{"id":10456,"date":"2009-05-06T18:01:22","date_gmt":"2009-05-06T18:01:22","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=981"},"modified":"2009-05-06T18:01:22","modified_gmt":"2009-05-06T18:01:22","slug":"bolivia-no-caminho-de-um-estado-plurinacional-comunitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10456","title":{"rendered":"Bol\u00edvia, no caminho de um Estado Plurinacional Comunit\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/20090210_bolivia_acto_promulgacion_nova_constitucion.jpg\" title=\"Os herdeiros de Tupac Catari comemoram a promulga\u00e7\u00e3o da mais avan\u00e7ada Carta Magna do Continente. Com isso, combatem aos oligarcas e emparedam as voca\u00e7\u00f5es conciliadoras do MAS leal a Felipe Quispe  - Foto:galiza\" alt=\"Os herdeiros de Tupac Catari comemoram a promulga\u00e7\u00e3o da mais avan\u00e7ada Carta Magna do Continente. Com isso, combatem aos oligarcas e emparedam as voca\u00e7\u00f5es conciliadoras do MAS leal a Felipe Quispe  - Foto:galiza\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Os herdeiros de Tupac Catari comemoram a promulga\u00e7\u00e3o da mais avan\u00e7ada Carta Magna do Continente. Com isso, combatem aos oligarcas e emparedam as voca\u00e7\u00f5es conciliadoras do MAS leal a Felipe Quispe <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:galiza<\/small><\/figure>\n<p>Bruno Lima Rocha, da Vila Setembrina dos Farrapos; Continente dos valentes de Teixeira Nunes; Liga Federal de los Pueblos Libres del Sur &ndash; 06 de maio de 2009 <\/p>\n<p>Em 7 de fevereiro deste ano a Bol&iacute;via promulgou a sua nova Constitui&ccedil;&atilde;o. O referendo para aprovar ou refutar o texto, realizado em 25 de janeiro, teve o voto SIM de 61,5% dos eleitores. A carta magna espelha duas tend&ecirc;ncias. Uma, &eacute; o experimentalismo institucional. Outra, o fortalecimento do Poder Executivo atrav&eacute;s do presidente Evo Morales. Qualquer leitura superficial pode considerar a pe&ccedil;a uma &ldquo;aberra&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica&rdquo;. Eu afirmo o contr&aacute;rio. Fruto de uma luta interna de mais de uma d&eacute;cada, este pode ser o marco jur&iacute;dico para outra forma de vida em sociedade.<\/p>\n<p>No segundo par&aacute;grafo do texto, j&aacute; se espelha este anseio: <em>O povo boliviano, de composi&ccedil;&atilde;o plural, desde a profundidade da hist&oacute;ria, inspirado nas lutas do passado, na subleva&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena anticolonial, na independ&ecirc;ncia, nas lutas populares de liberta&ccedil;&atilde;o, nas marchas ind&iacute;genas, sociais e sindicais, nas guerras da &aacute;gua e de outubro, nas lutas pela terra e territ&oacute;rio, e com a mem&oacute;ria de nossos m&aacute;rtires, constru&iacute;mos um novo Estado.<\/em> <\/p>\n<p>Al&eacute;m da po&eacute;tica entusiasta, o que h&aacute; de novo e relevante nessa carta? Come&ccedil;o com a id&eacute;ia de pluralismo jur&iacute;dico, onde parte da vida em sociedade poder&aacute; ser regulada mediante o direito comunal, base jur&iacute;dica do Estado composto por autogovernos. Na verdade, o texto constitucional reconhece no papel o que as sociedades urbanas e rurais, descendentes ou origin&aacute;rias das na&ccedil;&otilde;es que ali vivem h&aacute; mais de 5000 anos, j&aacute; exercem. A nova defini&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s &eacute; de Um Estado Unit&aacute;rio Social de Direito Plurinacional Comunit&aacute;rio. &Eacute; como que um jurista viesse a sacralizar perante o Estado a usos e costumes milenares. As formas de democracia aprovadas refletem essa vontade pol&iacute;tica. Reconhece tanto a democracia direta e participativa (com referendos, plebiscitos e consultas massivas), como a representativa (mediante elei&ccedil;&otilde;es de representantes) e a comunit&aacute;ria, por meio de elei&ccedil;&otilde;es ou nomina&ccedil;&atilde;o de autoridades e lideran&ccedil;as locais e ind&iacute;genas. Este modelo pol&iacute;tico vai ao encontro dos princ&iacute;pios expressos no Cap&iacute;tulo Quarto, &ldquo;Dos