{"id":10462,"date":"2009-06-10T08:49:22","date_gmt":"2009-06-10T08:49:22","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1017"},"modified":"2009-06-10T08:49:22","modified_gmt":"2009-06-10T08:49:22","slug":"democracia-liberal-x-a-democracia-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10462","title":{"rendered":"Democracia liberal X a Democracia social"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/assembleia-unb.jpg\" title=\"A democracia social prev\u00ea a participa\u00e7\u00e3o popular, quando o sujeito social coletivo e organizado toma para si as decis\u00f5es fundamentais de uma parcela da sociedade.  - Foto:ocupa unb\" alt=\"A democracia social prev\u00ea a participa\u00e7\u00e3o popular, quando o sujeito social coletivo e organizado toma para si as decis\u00f5es fundamentais de uma parcela da sociedade.  - Foto:ocupa unb\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A democracia social prev\u00ea a participa\u00e7\u00e3o popular, quando o sujeito social coletivo e organizado toma para si as decis\u00f5es fundamentais de uma parcela da sociedade. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:ocupa unb<\/small><\/figure>\n<p>10 de junho de 2009, do Rio Grande outrora altaneiro, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Tal como a maioria dos cientistas pol&iacute;ticos, entendo que n&atilde;o h&aacute; uma teoria unit&aacute;ria de democracia e que a mesma est&aacute; em disputa. Tamb&eacute;m compreendo como v&aacute;lida a afirma&ccedil;&atilde;o de que a vida em sociedade atrav&eacute;s do exerc&iacute;cio de liberdade de express&atilde;o, de reuni&atilde;o, de organiza&ccedil;&atilde;o e de manifesta&ccedil;&atilde;o &eacute; pr&eacute;-requisito b&aacute;sico para uma sociedade democr&aacute;tica. <\/p>\n<p>Embora sejam essenciais, esses direitos n&atilde;o s&atilde;o fins em si mesmos. E a garantia da estabilidade desses direitos n&atilde;o pode existir excluindo a dimens&atilde;o social, distributiva, jur&iacute;dica e econ&ocirc;mica da &ldquo;democracia&rdquo; representativa em que vivemos. Assim, n&atilde;o compreendo como &ldquo;democr&aacute;tica&rdquo; uma sociedade plena de direitos, mas onde as maiorias n&atilde;o influem de forma direta sobre e a respeito das decis&otilde;es fundamentais.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio debater qual o conceito de democracia estamos adotando? Isso transparece na disputa por defini&ccedil;&otilde;es de democracia e que tipo de partido pol&iacute;tico seria adequado para um regime de altern&acirc;ncia de poder, mas sendo que este poder se constr&oacute;i desde abaixo. Abordando este tema atrav&eacute;s dos partidos pol&iacute;ticos como unidade de an&aacute;lise, nos encontramos com um debate de fundo. <\/p>\n<p>O mesmo trata das regras e condutas dos agentes pol&iacute;ticos e os limites dessa competi&ccedil;&atilde;o. Isto &eacute;, os limites da pr&oacute;pria democracia que coexiste com o oligop&oacute;lio, como classe de mercado fundamental para o capitalismo. <\/p>\n<p>Embora haja dezenas de defini&ccedil;&otilde;es de democracia e de partido pol&iacute;tico, as duas categorias existem dentro de um marco divis&oacute;rio: por um lado, a democracia liberal e, por outro, a democracia social. Dentro dessas defini&ccedil;&otilde;es ampliadas, os dois grandes conceitos de democracia trazem em si o seguinte consenso: soberania popular; direitos humanos; igualdade de oportunidades; livre express&atilde;o. <\/p>\n<p>Voltando &agrave;s grandes defini&ccedil;&otilde;es de democracia, fa&ccedil;o acordo com esta defini&ccedil;&atilde;o generaliz&aacute;vel de democracia e vejo que no avan&ccedil;o da democracia liberal, pois &agrave; medida que os pressupostos neoliberais avan&ccedil;am, a soberania popular perde espa&ccedil;o para os agentes que operam na l&oacute;gica de mercado, vem sendo retirado conte&uacute;do dos regimes democr&aacute;ticos. <\/p>\n<p>Se, de um lado, se perde a capacidade de regula&ccedil;&atilde;o social, de outro, o regime