{"id":10436,"date":"2008-03-13T19:42:10","date_gmt":"2008-03-13T22:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=864"},"modified":"2023-03-13T21:16:14","modified_gmt":"2023-03-14T00:16:14","slug":"outra-politica-a-producao-audiovisual-no-municipio-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10436","title":{"rendered":"Outra Pol\u00edtica: a produ\u00e7\u00e3o audiovisual no munic\u00edpio \u2013 2"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/coletivo caifazes.jpg\" title=\"Neste cartaz do Coletivo Caifazes, publicado no blog do cinequebrada, d\u00e1 para ver como \u00e9 relativamente simples fazer um cineclube e atuar nas beiradas do circuit\u00e3o. Passar de um esfor\u00e7o pontual para algo sist\u00eamico \u00e9 um esfor\u00e7o de pol\u00edtica p\u00fablica.\n\n - Foto:\" alt=\"Neste cartaz do Coletivo Caifazes, publicado no blog do cinequebrada, d\u00e1 para ver como \u00e9 relativamente simples fazer um cineclube e atuar nas beiradas do circuit\u00e3o. Passar de um esfor\u00e7o pontual para algo sist\u00eamico \u00e9 um esfor\u00e7o de pol\u00edtica p\u00fablica.\n\n - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Neste cartaz do Coletivo Caifazes, publicado no blog do cinequebrada, d\u00e1 para ver como \u00e9 relativamente simples fazer um cineclube e atuar nas beiradas do circuit\u00e3o. Passar de um esfor\u00e7o pontual para algo sist\u00eamico \u00e9 um esfor\u00e7o de pol\u00edtica p\u00fablica.<\/p>\n<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>Coluna quinzenal publicada no portal da TV Tribuna, Baixada Santista (SP)<\/p>\n<\/p>\n<p>Retorno a este portal dando seq\u00fc\u00eancia e concluindo o tema proposto de como gerar, produzir e distribuir o audiovisual de baixo custo a partir dos munic\u00edpios. No texto que segue, me atenho ao tema do apoio e suporte a roteiros e edi\u00e7\u00e3o. Para ser preciso no argumento, deixo a capacidade de distribui\u00e7\u00e3o do conjunto da obra para o \u00faltimo texto da trilogia. <\/p>\n<p >Antes que nada o artigo parte de uma premissa. De que, por mais criatividade que tenha um autor independente, temos nossas mentalidades mediatizadas. Ou seja, a livre cria\u00e7\u00e3o no audiovisual ser\u00e1 t\u00e3o ou mais repetitiva do padr\u00e3o da m\u00eddia comercial do que uma forma\u00e7\u00e3o um pouco mais erudita. \u00c9 neste quesito que entra a import\u00e2ncia do apoio aos roteiros.<\/p>\n<p >O Brasil vive a ressaca da expans\u00e3o descontrolada das faculdades privadas surgida na d\u00e9cada de \u201990. Infelizmente, o mercado de trabalho formal n\u00e3o consegue absorver uma leva de dimens\u00f5es absurdas de jovens trabalhadores em comunica\u00e7\u00e3o que s\u00e3o formados todos os anos. Quanto menor a economia de um munic\u00edpio ou regi\u00e3o, mais her\u00f3ica \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o de fazer m\u00eddia. M\u00eddia de qualidade ent\u00e3o, com algum grau de independ\u00eancia editorial e sem ser escravo dos anunciantes, \u00e9 algo ainda mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p >Portanto, em qualquer regi\u00e3o do pa\u00eds, por mais triste que seja esta constata\u00e7\u00e3o, teremos profissionais de m\u00eddia ociosos. \u00c9 certo, n\u00e3o abundam nem sobram egressos das escolas de cinema, mas a abund\u00e2ncia resulta enorme em outras \u00e1reas de comunica\u00e7\u00e3o. Assim, seria uma forma de tirar do ostracismo e projetar o potencial criador destes profissionais atribuindo-lhes uma tarefa.