direitos das na&ccedil;&otilde;es e povos ind&iacute;genas, origin&aacute;rios, camponeses&rdquo;, com &ecirc;nfase no Item II, sub item 5. <em>Que suas institui&ccedil;&otilde;es sejam parte da estrutura geral do Estado. <br \/>\n<\/em><br \/>\nNesse sentido, vale ressaltar que concretizar um pa&iacute;s plurinacional est&aacute; anos luz do folclore e do regionalismo. Atendendo uma peleia de mais de 500 anos, o plurinacionalismo comunit&aacute;rio &eacute; o autogoverno ind&iacute;gena, tanto em territ&oacute;rio urbano como rural. Isto significa, al&eacute;m de uma nova institucionalidade, o reconhecimento de que o Estado boliviano &eacute; a soma de contribui&ccedil;&otilde;es conflitos advindos com a invas&atilde;o espanhola. Por exemplo, os idiomas oficiais, al&eacute;m do castelhano, passam a ser outras 36 l&iacute;nguas ind&iacute;genas, sendo as mais faladas, o qu&eacute;chua e o aimar&aacute;. <\/p>\n<p>&Eacute; uma l&oacute;gica simples. No antigo Alto Peru, mais de 60% da popula&ccedil;&atilde;o, sendo ou n&atilde;o um povo origin&aacute;rio (como aimar&aacute;s e qu&eacute;chuas), querem reverter sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria. Ou seja, condenar a coloniza&ccedil;&atilde;o e sua heran&ccedil;a, redescobrindo as ra&iacute;zes mediante um projeto de pa&iacute;s independente. Para as massas ind&iacute;genas e camponesas, apenas este reconhecimento constitucional j&aacute; &eacute; muita coisa. Mas, ao levar &agrave; pr&aacute;tica o auto descobrimento e a rejei&ccedil;&atilde;o da conquista, outra parte da Bol&iacute;via se p&otilde;e em p&eacute; de guerra. <\/p>\n<p><u>A pol&iacute;tica tradicional e a nova perspectiva de pa&iacute;s <br \/>\n<\/u><br \/>\nEm agosto de 2008 assisti a uma palestra do ex-presidente boliviano Carlos Mesa, durante a reuni&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica (ABCP). Na ocasi&atilde;o, pairava a amea&ccedil;a de guerra civil secessionista, onde os departamentos da Media Luna, liderados pela oligarquia cruce&ntilde;a (de Santa Cruz de la Sierra) contestavam agressivamente ao governo eleito. Em sua fala, Mesa se disse &ldquo;horrorizado&rdquo; com as posturas de quem estava &agrave; esquerda do governo, como o Movimento Pachakuti, encabe&ccedil;ado pelo ex-guerrilheiro Felipe Quispe. Seu horror se expressava tamb&eacute;m no texto constitucional, fruto da pr&aacute;tica pol&iacute;tica do conflito. Segundo o ex-vice de S&aacute;nchez &ldquo;El Goni&rdquo; de Losada, na Bol&iacute;via, qualquer setor social est&aacute; acostumado a tomar na ra&ccedil;a aquilo que entende que &eacute; seu por direito. O pr&oacute;prio Mesa, que assumiu em 2003 ap&oacute;s a derrubada do governo de Goni, recebeu um ultimato, esp&eacute;cie de aviso pr&eacute;vio, dando-lhe 120 dias para come&ccedil;ar a implantar uma s&eacute;rie de reivindica&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o foi &agrave; toa que terminou sendo obrigado a renunciar. <\/p>\n<p>&Eacute; nesta mesma cultura pol&iacute;tica de fazer valer pela for&ccedil;a, a oposi&ccedil;&atilde;o de direita se articula &Eacute; de se supor que n&atilde;o iam entregar sem luta um pa&iacute;s que era seu, em sociedade com as pot&ecirc;ncias estrangeiras, desde 1825. O passo est&aacute; sendo dado pelos prefeitos de quatro departamentos, Beni, Tarija, Chuquisaca e Santa Cruz. Conformaram uma frente &uacute;nica, chamado de Conselho Nacional Democr&aacute;tico (Conalde), visando &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es gerais de dezembro pr&oacute;ximo. At&eacute; l&aacute;, &eacute; prov&aacute;vel que ocorram dois fen&ocirc;menos. Um &eacute; o aumento da popularidade de Evo, beirando os 70% de aprova&ccedil;&atilde;o. O outro &eacute; a tentativa de deslegitimar a Constitui&ccedil;&atilde;o que representa no papel e na lei, um pa&iacute;s virado de ponta cabe&ccedil;a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os herdeiros de Tupac Catari comemoram a promulga\u00e7\u00e3o da mais avan\u00e7ada Carta Magna do Continente. 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