fica politicamente est&aacute;vel, ao menos no que diz respeito aos ritos e procedimentos. Para suprir o vazio, outras formas de express&atilde;o pol&iacute;tica v&ecirc;m ganhando terreno. Assim, h&aacute; mais setores a serem organizados e representados e uma perda substancial de direitos reais, embora tenham exist&ecirc;ncia formal. Infelizmente, at&eacute; a&iacute; n&atilde;o h&aacute; nenhuma novidade. <\/p>\n<p>Tanto no &acirc;mbito mais acad&ecirc;mico como nos setores mais militantes, h&aacute; uma extensa bibliografia abordando o tema dos movimentos populares, dos &ldquo;novos movimentos&rdquo; e da rela&ccedil;&atilde;o destes com os partidos pol&iacute;ticos. Ao mesmo tempo, h&aacute; um aumento de ideologias e atitudes &ldquo;participativas&rdquo; que levam as pessoas a se servirem cada vez mais do repert&oacute;rio de direitos democr&aacute;ticos existentes, mesmo dentro de sociedades excludentes, como as latino-americanas. <\/p>\n<p>Esta caracter&iacute;stica agrava o distanciamento entre os partidos legalmente constitu&iacute;dos, operando dentro do jogo eleitoral e a partir dos procedimentos formais e evitando o conflito para o aumento desses mesmos direitos. Ou seja, cada vez mais os partidos liberais (eleitorais) representam menos a algu&eacute;m e atuam mais em defesa de interesses pr&oacute;prios. Isso cria um hiato de representa&ccedil;&atilde;o formal, abrindo margem para uma cr&iacute;tica da democracia de mercado a partir do pr&oacute;prio ponto de vista democr&aacute;tico, no caso, da democracia social. <\/p>\n<p>Assim, o uso crescente de novas formas de participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (ainda n&atilde;o formalizadas) e as exig&ecirc;ncias e os conflitos pol&iacute;ticos de temas que conseguem se politizar colocam contra a parede os discursos vazios de conte&uacute;do da democracia liberal. Isso se d&aacute; porque, fruto da correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as, h&aacute; a capacidade de um setor da sociedade, sujeito social organizado &ndash;&ndash; atrav&eacute;s de um(s) agente(s) dotado(s) deste prop&oacute;sito &ndash; ou fra&ccedil;&atilde;o de classe, conseguir tornar politicamente aceit&aacute;veis temas que em uma etapa anterior eram vistos como de ordem moral, privada ou confessional. <\/p>\n<p>Tal &eacute; o caso, dentre v&aacute;rios, dos direitos reprodutivos (quest&atilde;o do aborto), do ass&eacute;dio moral (humaniza&ccedil;&atilde;o do trabalho) e das causas vinculadas direta ou indiretamente &agrave; ecologia. Esta &uacute;ltima grande bandeira j&aacute; se torna transversal, passando por demandas ambientalistas, preservacionistas, indigenistas, camponesas, dentre outras. <\/p>\n<p>&Eacute; nesse cen&aacute;rio de quebra do monop&oacute;lio da representa&ccedil;&atilde;o, fazendo a cr&iacute;tica da intermedia&ccedil;&atilde;o profissional e sendo obrigado a operar num terreno de identidades fragmentadas e multiplicadas, que reside a necessidade de construir formas organizativas pol&iacute;ticas para atuar no projeto da democracia social (participativa, radical, substantiva e deliberativa). <\/p>\n<p>Entendo como urgente a defini&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica de um modelo de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que esteja subordinada aos interesses daqueles setores que se pretende organizar. Isto &eacute;, uma estrutura pol&iacute;tica que aposte sua acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a na capacidade de mobiliza&ccedil;&atilde;o popular, for&ccedil;ando o Estado a atender &agrave;s suas demandas justas, leg&iacute;timas e hist&oacute;ricas e, por conseq&uuml;&ecirc;ncia, atuando sempre por fora dos acordos olig&aacute;rquicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A democracia social prev\u00ea a participa\u00e7\u00e3o popular, quando o sujeito social coletivo e organizado toma para si as decis\u00f5es fundamentais de uma parcela da sociedade. 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