{"id":10441,"date":"2008-12-22T09:54:07","date_gmt":"2008-12-22T09:54:07","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=891"},"modified":"2008-12-22T09:54:07","modified_gmt":"2008-12-22T09:54:07","slug":"o-ai-5-quarenta-anos-depois-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10441","title":{"rendered":"O AI-5 quarenta anos depois (3)"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/orlando_geisel.jpg\" title=\"O general Orlando Geisel era o comandante de fato da guerra interna promovida pelo Estado brasileiro contra seu pr\u00f3prio povo. N\u00e3o se pode comparar as atrocidades cometidas pelos operadores da ditadura com a a\u00e7\u00e3o dos guerrilheiros urbanos e rurais que resistiam ao regime de exce\u00e7\u00e3o. - Foto:\" alt=\"O general Orlando Geisel era o comandante de fato da guerra interna promovida pelo Estado brasileiro contra seu pr\u00f3prio povo. N\u00e3o se pode comparar as atrocidades cometidas pelos operadores da ditadura com a a\u00e7\u00e3o dos guerrilheiros urbanos e rurais que resistiam ao regime de exce\u00e7\u00e3o. - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O general Orlando Geisel era o comandante de fato da guerra interna promovida pelo Estado brasileiro contra seu pr\u00f3prio povo. N\u00e3o se pode comparar as atrocidades cometidas pelos operadores da ditadura com a a\u00e7\u00e3o dos guerrilheiros urbanos e rurais que resistiam ao regime de exce\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>Bruno Lima Rocha<\/p>\n<p>4&ordf; 17 de dezembro de 2008; Vila Setembrina; Continente de S&atilde;o Sep&eacute;; Liga Federal<\/p>\n<p>Encerro aqui a trilogia a respeito do Ato Institucional No. 5, datado de 13 de dezembro de 1968. Neste texto o tema &eacute; delicado, mas precisa ser abordado. Al&eacute;m da camaleoniza&ccedil;&atilde;o dos operadores pol&iacute;ticos que apoiaram o regime de for&ccedil;a e h&aacute; mais de duas d&eacute;cadas posam como democratas, existe o problema da falsifica&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>Explico. Na Argentina, durante os anos &rsquo;80, surge a &ldquo;Teoria dos dois dem&ocirc;nios&rdquo;. Trata-se de uma justificativa para a n&atilde;o-puni&ccedil;&atilde;o dos torturadores. O argumento &eacute; falso, mas de f&aacute;cil reprodu&ccedil;&atilde;o e se espalhou pelo Cone Sul. Coloca na mesma posi&ccedil;&atilde;o aos militares golpistas e os membros da resist&ecirc;ncia armada &agrave; ditadura. Ambos seriam &ldquo;os dem&ocirc;nios&rdquo; contra a democracia. O nome, inspirado no romance do escritor russo Dostoi&eacute;vski (1821-1881), j&aacute; &eacute; uma posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>Vejo isso como um absurdo. Primeiro, porque o golpe come&ccedil;ou quando o vice-presidente eleito, Jo&atilde;o Goulart, n&atilde;o p&ocirc;de assumir com plenos poderes. Em setembro de 1961, mudaram a forma de governo, instaurando o parlamentarismo sem consultar aos brasileiros. Segundo, a guerra interna tampouco justifica a barb&aacute;rie. At&eacute; a guerra tem regras e s&atilde;o previstas na Conven&ccedil;&atilde;o de Genebra. E, todo o m&eacute;todo aplicado no combate a guerrilha era baseado em crime de lesa humanidade. Terceiro, argumentam que n&atilde;o se pode usar a viol&ecirc;ncia contra um regime de exce&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o, por esta l&oacute;gica, dever&iacute;amos condenar a Resist&ecirc;ncia Francesa, que combateu tanto a ocupa&ccedil;&atilde;o nazista como o governo fantoche de Vichy. Ali&aacute;s, pensando assim, at&eacute; a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa e as independ&ecirc;ncias das col&ocirc;nias americanas devem ser condenadas. Quarto, a afirma&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o se pode julgar o passado pol&iacute;tico e que isso gera um clima de revanchismo. Por esta mesma l&oacute;gica, devemos condenar o Tribunal de Nuremberg e a puni&ccedil;&atilde;o aos genocidas. Quinto, afirmam que os ex-guerrilheiros se tornaram parte da classe pol&iacute;tica brasileira e incorrem hoje nos mesmos erros. Embora isto seja a verdade para a maioria, n&atilde;o &eacute; para a totalidade. E, ainda assim n&atilde;o justifica. Seria o mesmo que dizer que os israelenses n&atilde;o podem condenar o nazismo por formarem parte de um Estado opressor contra os palestinos.<\/p>\n<p>Passadas quatro d&eacute;cadas e oito em cada dez brasileiros n&atilde;o sabem o que &eacute; o AI-5. O Brasil insiste em apagar a mem&oacute;ria, ocultar a verdade e impedir a Justi&ccedil;a. &Eacute; hora de mudar este quadro.<\/p>\n<p>Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O general Orlando Geisel era o comandante de fato da guerra interna promovida pelo Estado brasileiro contra seu pr\u00f3prio povo. N\u00e3o se pode comparar as atrocidades cometidas pelos operadores da ditadura com a a\u00e7\u00e3o dos guerrilheiros urbanos e rurais que resistiam ao regime de exce\u00e7\u00e3o. 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