<\/p>\n<p >Imaginem que em cada escola municipal, sendo uma m\u00e9dia de 60 col\u00e9gios por cada 200 mil habitantes (padr\u00e3o da cidade onde moro), haveria um profissional formado em uma \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o. Sendo amplo e n\u00e3o corporativo, este ou esta pessoa poderia ser graduada em rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, jornalismo, publicidade, radialismo (de n\u00edvel superior), estudos cr\u00edticos da m\u00eddia e cinema. Todo o processo seria coordenado por um grupo composto de cinco pessoas com diploma em cinema ou realiza\u00e7\u00e3o audiovisual. Desta forma se ocupam as mentes formadas pelo esfor\u00e7o brasileiro e que na maioria das vezes est\u00e3o sendo pouco aproveitadas. A coordena\u00e7\u00e3o dos processos de roteiro e finaliza\u00e7\u00e3o caberia aos profissionais da \u00e1rea, cinema e realiza\u00e7\u00e3o audiovisual, tanto para respeitar a divis\u00e3o de tarefas e \u00e1reas do mercado de trabalho, como para a ajudar na edi\u00e7\u00e3o e finaliza\u00e7\u00e3o dos curtas. <\/p>\n<p >Em termos de remunera\u00e7\u00e3o, tampouco o esfor\u00e7o \u00e9 dif\u00edcil. Projetos como \u201cescola aberta\u201d, costumam remunerar com \u00bc de sal\u00e1rio m\u00ednimo por m\u00eas referente ao trabalho de 4 horas por um dia de fim de semana. Supondo que o trabalho do festival dure em torno de tr\u00eas meses, trata-se assim de 12 s\u00e1bados. Estes dias, multiplicados por 4 horas dariam um total de 48 horas de oficinas de produ\u00e7\u00e3o audiovisual. Isto porque o processo de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o implicaria sair direto para roteirizar e filmar, mas passaria por uma forma\u00e7\u00e3o m\u00ednima em cultura cinematogr\u00e1fica e de educa\u00e7\u00e3o para a m\u00eddia. <\/p>\n<p >O conte\u00fado pedag\u00f3gico seria o papel da equipe de coordena\u00e7\u00e3o dos projetos de roteiro do festival, que se encarregariam de montar uma filmografia brasileira e latino-americana, al\u00e9m do debates guiados. Na pr\u00e1tica, um festival dessa ordem seria um incentivo para ampliar o conhecimento dos mun\u00edcipes em rela\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio audiovisual de sua regi\u00e3o, nacional e da Am\u00e9rica Latina. <\/p>\n<p >O custo do trabalho dos oficineiros, calculando a base de 60 escolas municipais a cada 200 mil habitantes, pelo valor total de R$ 7.200,00 por m\u00eas, ou R$ 21.600,00 ao cabo do trimestre de atividades. Trata-se de uma bagatela para o valor que agrega \u00e0 cidade. Imaginemos que um grupo de produ\u00e7\u00e3o tenha, obrigatoriamente, de contar com ao menos 5 membros. E que, por cada escola \u2013 centro de produ\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o \u2013 existam pelo menos 5 grupos. Assim, ter\u00edamos a conta de 25 pessoas para cada oficineiro. Na base de c\u00e1lculo acima esta cidade teria iniciados na cultura cinematogr\u00e1fica a no m\u00ednimo, 1500 cidad\u00e3os. Em termos financeiros \u00e9 um valor irris\u00f3rio. Como patrim\u00f4nio cultural de uma localidade, estas pessoas s\u00e3o um p\u00fablico alvo, cr\u00edticos e poss\u00edveis consumidores de m\u00eddia local e regional. <\/p>\n<p >J\u00e1 a equipe coordenadora, igualmente trabalhando com valores modestos, poderia receber na base de tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos, livres de custos como deslocamento e alimenta\u00e7\u00e3o, referentes a tr\u00eas dias de trabalho por semana. Por esta conta, a coordena\u00e7\u00e3o do projeto teria o \u201ccusto\u201d de R$ 6.500,00 por m\u00eas ou R$ 19.500,00 ao final do trimestre.