{"id":10452,"date":"2009-04-14T13:35:26","date_gmt":"2009-04-14T13:35:26","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=966"},"modified":"2009-04-14T13:35:26","modified_gmt":"2009-04-14T13:35:26","slug":"historia-e-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10452","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria e Mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/CAF374BRCAZ8YAJ3CAQBF76ACA0H615QCAXHJ6GMCA471V1MCALQVAD6CA9B96VKCAUG5E5ECATKJPV2CATNE2NCCA63CBJBCA30ANDOCAVPKKIBCAW0C23XCACC3A1UCAY6LH1ACANPDV1GCAZCU019.jpg\" title=\"Cartaz publicado pela FAG em 2007, convidando para um ato politico e cultural sobre os 90 anos da Greve Geral de 1917. - Foto:\" alt=\"Cartaz publicado pela FAG em 2007, convidando para um ato politico e cultural sobre os 90 anos da Greve Geral de 1917. - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Cartaz publicado pela FAG em 2007, convidando para um ato politico e cultural sobre os 90 anos da Greve Geral de 1917.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>Existenem aproxima&ccedil;&otilde;es e distanciamentos entre a hist&oacute;ria e a mem&oacute;ria. A objetividade da hist&oacute;ria e a subjetividade da mem&oacute;ria complementam-se.Um dos crit&eacute;rios para distinguir hist&oacute;ria de mem&oacute;ria &eacute; a estrutura e forma da narrativa (a escrita).<\/p>\n<p>Por Anderson Rom&aacute;rio Pereira Corr&ecirc;a <br \/>\nAlegrete, 13 de abril de 2009. <\/p>\n<p>A Hist&oacute;ria pode apresentar-se como uma &ldquo;narra&ccedil;&atilde;o&rdquo; dos acontecimentos e fen&ocirc;menos pret&eacute;ritos, mas nem toda narra&ccedil;&atilde;o de acontecimentos passados &eacute; Hist&oacute;ria. Neste sentido, pretende-se fazer a distin&ccedil;&atilde;o entre hist&oacute;ria e mem&oacute;ria e, principalmente, verificar a possibilidade de diferencia&ccedil;&atilde;o destes saberes na estrutura textual. Reconhece-se que os estudos sobre este assunto s&atilde;o complexos e que a pr&oacute;pria hist&oacute;ria &eacute; vista por alguns como uma grande mem&oacute;ria. Nesta s&iacute;ntese, busca-se o auxilio de Fernando Cartoga, Jacques Le Goff e Michel de Certau para compreender o problema proposto. <br \/>\nPara Fernando Cartoga (2001: 53s) a hist&oacute;ria pode ser produto de um pensamento cr&iacute;tico, com uma linguagem conceitual, abstrata e laica, e com uma fun&ccedil;&atilde;o ensinavel e utilitavel. Segundo o autor, a Mem&oacute;ria caracteriza-se por ter uma origem an&ocirc;nima e espont&acirc;nea, por ser viva, concreta, m&uacute;ltipla, imag&eacute;tica e sacral. A mem&oacute;ria coletiva &eacute; representa&ccedil;&atilde;o afetiva, inconsciente de suas deforma&ccedil;&otilde;es e vulner&aacute;vel a toda manipula&ccedil;&atilde;o. A historiografia, pelo contrario, reivindica a exatid&atilde;o das experi&ecirc;ncias do passado. A mem&oacute;ria limita-se ao veross&iacute;mil e baseia seu crit&eacute;rio de objetividade na idoneidade do narrador, a historia busca argumentos racionais e estrat&eacute;gias de convencimento. <br \/>\nSobre Mem&oacute;ria e Hist&oacute;ria, Le Goff (1990: 29) escreve: &ldquo;A primeira (a mem&oacute;ria) &eacute; essencialmente m&iacute;tica, deformada, anacr&ocirc;nica, mas constitui o vivido desta rela&ccedil;&atilde;o nunca acabada entre o presente e o passado. &Eacute; desej&aacute;vel que a informa&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, fornecida pelos historiadores de of&iacute;cio, vulgarizada pela escola (ou pelo menos deveria s&ecirc;-lo) e os mass media, corrija esta hist&oacute;ria tradicional falseada. A hist&oacute;ria deve esclarecer a mem&oacute;ria e ajud&aacute;-la a retificar os seus erros. (&#8230;)&rdquo; <br \/>\nLe Goff escreve que, desde o alvorecer da hist&oacute;ria, se julga o historiador pela medida da verdade. Para ele existem tr&ecirc;s princ&iacute;pios que buscam a verifica&ccedil;&atilde;o (veracidade) das refer&ecirc;ncias ao passado: &ldquo;1) Foram as fontes pertinentes utilizadas, e os &uacute;ltimos est&aacute;gios de investiga&ccedil;&atilde;o foram tomados em considera&ccedil;&atilde;o? 2) At&eacute; que ponto estes ju&iacute;zos hist&oacute;ricos se aproximaram de uma integra&ccedil;&atilde;o &oacute;tima de todos os dados hist&oacute;ricos poss&iacute;veis? 3) Os modelos expl&iacute;citos ou subjacentes de explica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o rigorosos, coerentes e n&atilde;o contradit&oacute;rios?&rdquo; (1990:31). <br \/>\nMichel de Certau (1982:66) afirma: &ldquo;Encarar a hist&oacute;ria como uma opera&ccedil;&atilde;o ser&aacute; tentar, de maneira necessariamente limitada, compreend&ecirc;-la como a rela&ccedil;&atilde;o entre um lugar (um recrutamento, um meio, uma profiss&atilde;o, etc.), procedimentos de analise (uma disciplina) e a constru&ccedil;&atilde;o de um texto (uma literatura)&rdquo;. <br \/>\nPortanto, uma das formas de distinguir Hist&oacute;ria de Mem&oacute;ria, &eacute; identificando o autor (sua forma&ccedil;&atilde;o, idoneidade, Institui&ccedil;&atilde;o, etc), os procedimentos metodol&oacute;gicos de investiga&ccedil;&atilde;o empregados (teoria e empiria) e, tamb&eacute;m, em rela&ccedil;&atilde;o aos resultados das pesquisas que devem apresentar-se em textos coerentemente estruturados e com as respectivas refer&ecirc;ncias. O texto com pretens&atilde;o de ser historiogr&aacute;fico, se n&atilde;o apresentar estes requisitos, pode ser classificado como Mem&oacute;ria. <\/p>\n<p>Bibliografia: <br \/>\nCARTOGA, Fernando. Mem&oacute;ria e Hist&oacute;ria. In: Fronteiras do Mil&ecirc;nio. Org. Sandra Jatahy Pesavento. Porto Alegre: Ed. Universidade\/UFRGS, 2001. <br \/>\nCERTAU, Michel de. A escrita da hist&oacute;ria. Rio de Janeiro: Forense,Universit&aacute;ria,1982. <br \/>\nLE GOFF, Jacques. Hist&oacute;ria e mem&oacute;ria. Campinas (SP): Edit. UNICAMP, 1990.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cartaz publicado pela FAG em 2007, convidando para um ato politico e cultural sobre os 90 anos da Greve Geral de 1917. Foto: Existenem aproxima&ccedil;&otilde;es e distanciamentos entre a hist&oacute;ria e a mem&oacute;ria. 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