta perante \u201cinova\u00e7\u00f5es gerenciais\u201d.<\/p>\n<p >Uma parte das receitas milagrosas \u00e9 a velha sa\u00edda de quem est\u00e1 com problemas no agiota. Para conseguir dinheiro r\u00e1pido, segundo os s\u00e1bios, o estado do RS deve alienar-se de patrim\u00f4nio. Um dos motivos para conseguir maior liquidez \u00e9 at\u00e9 justificado. O governo ga\u00facho vem dando um calote hist\u00f3rico naqueles que compraram os famosos t\u00edtulos precat\u00f3rios. A fila \u00e9 grande e quase ningu\u00e9m recebe o investimento feito na \u00e9poca da corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria inflacionada. Pegando carona neste problema, a patronal daqui levanta a bandeira da \u201cdesonera\u00e7\u00e3o do Estado\u201d daquilo que n\u00e3o for sua \u201catividade-fim\u201d. Vejam caros leitores, como mais uma vez a sutileza do neologismo esconde de forma subliminar a id\u00e9ia b\u00e1sica.<\/p>\n<p >\u201cDesonerar\u201d significaria vender, mas n\u00e3o deixar de financiar, por exemplo. Ou seja, querem um Estado sanado de problemas financeiros, justo para que o Ente detentor dos recursos da sociedade possa reinvestir o botim impositivo de forma l\u00edquida e r\u00e1pida nos pr\u00f3prios oligop\u00f3lios operando aqui. Isto vale desde inser\u00e7\u00f5es oficiais, abundantes na grande m\u00eddia e de fato financiadoras das mesmas, at\u00e9 volumosos recursos do BRDE e do Banrisul, alienando patrim\u00f4nio e bens p\u00fablicos, como \u00e9 o caso das estradas pedagiadas. \u00c9 a mesma velha hist\u00f3ria da oligarquia em toda a Am\u00e9rica Latina. Em nome da \u201csociedade civil\u201d, as elites locais, aliadas com os Imp\u00e9rios e seus agentes, retiram os recursos populares e os entregam para quem j\u00e1 tem.<\/p>\n<p >Interessante \u00e9 observar as articula\u00e7\u00f5es do pol\u00edtico com o econ\u00f4mico atrav\u00e9s da ideologia. Dos 10 candidatos para o governo do RS, 7 est\u00e3o fechados com o Pacto pelo Rio Grande. Embora n\u00e3o seja necessariamente a mesma coisa, \u00e9 sabido que uma pauta ser\u00e1 o complemento da outra. Como o sindicalismo do setor p\u00fablico anda mal das pernas, esquecido da independ\u00eancia de classe e mais preocupado com a urna dos outros que de suas pr\u00f3prias bases, deste setor n\u00e3o sair\u00e1 uma for\u00e7a para barrar esta articula\u00e7\u00e3o em um primeiro momento. A for\u00e7a esta vir\u00e1 das a\u00e7\u00f5es corporativas dos poderes como o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o Judici\u00e1rio estadual. Mas, infelizmente, as demandas apresentadas para barrarem as medidas de ajuste fiscal n\u00e3o formam uma preocupa\u00e7\u00e3o social, mas sim os sempre renovados velhos interesses corporativos. <\/p>\n<p >O fato \u00e9 que as associa\u00e7\u00f5es patronais em conjunto com os operadores pol\u00edticos v\u00e3o afunilar dois discursos e metas. Estas propostas, fabricando um consenso pela m\u00eddia local e repetindo o slogan de Margaret Thatcher, \u201cn\u00e3o existe alternativa\u201d, v\u00e3o conformar um verdadeiro ataque de rapinha ao que sobrou de patrim\u00f4nio estatal e que pode vir a ser p\u00fablico caso tenhamos uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as para isto. Para freiar esta ofensiva restauradora, ser\u00e1 preciso a uni\u00e3o de esfor\u00e7os, a independ\u00eancia de classe e uma forte convic\u00e7\u00e3o de retomada dos espa\u00e7os p\u00fablicos atrav\u00e9s de agentes sociais populares.<\/p>\n<p >Para contrapor ao neologismo do oligop\u00f3lio, trazemos as ra\u00edzes mais profundas. Ave de rapinha alguma, por mais forte que seja, ataca um ninho de Quero-quero e sai impune deste intento voraz. Esta mesma vontade vale para o patrim\u00f4nio p\u00fablico do Rio Grande e as for\u00e7as sociais que o constru\u00edram.<\/p>\n<p >Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como n\u00e3o h\u00e1 alternativa para o neologismo neoliberal, com o perd\u00e3o da redund\u00e2ncia, a vers\u00e3o de democracia e debate p\u00fablico por eles advogados, mais se parece com um tropa de gado indo para o abate Foto: Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S\u00e3o Sep\u00e9, 3\u00aa 25 de julho de 2006 Na semana anterior, nosso artigo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-10425","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10425","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10425"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10425\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11449,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10425\/revisions\/11449"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10425"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10425"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}