<\/p>\n<p >O total com m\u00e3o de obra j\u00e1 teria inclu\u00eddos aos finalizadores, os mesmos coordenadores de projeto. Assim, para iniciar a 1500 cidad\u00e3os, realizar 300 curtas e difundir o nome do munic\u00edpio por todo o pa\u00eds, os custos com m\u00e3o de obra envolvida na produ\u00e7\u00e3o audiovisual sairiam por R$ 41.100,00. Isto d\u00e1, por cidad\u00e3o envolvido no festival, o valor de R$ 27,40! J\u00e1 por curta gravado em formato digital, a m\u00e3o de obra sai por: R$ 137,00!<\/p>\n<p >Suponhamos que seja feito um estojo com jogos de curtas, tr\u00eas DVDs, com 100 curtas em cada um deles. O exemplar, bem finalizado, teria um custo de produ\u00e7\u00e3o de R$ 5,00 sendo vendidos pelo valor de R$ 10,00 cada. O pacote de todas as realiza\u00e7\u00f5es em DVD seria vendido pelo valor total de R$ 30,00, e os realizadores abririam m\u00e3o dos direitos autorais j\u00e1 em contrato, sendo que o ganho com a venda serviria para cobrir os gastos e se houvesse sobra, entraria para o investimento do mesmo festival no ano seguinte. Com a venda de 1370 exemplares do pacote com os tr\u00eas DVDs, estaria coberta toda a m\u00e3o de obra. Ouso dizer que caso sejam vendidos 2000 estojos com o conjunto dos curtas, conseguindo o valor de R$ 60.000,00 e todo o investimento no festival, incluindo o material de divulga\u00e7\u00e3o, as estruturas f\u00edsicas, e o transporte e estadia do j\u00fari estariam cobertos. <\/p>\n<p >A exce\u00e7\u00e3o do valor inclu\u00eddo \u00e9 a compra dos projetores, fator esse que havia afirmado antes que deve ser visto como investimento e n\u00e3o custo. Isto porque o festival \u00e9 um mote, j\u00e1 a exibi\u00e7\u00e3o regular de filmografia regional, brasileira e latino-americana \u00e9 a atividade permanente.<\/p>\n<p >Reconhe\u00e7o que o gargalo da viabilidade imediata \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o e sobre este fator nos debru\u00e7aremos na pr\u00f3xima quinzena. Mas, ainda que uma atividade como esta n\u00e3o seja superavit\u00e1ria num primeiro momento, no largo prazo ela \u00e9 vi\u00e1vel, tanto financeiramente como para a cidadania. <\/p>\n<p >O valor agregado com a cultura geral de um cidad\u00e3o \u00e9 incalcul\u00e1vel. O brasileiro n\u00e3o tem nem pregui\u00e7a de ler e tampouco se contenta \u201cnaturalmente\u201d com a mediocridade dos enlatados. O que falta \u00e9 o habito incorporado ao consumo de bens culturais mais sofisticados, aqueles que falam de n\u00f3s mesmos e ampliam horizontes. Qualquer administra\u00e7\u00e3o municipal que tenha um m\u00ednimo de intelig\u00eancia aplicada no bem comum ficar\u00e1 atenta para id\u00e9ias de baixo custo e grande impacto. <\/p>\n<p >Infelizmente, os dados de realidade me contradizem. Ou seja, poucas s\u00e3o as prefeituras que v\u00eaem a cultura de sua popula\u00e7\u00e3o como um valor. Digo mais, para o mau pol\u00edtico, a ignor\u00e2ncia e a banalidade est\u00e9tica s\u00e3o benef\u00edcios. Cabe aos que se indignam e tem boas id\u00e9ias virar este jogo! <\/p>\n<p ><a href=\"http:\/\/tvtribuna.globo.com\/colunas\/colunas_ver.asp?idColunista=40&amp;idColuna=457\">Este artigo<\/a> foi originalmente publicado no portal da <a href=\"http:\/\/tvtribuna.globo.com\/\">TV Tribuna<\/a> \u2013 Baixada Santista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste cartaz do Coletivo Caifazes, publicado no blog do cinequebrada, d\u00e1 para ver como \u00e9 relativamente simples fazer um cineclube e atuar nas beiradas do circuit\u00e3o. Passar de um esfor\u00e7o pontual para algo sist\u00eamico \u00e9 um esfor\u00e7o de pol\u00edtica p\u00fablica. 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